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segunda-feira, agosto 23, 2010

E Deus criou o Rio Grande do Sul...

Recebi por e-mail e reproduzo.

Deus, numa segunda-feira, criou o Rio Grande do Sul.

Pelo menos assim pensam os gaúchos. Com muitas indústrias, muitos carros importados, muito topete e gente devagar no trânsito. E achou monótona.

Então, na terça-feira, criou o inverno.

Com sua brancura, cachecóis e um bom vinho, para os gaúchos se acharem europeus. Mas achou o frio muito triste.

E, na quarta-feira, criou a primavera, florida e colorida para enfeitar os poucos parques e praças dos europeus... quer dizer, gaúchos.

Porém...

Deus a achou bucólica demais e, na quinta-feira, criou o verão, alegre e saudável para fazer a gauchada sorrir.

Mas o achou seco demais e, na sexta-feira, criou o outono. Farto e ameno para se confortarem.

Então...

Deus achou tudo muito distante e, no sábado, misturou tudo. Fez o inverno, a primavera, o verão e o outono reinarem no mesmo dia no Rio Grande do Sul, para que tudo tivesse seu tempo e sua vida.

E, no domingo, Deus descansou.

Na verdade, caiu de cama, pois não sabia que tinha acabado de criar a GRIPE, a RINITE e o RESFRIADO, a ASMA, a PNEUMONIA, etc.

quarta-feira, agosto 18, 2010

Sobre as Eleições (1)

Recebi por e-mail e reproduzo. O original pode ser encontrado aqui.

A ESCOLHA DE SOFIA

"O maior castigo para aqueles que não se interessam por política, é que serão governados pelos que se interessam." (Arnold Toynbee)

"A escolha de Sofia" é a história que acontece no campo de concentração nazista de Auschwitz, vivida por uma mãe judia, que é forçada por um soldado alemão a escolher entre o filho e a filha - qual seria executado e qual seria poupado.

Se ela se recusasse a escolher, os dois seriam mortos. Ela escolhe o menino, que é mais forte e tem mais chances de sobreviver, porém nunca mais tem notícias dele.

A questão é tão terrível que o título se converteu em sinônimo de "decisão quase impossível de ser tomada".

O artigo a seguir foi escrito no final de 2009, pelo economista Rodrigo Constantino - autor de 5 livros. Ele assina a coluna "Eu e Investimentos", do jornal Valor Econômico; também é colunista do jornal O Globo; além de ser Membro-fundador do Instituto Millenium; e vencedor do prêmio Libertas em 2009, no XII Forum da Liberdade. Seu curriculum vai muito além do que está listado acima, é extenso e respeitável. Segue seu artigo:

" Serra ou Dilma? A Escolha de Sofia."
(por Rodrigo Constantino )

"Tudo que é preciso para o triunfo do mal é que as pessoas de bem nada façam." (Edmund Burke)

Agora, praticamente é oficial: José Serra e Dilma Rousseff são as duas opções viáveis nas próximas eleições. Em quem votar? Esse é um artigo que eu não gostaria de ter que escrever, mas me sinto na obrigação de fazê-lo.

Os antigos atenienses tinham razão ao dizerem que assumir qualquer lado é melhor do que não assumir nenhum?

Mas existem momentos tão delicados e extremos, onde o que resta das liberdades individuais está pendurado por um fio, que talvez essa postura idealista e de longo prazo não seja razoável.

Será que não valeria à pena ter fechado o nariz e eliminado o Partido dos Trabalhadores Nacional - Socialista, em 1933, na Alemanha, antes que Hitler pudesse chegar ao poder? Será que o fim de eliminar Hugo Chávez justificaria o meio deplorável de eleger um candidato horrível, mas menos louco e autoritário? São questões filosóficas complexas. Confesso ficar angustiado quando penso nisso.

Voltando à realidade brasileira, temos um verdadeiro monopólio da esquerda na política nacional. PT e PSDB cada vez mais se parecem. Mas também existem algumas diferenças importantes.

O PT tem mais ranço ideológico, mais sede pelo poder absoluto, mais disposição para adotar quaisquer meios, os mais abjetos, para tal meta.
O PSDB parece ter mais limites éticos quanto a isso.

O PT associou-se aos mais nefastos ditadores, defende abertamente grupos terroristas, carrega em seu âmago o DNA socialista.
O PSDB não chega a tanto.

Além disso, há um fator relevante de curto prazo: o governo Lula aparelhou a máquina estatal toda, desde os três poderes, passando pelo Itamaraty, STF, Polícia Federal, ONGs, estatais, agências reguladoras, tudo!

O projeto de poder do PT é aquele seguido por Chávez, na Venezuela; Evo Morales, na Bolívia; Rafael Correa, no Equador. Enfim, todos os comparsas do Foro de São Paulo. Se o avanço rumo ao socialismo não foi maior no Brasil, isso se deve aos freios institucionais, mais sólidos aqui, e não ao desejo do próprio governo. A simbiose entre Estado e governo na gestão Lula foi enorme.

O estrago será duradouro.

Mas quanto antes for abortado, melhor será: haverá menos sofrimento no processo de ajuste.

Justamente por isso acredito que os liberais devem olhar para este aspecto fundamental, e ignorar um pouco as semelhanças entre Serra e Dilma. Uma continuação da gestão petista através de Dilma, é um tiro certo rumo ao pior.

Dilma é tão autoritária ou mais que Serra, com o agravante de ter sido uma terrorista na juventude comunista, lutando não contra a ditadura, mas sim por outra ainda pior, aquela existente em Cuba ainda hoje.

Ela nunca se arrependeu de seu passado vergonhoso; pelo contrário, sente orgulho. Seu grupo Colina planejou diversos assaltos.

Como anular o voto sabendo que esta senhora poderá ser nossa próxima presidente?!


Como virar a cara sabendo que isso pode significar passos mais acelerados em direção ao socialismo bolivariano?

Entendo que para os defensores da liberdade individual, escolher entre Dilma e Serra é como uma escolha de Sofia.

Mas anular o voto, desta vez, pode significar o triunfo definitivo do mal.

Em vez de soco na cara ou no estômago, podemos acabar com um tiro na nuca.

Dito isso, assumo que votarei em Serra.
Meu voto é anti-PT acima de qualquer coisa.
Meu voto é contra o Lula, contra o Chávez, que já declarou abertamente apoio à Dilma.
Meu voto não é a favor de Serra.

No dia seguinte da eleição, já serei um crítico tão duro do governo Serra, como sou hoje do governo Lula. Mas, antes é preciso retirar a corja que está no poder. Antes é preciso desarmar a quadrilha que tomou conta de Brasília.

Só o desaparelhamento de petistas do Estado já seria um ganho para a liberdade, ainda que momentâneo.

Respeito meus colegas liberais, que discordam de mim e pretendem anular o voto. Mas espero ter sido convicente de que o momento pede um pacto temporário com a barbárie, como única chance de salvar o que resta da civilização - o que não é muito, mas é o que hoje devemos e podemos fazer!

terça-feira, dezembro 01, 2009

O Grêmio, sacola de pano e o Cirano de Bergerac

Por AIRTON GONTOW*

Aconteceu na manhã de ontem, 29 de novembro, no mercado ver-o-peso, na bela Belém do Pará.

No último dia de uma rápida viagem a trabalho, encontrei tempo para fazer compras pessoais e, claro, procurar alguns presentinhos para a família.

Ao chegar a uma banca de bolsas, vi que havia duas interessantes.

Uma era colorida e muito bonita. E tinha a cara da minha mulher!

A outra, embora também tivesse lá a sua beleza, era menos encantadora e, definitivamente, não fazia o estilo da minha esposa!

Infelizmente, um jornalista – o jovem repórter Rafael Seixas, do jornal "A Crítica", de Manaus, chegou um pouco antes. O rapaz descobriu as duas bolsas e decidiu que levaria uma. Olhou para mim e disse: "Eu não tenho bom gosto para este tipo de coisa. Qual você acha mais bonita?"

Meu coração bateu forte. Pensei em dar a resposta errada. Dizer que a mais bela era justamente a bolsa que eu não queria levar. O presente era para a mulher!

Olhei para o repórter amazonense e disse, ainda que com dor no coração: "a mais bonita, sem dúvida, é a colorida."

Por que eu disse a verdade? A resposta é simples e até óbvia: porque era o correto, independente do meu desejo.

Penso nesta pequena história vivenciada ontem diante do dilema de qual deve ser a atitude do meu Grêmio no decisivo jogo de domingo, contra o Flamengo, no Maracanã: o Grêmio deve entrar com o time titular contra a equipe carioca, lutar com todas as suas forças para empatar ou ganhar e, indubitavelmente, dar o título de campeão brasileiro ao grande e tradicional adversário? Ou deve entregar o jogo para não ajudar a dar mais uma glória ao terrível e centenário rival?

Para mim não há discussão. O Grêmio deve jogar com toda a sua tradicional garra e matar-se em campo em busca da vitória, ainda que o Inter conquiste pela quarta vez o título brasileiro.

Não importa que o Inter tenha jogado com o time reserva no ano passado contra o São Paulo, ainda que em contexto completamente diferente, já que disputava simultaneamente a taça sul-americana; não importa que o diretor Fernando Carvalho, não bastasse a trapalhada que fez no ano passado, com a história do vídeo denúncia, já tenha voltado a falar bobagens; não importa que, com mais essa conquista, o colorado gaúcho aumentará consideravelmente o seu já espantoso número de associados, venderá mais camisetas e diminuirá a desvantagem que tem em número de torcedores em relação ao Grêmio.

Não importa nem mesmo a opinião momentânea da maioria da torcida gremista, que é favorável à entrega da partida.

O Grêmio deve buscar a vitória ou empate contra o Flamengo porque – apenas isso – essa é a atitude correta.

Independentemente dos nossos desejos e sentimentos.

Como gremista, só detesto o Internacional porque o respeito como adversário.

E certamente há apenas um time que respeito mais que o grande rival.

Este time é o Grêmio.

E por respeitar o meu imortal tricolor exijo a dedicação total na partida do Maracanã.

Além disso, convenhamos, mesmo com o quarto título brasileiro os colorados não vão poder se vangloriar por estarem em vantagem em relação ao Grêmio.

Terão quatro Brasileiros e uma Copa do Brasil contra dois títulos do Brasileiro e quatro Copas do Brasil gremistas.

E uma Taça Libertadores contra duas do Grêmio.

Os colorados gostam de tripudiar em cima das quedas gremistas para a segunda divisão do país, mas é justamente aí que mora a principal diferença entre os dois grandes clubes do Rio Grande do Sul.

Por maior que seja, o Internacional não tem a dimensão épica gremista.

Não tem a incrível história do goleiro Eurico Lara.

Não tem títulos importantes conquistados no estádio do adversários.

Não tem a Batalha dos Aflitos.

O que poderia ser desonra, para nós, gremistas, é motivo de filme!

Que outra torcida no mundo tem, no fundo, mais orgulho de uma inacreditável conquista na Segunda Divisão arrancada com sangue, suor e lágrimas, com sete jogadores, em um acanhado de Recife, que do título mundial, conquistado em Tóquio?

O jogo do Maracanã, com todos seus dilemas, poderá ser uma nova Batalha dos Aflitos na memorável e história gremista.

Vencer e dar o título ao maior adversário, apesar da maior rivalidade do país, segundo votação recente entre jornalistas esportivos de todo o Brasil.

A dor de ser digno e dar o título ao inimigo.

A tristeza de ouvir os rojões colorados infernizando durante toda a noite o sono dos gremistas.

A tristeza – e o orgulho – de ser um Cirano de Bergerac. Ajudar o rival na conquista da mulher amada. Com digna e bela melancolia.

É preciso lutar – com garra e espada mosqueteira no Maracanã.

É melhor não dormir devido ao barulho ensurdecedor dos vermelhos, do que ter o sono estragado pela vergonha de não ter jogado com dignidade.

É melhor aguentar o rival que sucumbir aos nossos mais primitivos anseios, como o de "entregar" a partida.

Que atender ao grito desesperado e irracional da maioria.

Vamos fazer o que é certo, Grêmio!

Melhor assim, que ver-o-peso doendo na nossa consciência e manchando nossa história épica e inigualável.



*Airton Gontow é jornalista e cronista

P.S – Espero que o Grêmio lute com todas as forças contra o Flamengo mas vou, como todos nós gremistas, torcer pela vitória da equipe carioca. E claro, também pelo Santo André. Já pensou se o Grêmio empata e o Inter não vence, mesmo no Beira-Rio? Seria demais para esse pobre e velho coração tricolor... 

Fonte: Aqui

terça-feira, outubro 21, 2008

Manual de Explicação do Porto-Alegrense

por Fabrício Carpinejar*

O porto-alegrense não se aproxima com calma. Cumprimenta alto, gritado, estapafúrdio. Não confunda com assalto: é seu jeito mesmo. Tenta assustar tudo o que pode na primeira vez, para a amizade soar mais tranqüila dali por diante. É o inverso do baiano, a voz não é mansa para se erguer naturalmente com o avanço da conversa. É tudo ou nada, é agora ou nunca. Um atropelo de vogais. Um "eiiii", um "oiiiiii", um "bah". Sem chance. Sem recuperação. Um abuso para os mais travados.

A varanda já é sala de estar no rosto do gaúcho. Não há tempo para recuar. O abraço gira em si, como um nó de marinheiro. A Revolução Farroupilha o perturbou. Está sempre desejando o que ainda nem foi apresentado.

Conjuga o tu como se fosse você, para não engolir vento.

Canta o hino rio-grandense de cor e salteado. Canta o hino de seu clube de cor e salteado. Não abandona um argumento mesmo quando percebe que está enganado. É fiel ao erro.

Sabe ser profundo quando distraído. É de uma profundidade inesgotável. Sabe ser solitário quando atento. É de uma solidão ultrajante.

Aceita ser vítima de piada de um familiar. A mesma piada na boca de um estranho é preconceito. Recebe qualquer um de braços abertos para depois investigar. Paranóico, pulou do ventre para não ser chamado de 'filho da mãe'. Não admite neutralidade e empate, muito menos voto de Minerva. Minerva é somente o nome de um sabão em pó. É preciso escolher, está do lado dele ou contra ele. Cuidado, o silêncio é compreendido como oposição.

Basta elogiar algo de sua cidade que ele vira turista. Repete os programas para ser encontrado. Comparece quatro vezes no mesmo lugar até ser reparado. Continua aparecendo até ser esquecido.

Há poucas bancas nas ruas se comparado a Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Recebe jornal em casa, debaixo da porta como um tapete. Adepto da locução escrita, ler para conversar. Morre bem informado.

Trata os escritores como se fossem músicos. Conversa sobre suas obras no ônibus, na lanchonete, no meio da rua. Seu suspiro é um autógrafo.

Bebe para discutir, não discute para beber. A bebida é anzol do chiste. Abole a frase inicial para ficar com a última. O que valoriza é a reputação. Faz as pazes no dia seguinte quando ama. Quando odeia, bem, dirá que nunca o conheceu.

Seu time é o melhor do mundo, sua cidade é a melhor do mundo, sua carne é a melhor do mundo. Às vezes é. Tão gaúcho que conta que é gaúcho para os próprios gaúchos. Ele se elogia com receio de não ser lembrado.

Porto Alegre é uma cidade para atravessar a pé. Com o último botão da camisa aberto. Quem toma chimarrão, ronca acordado. É engraçado passear pela Usina do Gasômetro ou Brique da Redenção no domingo. A térmica é um filho aprendendo a caminhar. Balançando de mãos dadas com seus pais. O crepúsculo do Guaíba transforma a orla no teto de uma igreja. Dá vontade de amar alguma santa e pecar bem mais do que se viveu.

* Fabrício Carpinejar é jornalista, cronista, poeta e professor. O texto foi transcrito do seu blog, 'Fim da Linha'

terça-feira, setembro 25, 2007

Concursos fotográficos e má-fé

Por Gilberto Tadday

Gostaria de saber o que passa na mente das pessoas que escrevem as regras dos concursos fotográficos. Será que elas pensam que nós, fotógrafos, só sabemos lidar com imagens e não lemos as palavras escritas por eles? Ou será que eles simplesmente nos consideram um grupo de idiotas com uma câmera pendurada no pescoço?

Ontem recebi um email indignado - com toda a razão - do fotógrafo gaúcho Eduardo Tavares. A mensagem trata de um concurso fotográfico organizado por um restaurante de Porto Alegre e mostra a má fé dos organizadores. As regras do tal concurso estabelecem que TODAS as imagens inscritas na competição passam a ser propriedade do restaurante, que pode, inclusive, repassar o direito de uso para terceiros sem nenhuma remuneração ao autor (leia-se você, caro leitor) das imagens. Dá para acreditar? Vale lembrar que normalmente as competições fotográficas exigem que o particpante ceda os direitos de uso da imagem caso ela seja vencedora e somente para uso em divulgação e promoção do concurso. Ou seja, só as imagens que ganharam e não todas as inscritas. E com uso limitado.

O restaurante em questão serve comida portuguesa e, coincidentemente, o tema do concurso é a colonização portuguesa no Rio Grande do Sul. Vamos deixar de lado por um instante a questão do apropriamento das imagens inscritas e vamos ver quais os prêmios que os vencedores irão receber. O primeiro lugar receberá duas passagens aéreas de ida e de volta para o trecho Porto Alegre Lisboa. O segundo lugar irá ganhar uma câmera digital Sony H9 (já está começando a soar castigo ao invés de prêmio, mas não vamos entrar nesta questão agora). E o terceiro felizardo receberá dois cheques-presente de 500 reais válidos onde? Exato, no próprio restaurante. Hum, interessante…

Ok, agora podemos analisar friamente o que isso significa. Traduzindo as letras miúdas das regras, fica claro que o organizador está investindo um valor relativamente baixo nesta promoção em troca de um vasto banco de imagens sobre assustos diretamente relacionados ao negócio dele (restaurante português) e que ele poderá utulizar indefinidamente e da forma que bem entender. Resumindo, numca mais eles precisarão contratar um profissional para fazer fotos para anúncios, cardápio, decoração do restaurante, divulgação, etc. Mesmo se considerarmos que nem todas as fotos terão a qualidade necessária para serem utilizadas posteriormente, ainda assim eles terão fotos suficientes para utilizar durante um bom tempo. E o custo? Você já deve ter somado os valores dos prêmios. A matemática é relativamente simples para concluirmos que é uma barganha (para os organizadores, obviamente).

O pior de tudo é que este não é um episódio isolado de uma empresa pequena do sul do Brasil agindo de má fé. Me lembrou de um caso parecido. Em maio deste ano, a Microsoft lançou um concurso aqui nos EUA chamado “Microsoft Future Pro Photographer Contest”, voltado ao estudantes de fotografia. O primeiro lugar levava 20 mil dólares em cash e mais equipamentos. No entanto, as regras também determinavam que todas as imagens inscritas passariam a ser propriedade deles. O que aconteceu? Os fotógrafos se revoltaram e ameaçar boicotar o concurso. Além disso, a web foi inundada de reclamações contra a Microsoft. Isso fez com que a empresa rapidinho reecrevesse as regras e as letras miúdas. Damage control, como dizem por aqui. Eles passaram a exigir os direitos de uso para divulgação somente dos vencedores, o que é comum. Só assim o concurso foi adiante. A imagem da Microsoft entre os fotógrafos saiu arranhada, mas menos do que se eles não tivessem voltado atrás nas regras.

Não sei se os verdadeiros culpados são empresários que bancam esses concuros ou seus advogados, que escrevem as regras e acham que estão fazendo seu trabalho tirando o máximo de lucro de um mínimo de investimento. Fica claro, pelos termos do concurso, que eles conhecem bem as leis de direito autoral e como contorná-las. Mas eles não parecem muito bons em marketing e não calcularam o prejuízo que vão ter com publicidade negativa gerada pelos fotógrafos.

Sei que é um concurso local e, provavelmente, somente fotógrafos do sul do país iriam participar. Mas acho que é uma questão de princípios. Se ninguém reclamar, vai começar a virar a norma. E daqui a pouco todos os concursos terão este tipo de regras, seja em Porto Alegre, Rio, São Paulo, ou qualquer outro lugar. Não podemos permitir que isso aconteça. Já existe gente demais no mercado querendo se apropriar dos direitos autorais dos fotógrafos em troca de remunerações ridículas.

O email que recebi do Dudu Tavares foi enviado com cópia para outros profissionais do mercado. Alguns já começaram a se manifestar e a sugerir ações em protesto contra o restaurante. Envio de emails para o estabelecimento, ligações telefônicas, não frequentar mais o estabelecimento, avisar os amigos e familiares para não ir mais lá. O que você sugere e o que você pensa sobre o assunto? O restaurante chama-se Calamares. E o site deles, com o contato e as regras do tal concurso, está aqui.

(Gilberto Tadday é fotógrafo e mora em New York)