Crônicas e depoimentos sobre a vida em geral. Antes o exílio; depois, a espera. Agora, o encantamento. A vida, afinal de contas, não é muito mais do que estórias para contar.
sábado, dezembro 21, 2019
domingo, dezembro 15, 2019
A Sopa
(Ano 19, Número 05)
Post hoc ergo propter hoc.
Falácia lógica, ou correlação coincidente, consiste na ideia de que dois eventos que ocorram em sequência cronológica estão necessariamente interligados através de uma relação de causa e efeito. Esse é um tipo de erro muito comum quando se discute assuntos de saúde, por exemplo, mas claro que não restrito a essa área. Um exemplo desse tipo de erro ocorre com vacinas.
Vacinas não são questão de crença ou fé.
Simples assim.
Da mesma forma que a Terra não é plana, vacinas funcionam e são fundamentais. Quem diz ou pensa em contrário, está errado. Ponto. Não tenho paciência para discutir o assunto.
De tempos em tempos, aparece no consultório um paciente que – ao ser perguntado com relação à vacinação para a gripe – diz que “não acredita em vacinas”. Assim, como se fosse questão de opinião pessoal, ou gosto. Como se fosse o mesmo que dizer que não gosta coco ralado, ou de comida japonesa.
Durante um tempo, até argumentava pacientemente sobre o assunto, apresentava argumentos racionais, dados e estudos científicos que comprovam a eficiência e segurança das vacinas, mas cansei. Não consigo mais. Mudei de estratégia. Atualmente, reajo diferente quando o paciente diz não acreditar em vacinas.
Respiro fundo e digo que ele tem todo o direito de acreditar ou não em duendes, unicórnios e até elefantes voadores, mas que esse não é o caso das vacinas. Estamos lidando com fatos, com dados que foram extensamente estudados. Que a vacina da gripe NÃO causa gripe.
“Mas eu sei de gente que tomou a vacina e no dia seguinte teve um gripão”, muitos rebatem, e eu tenho que explicar que não, não funciona assim. Que isso é uma falácia lógica.
Que, se um dia eu sair de casa de chapéu e chover, não quer dizer que choveu porque eu saí de chapéu... Que a pessoa provavelmente já estava infectada e desenvolveu os sintomas (estava em período de incubação quando fez a vacina). E que gripe é diferente de resfriado. Gripe é coisa séria, pode matar. Por isso a necessidade de fazer a vacina anualmente.
Ainda assim, mesmo com todos os argumentos possíveis, alguns pacientes associam ter feito a vacina e terem adoecido logo depois, como se fosse relação de causa e efeito, como se chovesse quando eu saio de casa de chapéu.
Assim como as pessoas que afirmam que a Terra é plana, ou que querem salvar o planeta mas não arrumam a própria cama.
Uns chatos.
Até.
sábado, dezembro 14, 2019
segunda-feira, dezembro 09, 2019
A Sopa
(Ano 19, Número 04)
Até.
Tenho algumas implicâncias.
Antes de mais nada, devo dizer que – sim – sou a favor de que cada um cuide de sua própria vida, que – desde que não cause prejuízo real a outras pessoas (a liberdade de um termina onde começa a do outro) – cada um viva sua vida da forma que achar melhor. Que trabalhe naquilo que quiser e puder, que se vista como der na telha, que case com quem se apaixonar, ou não se case, tanto faz, desde que seja sua escolha e esteja feliz com isso.
Sou a favor da liberdade individual.
Não é o governo, nem a religião, e muito menos outras pessoas que vão determinar como cada um deve viver sua vida. Desde que, enfatizo, todos sejam respeitados, e ninguém cause prejuízo (e para isso existem regras de convivência) a outros.
Mas, confesso, tenho implicâncias. E não vou falar dos vegetarianos, muito menos dos veganos. Não dessa vez, não hoje.
Pessoas que tomam cerveja no supermercado, enquanto fazem compras.
Todo mundo já presenciou a cena. Meio da tarde de uma quarta-feira, ou sábado de manhã, por acaso estamos no supermercado fazendo algumas compras de última hora, ou mesmo as compras semanais, não importa, estamos lá abastecendo o carrinho com provimentos, leite, carne, pão, entre outros produtos, e passa por nós, tranquilamente, indivíduo (não é exclusivo de gênero) com uma long neck na mão, a outra empurrando o carrinho de compras, tomando cerveja durante as compras. Acho isso errado em muitos sentidos.
Não estamos em casa, ou em uma festa, ou mesmo na praia, para circularmos de forma tão informal. Ingerindo álcool no meio da tarde (ou de manhã, ou mesmo à noite, que seja) em pleno supermercado dá ideia da necessidade urgente de satisfação imediata, da incapacidade de esperar pelo momento mais adequado para consumir. Precisa ser aqui e agora. É infantil, como quando levamos uma criança pequena conosco e ela está com fome. Aí até justifica-se permitir que ela consuma algo ainda dentro do supermercado. Mas não um adulto com idade suficiente para comprar e ingerir álcool. Nada justifica isso.
E, ao sair do supermercado, como levará as compras para casa?
De táxi, Uber, Cabify ou outro transporte, mas esperamos que não dirigindo, porque seria pior ainda. Mas não duvido...
E não estou nem entrando no mérito daqueles que consomem algo (e aí não precisa ser cerveja) e deixam a embalagem em qualquer local, saindo sem pagar por ela. Porque aí é o fim da civilização.
Mas, como eu disse, cada um sabe de si.
E eu não tenho nada a ver com isso.
sábado, dezembro 07, 2019
domingo, dezembro 01, 2019
A Sopa
(Ano 19, Número 03)
Sobre o tempo.
Assunto recorrente em meus pensamentos e reflexões. Mas quem me conhece já sabe disso...
A passagem do tempo ainda me fascina. Pode parecer que não me conformo até hoje por ter crescido, mas não é isso, podem ficar tranquilos.
O tempo ainda me encanta. Um encantamento juvenil, ingênuo, sincero.
E, também, eventualmente, esquisito.
Estamos às portas de 2020, e ainda acho estranho quando escrevo o ano em que vivemos. E isso acontece desde 1986. Qualquer ano depois disso parece... digamos... errado, fake, para usar um termo atual. Não faz nenhum sentido, entendo, e não sei explicar.
Assim como as viagens no tempo proporcionadas pela música.
Cada vez mais, e quanto mais passa o tempo, quanto mais passado tenho, mais fascinante é o efeito de voltar no tempo que determinadas músicas têm em mim. Impressionante como me vejo em lugares e situações de muitos anos passados ao ouvir músicas que marcaram esses momentos. Muito mais para o bem que para o mal.
E é uma sensação muito real, essa de se sentir de volta no tempo ao ouvir certas músicas.
Situações e pessoas, boas lembranças.
Até.
sábado, novembro 30, 2019
Assinar:
Postagens (Atom)


