domingo, maio 28, 2006

A Sopa 05/45

Conversavam duas pessoas sobre mim.

O assunto não era leve, contudo. Falavam sobre um desentendimento que havia acontecido, um mal-entendido que havia motivado um estranhamento entre dois amigos, uma palavra mal posta que não foi entendida como deveria, e talicoisa. Uma coisa leva à outra e havia surgido um silêncio que estava num local onde não deveria estar.

Comentavam elas que, apesar das minhas tentativas de esclarecer a situação, o silêncio continuava. Uma das interlocutoras perguntou se não havia o risco de as coisas “estragarem” de vez, da amizade ficar comprometida definitivamente. Que surgisse uma mágoa grande demais para ser superada. A outra, que me conhece muito bem, foi definitiva: “O Marcelo não guarda mágoas”.

A história é verdadeira, assim como a afirmação a meu respeito.

Tudo tem conserto na vida, nada é definitivo. A única exceção é a morte, o fim de tudo. Antes disso, e para todo o resto, há um jeito de se resolver, um solução, uma saída. E não só isso, não há nada na vida que justifique guardar mágoa, alimentar rancor. Passei dessa fase.

Houve um tempo, e acontece com muita gente, provavelmente com todos nós em algum momento de nossas vidas, em que eu entrava naquilo que defini como ‘Espiral Esquizofrênica’ (EE). A EE é aquela situação em que acontece alguma coisa que nos desagrada, nos deixa chateados, mas não falamos com ninguém, guardamos para nós, e então a situação, que talvez até nem fosse tão grave assim, ganha proporções gigantescas, passamos a revirar o nosso passado em busca de situações que justifiquem nosso mal-estar, vamos alimentando a mágoa e, no final, talvez nem saibamos mais o que motivou tudo, mas estamos tão ressentidos que nem enxergamos direito o que aconteceu. Essas espirais acontecem até que decidimos quebrar o ‘ciclo esquizofrênico’.

Uma das formas de fazer isso é conversando. Colocar em pratos limpos, lavar a roupa suja. Dizer o que incomoda, o que nos desagrada. Adquirindo o hábito de não guardar para nós as coisas que nos ferem, ficamos mais leves. É um processo natural. Até o dia em que percebemos que simplesmente não vale à pena gastar tanta energia com sentimentos negativos. Sei lá, isso dá câncer.

Tudo fica mais leve, então. Não há razão para brigar, não há tempo para isso. A vida é muito curta. Aliás, quem falou algo assim? Quem mesmo?

Ah, só podia ser…

We Can Work It Out


Try to see it my way,
Do I have to keep on talking till I can't go on?
While you see it your way,
Run the risk of knowing that our love may soon be gone.
We can work it out,
We can work it out.

Think of what you're saying.
You can get it wrong and still you think that it's alright.
Think of what I'm saying,
We can work it out and get it straight, or say good night.
We can work it out,
We can work it out.

Life is very short, and there's no time
For fussing and fighting, my friend.

I have always thought that it's a crime,
So I will ask you once again.
Try to see it my way,
Only time will tell if I am right or I am wrong.
While you see it your way
There's a chance that we may fall apart before too long.
We can work it out,
We can work it out.

Life is very short, and there's no time
For fussing and fighting, my friend.

I have always thought that it's a crime,
So I will ask you once again.
Try to see it my way,
Only time will tell if I am right or I am wrong.
While you see it your way
There's a chance that we may fall apart before too long.
We can work it out,
We can work it out.


Até.

Um comentário:

Jacque Rizzolli disse...

Adorei a "solução Beatle" para os probelmas. Também acho que a vida é muito curta para ser desperdiçada com mal entendidos, mas...fazer o que...(dando de ombros...). E não é que tu não guarde mágoas, na verdade a tua "Caixinha de mágoas" é muito rasa, tipo uma caixa de camisa, daí fica bem mais fácil encontrar as coisas que estão lá dentro e resolver, não é como algumas pessoas que tem "poços de mágoas", daí é fundo, escuro, e dá medo... Beijão...faltam 5 domingos...Te amo! Jacque