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domingo, outubro 30, 2022

A Sopa

Domingo de eleições no Brasil. 

Não, não vou falar de política por aqui. Não agora, o que não quer dizer que eu não possa voltar a fazer em um futuro, distante ou não. Eu ia comparar com o comportamento que tenho procurado ter em redes sociais, sabedor de que as pessoas NÃO querem saber a minha opinião política, assim como não querem saber a os outros.

 

Para ficar claro: publicações em redes sociais não mudam voto de ninguém. Podem, isso sim, angariar antipatia e resistência por aqueles que pensam diferente. Publicações inflamadas e definitivas sobre política apenas tornam o autor e/ou disseminador um chato. Até porque na maioria das situações estão pregando para convertidos, integrantes da sua própria bolha, o que os torna mais chatos ainda.

 

Há dois dias, cometi um deslize.

 

Compartilhei em um stories do Instagram m texto que achei bem interessante, que fechava com o que penso, não sendo agressivo e nem ofensivo. Evidentemente, mostrava de que lado estou. Após poucos minutos, apaguei. Como eu disse, as pessoas não querem saber o que penso, e não vou fazê-las mudar de opinião (seria muita pretensão minha querer isso).

 

As pessoas têm o direito de votar em quem quiserem, óbvio.

 

Por mais que eu ache a escolha das pessoas que votam diferente de mim está absolutamente errada, é a opção delas, e devo respeitar, apesar de não entender como podem votar na opção diferente da minha. Isso é democracia: se a maioria estiver errada e ganhar, todos vamos arcar com as consequências. Paciência.

 

O que não dá para aguentar mais são as pessoas rotulando de maneira simplista umas às outras a partir de sua escolha política. Além de ridículo, é de uma soberba e arrogância extremas. 

 

Fazer o quê?

 

Até.

segunda-feira, novembro 16, 2020

Crônicas de uma Pandemia – Duzentos e Quarenta e Sete e Dias

Ontem não teve Sopa. 

Por quê?

 

Ninguém perguntou, mas mesmo assim eu falo... por nenhuma razão em especial. Simplesmente porque não tenho obrigação de escrever. Escrevo quando preciso, ou sinto que devo. Ontem não estava no clima.

 

Teve eleição, e inexplicavelmente Porto Alegre insiste em eleger candidatos vinculados ao atraso e a ideias que não deram certo em lugar nenhum do mundo. Em candidatos de partidos que são, já no seu nome, uma impossibilidade. Como liberdade e socialismo, dois conceitos excludentes.

 

Aparentemente, ainda pensam que é bonito ser de esquerda. 

 

Já foi, já fui.

 

Não mais.

 

A esquerda hoje é envergonhada, tanto que a campanha da candidata do partido comunista do Brasil em nenhum momento mostrou em seus materiais a foice e o martelo, e nem a cor vermelha. Não faço nenhum julgamento pessoal quanto a ela, mas o que o partido dela representa é o indefensável.

 

Até.

sexta-feira, novembro 06, 2020

Crônicas de uma Pandemia – Duzentos e Trinta e Sete Dias

Estava errado. 

Pensei que meu desprezo pela imprensa militante era maior que o que sinto pelo Trump. Que valeria à pena passar mais quatro anos assistindo-o como presidente dos EUA só para ver a cara de derrota e as explicações que esses jornalistas/torcedores daria após verem seu candidato, que davam certo como vencido, ganhar a eleição. Seriam mais quatro anos do mesmo, de ambos os lados.

 

Não vale.

 

Assisti agora há pouco, na televisão, parte de um pronunciamento do (ainda) presidente, dando a entender que não pretende aceitar uma possível/provável derrota eleitoral e chamando os estados de Michigan e da Pensilvânia de politicamente corruptos. Não é uma postura aceitável vinda de um presidente. 

 

Vergonha alheia.

 

Até.

terça-feira, novembro 03, 2020

Crônicas de uma Pandemia – Duzentos e Trinta e Quatro Dias

 Política. De novo.

 

Confesso que estou torcendo para o Trump ganhar as eleições americanas.

 

Não que eu simpatize com ele, ou ache ele um ótimo presidente. Não tenho absolutamente nada a favor dele, com exceção, talvez, do potencial bom relacionamento entre Brasil e EUA, e – admito – vários contras. Vários contras mesmo. 

 

Por quê, afinal, estou torcendo para ele ganhar as eleições?

 

Por causa da narrativa.

 

Porque quero ver todos os ‘analistas’ que se dizem isentos, toda a imprensa militante, todos esses que se dizem especialistas, mas que, no fundo, não passam de torcedores, quebrar a cara em suas previsões. Para derrotar mais uma vez a narrativa de que só existe a esquerda boazinha e a extrema-direita. De quem pensa diferente é negacionista ou terraplanista. Para derrotar os chatos. O Trump, vejam só, é o Bolsonaro americano, aquele em que as pessoas deveriam votar para evitar que a esquerda assuma o poder. Sim, porque os Democratas são a esquerda americana, com tudo de ruim que ela representa. São o PT de lá. Não eram, mas se tornaram...

 

De verdade.

 

Para o Brasil, a derrota dos democratas será melhor, por pior que seja a figura de Donald Trump. 

 

Até.

sexta-feira, outubro 30, 2020

Crônicas de uma Pandemia – Duzentos e Trinta Dias

 Política.

 

Estamos há cerca de duas semanas da eleição para prefeitos e, em Porto Alegre, as pesquisas – nunca esquecendo dos vieses que elas possuem – apontam a candidata do partido comunista (sério, de verdade) como a líder das pesquisas, tendo como vice um candidato do partido dos trabalhadores (não riam). Inacreditável. É bem provável que ela esteja no segundo turno e, então, seremos todos os outros contra os comunistas, assim espero.

 

Porque – vamos admitir – não dá para levar a sério alguém que defenda o comunismo (ou socialismo, que seja). São ideologias e sistemas fracassados e que nunca trouxeram bem-estar a quem quer que seja, com exceção de uma pequena casta governante. Nem vale a pena falar sobre isso.

 

E então circulava eu de carro por Porto Alegre, no caminho entre o hospital e minha casa, ouvindo rádio. Gosto de ouvir rádio. Por coincidência, estava sendo entrevistado o eterno (sempre concorre) candidato do partido socialista dos trabalhadores unificado, que prega o socialismo revolucionário, seja lá o que for isso. Tive que ouvir, mesmo sabendo que – por princípio – jamais votaria nesse partido e/ou candidato.

 

Fiquei constrangido.

 

Conselhos populares eleitos nas fábricas, nos sindicatos, nos quilombos e nas regiões mais pobres da cidade, seriam quem decidiria os rumos da administração, trabalhando contra os capitalistas, empresários e bancos. E quanto ao legislativo, perguntou o entrevistador (que são representantes eleitos pelo povo, lembro eu). Ou aceitariam as determinações ou haveria confronto, deu a entender ele, com outras palavras. E o transporte público? Seria municipalizado, e o “patrões” pagariam para que fosse gratuito para os trabalhadores...

 

Não vai ser eleito, claro.

 

Mas me pergunto se ele realmente pensa isso.

 

Não pode ser sério...

 

Até.

segunda-feira, setembro 28, 2020

Crônicas de uma Pandemia – Cento e Noventa e Oito Dias

 Política.

 

Começou ontem, no Brasil, a campanha para as eleições desse ano, para Prefeitos e vereadores. Normalmente, o primeiro turno ocorreria no próximo final de semana, mas – devido ao ano atípico – será dia quinze de novembro. Portanto, nos próximos quarenta e poucos dias podem surgir por aqui, em meio aos meus escritos sobre a pandemia, um que outro texto sobre o assunto.

 

Vou falar do local, mas tentando ser mais amplo em minhas reflexões.

 

Hoje de manhã ocorreu o primeiro debate com os candidatos à Prefeitura de Porto Alegre. Treze ao todo. Foi transmitido pelo rádio e mostrado em redes sociais. De maneira inédita e não convencional (o coronavírus tem sido responsável por vários eventos não convencionais) o debate foi no formato drive-in.

 

Os candidatos estavam em seus carros estacionados no estacionamento da Rádio Gaúcha (ou da RBS, não tenho certeza), em Porto Alegre, com o mediador circulando por entre os carros, e dali puderam debater. Sem aglomerações e com distanciamento. Quando começou o debate, eu estava praticando atividade física (segundas e sextas-feiras faço logo de manhã) e ouvindo pelo celular.

 

Primeira pergunta, para uma candidata de esquerda, é sobre as melhorias a serem feitas em determinado bairro de Porto Alegre. A resposta, que começa chamando o Presidente da República de bandido e o atual Prefeito (ali presente, candidato à reeleição) de “proto-fascista”, não responde o que foi perguntado, apenas ataca pessoas. A segunda, para um candidato de extrema esquerda, é sobre o projeto para a cidade. A resposta, começa com um “não temos um plano para a cidade, mas sim para o país e o mundo, que é a revolução socialista e a implantação do comunismo”. 

 

Foi quando eu larguei de mão. Não preciso ouvir bobagens nesse nível.

 

É um grande teatro, todos sabemos. Esse primeiro debate serve – dizem – não para definirmos em quem votar, mas sim em quem não votar. Pode ser mesmo.


Mas eu sei em que eu não vou votar.

 

Qualquer candidato por partido que tenha comunismo no nome. Quem defende comunismo defende um fracasso completo e a morte de milhares de pessoas, assassinadas ou de fome. Partidos que sejam – desde o seu nome – uma falácia, com socialismo e liberdade, que nunca estão juntas. Quem defende regimes criminosos, como da Venezuela ou Cuba. Quem defende criminosos condenados, quem defende corruptos. Qualquer partido vinculado ao Foro de São Paulo.

 

Quem se diz a favor da tolerância, se investe de moralmente superior, mas chama qualquer um que pense diferente de “gado” e o agride, às vezes fisicamente. Quem escreve ‘amigxs’, ou amig@s” ao invés de amigos. 

 

Muitos em quem não votar.

 

Em quem votar?

 

Não sei, e nem é minha ideia ou intenção abrir o voto, ao menos por enquanto (se é que vai acontecer). Tem tempo para estudar, me informar melhor.

 

Mas saber o que não queremos para nossa cidade, estudo e país já é um bom começo.

 

Até.

domingo, abril 26, 2020

A Sopa

(Crônicas de uma Pandemia – Quadragésimo Segundo Dia)

Aos sábados, aqui n’A Sopa no Exílio, tradicionalmente publico uma foto aleatória. Usualmente fotos que eu tirei, de lugares ou histórias passadas. 

Ontem, não publiquei.

Por quê?

Não encontrei uma foto que me inspirasse. Simples assim.

Nada a ver com nada.

Para quem pensou que eu fosse falar do Bolsonaro, do Sérgio Moro ou do coronavírus, digo que não estou com vontade. Nenhuma. O que eu penso sobre o que aconteceu em Brasília entre quinta e sexta-feira? Mesmo sem vontade, respondo para você, solitário leitor.

Acabou o governo Bolsonaro. Perdeu o trem da história, como dizem.

Todos sempre soubemos que ele era (é) um cara limitado, mas que teve a competência de canalizar e personificar o oposto do que o partido aquele que não digo o nome representava e que levou o Brasil à maior crise de sua história. Além de ser o representante da insatisfação com “tudo isso aí”, após ganhar a eleição soube cercar-se de nomes técnicos e competentes para, como se diz, tocar o barco.

O seu governo vinha indo bem, com melhora nos indicadores econômicos, medidas sendo tomadas, mesmo que o chefe do estado criasse polêmicas desnecessárias (além daquelas falsas criadas pela imprensa). Parecia planejado: ele chamava a atenção, os holofotes, para si, e quem tinha de trabalhar conseguia trabalhar sem ninguém incomodar. Lamentavelmente, não era.

Foi quando veio a pandemia do coronavírus.

Esse é um daqueles momentos-chave na História, aquela com agá maiúsculo. É uma situação sem precedentes em gerações. E é justamente nesses momentos em que surgem os grandes líderes, que comandam nações durante a travessia por tempos nebulosos.

Bolsonaro poderia sair disso como um Churchill.  

O que estamos vendo, contudo, é o presidente encolher, ficar menor e insignificante a cada dia, a cada polêmica que cria. Tornando-se irrelevante.

Infelizmente.

Nunca é bom um Presidente, alguém que deve liderar o país, tornar-se pequeno para o cargo que ocupa. 

Perdemos todos.  

Até.

PS – ainda acho que seria pior com aquele outro, que nem lembramos o nome...

quarta-feira, novembro 20, 2019

O mundo anda tão complicado


Dias difíceis, esses que vivemos.

Falo de um modo genérico, da cidade, do estado, do país e do mundo. E falo também das pessoas e suas relações, virtuais e reais, de redes sociais, da natureza e nossa relação com ela. Basicamente, uma crise de entendimento e empatia, ou falta de.

Política, no seu conceito amplo e genérico, de relações pessoais.

Diferentes assuntos, mas que – nem tão no fundo assim – tem o mesmo ponto central, que é a visão do mundo que temos.

O Brasil, por exemplo.

Sim, eu votei no Bolsonaro. Não, ele não era o meu preferido.

Votei porque não era mais possível ter a esquerda (e o PT, em especial) governando o país. O estrago feito foi gigantesco, e todos sofremos com isso. Os anos Lula e Dilma foi um período em que uma organização criminosa governou o país, se locupletou, financiou ditaduras periféricas, dividiu o país entre nós e eles, criou conflitos e uma grave crise econômica, até agora insolúveis.

Descobertos os seus crimes, o seu líder maior, o pior (no sentido de caráter) governante da história desse país, foi processado, condenado (em mais de uma instância), passou a cumprir pena com inexplicáveis regalias, onde ficou até o STF mudar o entendimento da lei para beneficiá-lo, mas com isso criando um precedente perigosíssimo. Sabemos que quem tem dinheiro para recorrer em muitas instâncias não será preso nunca, enquanto os outros, de poucas posses, vão para a cadeia. Nós brasileiros não somos todos iguais perante a lei...

Isso tudo em meio a um governo novo que tenta colocar o país no rumo novamente, principalmente em termos de economia, e tem de lidar com a maior oposição já vista no país: partidos de esquerda, o Centrão, a grande imprensa, e “aliados” que se elegeram pelo mesmo partido e com as mesmas bandeiras e – uma vez eleitos – viraram as costas e tratam de seus próprios e nem sempre republicanos interesses. 

Todos parecem não querer que o país melhore. Apostam no já batido “quanto pior, melhor”. Que, por sinal, é uma característica das esquerdas brasileiras que vem de longe (lembram, foram contra o Plano Real, não assinaram a Constituição de 1988, etc.). Eu, por outro lado, sempre quero que o país avance, independente do governo.  

E também tem a questão dos filhos do Presidente e sua relação com as redes sociais, que mais atrapalham do que ajudam. O grande problema do atual governo é – sem dúvida – a comunicação. Ao menos, enquanto uns falam, discutem e criam polêmicas, o governo trabalha e o país avança, vide reforma da previdência.

Uma grande confusão, tudo isso.

Não sabemos mais em quem confiar, a grande imprensa se tornou não confiável, por um viés político claro. A maioria não se posiciona politicamente, se diz isenta, mas - claramente - é oposição ao governo por questões de ideologia. E manipulam, mentem e distorcem os fatos. Generalizo, eu sei, nem todos são assim, como em tudo existem os bons e os maus, os honestos e os desonestos, mas boa parte da imprensa está contaminada por esse viés ideológico.

Fica difícil saber se devemos acreditar no que lemos e/ou ouvimos.

Está muito complicado mesmo.

Até.

terça-feira, abril 14, 2015

Pois é...

"Há dois tipos de esquerdistas, os enganados e os enganadores.

Os enganados, vulgo idiotas úteis, são na maioria das vezes bem intencionados; realmente querem um mundo melhor e coisa e tal - fui um deles por um bom tempo. Devido à total ausência de contestações ao marxismo no ensino brasileiro, estas pobres almas se tornam extremamente vulneráveis à ferramenta de arrebanhamento utilizada pelo segundo grupo, os dos enganadores. A esta ferramenta damos o nome de marxismo cultural, que tem como finalidade fazer com que pessoas ignorantes acreditem piamente que a melhor forma de melhorar o mundo é dar poder a políticos de esquerda.

Os enganadores são os líderes, principalmente os mentores intelectuais como José Dirceu e Rui Falcão; essa gente sabe o que faz. Eles sabem muito bem que o socialismo não funciona. Mas eles também sabem que todo o bla-bla-bla marxista é muito sedutor e eficiente para engajar os ignorantes na luta por um mundo melhor, que, como dito acima, significa dar poder a políticos de esquerda. Contudo, é claro, estes líderes não estão nem um pouco interessados em melhorar o mundo. Querem só uma coisa: poder a seu grupo político, assim como todos os beneficio$ advindos de tal poder. Para quem leu “A Revolução do Bichos”, estes líderes são representados pelos porcos. Dirceu, Genoíno, Rui Falcão, Lula... São todos os porcos revolucionários que enganam os ignorantes para viverem como reis sem trabalhar."

(As Contradições da Esquerda)

Assino embaixo.

Até.

quinta-feira, outubro 02, 2014

O Futuro do Brasil

Já faz algum tempo que faço isso.

Pessoas discutindo os atos do governo federal - qual seja: mais médicos, aparelhamento do estado, escândalos os mais variados, etc - e eu entro na conversa. Logo que posso, digo - sério, em tom grave - "Há uma revolução em curso. Eu já comprei uma arma e estou estocando comida". E saio. No início parecia apenas uma brincadeira, humor negro. Cada vez mais, contudo, começa a parecer que tenho razão.

Lamentavelmente.

Mas não é disso que quero falar.

Agora que se aproximam as eleições, cada vez se discute mais o que queremos para o país. E cada vez mais parecem afastar-se umas das outras as ideias de como deve ser o futuro. E nuvens negras parecem pairar sobre esse futuro. De novo, infelizmente.

Conversando com duas pessoas diferentes em locais totalmente distintos, ontem e hoje, ouvi o mesmo depoimento que é exatamente o meu pensamento: as pessoas que acreditaram - lá nos anos 90 e até a eleição do Lula - que o PT poderia ser e fazer diferente, que era real o patrimônio ético que diziam possuir, sente-se traído por tudo o que aconteceu depois. Fui (fomos) enganados. Eu acreditei num outro mundo possível. Estava errado, era tudo ilusão.

Ou parte de um plano maior, de tomada de poder e sua manutenção. De se locupletar do poder vendendo a ideia de que se está fazendo isso pelo povo, para melhoria da vida das pessoas, e que - afinal - os fins justificam os meios. Enganando as pessoas, comprando sua obediência. Rindo de todos nós, que realmente trabalhamos. Fomos enganados, temos que admitir.

Convidamos o vampiro para entrar em nossa casa. 

O governo Dilma é o PIOR governo da história do Brasil desde a redemocratização.

Está destruindo o Brasil.

Os petistas, vejo agora, são como gafanhotos. Estão consumindo o que temos de melhor no país, nos levando a uma grave crise econômica e de credibilidade. A política externa é uma vergonha, com o apoio  regimes ditatoriais e sanguinários. Estamos em um processo de Venezualização, estamos indo pelo mesmo caminho da Argentina da Cristina. Somos um navio afundando (eu dizia isso do RS, mas parece que exportamos o nosso modelo derrotado das últimas décadas).

 Confesso, uma vez mais, que tive esperança que a atual presidente, com sua fama de gestora, de "gerentona", pudesse administrar o país com seriedade e alguma competência. Não tinha votado nela, mas já que havia ganho, era hora de torcer pelo Brasil. Deu tudo errado.

Mas isso é passado.

Domingo tem eleição, e espero que vá para o segundo turno e que a disputa fique entre a atual mandatária e o Aécio Neves, porque se for com a Marina será a escolha entre "um tiro na nuca e uma roleta russo". Se for o caso, terei que optar pela Marina Roleta Russa Silva.

Se por acaso o PT ganhar a eleição para Presidente, mesmo assim talvez nem tudo esteja perdido. Temos algumas opções de ação...

1. Continuar trabalhando como sempre fizemos, e fazer uma verdadeira oposição ao governo, fiscalizando de perto e "brigando" contra tudo o que for prejudicial para o país;
2. Aeroporto e tchau...
3. A mais eficiente de todas, que certamente exterminaria o PT e seus associados: torcer para que o câncer que dizem que ela teve (ou outro, afinal tem tantos por aí) recidivasse e ela não conseguisse conseguir governando o país, deixando para o seu vice, Michel Temer, do PMDB. Com o PMDB presidindo o país, o PT certamente morreria de inanição, pois todos os cargos, todos os ministérios, fundações, autarquias e todos os CCs seriam ocupados por peemedebistas, e o PT ficaria a ver navios.

Seria como controle de pragas: joga no meio infestado um ser com grande capacidade de reprodução, que tome conta e sufoque a praga.

Quem diria que a esperança do Brasil pode estar nas mãos do PMDB...

Até e bom voto!

domingo, agosto 25, 2013

A Sopa 13/05

Final de semana de frio, chuva e muita umidade no sul do mundo.

Mais ou menos como me sinto nesse final de domingo. Desanimado não com a perspectiva da segunda-feira e da semana de trabalho, mas devido àquela sensação de frustração de olhar em volta, a cidade, o país, e começar a achar que as coisas, no final, não vão dar certo, por mais força que se faça. Que aquilo que no início eu falava olhando sério para o interlocutor, mas que sabia-se brincadeira pelo absurdo do que era dito, "há uma revolução em curso, estou estocando comida e comprei uma arma", começa a parecer nem tão absurdo assim.

Pode ser que esse olhar amargo sobre a vida seja só em virtude da chuva que cai incessantemente desde sexta à noite, mas que não impediu que fôssemos ao aniversário dos queridos amigos e parceiros de sempre Pedro e Maria José. Festa, aliás, que estava ótima. O repertório musical foi perfeito, e dançamos até quase o final da festa (mas só porque eu queria testar o meu joelho, só por isso...). O sábado foi de cansaço extremo e de receber a minha mãe no aeroporto, voltando de viagem, chegando do verão americano para o inverno nos pampas, cansada mas feliz ao ver a neta a esperando.

Foi um final de semana de ler posts no Facebook, compartilhar, responder, "curtir".

O assunto?

O mesmo dos últimos meses, claro, a sensação que estou chegando ao meu limite de tolerância. As pessoas tentando justificar o injustificável, e sendo desonestas - para dizer o mínimo - em seus argumentos. Utilizando-se de falsas informações para argumentar e defender o seu ponto de vista, desviando o assunto para não encarar os fatos.

Cansa.

Até a imprensa, que dizem ser contra o governo, fazendo-se ingênua, a última a saber: "O que?! O governo de Cuba fica com a maior parte do salário dos médicos que virão? Como é que ninguém disse nada antes?! Oh, meus deus!". Engraçado, não? Desde que começou a se falar em trazer médicos de lá, o que mais temos dito é exatamente isso, e vocês não ouviram? Em que mundo vocês vivem.

A última?

Virei xenófobo.

Por achar que todos os médicos formados no exterior, brasileiros ou estrangeiros, que venham trabalhar no Brasil deve ter o seu diploma revalidado no Brasil, como manda a lei, eu sou xenófobo. Por achar estranho que - de um dia para outro - o governo brasileiro consiga "importar", assim como quem importa sapatos ou computadores, 4.000 médicos de Cuba, que vão receber menos que os estrangeiros que vão vir para esse mesmo programa Mais Médicos do Ministro Diploma-Falso-de-Especialista Padilha, tornando esses médicos importados (que entram no cálculo a balança comercial de Cuba, assim como a exportação de charutos e o turismo) cidadãos de segunda-classe, mercadorias (já que chamar de trabalho escravo - que é o que ocorre - ofende alguns inocentes úteis do sistema), por tudo isso, virei xenófobo. Essa tentativa de lavagem cerebral, essa irracionalidade, não é falta de inteligência desses senhores, por mais incrível que pareça. É a cegueira ideológica, a velha ideia de que "nós somos os bons, e eles tem que pagar por isso". É parte de um plano, podem apostar.

Não podemos deixar isso prosseguir.

Mesmo cansado, mesmo sem paciência, não vou desistir.

Até.


terça-feira, julho 16, 2013

Nas Ruas

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Hoje foi dia de ir para a rua pela saúde, mais uma vez.

Outra mobilização dos médicos, e caminhada até a Prefeitura. Estudantes, residentes, médicos de várias gerações. Meus professores e alguns alunos.

Na chegada à Prefeitura, saí do grupo, passei por baixo do cordão de isolamento e, na escadaria principal, pude fotografar mais um pouco...

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Até a próxima...

sexta-feira, julho 12, 2013

Confissão de sexta à noite

"Queria dizer que te considero pra c..."

Não, não é isso.

É que nunca antes da história desse país me senti tão desanimado e injustiçado pelo fato de ser médico, o que é de uma insanidade sem precedentes. Parece que isso agora se tornou uma coisa ruim, me tornou um pária. Entre tanta bobagem, desconhecimento e má intenção presentes no que tenho lido dos detratores da classe médica, e a reação de amigos e colegas, um frase se destacou positivamente.

"Me jogue aos lobos que eu volto liderando a matilha".

Pois é.

Até.

quinta-feira, julho 11, 2013

Falando com as paredes

Definitivamente, uma mentira repetida mil vezes vira uma verdade.

Sim, e lamento por isso, continuo falando sobre o momento atual do Brasil, em especial sobre o ataque premeditado que o atual governo (incompetente e corrupto) brasileiro ora faz sobre uma categoria profissional, os médicos. Poderiam citar como conflito de interesse nas minhas análises o fato de eu ser médico, mas é justamente esse fato que me faz entender o que está acontecendo, visto pelo lado de quem está sendo ameaçado. É verdade, tenho um lado a defender e defendo com convicção do que falo.

Mas vamos às últimas novidades.

Por onde começo? Ah, por nós médicos, agora acusados de engomadinhos, burgueses (de novo? sério mesmo?), e de termos nojo de povo. E que a inconstitucional, imoral, autoritária, inefetiva e burra ideia de estender a formação médica em dois anos para que os novos formandos conheçam a realidade do SUS é uma forma de humanizá-los. Esse argumento é tão ESTÚPIDO que fica difícil de debater. Onde as pessoas pensam que se cursa medicina? Num shopping center? Que só atendemos pacientes privados? Ou em bonecos? Aprendemos a diagnosticar com Playmobil e a operar com Legos? Assim que nos formamos, abrimos no dia seguinte um consultório privado naquele mesmo shopping center e ficamos ali, esperando o dinheiro entrar? Pergunta: em que mundo vivem as pessoas?

TODOS os estudantes de medicina atendem pacientes do SUS durante o curso, e 70% dos médicos trabalham no SUS. Alguém do governo diz isso? Pois é.

SIM, nós queremos ir para o interior. Mas queremos ir com dignidade, para que possamos levar nossas famílias, educar nossos filhos. Isso não é questão de salário, apenas. Queremos ter condições de trabalhar direito: postos de saúde em condições, hospitais para onde encaminhá-los quando necessário, exames, equipes de saúde completas, direitos trabalhistas (férias, décimo-terceiro salário, etc), um plano de carreira, possibilidade de progressão. Ou vocês acham que haveria juízes, ou delegados, em todas as comarcas e cidades se as condições oferecidas a eles fossem as mesmo que oferecem aos médicos?

O FRACO governo Dilma Roussef, mais perdido desde que começaram as manifestações populares pelo Brasil, escolheu o alvo da vez, e - já pensando na eleição do ano que vem - lançou esse plano demogógico e eleitoreiro para "satisfazer" as ruas, que pediam saúde. Não se faz saúde sem médicos, mas também não se faz SOMENTE com médicos. Mas isso não importa para eles, o importante é a eleição do ano que vem, quando a possivelmente a presidente (mas não ficaria nada surpreso se o ex viesse aí) vai tentar a reeleição e o ministro da saúde - e seu certificado de especialista falso - vai a governador.

A tática atual - que não vai funcionar - é bater na classe médica, tentar colocar a população contra nós.

Não vão conseguir.

O que me lembra a piada aquela em que um cidadão encontra um amigo e diz:
- Minha gata teve ninhada. Sete gatinhos, e quatro são do PT.
- Do PT? Como assim?
- É que os outros já abriram os olhinhos...

Espero que consigamos fazer a pessoas verem que há uma revolução em curso, e que as próximas vítimas podem ser elas...

Até.

segunda-feira, julho 08, 2013

Espanto

Nos últimos dias, frente às notícias produzidas no Brasil, essa música tem estado o tempo todo tocando na minha cabeça... É uma pena que que seja cada dia mais verdadeira...

Vamos celebrar
A estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja
De assassinos
Covardes, estupradores
E ladrões...
Vamos celebrar
A estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação...
Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião...
Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade...
Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta
De hospitais...
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras
E seqüestros...
Nosso castelo
De cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia
E toda a afetação
Todo roubo e toda indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã...
Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar o coração...
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado
De absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos
O hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
Comemorar a nossa solidão...
Vamos festejar a inveja
A intolerância
A incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente
A vida inteira
E agora não tem mais
Direito a nada...
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta
De bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isto
Com festa, velório e caixão
Tá tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou
Essa canção...
Ainda desanimado.
Até.

domingo, julho 07, 2013

A Sopa 13/02

Sou contra a violência.

Definitivamente. Peremptoriamente.

(Importante esclarecimento para contextualizar o que virá a seguir no texto)

Sou tão contra a violência que não considero UFC, MMA, essas coisas, como esporte. Para mim, é a mesma coisa que rinha de galo, com a diferença que os "galinhos" são pagos para isso, para se quebrarem. De novo, é MINHA opinião. Por outro lado, e já falei sobre isso, admiro o boxe, com suas regras, pompa e circunstância...

Mas falava que sou radicalmente qualquer tipo de violência.

(nesse momento, não estou esquecendo e nem negando a participação em eventos, vamos dizer, potencialmente violentos num passado muito distante, que não dizem respeito ao que digo ou penso agora, quando sou absolutamente contra a violência)

Pois então, após esse preâmbulo em que manifesto minha oposição radical à violência (não sei se deixei isso claro...) de qualquer tipo contra qualquer um, pessoas ou animais, posso chegar ao ponto central dessa sopa.

Precisamos de um exemplo.

Frente ao que vem acontecendo no Brasil, a esse desrespeito às instituições, ao dinheiro público e à democracia por parte de nossos representantes, esse deboche - como o uso de avião da FAB para compromissos pessoais de senadores, deputados e ministros - para com os cidadãos do Brasil, esse oportunismo de ouvir a voz das ruas e fazer de conta que não é com eles, que parece que a única solução é escolher um como exemplo para os outros.

Acabar com a sensação de impunidade reinando no país.

Peguemos - hipoteticamente - o Presidente do Senado, ou um Ministro qualquer, ou um deputado que propõe que se cure gays, sei lá, e que foi eleito pelo povo. Ele seria o exemplo para os outros do que acontece com quem usa jatos da FAB para uso pessoal, ou renúncia para não perder o mandato por quebra de decoro parlamentar, ou alguma falcatrua qualquer que ele possa ter feito. Como nos tempos da escola, alguém pegaria ele na saída e daria uma lição. E que os outros ficassem sabendo que o mesmo aconteceria com eles em caso de desvios.

Sei lá, apenas uma ideia perdida num domingo de chuva.

Até. 

sexta-feira, julho 05, 2013

O dia em que desisti

Hoje, sexta-feira.

Como normalmente acontece, atendo ambulatório em um dos hospitais universitários de Porto Alegre no período da manhã. A tarde é dedicada ao meu consultório, que fica em outro dos hospitais universitários de Porto Alegre. Muitas vezes, contudo, a tarde de atendimento é desmarcada para reuniões ou mesmo para ajudar no ambulatório do SUS do Centro de Obesidade onde também trabalho, atividade - no caso - não remunerada.

Atendi meus pacientes no consultório e, na metade da tarde, depois do prejuízo de uma paciente que marcou consulta, confirmou presença e não apareceu, deixei o consultório para ir ao Centro de Obesidade porque havia um paciente do SUS para eu atender. De novo, para não deixar dúvidas, de graça, sem ser remunerado por isso. Paciente grave, que lembrou Dickens (e meus alunos sabem por que), pude ajudá-lo. Orientei, fizemos um plano de tratamento, programamos uma nova consulta em cerca de um mês. Me contou que levou três anos preso na burocracia para chegar a começar a avaliação, mas que agora faltava pouco - nossa esperança, afinal é um caso grave - para que pudesse fazer a cirurgia, que melhorará em muito sua vida. Saí duplamente feliz, por ele e por mim, que pude ajudá-lo dentro das limitações impostas (vários dos exames que ele precisava e até já tinha feito não são cobertos pelo SUS).

Mas aí  - infelizmente - voltei a ler o que andam escrevendo sobre a questão e a postura dos médicos no Brasil. Como médico e brasileiro, quando falam, falam também de mim.

E desanimei.

Aquele momento em que realizas que a revolta é sem sentido por inútil, que não há nada que eu possa dizer, por mais que eu tente mostrar como são as coisas, nada vai mudar a ideia estabelecida de que, por ser médico, eu faço parte de uma elite que só quer dinheiro e não está nem aí para a população. Que não quero trabalhar num Posto de Saúde ganhando treze mil reais por que acho pouco. Que não vou para o interior ganhando trinta mil (!) porque acho pouco. Eu não tenho solução, talvez a solução seja mesmo a execução em praça pública.

Não adianta explicar que boa parte dos médicos que estavam nas passeatas estavam lá não por salários, afinal nem trabalham no SUS, mas sim por melhores condições, mais investimentos no sistema de saúde, por uma carreira de estado para médicos, com possibilidade de ascensão, que começariam - assim como juízes - em cidades menores e que teriam a possibilidade de - depois de um tempo migrarem para outras regiões de sua escolha, mas que aí seriam substituídos por outros em mesma situação. Não adianta GRITAR que não é a questão de serem cubanos ou portugueses, espanhóis ou canadenses, é o princípio da necessidade de validação de seus diplomas, como acontece em qualquer lugar do mundo. Se mostrarem competência, TODOS serão bem recebidos.

Tudo em vão.

Pessoas inteligentes sendo iludidas e manipuladas por uma cortina de fumaça lançada por um governo que está perdido, e seguindo pesquisas de opinião esquizofrênicas ("Você acha que a saúde melhoraria com mais médicos? Sim? Viu só, faltam médicos no Brasil!). Aliás, eu espero que estejam sendo iludidas, não seja cegueira ideológica ("esses médicos, todos de direita, só querem o lucro, eles deveriam trabalhar de graça, afinal saúde é um direito de todos").

Final de tarde de sexta-feira, desanimado, decidi largar de mão.

Chega. Acabou. Não aguento mais.

Mas aí olho meu e-mail e recebo o convite oficial para compor a mesa - como Professor Homenageado - da formatura da ATM 2013/1 do Curso de Medicina da UNISC. Ainda tenho por que lutar.

Sorrio.

De volta à luta.

Até.

quinta-feira, julho 04, 2013

Eu sou a favor dos médicos cubanos

Aliás, sou a favor dos médicos. Ponto.

Nós, médicos, estamos deixando a discussão ir para o lado errado.

Ingenuamente, estamos sendo manipulados, e - com isso - ficamos cada vez mais antipáticos perante a opinião pública, que já "sabe" pela grande imprensa que somos os profissionais mais "bem remunerados" do Brasil. Além de marajás, temos medo de concorrência.

Sei, sabemos, qual é o problema da saúde pública no Brasil, e que "importar" médicos estrangeiros não vai resolvê-lo. Mas temos a maior parte da opinião pública sendo colocada contra nós porque estamos perdendo o foco da discussão. Cada vez mais parecemos estar preocupados com o nosso "feudo". Temos um problema de comunicação.

Estive na manifestação dos médicos ontem.

Em sua maioria, os argumentos eram os adequados, mas à vezes ocorriam deslizes, justamente quando se falava dos médicos de Cuba. Sem falar na boa intenção do carro de som com o "puxador" das palavras de ordem, esforçadas, mas fraquinhas (em termos de marketing).

Foi bonito, emocionante mesmo, encontrar professores, colegas e alunos, todos juntos ali em defesa do SUS, dos investimentos em saúde. Mostrou que o momento é de luta, de ir para a rua mesmo. Teve um momento que três mais jovens se dirigiram a um container de lixo. Alguns olharam assustados, se viraram como se fossem defendê-lo, e se acalmaram quando perceberam que a intenção era apenas uma foto...

Foi bonito ver que muitas pessoas aplaudiam a passagem do "cortejo" médico em direção ao Palácio Piratini, e aqueles de carro buzinavam. Foi importante nos manifestarmos. E foi muito bem. E éramos muito, mas muito mais que os 300 citados pelo Correio do Povo ou 600 segundo a Zero Hora.

Só que - no geral - acho que estamos perdendo a batalha pela simpatia do povo.

Esqueçam de onde virão - se virão mesmo - os médicos estrangeiros. Não importa se de Cuba, Portugal, Espanha, ou qualquer que seja seu país. Todos serão bem recebidos, independente da origem ou da formação.

Só precisam fazer o que fazemos quando vamos trabalhar no exterior: revalidar o diploma. Afora isso, é uma ilegalidade. É crime.

Temos médicos suficientes. O que não temos, por outro lado, são governos sérios e competentes.

Até.

terça-feira, julho 02, 2013

Mandei um e-mail para a Dilma

Estou ficando sem paciência.

As pessoas falam demais, e falam bobagens. E não importa o assunto, todos tem opiniões definitivas, peremptórias, sobre como tudo é e como deveria ser. Quanto mais certeza tem, mais intolerantes parecem ficar. E te olham, desafiadoras, um dedo em riste a apontar para os defeitos os outros, nunca os seus.

Eu não. Cada vez sei menos, tenho menos certezas. Só que ainda tenho a tendência a falar mais que do deveria e, pior, continuo prolixo. O esforço para melhorar, rumo ao silêncio, ou - ao menos - à concisão é contínuo.

Controladores eletrônicos de velocidade. Mesmo já tendo sido multado mais do que gostaria, sou totalmente a favor, afinal eles só multam quem está acima do limite de velocidade. Chamar de "indústria da multa" ou "caça-niqueis" é uma distorção de valores que beira o ridículo. Lembrem-se, ele só multa quem está ACIMA do limite de velocidade. E não faz diferença que o azulzinho esteja escondido, camuflado, fantasiado: ele não multa quem está dentro da lei. É difícil entender? Falando em multa, alías, acho que se multa pouco no trânsito. A quantidade de aberrações cometidas por motoristas nas ruas e estradas do Rio Grande do Sul, que concluo que as autoridades são extremamente tolerantes com os infratores.

Protestos contra a corrupção. Acho ótimo ir para a rua protestar, sou a favor. Continuemos lutando por um país melhor. Mas, cá entre nós, e a tua parte, estás fazendo? E as pequenas corrupções do dia-a-dia, não contam? Pedir para um colega assinar a presença para ti quando faltas à aula (não, nós professores não percebemos NUNCA isso acontecer...), por exemplo, é exemplo de correção? Receber o troco a mais e não falar nada, subornar o guarda para não receber multa? Justificar o dano ao patrimônio público e privado como "parte" do protesto é correto? Orientar a força policial a não intervir mesmo que testemunhando destruição e saques está bem? Pois é.

E nós médicos, que temos medo que venham médicos de outros países tirar nossos lugares, para pegar nossa parte na fortuna que as prefeituras pagam para nós não trabalharmos? E quando digo que existem médicos que trabalham de GRAÇA para o SUS, não acreditam. De graça? Não pode ser! Pois é, parte do meu trabalho é, sim, não remunerada. Aliás, já passei dois meses inteiros indo ao hospital todos os dias (inclusive aos finais de semana) ver uma paciente do SUS e não recebi nada por isso. Mas isso não vem ao caso. O problema somos nós, médicos? Está bem, façam como achar melhor. Depois conversamos, companheiro.

Não, não foi nada disso que escrevi no e-mail que mandei para a Presidente.

Apenas, como parte da campanha estimulada pelo CFM, pedi respeitosamente que ela sancione a Lei do Ato Médico.

Era isso.

Até.