Eu tinha a ingênua esperança de que, passado o domingo de eleições, poderíamos seguir em frente a vida, livres das alucinadas teorias conspiratórias da direita e sem o histerismo escatológico (escatologia, ramo da filosofia que estuda os eventos finais da história da humanidade, do mundo e do universo) e – sim – intolerância ao pensamento diferente do seu da esquerda. Que poderíamos nos preocupar com e discutir assuntos mais relevantes, fossem eles quais fossem.
Ledo engano.
Talvez tenha piorado, quando comparado aos últimos dias anteriores ao segundo turno, e o candidato derrotado está colaborando com esse clima. A fuga para os Estados Unidos (eu espero) é o encerramento da história dos Bolsonaros na política brasileira. Em 2030, sem Lula e sem Bolsonaro na disputa, talvez – eu tenho alguma esperança – consigamos discutir ideias e projetos de pais. Até lá, serão quatro anos difíceis, economicamente falando.
O que eu penso das eleições que passaram?
Não que eu ache que alguém tenha algum interesse, ou mesmo queira ouvir o que penso sobre política no quadro atual, mas falarei mesmo assim, apesar de tudo.
As eleições, então...
Foram – para mim – como assistir um jogo de futebol entre Flamengo e Corinthians: gostaria que ambos perdessem... Como isso não era possível, fiquei feliz que o Flávio perdeu e triste que o Lula ganhou. Quem acredita que as eleições foram fraudadas não consegue olhar o mundo além de sua bolha. Se esse fosse um país sério, a chapa de situação teria sido impugnada crime eleitoral por abuso de poder econômico por todas as medidas eleitoreiras nas semanas que antecederam a eleição. De novo, não houve fraude. A mobilização da esquerda foi impressionante. Estender em duas horas o período de votação foi coisa de coisa de republiqueta, mas não mudou em nada o resultado. Eu torço para o que lado que venceu esteja certo em sua escolha, assim como torceria se quem tivesse ganho fosse quem perdeu. Nem todo mundo (quase ninguém, aliás) que votou no Flávio é fascista, golpista, homofóbico, racista ou o que quer seja. Essa agressividade na adjetivação de quem pensa diferente gerou mais votos para o Flávio do que ele próprio dizendo o que pensava e o que pretendia fazer.
O que eu quero, de verdade?
Poder trabalhar em paz, fazer por mim.
E não brigar por causa de política.
Até.