Eu não desço mais escada com as mãos nos bolsos.
Nunca foi algo prudente de se fazer, eu sei. Da mesma forma, procuro sempre que possível – ao descer ou ao subir – fazer uso do corrimão. Experiência, podemos dizer. Também, em ocorrência aparentemente sem relação, parei de jogar futebol.
Tudo isso faz parte dos lutos diários que vivemos à medida que o tempo passa. Acontece com todos. De uma forma ou outra, vamos vivendo limitações que a vida nos impõe conforme a ela avança. Nossa missão é aceitar e nos adaptar a elas. Quanto mais rápido aceitarmos essas limitações, melhor será. Ao menos o sofrimento será menor.
É o que chamo de lutos diários.
Conversava sobre isso ontem com o meu o sogro, Alfredo, do alto dos seus 87 anos, que me falava sobre isso, de algumas atividades que ainda pensava em fazer, mas que sentia que era cada vez mais difícil. Disse que entendia, e que era nossa ‘missão’ aceitar e nos adaptar a elas. Em menor proporção, claro, pela nossa diferença de idade, disse que também vivia isso.
Foi quando me veio essa ideia, que não é nova e nem inédita, de que vamos vivendo diferentes lutos todos os dias, que estamos sempre nos despedindo de algo ou alguém, pessoas, bens materiais, relacionamentos, e que viver é estar sempre reajustando a vida após uma perda.
E que o belo da vida é que sempre há algo novo a ser vivido.
Até.