quarta-feira, dezembro 01, 2004

Comentário sobre um post

Detesto fazer o papel do chato, mas algumas vezes não consigo me controlar…

Entrei agora há pouco num dos blogs que visito diariamente e havia um post novo, com um texto chamado “Viver não dói” com a autoria do mesmo atribuída ao nosso poeta maior, Carlos Drummond de Andrade. Muito bonito o texto, mas quando li achei improvável que fosse do Drummond. Sei lá, mas, olhando bem, não parecia o estilo dele. Tinha - na minha opinião - coisas ditas de uma maneira que ele não faria (repito: minha opinião e posso estar enganado). Daí fui para a internet pesquisar.

No google, tem 1720 links para "Viver não dói", a maioria para blogs ou fotologs, acho que a maioria dando a autoria a ele. Mas, olhando um pouco melhor, aparecia um tal de Emílio Moura (nunca tinha ouvido falar).

Então, pesquisei "Emilio Moura' e o resultado foi 46300 links para o nome dele!! Clicando no primeiro link, Emílio Moura aparece a seguinte biografia dele:

"Um ser perplexo, vagando pelo mundo com sua "música secreta", em permanente estado de poesia. Emílio Moura - para os amigos, "poeta Emílio" - nasceu em Minas, em 1902. Ao lado de Carlos Drummond de Andrade e Pedro Nava, fez parte da célebre geração que renovou a literatura na Belo Horizonte dos anos 20 e 30. Embora pouco lido e conhecido ("poeta ainda não bastante admirado", na expressão de Otto Maria Carpeaux), é um dos nomes importantes do modernismo brasileiro".

Entre suas poesias, encontro uma que se chama Canção:

“Viver não dói. O que dói
é a vida que se não vive.
Tanto mais bela sonhada,
quanto mais triste perdida.

Viver não dói. O que dói
é o tempo, essa força onírica
em que se criam os mitos
que o próprio tempo devora.

Viver não dói. O que dói
é essa estranha lucidez,
misto de fome e de sede
com que tudo devoramos.

Viver não dói. O que dói,
ferindo fundo, ferindo,
é a distância infinita
entre a vida que se pensa
e o pensamento vivido.

Que tudo o mais é perdido.”

O texto no blog (é bem legal o blog, diga-se de passagem) não é do Drummond, e nem é o poema do Emilio Moura. É uma adaptação deste que foi atribuída ao primeiro poeta. De qualquer forma, é a mesma mensagem, que é certa.

Emílio Moura, nasceu em 1902 em Dores do Indaiá, oeste de Minas Gerais. Em 1920, transferiu-se para Belo Horizonte, passando a integrar o brilhante grupo de jovens intelectuais que logo iriam participar do "movimento modernista". Desse grupo faziam parte, entre outros, Carlos Drummond de Andrade, Milton Campos, Aníbal M. Machado, Abgar Renault, Pedro Nava, Gustavo Capanema, Mário Casassanta, Martins de Almeida, João Alphonsus, Gabriel Passos, Euryalo Canabrava.

Em 1925, com Drummond e Martins de Almeida, fundou "A Revista", primeiro órgão literário do movimento modernista em Minas Gerais. Faleceu em 28 de setembro de 1971.

Como eu disse, nunca tinha ouvido falar nele. Foi bem legal aprender...

E quem disse que a internet não pode ser uma fonte de conhecimento?

Um comentário:

Denise Arcoverde disse...

Oi, marcelo, eu também estava lá no Mikix agora, e o texto não é de Drummond de jeito nenhum, nem do Emilio. O estilo é completamente diferente. Dia desses me deparei com um Quintana, que ele não teria escrito, NUNCA! acho isso meio chato, acho que deseduca o pessoal. Claro que a culpa nem é de quem está postando agora, porque não sabe mesmo, mas quem começou essas brincadeiras... não tem graça nenhuma...