Aos dezesseis anos, no exato ano de 1988, terminei o curso técnico em Operador de Computador na Escola Técnica da UFRGS, meu segundo grau, o ensino médio da época. Faria (fiz) dezessete anos apenas em abril de 1989, mas já tinha que ter minha vida definida naqueles dias. Tinha que optar por quem eu seria no futuro, decidir o caminho, a estrada que percorreria pelo resto de minha vida, escolha que teria que ocorrer até determinado dia.
Falo da inscrição do vestibular.
Via naquela decisão, do curso escolhido e na eventual aprovação no concurso, a abertura da porta que seria o início da vida adulta, no fundo. Essa decisão moldaria o futuro que encontraria em frente. Era, portanto, uma decisão importante, pesada, talvez a mais importante que tomaria na vida, porque todas as outras seriam consequências – diretas ou indiretas – dessa única decisão.
E não tinha volta.
Parecia que era um caminho sem volta.
Era assim que eu pensava, ao menos. Ninguém – principalmente minha família - nunca me disse isso, mas era como eu via o mundo aos dezesseis anos. Era mais do que os quatorze quase quinze (ou ca-quinze, que eu disse para o porteiro do cinema) quando fomos assistir a um filme pornô no Centro de Porto Alegre em uma manhã sem aula, o que não é relevante agora. O fato é que aos dezesseis anos eu achava que as decisões que eu tomasse naquele momento seriam definitivas. Da mesma forma que a obrigação de ser aprovado e ingressar em um curso superior, pressão que era muito mais minha do que externa. Tempos de encruzilhadas e grandes definições, sem volta.
Não eram, não são.
E é isso o que procuro ensinar para minha filha...
Até.