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quarta-feira, dezembro 03, 2025

Não É Inteligente

Eu comecei a escrever, como forma de pensar a vida, há muitos anos, inicialmente escrevendo à mão em cadernos que – alguns deles – ainda guardo como recordação. A fase seguinte foi registrar meus pensamentos datilografando em uma máquina de escrever, que era onde alguns trabalhos de escola de depois faculdade eram feitos, ainda antes dos computadores com editores de texto.

 

Sou, dessa forma, de uma geração que nasceu analógica e evoluiu para o digital. Das apresentações em Powerpoint das quais saíam slides que eram projetados por projetores que tinham carrosséis em que inseríamos os slides físicos, e cuja lâmpada queimava com certa frequência, até as atuais que deixamos na nuvem, ou nos enviamos por e-mail. Passei (passamos) por tudo isso.

 

O mesmo com as fotografias, antes reveladas a partir de filmes de 24 ou 36 poses, que carregávamos em viagem e revelá-las depois era como viajar de novo, até os celulares cujas fotos são tiradas ad nauseum, de comidas até infinitas selfies em frente ao espelho. Tudo bem, tudo certo. Redes sociais, desde o finado Orkut até o Instagram, passei por todas.

 

O meu limite, estabeleci há algum tempo, foi o Tik Tok.

 

Foi quando vi que envelheci. Não é para mim.

 

Agora, as IAs, os chatbots.

 

São potencialmente fantásticos, se usados adequadamente, como tudo na vida. Funções de auxílio em projetos, coisa e tal. Muito legal. Nunca, contudo, como conselheiro sentimental, ou outro tipo de utilidade que não prática, que exima o usuário do contato e das relações humanas.

 

Esse limite é bem mais simples de estabelecer.

 

Para mim, para mim.


Até. 

sexta-feira, abril 11, 2025

O tempo está acabando

Estou nu, ou quase.

 

Hoje cedo, como os antigos astecas e maias faziam, antes de sair de casa e coloquei no bolso de trás da minha calça jeans a minha carteira, com documentos, cartões de crédito e dinheiro em espécie. Me senti voltando no tempo.

 

Isso porque eu vinha desde janeiro, há pouco mais de dois meses, fazendo uso apenas do meu celular para todas as funções de uma carteira no meu dia a dia. Não precisava de mais nada, andava mais leve, e satisfeito após me acostumar a estar “com pouco ou nenhum” peso nesse mesmo bolso traseiro. Cartões de crédito, contas de banco para pagar contas e fazer pix, documentos do carro e de identificação, tudo no meu iPhone.

 

Que ontem à noite parou de carregar.

 

Ao conectar no cabo de força, nada acontece, por mais que tente, que troque de posição ou troque mesmo o cabo. Nada funcionou. Tentei limpar o local da conexão e nada. Coloquei o telefone em modo avião, e estou poupando a bateria para quando realmente necessário. Ele se tornou uma ampulheta que lentamente se aproxima da morte...

 

Levei mais tempo que o normal para chegar no trabalho porque não havia o Waze para mostrar o caminho menos lento (se bem que, em Porto Alegre desses dias não tem mais caminho menos lento). Ouvi rádio no carro. Estou, de certa forma incomunicável.

 

Acontece.

 

Assim que der vou ver se conserto o telefone, e – última alternativa – trocar de telefone.

 

Paciência.


Até. 

quinta-feira, agosto 01, 2024

Agosto

Sigo em meu plano de reduzir o meu tempo de telas.

 

Desde segunda-feira tenho acessado o mínimo possível o meu celular, principalmente as redes sociais, assim como excluí os joguinhos que havia nele, para os quais tinha muito do meu tempo e atenção “roubados” por eles. Está sendo tranquilo, até.

 

Como eu falei, e fiz um paralelo com outro tipo de adicção, o tabagismo, não posso “baixar a guarda”, caso contrário uma recaída é inevitável. As redes sociais, assim como o cigarro, são o “demônio”, estão à espreita para nos atacar ao menor vacilo nosso.

 

Apesar do que disse acima, não demonizo as redes sociais. Eu as acho muito legais, divertidas. O problema é que elas vão “sugando” nossa atenção e energia, e corremos o risco de nos ficarmos por aí tipo zumbis, andando de cabeça baixa apenas focados no celular. E falo por mim. 

 

E falo mesmo de mim.

 

Descobri, ao longo do tempo, esse traço compulsivo. De tempos em tempos, assumo alguma atividade ou comportamento que se tornam quase obsessivos por um tempo. Quase, eu disse quase. Exemplos, eu tenho vários, mas vale falar sobre um deles.

 

A atividade física.

 

Por um período, na pandemia e logo após, comecei a praticar, indo à academia e de bicicleta na rua, registrar isso em um aplicativo e me desafiar. A cada semana, cada mês, eu tinha que superar a anterior, em termos de tempo, distância, etc. Perdi peso, melhorei muito meu condicionamento físico. Fiz 152 dias consecutivos de atividades, até que não consegui em um dia, o que foi motivo de frustração. Tinha que seguir, apesar de ser muito mais que o necessário para a saúde e estar em forma, os objetivos por trás disso. Comecei e, de certa forma, me tornei obsessivo nisso.

 

Não sou mais, superei essa fase, e estou tranquilo.


O celular, as redes sociais, começaram, então a me “sequestrar” e, como um adolescente fui me tornando dependente. Antes de dormir e ao acordar, em momentos diversos para evitar o tédio. Como um junkie, seguia por aí com minha droga. Chega. Não que eu pretenda me afastar 100%, até porque não posso (trabalho, projetos paralelos), mas não quero ser escravo do meu iPhone.

 

Decidi interromper o ciclo.


Até.