Sobre voltar.
Como repetidas vezes dito (por mim, por mim), voltar é parte importante de uma viagem, tão importante quanto a preparação e a viagem em si. Se não voltássemos, não seria viagem: seríamos nômades. O retorno para casa, para o lar, para o mundo de todos os dias, para a rotina, é que faz tudo ter sentido.
Na virada do século e milênio passados, no último mês do século vinte, dezembro de dois mil, viajamos. Chamamos a viagem de ‘Natal na Neve’, pois esse era o objetivo principal da viagem, ter uma experiência de passar o Natal em um lugar frio, onde houvesse neve. O lugar escolhido foi o norte da Itália, quase fronteira com a Áustria. Ainda não havia telefones com internet, então utilizávamos mapas físicos para nos guiar pela estradas nos Alpes. Tínhamos reservado os hotéis da chegada (em Roma), do Natal (em Rasun di Sopra, uma grata surpresa, que reservamos pensando ser em Brunico) e para a última semana, em Paris. Fizemos todo esse trajeto de carro, incluindo a passagem pelos Alpes entre a Itália e a Áustria, pela passagem de Brenner.
Foi uma longa viagem, trinta dias, e – nos últimos dias – já sonhava com a volta para casa, por melhor que estivessem esses dias de férias. Depois, acho que nunca mais fizemos alguma viagem tão longa, por diferentes razões.
Chegamos de volta de viagem ontem, quinze intensos e divertidos dias (entre trabalho e férias) depois de sairmos, fisicamente cansados pelo maratona de aeroportos e noite mal dormida no avião, mas mentalmente descansados e prontos para o restante do ano. Confesso que a vontade de voltar já era grande, já sentia falta da rotina.
Como se estivesse há bem mais tempo longe de casa.
Viajar é MUITO bom, mas voltar para casa é ainda melhor.
Até.