Crônicas e depoimentos sobre a vida em geral. Antes o exílio; depois, a espera. Agora, o encantamento. A vida, afinal de contas, não é muito mais do que estórias para contar.
segunda-feira, julho 09, 2007
domingo, julho 08, 2007
A Sopa 06/51
Esses últimos dias foram de pouco sono, tensão e medo. Mas já está tudo bem, graças a Deus.
Desde quinta à noite envolvido com o hospital, como familiar de paciente. Poucas horas dormidas de quinta para sexta-feira, quando o pai internou, e praticamente sem comer nada até vermos o exame que mostrou que o bicho não era tão feio quando poderia ser. Ficou na UTI até hoje de manhã e já está no quarto, lépido e fagueiro.
Minha cabeça, evidentemente, esteve fora do ar por esses dias, então deixo para A Sopa de hoje um texto de 2002, que escrevi quando o meu tio, irmão do pai, faleceu, e reflito um pouco sobre o que penso do mundo. Logo volto com a força triplicada.
Até.
“Longo final de semana de descanso, despedida e reflexões.
Tenho trinta anos e, há doze, morri. E voltei. O processo de me readaptar ao mundo terreno não foi muito fácil como podem pensar alguns. “Morrer é fácil, difícil é voltar a viver”, diz a máxima que talvez seja de minha autoria.
Estes fatos – ter ‘morrido’ e toda a carga emocional que o acontecimento traz consigo – com certeza moldaram muito do que sou e da forma com que vejo a vida e o mundo hoje. Tolerância é a palavra que sintetiza o quadro todo, provavelmente.
Antes de tudo, temos que ser tolerantes com nossos próprios defeitos e as pequenas mesquinharias que certamente poluem nossas mentes com alguma freqüência. É humano ter pensamentos mesquinhos de vez em quando, mas eles devem ficar apenas no nosso íntimo, sem deixar que os outros percebam, até que a cabeça “esfrie” e os afastemos. Quantas vezes não perdemos ótimas oportunidades de ficar em silêncio e dissemos coisas de que nos arrependemos depois? Muitas, com certeza, mas elas devem servir de aprendizado. Pensar primeiro, medir conseqüências e, se preciso, dizer o que precisa ser dito, por mais duro e difícil que possa parecer. No fundo, somos todos tolerantes com as nossas idiossincrasias, às vezes até demais.
Por outro lado, ser tolerante para com os outros é muito difícil, e alguns dirão ser impossível. Eu acho que é um longo e, muitas vezes, difícil aprendizado, mas não impossível de se alcançar. Convicções políticas e religiosas, entre outras, geram discussões apaixonadas e muitas vezes violentas. Aceitar o que nos é estranho é muito complicado. Pessoas que pensam diferente, que vêem o mundo de outra maneira, que têm valores diversos dos nossos assustam, porque nos fazem questionar quem somos e, afinal, o que estamos fazendo no mundo. O mais simples, nestes casos, é não pensar, e, por isso, afastamos esses “perigos” de nós, essas ameaças ao nosso mundinho pronto e seguro em que só temos que, mecanicamente, viver.
Existe um dito popular que muitas vezes ouvi, e que fala sobre as nossas atitudes e a repercussão delas sobre nós. É o que diz que “o inferno é aqui”, na mesma linha do “aqui se faz, aqui se paga”. Sempre acreditei nestas afirmações porque elas mostram um certo senso de justiça, pois o mal que fizermos voltará para nós. Já sabia, mas nunca tinha tornado consciente para mim que existe o outro lado da moeda: se o inferno é aqui, o céu também é aqui. Se formos justos e corretos, receberemos de volta justiça e correção, mas também respeito e admiração.
O evento que motivou o início desta série de reflexões do final de semana foi um fato terrível que envolveu a minha família na quinta-feira antes do feriado: um dos meus tios, irmão do meu pai, morreu num acidente de carro. Na quinta à noite, fui até o velório, em Belém Novo, e na sexta-feira de manhã voltei ao bucólico bairro para o enterro. Foi padre quem falou sobre aquilo de o céu ser aqui. A tristeza das minhas primas, filhas dele, os meus sentimentos com relação à morte, tudo me fez pensar sobre a vida em geral, e reforçou minha convicção de que não há nada que justifique a manutenção de ressentimentos ou mágoas com relação a outras pessoas. Definitivamente, não vale a pena. É muita energia gasta com sentimentos negativos.
Envelhecemos muito rapidamente se cultivamos rancores.
E a vida já é muito curta para perdemos tempo com sentimentos que nos diminuem.”
sexta-feira, julho 06, 2007
Desculpem
Volto assim que tudo estiver mais calmo.
Até.
quinta-feira, julho 05, 2007
Stand up comedy
Dá uma olhada nesse vídeo.
Até.
quarta-feira, julho 04, 2007
terça-feira, julho 03, 2007
Corrida
Até.
domingo, julho 01, 2007
A Sopa 06/50
Brasil, ano um.
Hoje faz exatamente um ano que voltei ao Brasil. Cheguei em Guarulhos num sábado pela manhã e, ao contrário de hoje, o caos aéreo era novidade: a VARIG estava em sérias dificuldades e as outras empresas aéreas estavam transportando os passageiros que tinham passagens com a saudosa viação aérea rio-grandense, meu caso. Ao desembarcar, antes ainda de localizar minhas malas, um funcionário da Air Canada avisou-me que eu havia sido transferido para um vôo da TAM para Porto Alegre no final da tarde (era pouco antes das dez horas da manhã) saindo de Congonhas. Eu respondi que não havia a menor chance de eu ficar esperando até a tarde para chegar em Porto Alegre.
Não era a primeira vez que eu discutia com um funcionário da Air Canada naquelas últimas vinte e quatro horas: os desentendimentos haviam começado no balcão de embarque em Toronto, na hora de despachar minha “mudança” para o Brasil. A primeira parte não foi exatamente um problema, apenas que uma das minhas malas excedia em muito o limite máximo de peso permitido: tinha cerca de 45kg, enquanto o limite era 32kg. Nem discuti sobre isso, estava pesada demais, e eu sabia que tinha que fazer alguma coisa. O problema foi que o funcionário me falou que eu teria que pagar pela mala a mais (que eu teria que comprar) e TAMBÉM pagar para transportar o meu violão, que não iria a bordo.
Seguiu-se a isso uma longa discussão, interrompida por uma corrida minha (com o Rafael e a Monique) para comprar mais uma bolsa para diminuir o peso da mala de 45kg, o que foi feito no saguão mesmo, que terminou comigo pedindo para falar com o supervisor dele (o Rafael com certeza que eu seria preso) e esse me dando razão: eu podia levar o meu violão comigo a bordo, eu estava certo.
O vôo tranqüilo terminou comigo são e salvo em Guarulhos e a notícia que eu teria que esperar até o final do dia para chegar em Porto Alegre. Disse que nem pensar, que eu sairia na hora prevista e que não queria nem saber. O funcionário disse que não podia fazer nada, no que eu respondi que eu podia, e ia resolver a situação.
Saquei da mochila a minha carta na manga: um e-ticket comprado pela Internet, para outro vôo de outra companhia aérea (GOL) que sairia logo em seguida, dica da minha agente de viagens aqui de Porto Alegre.
O vôo atrasou um pouco, mas pisei (com minha mudança) em solo gaúcho às 15h de primeiro de julho de 2006. A tempo de chegar em casa para assistir o jogo do Brasil com a França pelas quarta de final da Copa do Mundo da Alemanha que – como todos não esquecem – o Brasil perdeu e se despediu da copa.
Dizem que foi pé frio meu, no que não acredito.
Como foi esse primeiro ano de volta?
Bom, muito bom.
Em breve conto mais.