domingo, maio 14, 2006

A Sopa 05/43

Dentre os mistérios do mundo, um dos que mais me intrigam é por que as pessoas, frente a uma fonte com água correndo, se sentem compelidas a jogar uma moeda. Não consigo entender.

Sei bem da tradição de quem vai à Roma.

Deve-se estar de costas para ela e jogar a moeda com a mão direita por sobre o ombro esquerdo. Cumprindo esse pequeno ritual, junto à Fontana di Trevi, garante-se a volta à Cidade Eterna. Eu, lá, fiz como mandava o roteiro. Voltei e repeti o ritual. Como não faz muito, ainda acredito em que vai funcionar de novo. Mas isso é na Fontana di Trevi. Até onde sei, não existem outras do gênero.

Pensando bem, existe aquela coisa de jogar a moeda e fazer um pedido. Não sei se isso é válido em qualquer fonte ou poço. Sei lá. O fato é que em qualquer fonte por onde se passa, há milhares de moedas depositadas. Vai ver que é para garantir. Como o caso das portas santas.

Você sabe, e provavelmente eu já tenha falado disso, mas em toda igreja há um porta que fica sempre fechada e que só é aberta a cada vinte e cinco anos, nos anos jubiliares. O último foi em 2000, justamente na primeira vez em que visitei a Itália. Diz a tradição que quem passa pelas Portas Santas das quatro igreja principais de Roma, São Pedro, Santa Maria Maggiore, San Giovanni in Laterano e San Paolo Fuora di Muri, terá todos os seus pecados perdoados.

Claro que eu fiz isso, e – mais – ainda passei pelas Portas Santas em Assis, Milão e na Notre Dame de Paris. Sabe como é, just in case.

É o que deve acontecer com as fontes. As pessoas jogam as moedas em qualquer uma, para garantir. Não importa onde, jaga-se a moeda e faz-se um pedido. Vai que aconteça. É aquele papo: se tentar, pode até não dar certo, mas se não tentar, certamente não vai acontecer. Certo… pode ser, deixa assim…

Mas o que eu não aceito, acredito ou entendo, é quem joga moeda em uma fonte de um cassino. Como assim? Jogar dinheiro fora para tentar ganhar dinheiro? Não há saída.

Ao jogar a moeda, já se perdeu dinheiro. O ato de jogar a moeda anula o ato para o qual a moeda poderia servir. É quase uma situação paradoxal extrema, daquelas que podem acabar com o universo, como o caso dos cremes de anti-ruga para homens. Não posso nem falar nisso, apenas que isso não existe. Outra hora explico.

Até.

Um comentário:

Mauricio V. Almeida disse...

Era prá jogar a moeda, é? Eu sempre pensei que elas estavam nas fontes dos parques, shoppings e monumentos para a gente pega-las!
Sempre que viajo levo meu imã com uma cordinha. (brincadeira, viu).
Abraço