domingo, julho 04, 2004

A Sopa 03/50

Em cerca de quarenta e cinco dias, viajo.
 
Tenho muito que fazer até lá, contudo. Desde todas as questões relacionadas à minha tese de doutorado (que está andando, já adianto a vocês), até as despedidas, passando por burocracias de visto, passagens, organizar a vida aqui para quando eu estiver fora.

Para receber o visto de trabalho canadense, é preciso encaminhar uma série de documentos ao Consulado em São Paulo, que faz uma primeira análise e então solicita que se faça uma consulta e alguns exames médicos, como raio-x de tórax e de sangue. A consulta deve ser feita com um médico credenciado pela embaixada (há um único em Porto Alegre), que cobra particular, e os exames devem ser feitos em locais específicos.

A consulta, que é registrada em inglês num relatório que vai para um escritório central da imigração canadense que fica em Trinidad Tobago (?) junto com os exames, é muito detalhada (normal). Primeira pergunta: Alguma cirurgia? Não, nenhuma. Nem circuncisão? Olha, acho que postoplastia (para fimose). Com que idade? Não lembro. Menos de um ano, então? Acho que sim... Alguma complicação da cirurgia? NÃO, NENHUMA. E por aí vai...

Depois, fiz um raio-x de tórax e fui a um laboratório coletar sangue. Por que eles querem o meu sangue? Para registro de DNA, caso eu venha a ser suspeito de algum crime? Ou eles querem usar o meu DNA para fins de clonagem? Vocês sabem, o norte do Canadá é o Círculo Polar Ártico, muito pouco povoado. Será que eles querem povoar o Canadá com milhares de ‘euzinhos’? Já imaginou, na tundra, muitos euzinhos caçando focas ou ursos polares? Aliás, vocês sabiam que não existem pingüins no Pólo Norte? É verdade.

Mas voltando aos exames médicos admissionais e deixando de lado a paranóia e a fantasia, são só os resultados que vão para o exterior e esses estão todos bem, obrigado. Em pouco mais de dez dias devo ter o meu visto.

§

E aos poucos vou me despedindo das coisas daqui. Da PUC, por exemplo, foi na semana passada. Não que eu não vá mais lá, apenas saí dos plantões e pedi demissão do meu cargo de plantonista. Sou um desempregado, agora. Isso significa mais tempo em casa para escrever a minha tese de doutorado, que é o que estou fazendo por esse dias. Ou seja, tenho MUITO trabalho no período antes de viajar, em que – além disso – tenho que organizar o funcionamento de várias coisas enquanto eu estiver fora.

§

Isso tudo sem falar na(s) despedida(s), que começaram ontem, com o Magno vindo de Ribeirão Preto neste final de semana especialmente para gravarmos – ele, o Márcio e eu - um registro acústico da Banda da Sopa em CD para eu poder levar para o Canadá. Depois de gravarmos, por volta das dez da noite, ele veio aqui em casa e ficamos conversando até as três da manhã, como nos velhos – nem tão velhos assim – tempos.

2 comentários:

Anônimo disse...

Despedidas são assim,
com cara de chuva que inunda,
com cara de noite que tira luz,
com cara de perda do que nunca se teve...
vêm, apenas vêm..
tira de nós algo de brilho, algo de bom..
algo de nosso,
algo de alguém.. apenas vem..
despedidas doem,
arrebatam a alma,
trazem à tona tristeza..
a lágrima aflora...
O peito estoura,
Num combinar fúnebre...
No véu do não mais olhar...
Seja lá que despedida for,
só conheço uma boa:
a despedida da tristeza..
Mas essa a alegria cobre...
nem se vê como despedida..
inundada pelo bem-estar,
o bem querer de ter a vida..
e, na vida, a felicidade..
despedidas,
dos que vão por ciclo natural da vida..
dos que vão por opção,
dos que têm que ir...
dos que a vida distanciam,
por tudo que reside nela..
pela hora errada,
pela situação errada..
na vontade suprimida em cada um..
mas, se tem que ter despedidas,
tchau, enfim...
Alguém sai da sala de nossas vidas...

Paulo P.

Anônimo disse...

Despedidas são assim,
com cara de chuva que inunda,
com cara de noite que tira luz,
com cara de perda do que nunca se teve...
vêm, apenas vêm..
tira de nós algo de brilho, algo de bom..
algo de nosso,
algo de alguém.. apenas vem..
despedidas doem,
arrebatam a alma,
trazem à tona tristeza..
a lágrima aflora...
O peito estoura,
Num combinar fúnebre...
No véu do não mais olhar...
Seja lá que despedida for,
só conheço uma boa:
a despedida da tristeza..
Mas essa a alegria cobre...
nem se vê como despedida..
inundada pelo bem-estar,
o bem querer de ter a vida..
e, na vida, a felicidade..
despedidas,
dos que vão por ciclo natural da vida..
dos que vão por opção,
dos que têm que ir...
dos que a vida distanciam,
por tudo que reside nela..
pela hora errada,
pela situação errada..
na vontade suprimida em cada um..
mas, se tem que ter despedidas,
tchau, enfim...
Alguém sai da sala de nossas vidas...

Paulo P.