quarta-feira, maio 07, 2025

Stand-up Comedy

Sempre considerei o humor, a ironia fina, até o sarcasmo, quando não agressivo, formas de inteligência, e as pessoas portadoras dessas características, evidentemente, inteligentes. Sem falsa modéstia, desde sempre me considero uma pessoa bem-humorada, irônica e sarcástica (quando necessário), apesar de – como todos – ter meus momentos de introspecção e pouca diversão. Logo, ao olhar o espelho, me vejo – sim - como alguém que considero inteligente (independente do que os outros possam pensar até, mas não vem ao caso).

 

E muitas vezes é algo incontrolável.

 

Realmente faço força (e ‘fracasso’ com alguma frequência) em muitas situações para não fazer comentários ‘engraçadinhos’ ou piadas, principalmente naquelas em que talvez não fosse o melhor momento para tais brincadeiras. Claro que procuro não ser nunca inconveniente, mas situações sóbrias parecem pedir por momentos e comentários para descontrair.

 

Uma vez em consulta, uma paciente – em meio à conversa – comentou que eu tinha o timing do clown, do humorista. Mesmo que estivesse me chamando de palhaço, percebi como um elogio. Porque é uma arte, essa de fazer rir, descontrair, ‘pescar’ no ar aquilo que a vida tem de divertido, reconhecer que – entre todas as histórias que vivemos – pouquíssimas são as que não tem algo de cômico, mesmo que tragicômico.  

 

Tudo são histórias para contar, como eu sempre digo, e toda história tem o seu lado engraçado e memorável, mesmo que durante o acontecimento não consigamos ter a clareza disso. Em situações tensas e complicadas, por exemplo, sempre procuro lembrar que ‘ainda vamos rir de tudo isso’.

 

Eu, ao menos, vou.


Até. 

terça-feira, maio 06, 2025

Fica na Tua (2)

Não encha o saco.

 

Ainda no espírito do ‘Fica na Tua’, o modo de vida que significa isso mesmo, cuidar da própria vida, dos seus problemas e suas alegrias, e deixar os outros viverem suas próprias opções, sigo refletindo sobre o assunto. Um jeito de viver bem mais tranquilo.

 

O mundo seria um lugar muito melhor se cada se preocupasse apenas com sua vida, e deixasse que os outros vivessem a suas da forma que mais achassem adequado. Se todos respeitassem as opções de vida das pessoas. 

 

Tenho dificuldades em aceitar que alguém seja dono da verdade e sinta-se ‘obrigado’ ou com o dever de espalhar, ou impor, essa sua verdade aos outros. Aliás, querer dizer, ou impor, a forma pela qual todos devem pensar ou viver é – para mim – absurdo. Cuida da tua vida e deixa os outros em paz. Assim como não quero (e não devo) interferir no teu modo de viver, não te mete na minha vida. Simples.

 

Por isso tenho problemas com dogmas ou posições e sistemas políticos ou religiões que tentam ou pretendem se impor sobre a liberdade individual. Nada é mais sagrado que a liberdade de cada um determinar a forma como vai viver, e nada é mais cretino que querer impor isso aos outros. A forma que tu vives, e desde que não interfira na liberdade dos outros, é problema teu, e ninguém tem o direito de dar palpite nisso.

 

Se cada um ficasse na sua, se preocupasse apenas com seu umbigo, como eu disse, tudo seria simples.


Até. 

segunda-feira, maio 05, 2025

Fica na Tua

Uma ideia (etapa anterior a ser um projeto) de livro de autoajuda que tinha (tenho) se basearia na máxima, como o título deste texto diz, ‘fica na tua’. Soa quase como um mantra, parecido com o ‘não é sobre mim’, que – já falei – comecei a usar quando lido com questões do trânsito do dia a dia, e tem sua base na música ‘Loucos de Cara’, do Vitor Ramil, lançada em 1987 no disco ‘Tango’.

 

Ela diz que não importam as dificuldades que a vida nos impõe, os contratempos, não importa o que os outros pensam de ti, fica na tua e segue teu caminho. Não importa que Deus jogue pesadas moedas do céu, vire sacolas de lixo, pelo caminho... Se na praça em Moscou, Lenin caminha e procura por ti sob o luar do Oriente, fica na tua...

 

Vamos enfrentar dificuldades, perdas, sentiremos dores ao longo da vida das quais não poderemos fugir. É parte da existência, paciência. Temos que seguir em frente, não podemos desistir e nem nos desviar do caminho que traçamos a nós mesmos. Em meio ao ruído do mundo, fica na tua. Vive tua vida e deixa os outros viverem as suas própria, tomarem suas decisões e arcarem com as consequências das mesmas, assim como ocorrerá contigo e tuas decisões.

 

Não sozinhos, claro.

 

Vem, anda comigo, pelo planeta, vamos sumir!

 

O mais importante é enxergar e viver a tua verdade individual, com honestidade e coerência aos teus princípios. Abrir os olhos para o mundo, mesmo que tudo pareça por vezes confuso e sem sentido. Se um dia qualquer, tudo pulsar num imenso vazio, coisas saindo do nada, indo pro nada. Se mais nada existir, mesmo o que sempre chamamos real e isso para ti for tão claro, que nem percebas. É sinal que valeu, pegar carona no carro que vem, e se ele não vem, não importa: fica na tua.

 

Se cada um ficasse na sua, vivendo sua vida da forma que lhe parecesse melhor, sem querer impor sua verdade ao outros, tudo seria bem mais fácil.

 

Eu tento cada vez mais ficar na minha.

 

Até.

domingo, maio 04, 2025

A Sopa

Eu não sou magro.

 

E não sou gordo, por outro lado. Posso me considerar, então, no limbo. O limbo do sobrepeso. Meu índice de massa corporal é maior do que vinte e cinco e menor do que trinta. Estou entre os cinquenta e seis por cento dos brasileiros que estão acima do peso, mas não entre os trinta e quatro que são obesos, dados esses de 2024. 

 

E daí?

 

Nada.

 

Apenas informação que diz respeito apenas a mim, e compartilho com você, caro leitor, apenas como curiosidade. Como quando começou a pandemia, cerca de um ano depois de ter atingido o meu maior peso até hoje, quando coloquei um pé no território da obesidade e me assustei com isso. Foi quando eu trabalhava no mundo corporativo e estava, além de me tornando obeso, bem estressado.

 

Durante a pandemia, já fora do estresse de trabalhar em um ambiente tóxico criado por um gestor (que saiu da empresa pouco tempo depois de mim), e após ter voltado a praticar atividade física, resolvi que era hora de perder peso, e fiz – junto com exercícios intensos – uma dieta que resultou na perda de dezesseis quilos. A pandemia, e a ausência de situações sociais, jantares e churrascos, por exemplo, foi de vital importância nesse processo.

 

Após a retomada da vida pós-pandemia, a retomada do peso foi progressiva, não no mesmo nível de antes, claro, e com a manutenção da atividade física, de força. Não sei o meu percentual de gordura atual, mas não deve ser alto, pois sigo mantendo cuidados na alimentação sem loucuras ou neuroses. Fisicamente, me sinto bem, mesmo que conviva volta e meia com dores (ombro, colunas cervical e lombar). 

 

Quando ocorre, reduzo a intensidade do exercício e sigo.

 

Esses dias, resolvi adicionar um auxílio para perder um pouco de peso que eu achava que seria bom. Fiz uso, então, um medicamento prescrito por um médico, por via oral, e confesso que não sei se notei grande diferença. Parei e acho que minha fome aumentou. Talvez volte a tomar. Ou não, ainda não sei.

 

O importante é que gosto do que vejo quando olho no espelho. E não falo apenas do aspecto físico.


Até. 

sábado, maio 03, 2025

Sábado (e - mais - uma foto antiga de viagem)

Alte brücke

 

Heidelberg, Alemanha. Outubro/2003.
Essa viagem se chamou 'Prosit'.

Bom sábado a todos.

Até.





 

sexta-feira, maio 02, 2025

Crenças

Somos nosso principal inimigo.

 

Em muitas situações da vida, venho aprendendo ao longo dos anos, o principal limitador, a grande âncora que nos segura e atrasa ou impede qualquer avanço, somos nós mesmos. A percepção que temos de nosso potencial, de nossas capacidades, é o que – nem sempre, claro – nos impede de alcançar tudo o que poderíamos alcançar.

 

A narrativa, e o discurso, criam a realidade.

 

Se acreditamos que não somos capazes, vamos (mesmo que inconscientemente) fazer de tudo para provar essa crença, que em muitos casos não terá nenhuma base na realidade. E o contrário também é verdadeiro. É o que sempre digo: autoconfiança é tudo na vida.

 

As crenças que temos nos definem.


Até. 

quinta-feira, maio 01, 2025

Nunca Gostei

Eu nunca gostei da ideia de fazer plantões.

 

Falo como médico, claro. Principalmente noites e finais de semana. A ideia de dormir fora de casa, ou passar um sábado, por exemplo, trabalhando em uma emergência, sempre foi contra o que eu gostaria. E sofria com a ideia.

 

Não com o plantão em si, esclareço. Gostava de estar no plantão. O trabalho era – na maior parte do tempo – bom de se fazer. Isso, aliás, quando trabalhava em locais em que se ofereciam condições mínimas para se exercer a minha função, o que nem sempre aconteceu, já que trabalhei em lugares bem difíceis mesmo. Mas íamos levando do jeito que dava.

 

O que eu realmente não gostava era da ideia de estar de plantão. O pré-plantão, o saber que estaria de plantão em determinado dia e hora. A antecipação era o que me matava. Estar no plantão estava bem, mesmo com noites não ou mal dormidas. O que me matava era a antecipação.

 

Pode chamar de ansiedade, tudo bem.

 

Houve uma época em que fazer plantões era fundamental em termos de renda, não havia a opção de não fazer. Então, muitas vezes os dias se alternavam entre a angústia de saber que estaria de plantão, o plantão em si, o cansaço vindo do plantão e novamente a angústia antecipatória. Era uma fase que deveria ser passada, paciência. Em determinado momento, alguém sugeriu que eu tomasse algum medicamento para reduzir essa ansiedade, essa angústia (o que era uma boa ideia), mas optei por não fazer (bobagem minha).

 

Quando recomecei a vida aqui após voltar do Canadá, há quase vinte anos, optei por não fazer plantões, mesmo que isso significasse que inicialmente minha renda seria bem menor do que poderia. Foi quando comecei a acumular atividades diversas, assumir funções, ‘abraçar’ o que surgisse, para depois, ao longo do tempo, ir selecionando o melhor para mim. 

 

Tem dado certo, afinal. Pelo menos é assim que vejo.

 

E sigo fazendo isso, priorizando, até hoje.


Até.