quinta-feira, outubro 22, 2026

Muito Barulho por Nada

O problema do mundo são as minorias barulhentas.

 

E não estou falando (apenas) de política.

 

Não tenho nenhuma dúvida que essa sensação ruim que temos com relação às pessoas, esse mal-estar coletivo, ele decorre apenas como reação às minorias barulhentas, que – com suas pautas diversas, que não vem ao caso – acabam dominando o ambiente. Quem grita mais alto ganha mais atenção, pensam. 

 

Só que a maioria não é assim.

 

Nós, a maioria, nós somos quem respeita os outros, que aceita que as pessoas vivam suas vidas conforme suas crenças pessoais, conforme suas opções, nós que estamos presentes, e sempre no horário marcado, que mantemos a palavra e os compromisso assumidos, nós que respeitamos contratos firmados, nós que não tentamos nos aproveitar da boa vontade das pessoas, nós que pregamos que a liberdade individual é um princípio básico da existência. Somos nós que fazemos o mundo funcionar.

 

Os que gritam demais, brigam demais, aqueles que tentam levar vantagens pessoais em tudo que fazem, mesmo ou principalmente em detrimento de outros, aqueles que não estão no jogo para todos ganharem, esses – apesar de parecerem ser muitos – não predominam. 

 

Nós, a maioria silenciosa, é quem tornamos a vida boa.

 

Muitas vezes, corremos o risco de generalizar e pensar que é a maioria que está gritando, e que as pessoas são assim, ruins. 


Não é, não são.


Até. 

quarta-feira, outubro 21, 2026

Quase lá

O fim está próximo, e isso é bom.

 

Do período eleitoral, do mês, do ano. A sensação que tenho ou, talvez, a vontade, seja de apenas colocar o carro em ponto morto (do tempo em que carros automáticos eram raros) e seguir ‘na ponta dos dedos’ (outra referência automobilística) até o final de dezembro. Terminar logo dois mil e vinte e seis.

 

Esse foi, até aqui, um ano difícil.

 

E agora amplio o meu olhar para pensar sobre o que significa um ano difícil e o que esse tem de diferente dos outros para que possamos afirmar com convicção o maior grau de dificuldade do atual. Todos os anos são, de um jeito ou outro, difíceis, desafiadores. E isso aqui não é uma retrospectiva antecipada. É que parei um pouco para pensar.

 

Por que dois mil e vinte e seis foi complicado? Aliás, e volto a falar disso, quais critérios uso (usamos) para avaliar a vida? Fatores econômicos, políticos, os relacionamentos, as pessoas que entram e saem de nossas vidas, os medos que surgem no caminho, as ansiedades que se abatem em maior ou menor grau? Aquilo que fizemos, o que vivemos, e aquilo que deixamos de fazer, as palavras não ditas, para o bem e para o mal? As epifanias que tivemos, as conversas que tivemos e as que não temos como ter novamente?

 

Os livros lidos, as músicas ouvidas (e aquelas tocadas), os filmes que não vimos? As comidas que fizemos e as refeições que compartilhamos? Os inimigos reais e os imaginários? Quem nos ajudou e quem ajudamos? Cada um tem seus critérios e suas aspirações. Eu?

 

Sigo em busca da simplicidade.


Até. 

terça-feira, outubro 20, 2026

No consultório

O exame físico é parte fundamental da consulta médica, evidentemente. Verificar os sinais vitais, pressão arterial, frequência cardíaca, saturação de oxigênio, auscultar o tórax, coração e pulmões, além do resto do exame, não menos importante, é o que complementa o processo de avaliação do que levou o paciente à consulta. Na rotina dos dias, muitas vezes esquecemos do quão fantástico é o corpo humano em funcionamento, uma máquina quase perfeita.

 

Parece tão banal, isso de parar em silêncio e ouvir o bater cardíaco, sístole e diástole, movimento involuntário e constante. Na verdade, não é, mas nem sempre nos damos conta disso.

 

Estava eu esses dias concentrado em ouvir o ritmo regular, em dois tempos, as bulhas cardíacas normofonéticas, nem muito fortes e nem abafadas, B1 e B2, que não são bananas de pijamas como os personagens infantis do final dos anos noventa, quando – depois de mais de trinta anos fazendo isso, ouvindo pessoas, suas histórias, seus pulmões e corações – como em uma epifania, fiquei encantado em ouvir o bater ritmado do coração de quem eu examinava, fiquei – posso dizer – espantado de novo em ouvir a vida em sua comprovação mais básica, mais raiz. Desde lá, como uma criança descobrindo o mundo, fico admirado ao ouvir o bater do coração e, também, o ar que entra e sai do peito. 

 

Que responsabilidade é manter esse sistema em perfeito funcionamento, e que felicidade saber que posso (podemos) ajudar e melhorar aqueles que precisam.


Até. 

segunda-feira, outubro 19, 2026

Tempo Perdido

É semana de eleição, e, infelizmente, não consigo fugir – por mais que eu queira – do assunto nessa manhã de segunda-feira após o debate de ontem à noite. Como o título desse crônica é autoexplicativo, deveria ter assistido a um filme ou série, ao invés de tentar extrair algo de bom da discussão estéril entre o futuro presidente, seja ele quem for, e o seu adversário da disputa.

 

Ninguém – e afirmo isso com tranquilidade – vai mudar sua intenção de voto a partir do que falaram ontem os candidatos. Ausência de propostas, acusações não respondidas por ambos os lados. Falta de habilidade, não respostas, mudanças convenientes de assunto.

 

Vimos tudo isso, e não vimos nada de produtivo.

 

Metade do Brasil tem a certeza do caos se um deles ganhar, e a outra metade tem a mesma convicção caso o vencedor seja o outro. Todos têm certezas, todos sabem tudo.

 

Eu?

 

Tudo o que sei é que nada sei.

 

Até.

domingo, outubro 18, 2026

A Sopa

Podemos dizer que a primavera ainda não chegou de verdade aqui no sul do mundo, mesmo que o calendário nos afirme o contrário. Mudanças climáticas, Super El Niño, aquecimento global, todas são explicações válidas para esse fenômeno que se abateu sobre nós esse ano. Que, por sinal, está contrariando minha convicção irracional de que anos pares são melhores que anos terminados em número ímpar, o que realmente não é importante, não quer dizer nada.

 

Estamos a uma semana do segundo turno das eleições brasileiras e tenho cada vez mais certeza de que esse clima chato não vai acabar após a decisão de quem será o novo presidente, independente de quem ganhar.  Eu, cá no meu canto, não gosto nem um pouco de nenhum dos dois candidatos, então qualquer que fosse o meu voto, ele seria (será) constrangido, um voto em quem eu acho que pode atrapalhar menos a minha (nossa) vida. 

 

Uma coisa é certa, entretanto.

 

Se algum dos candidatos se comprometesse a trazer de volta o horário de verão, ele teria o meu voto na hora. Além de seu eleitor, seria entusiasta, sairia por aí com sua bandeira, adesivaria o meu carro, entregaria panfletos, gravaria vídeos, até faria dancinhas no TikTok. 

 

O horário de verão é a solução para a polarização do país.

 

Com mais tempo de luz, de dia claro, no final do dia, junto com dias de temperatura mais amena, as pessoas saem mais, vão para as ruas, se reúnem mais, convivem mais, o que significa menos tempo em redes sociais, menos tempo no WhatsApp, menos teorias da conspiração, menos chance de lerem algo e não entenderem e brigarem por isso. Ninguém é tão agressivo pessoalmente quanto o é em comentários do Instagram, por exemplo. Pessoalmente, tudo é mais fácil de resolver, e é muito mais simples de encontrar pontos de concordância, pontos em comum. Até porque, se pensar só um pouco, todos queremos mais ou menos as mesmas coisas.

 

É mais fácil resolver os problemas do mundo em uma mesa de bar, ou em um churrasco, do que em frente à tela do computador ou do celular, influenciados por um algoritmo que "quer ver o circo pegar fogo".


Até. 

sábado, outubro 17, 2026

Sábado (e vai ter Halloween POA)

 




Prepare sua fantasia e venha.
Entrada gratuita.
Vai ser legal!!

Bom final de semana a todos.

Até.

quarta-feira, outubro 14, 2026

Mudar de Fase?

Fiquei sabendo, há alguns dias, que uma amiga da Marina havia dito que não via a hora de terminar o ensino médio e não mais ser obrigada a conviver com muitos do seus colegas de escola. Que estava na hora de mudar de fase, esse o seu desejo, interpretei eu.

 

Calma lá com seus desejos, minha cara, pois eles se tornam realidade e – quando perceberes – o tempo terá passado rápido demais e sentirás saudades desse tempo. É fácil falar, e difícil de sentir e fazer, mas vive cada momento em toda sua intensidade, porque ele é e será único.

 

Essa ansiedade para que o tempo passe e as coisas aconteçam, se realizem, conheço bem. Muito vivi isso, e ainda de tempos em tempos tenho que me policiar para não esquecer de estar presente, de focar no presente. Me repito, eu sei, mas esse tema está com uma razoável frequência retornando em meus pensamentos: tudo o que temos é o agora, nada mais.

 

O tempo, quando olhado em retrospectiva, passa muito rápido. O que parece uma eternidade ao olharmos em frente – a ano quem vem, daqui a cinco anos – passa ‘em um piscar de olhos’ quando pensamos no que passou. É tanto tempo, mas também tão pouco. Parece que foi ontem, parece que foi há uma eternidade. Olha a pandemia da COVID, por exemplo. Loucura, não?

 

Controlar a ansiedade, focar no hoje, no agora, viver cada momento com a intensidade necessária. Estar junto.

 

É a receita.


Até. 

terça-feira, outubro 13, 2026

Difícil não falar

Difícil não falar de política por esses dias.

 

Os ânimos estão acirrados, há a crença de que, dependendo de quem ganhar a eleição, haverá a ruína ou a redenção. Infelizmente, não há clima para um debate civilizado, uma discussão racional. Esse trem já partiu há tempos...

 

Tento, então, abstrair e silenciar sobre o tema por alguns momentos. Quero olhar para a rua e ver a primavera, mas até ela não está com cara de muitos amigos. Há uma neblina, um ar úmido que é um pouco de chuva, e a previsão não é animadora para os próximos dias.

 

Talvez tivesse sido melhor estender o feriado, ficar um pouco mais em casa, ler ‘Grande Sertão: Veredas’, dormir à tarde, tocar alguma música italiana no violão, cozinhar. Continuar o ritmo lento das manhãs de domingo com chuva.

 

Não é assim, contudo.

 

A semana começa na terça-feira, os compromissos estão batendo à porta e a vida não para (acento diferencial aqui). Seguimos, porque não há outra opção.

 

E porque nem tudo é política.


Até. 

segunda-feira, outubro 12, 2026

Direita ou Esquerda?

Sou de direita, porque prezo a liberdade individual, porém sou de esquerda porque defendo os direitos do trabalhador, e volto a ser de direita porque acho que quem trabalha deve ser livre para negociar a forma, a jornada de trabalho, dias de descanso e remuneração. 

 

Sou de direita, porque valorizo a família, mas sou de esquerda porque não tenho absolutamente nada contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, acho que o aborto deve ser de decisão da mulher, e que ‘não é não’.

 

Sou de direita porque defendo a propriedade privada, mas sou de esquerda porque sou favorável ao SUS, mesmo que remunere muito mal quem trabalha nele, o que me torna de direita porque acho que os médicos que trabalham nele deveriam ser mais valorizados e bem melhor remunerados. Sou de direita porque não concordo em ser chamado de trabalhador da saúde, porque somos médicos, enfermeiros, técnicos e outros, todos com funções importantes e fundamentais, mas não todos iguais.

 

Sou de esquerda porque apoio a cultura, mas sou de direita por achar que isso não é pauta exclusiva da esquerda.

 

Sou de direita porque acho que não houve golpe no impeachment da Dilma, mas sou de esquerda porque penso que – sim – houve tentativa de golpe em janeiro de 2022. Sou de esquerda porque acho que os participantes do oito de janeiro deveriam ter sido processados, mas sou de direita porque acho que o STF vem extrapolando seu papel constitucional há um bom tempo. 


Sempre que estou em uma encruzilhada na estrada, e não tenho ideia para onde ir (essa é uma definição pré-GPS) sigo à esquerda, mas a mão que tenho mais habilidade é a direita, mesmo que eu escreva com a esquerda.

 

Não sou de direita e nem de esquerda porque não tenho político de estimação, e porque não tenho saco para discutir política com fanáticos de um lado e de outro. E muito menos em cima do muro, porque sei bem o que quero.

 

Em resumo, meio que sou um extraterrestre, que vai ser taxado de burguês por quem é de esquerda (não vai ser a primeira vez) e de ingênuo por quem é de direita...


Azar.


Até. 

domingo, outubro 11, 2026

A Sopa

Posso me perguntar por que escrevo, com uma razoável frequência, sobre o passado, mas tenho, no mesmo momento, uma resposta a essa pergunta: escrevo para lembrar, escrevo para não esquecer. É minha forma de registrar a vida, de registrar quem fui e quem sou.

 

Tem assuntos que surgem, sobre os quais eu gostaria de escrever, e que têm que entrar “na fila”, dependendo da prioridade definida por mim, evidentemente. E a ordem das prioridades depende do que está acontecendo comigo, de como estou no momento em que vou escrever. Mais reflexivo, menos reflexivo, isso é claramente variável. Depende até se estou escrevendo com tempo, em um domingo lento sem sol ou em uma manhã de segunda-feira antes de começar a atender o consultório. Além de tudo, quanto mais tempo e mais memórias crio, mais tenho sobre o que escrever.

 

Às vezes, então, preciso voltar no tempo para lembrar / não esquecer de eventos de muitos anos. Nem tudo publico, pelos menos não imediatamente.

 

Volto a um onze de outubro, 1996, há trinta anos, sexta-feira. Eu era médico-residente de primeiro ano em pneumologia no Hospital da PUCRS, havia casado há menos de dois meses. Era o dia seguinte ao aniversário da Jacque (o segundo que passamos juntos). 

 

Claramente lembro de, em alguns momentos daquela manhã, de entrar em locais do hospital em que tinha música ambiente, como a agência do Banrisul, e estar tocando músicas da Legião Urbana, o que chamou minha atenção. Um pouco depois, talvez no almoço, fiquei sabendo da morte do Renato Russo.

 

Dentro aqueles que ‘escreveram’ a trilha sonora da minha vida, cuja obra musical esteve em sintonia com o que eu sentia e/ou vivia naquela época, Cazuza e Renato Russo estiveram entre os mais importantes. Fui adolescente cantando e me identificando com a poesia e música que eles faziam. Se na música Ideologia, do Cazuza, ele diz que ‘meus heróis morreram de overdose’, eu posso dizer que os meus, ao menos esses dois, morreram de AIDS, em um tempo em que a doença ainda era uma sentença de morte. Aliás, foi justamente em 1996 que os tratamentos antiretrovirais começaram a ser utilizados.

 

Muito mudou nesses trinta anos.

 

O mundo mudou, eu mudei.

 

É a vida.


Até. 

sábado, outubro 10, 2026

Sábado (e estressado ou não)

Fui pescar


Semana passada, na Argentina, como já falei.

Foi bom, foi bom.

Bom final de semana a todos.

Até.


 

quinta-feira, outubro 08, 2026

Dois mil e vinte e seis

Esse ano tem sido difícil.

 

Sob vários aspectos, sob diferentes perspectivas. Como sempre, e não poderia ser de outra forma, seguimos em frente, cabeça erguida, olhar no horizonte, mas cuidando para não tropeçar nas pedras do caminho.

 

Sou um otimista, e sigo acreditando – como sempre - que coisas boas estão a caminho, e que a luz ao final do túnel não é um trem... Independente disso, da expectativa de um porvir melhor, o importante é estar presente e aproveitar a jornada. E fazer as coisas agora que garantirão o desfecho desejado lá na frente. Apreciar o caminho (to enjoy the ride), o hoje, que é tudo o que temos.

 

Sei lá, rápidas reflexões de uma manhã chuvosa.

 

Até. 

quarta-feira, outubro 07, 2026

Preciso Falar

Não resisto.


Vou falar de política...

 

Terminado o primeiro turno das eleições, a grande derrotada é – sem sombra de dúvida – a esquerda brasileira. E não é a primeira grande derrota, todos sabemos. Em 2018 já havia acontecido e, não se enganem, o atual presidente só ganhou a eleição de 2022 porque o presidente que tentava se reeleger conseguiu a façanha de ter maior rejeição por não ter ficado mais tempo de boca fechada. Agora, se repetiu a rejeição ao atual governo, por uma série de razões. Quero focar minha análise apenas em um fator.

 

A arrogância.

 

A esquerda brasileira (que é de quem posso falar, porque acompanho de perto há anos), independente de suas virtudes (que são muitas) e seus defeitos (tantos quanto as virtudes, como todos na vida), tomou para si a convicção de que é moralmente superior, e quem discorda dela, quem pensa diferente, está errado e, pior, é limitado intelectualmente, não tem caráter, além de todos os adjetivos negativos usualmente vociferados por quem se considera melhor. Que todos os que não pensam da mesma forma – atualmente mais da metade da população do país – é de alguma forma misógina, homofóbica, racista, fascista ou outra designação negativa.

 

Ao invés de procurarem cooptar corações e mentes, que muito bem fizeram durante anos, passaram a ‘segregar’ quem tinha a mínima discordância de ideias, tornaram-se intolerantes ao contraponto. Tudo isso ao mesmo tempo que relativizaram as suas próprias contradições, seus próprios problemas.

 

Com isso, colocaram-se em um pedestal de virtudes autoproclamadas e se afastaram do mundo real, das pessoas que trabalham de sol a sol em busca de seu sustento, de melhorar de vida, das pessoas que buscam, por conta própria, resolver sua vida. Vilanizaram esses trabalhadores, vilanizaram a classe média que lutas todos os dias e quer liberdade para vencer na vida, o que é um conceito individual, já disse isso uma vez.

 

Isso é uma generalização, claro.

 

Existem pessoas e ideias boas de ambos os lados do espectro político. Ter visões de mundo diferentes e debater ideias é produtivo. Os extremismos é que são ruins. Como quem olha em um espelho, adjetivar negativamente quem apenas pensa diferente de ti, como tem se visto muito por aí nesses dias de clima eleitoral, diz muito mais sobre quem faz isso do que sobre a quem está sendo dito.

 

Pois é.


Até. 

terça-feira, outubro 06, 2026

Da Turma

Um dos problemas de se viver em uma grande bolha, que engloba pessoas muito diferentes, com opiniões e posições políticas opostas, o que é diferente do que normalmente viver em uma bolha significa, é muitas vezes ‘pisar em ovos’ para evitar incomodações, principalmente em termos de política e em dias atuais. Ainda mais que admiro, e sou amigo, de pessoas que pensam de maneira diversa, que inclusive se posicionam de maneira diferente da minha.

 

E tudo bem. Somos amigos, não é um time de futebol ou partido político que vai nos separar, causar brigas. A conversa será olho no olho, e tudo deve ficar tranquilo. 

 

O problema são as redes sociais.

 

Porque se eu compartilhar alguma coisa que acho pertinente, que reflete de alguma forma o que penso, certamente vai ter alguém que, à distância, vai ler, provavelmente interpretar de maneira equivocada, tirar conclusões definitivas sobre mim e me rotular como isso ou aquilo. Em resumo, vai ser um saco.

 

Se realmente quiserem saber, me perguntem pessoalmente. Até porque a maioria das pessoas não quer saber o que penso desse ou daquele candidato ou partido político. Querem mesmo é saber de que lado estou, se a favor ou contra suas posições, se sou da sua turma e contra a outra ou não. E mesmo sendo um entusiasta de turmas e de fazer parte, desse tipo de associações eu não quero fazer parte... 

Até. 

segunda-feira, outubro 05, 2026

A Sopa

Antes que perguntem, a resposta é não.

 

Não houve peixes pescados por mim, apesar de um ter sido fisgado e escapado e outro – grande, supomos – fez a linha estourar, na pescaria em que estive semana passada. Certamente o comentário a ser feito por quem convive comigo é “não sabia que eras pescador”. Pois é.

 

Não sou. Ou não era, ao menos.

 

Depois de muito tempo e uma pandemia, finalmente consegui – por questões logísticas – participar do grupo de pesca que incluiu alguns dos parceiros de hospital, em especial dos que almoçamos juntos ao menos três vezes por semana no restaurante aqui ao lado do hospital. Vinham insistindo que eu fosse junto há bastante tempo e, lá em 2019, havia me programado e iniciado a pagar a pescaria que seria em agosto ou setembro de 2020, mas aí houve o COVID e ficou em suspenso. Esse ano, tudo se encaixou e pude, finalmente, ir.

 

Saímos na terça-feira à noite de ônibus leito e fomos até Esquina, Argentina, às margens do rio Paraná para três dias de pescaria, que acabaram sendo dois porque no sábado choveu (muito) e decidimos – minha dupla de barco e eu – ficar no hotel. Valeu muito, como já disse.

 

Ao final das contas, e sinceramente não racionalizando por não ter pegado nada, pescar – no fundo - era o de menos. O importante era – tema recorrente em meus escritos – a turma, o grupo, o fazer parte, o pertencimento. A convivência no ônibus, as refeições juntos, as histórias, os risos, os vinhos (que nem tomo tanto assim). Os assados (churrasco, outro tema recorrente meu). Também os momentos de silêncio e reflexão no barco, o ruído da água, a quase meditação. As memórias de infância, quando velejávamos e pescávamos e eu era o mais novo junto com meu pai e seus amigos, e lembro das histórias ouvidas à noite em torno da fogueira (‘e aí aproximei meu esqueleto do cadáver dela, e ela toda melosa, toda babosa...’).

 

Voltando ao presente, o companheiro de barco e de quarto, que foi meu professor, quase com idade para ser meu pai, dividiu comigo esses silêncios, mas também conversamos sobre o passar do tempo, religião, morte, e o que se leva da vida, que são esses momentos, a convivência.

 

Estórias para contar.

 

Até.

sexta-feira, outubro 02, 2026

Dos rolês aleatórios

Estou aqui, em Esquina, na Argentina, com um grupo de amigos em uma pescaria. Quem poderia imaginar, não?

Nem eu, nem eu…

Está MUITO legal!

Domingo, publico foto.

Até.