terça-feira, janeiro 14, 2025

Régua

Somos o que fazemos consistentemente.

 

Não é incomum por aí conhecermos pessoas que tomam para si o papel de juízes da virtude e de bastiões da moral serem flagrados fazendo em segredo aquilo que diziam ser errado, imoral. É a velha hipocrisia.

 

Em frente ao público, quando sob os holofotes, a pessoa mais doce e altruísta do mundo, enquanto na intimidade alguém difícil de conviver. Como eu disse, não é raro convivermos com pessoas assim. Antes de revoltante, esse tipo de comportamento é triste. São pessoas infelizes.

 

Por outro lado, ser alguém de fácil convívio, alguém disponível, pronto para ajudar quem precisa quando preciso, é uma qualidade a ser (muito) valorizada.  Tenho a sorte de ter alguns amigos assim. Sei que posso contar com eles assim como sabem que podem contar comigo. 

 

Essa é uma das réguas pelas quais avalio se tenho andado no caminho certo e com as pessoas certas pela vida. Estar próximo a pessoas confiáveis, e ser alguém confiável. Todos os dias, todos os dias. Sempre que chamado. Além disso, tem de ser algo que seja ou se torne natural, não forçado.

 

E churrascos. Sempre churrascos.


Até. 

segunda-feira, janeiro 13, 2025

Treze de Janeiro

Não.

 

O tempo não está passando mais rápido, como é comum termos a impressão. Veja só, entramos em dois mil e vinte e cinco e depois de amanhã já estamos na metade de janeiro. Loucura, não?

 

Não, uma vez mais.

 

Mas, sim, a impressão do passar acelerado do tempo é real para cada um de nós, e isso ocorre provavelmente pela quantidade de tarefas e atividades e distrações – redes sociais entras as principais – que nos fazem pouco parar para respirar, para olhar o mundo que nos cerca com mais calma. Estamos sempre correndo para fazer a roda girar.

 

O tempo passa, então, e corremos o risco de perdermos a perspectiva do que realmente importa, de quais são nossas reais necessidades como seres humanos, absortos que estamos em busca daquilo que os outros nos fazem crer que precisamos, sejam bens materiais, status social, aparências, coisas as quais – ao obtermos – se mostram vazias e sem sentido.  O que realmente precisamos não pode ser comprado, sempre digo.

 

As conexões, as pessoas, as relações, as – repito – histórias para contar. Isso é o que importa, isso é o que vamos valorizar quando o que é perecível e transitório ficar obsoleto, perder sentido.

 

Dois mil e vinte e cinco é, para mim, também um ano de reforçar as relações, viver mais histórias, estar mais próximo das pessoas que são importantes de alguma forma para mim.


Até. 

domingo, janeiro 12, 2025

A Sopa

Sinais.


Em uma passagem de uma dessas sitcoms americanas das quais sou grande fã, um dos personagens diz que ele vai deixar que o seu “futuro eu” resolva uma determinada situação. Deixa tudo como está no momento para que ele mesmo, mas em sua versão do futuro, resolva. Gostei do conceito, que tem uma certa relação com o conceito do avestruz para a resolução de problemas da vida.

 

Esse conceito diz que, em determinadas situações da vida, a melhor atitude a ser tomada é a de não fazer nada, “enfiar a cabeça na terra” como um avestruz, e esperar que as coisas se resolvam por si só. Mesmo sabendo que isso é uma lenda, que avestruzes não fazem isso de enterrar a cabeça na terra, eles apenas encostam a cabeça e o pescoço no chão para ouvir se há algum predador se aproximando ou para se camuflar, isso existe mesmo apenas como ditado popular, ainda assim a estratégia (procrastinadora?) em determinadas situações funciona.

 

Assim como os sinais.

 

Os sinais existem, sim, basta saber reconhecê-los. Eu, por exemplo, sou uma testemunha desse fato. Há quase dez anos, haveria o show do David Gilmour, lendário guitarrista do Pink Floyd, em Porto Alegre. Eu queira ir. Muito. Por alguma razão, contudo, não comprei ingresso e o tempo foi passando. Próximo ao show, sem ingresso comprado, tinha dúvidas sobre ir ou não. Decidi deixar ao acaso, ou o universo, se preferirem, decidir. Se fosse para eu ir, haveria um sinal. 

 

Poucos dias antes do show, estava deitado lendo, pouco antes de dormir, quando tocou o telefone. Atendi e era um amigo oferecendo um ingresso para o show, com carona para ir e voltar, e de camarote! Não podia dizer não, claro. Era o universo ou o acaso dizendo que eu deveria ir.

 

Passa o tempo e neste final de semana haveria o show do Humberto Gessinger celebrando os Acústicos do Engenheiros do Hawaii no Araújo Vianna, aqui perto de casa. Quando os ingressos foram postos à venda, eu ainda não sabia se estaria nesse final de semana em Porto Alegre, e eles esgotaram rapidamente, tanto que foi aberta uma data a mais, domingo, para um segundo show.

 

Ao longo dos anos, não tenho conseguido ir a shows dele. O último, ainda quando era Engenheiros, Gigantinho, há mais de trinta anos. Nunca conseguia conciliar, ou me organizar para ir aos seus shows, infelizmente. Até porque o Humberto Gessinger (e os Engenheiros do Hawaii) foi um dos que escreveu a trilha sonora de muitos momentos do meu passado. Não iria a mais um show dele.

 

Ainda tentei ver ingressos para esse domingo, sem sucesso.

 

Ontem acordei cheio de energia, por voltas das 7h. Fui na Feira Ecológica do Bom Fim, à academia e ao supermercado tudo ainda pela manhã. Após o almoço, após deixar a Marina na casa de uma amiga, aproveitei para o tradicional e revigorante sono do meio da tarde de sábado.

 

Ao acordar, uma mensagem no grupo de WhatsApp da minha turma de faculdade. Um amigo tinha um ingresso disponível para o show de ontem. 

 

Era o sinal! 

 

A mensagem havia sido enviada uma hora antes de eu vê-la, e não tinha certeza se ainda haveria a disponibilidade. Enviei mensagem ao grupo e a ele em privado. Não, não havia passado adiante o ingresso ainda. Era o ingresso era meu. Marcamos de nos encontrar para ir juntos.

 

O ponto de encontro foi a Lancheria do Parque. Atravessamos a Osvaldo Aranha, entramos no Parque Farroupilha e fomos ao Araujo.

 

Foi um baita show.


Até. 

sábado, janeiro 11, 2025

sexta-feira, janeiro 10, 2025

Terapia

Eu não faço terapia.

 

Já fiz, contudo, há muito tempo, mais de trinta anos atrás, ainda no início dos anos noventa do século passado, ainda no segundo milênio da Era Cristã. E foi muito bom à época.

 

Foi mais ou menos um ano depois do acidente de carro do qual fui vítima e quando fiquei treze dias em coma internado em uma UTI, aos dezoito anos de idade, em uma história já contada algumas vezes e que está no meu livro ‘A Sopa no Exílio’, publicado pela Editora Bestiário. Fiz terapia porque aquele período após os acontecimentos, passado o período em que fui o centro das atenções de todos à minha volta, quando me dei conta definitivamente do que havia acontecido e, mais, do que poderia ter acontecido, realmente me perturbou. Foi bom para entender algumas coisas e, mais, me entender à época.

 

Após, nunca mais houve o timing – digamos assim – para que eu fizesse novamente, e acabei ao longo do tempo aprendendo algumas estratégias para lidar com as situações da vida que seriam talvez melhor levadas com o auxílio, com o trabalho de uma terapia. Isso não me torna melhor e nem pior do que ninguém, óbvio, e continuo certo de que terapia é algo extremamente útil. E não sou capaz de dizer que o período que fiz foi suficiente ou não, e nem isso importa, afinal a vida seguiu e estamos aqui, ainda na luta.

 

Sigo, por outro lado, constantemente refletindo e analisando a vida, tentando olhar com uma visão crítica e aprendendo com essas observações. É o meu jeito atual de lidar com as coisas, e – de novo – não quero dizer que isso é certo ou errado. É o meu jeito atual, é a forma que lido com as coisas.

 

Entre os temas atuais de meus pensamentos mais ou menos recorrentes está a finitude da vida e o viver o dia de hoje, viver o presente, que é tudo o que temos. O passado já foi, não existe mais, não pode ser alterado (apenas a forma como o interpretamos) e o futuro é uma possibilidade. Que será criado a partir do que fazemos agora.


Até. 

quinta-feira, janeiro 09, 2025

Quem sou eu?

Diferente de metas ou objetivos, quando falamos em propósito de vida, estamos nos referindo aos porquês de nossa vida. Claro que é importante termos objetivos estabelecidos, planos de curto, médio e longo prazo, mas é ainda mais significativo termos uma razão por trás, como falei, um propósito que dê sentido ao que fazemos, e que define quem somos, no final das contas.

 

Sigo nesse tópico, na tentativa de compreensão de quem sou e qual meu papel no mundo. Antes, porém, duas dúvidas: aos cinquenta e dois, quase cinquenta e três anos de idade, pai de família, médico há mais de trinta anos, eu não deveria já saber quem sou e qual meu papel na vida? Não é meio infantil ficar me questionando tudo isso?

 

Sim e não.

 

Sim, eu seu quem sou, sei os papéis que represento para o mundo, e tenho surfado bem por entre as gentes ao longo do tempo. O maior desafio neste tempo todo, a meu ver, foi me entender, saber meu lugar, enquanto a vida seguia seu curso inexorável. Vim bem até aqui. E não, pois apesar de saber quem eu sou hoje, estou (estamos) constantemente mudando, pois ninguém é estanque, ninguém está terminado.

 

É o bonito da vida.

 

Fazemos o caminho enquanto andamos, e com quem caminhamos é importante também. O mais importante da vida, nunca esqueço, são as relações, são as pessoas.

 

Até.

quarta-feira, janeiro 08, 2025

Quem é você?

O que nos define, na vida?

 

Essa é uma questão mais ou menos antiga para mim. Olhando para trás, penso que começou ao observar o meu pai e sua relação com o trabalho. Meu pai era alguém que trabalhava. Tinha, ou tenho, a impressão de que – ao longo do tempo – foi trabalhar o que deu sentido à vida para ele. Durante a semana, era o trabalho regular, remunerado, tanto como funcionário assalariado como empreendedor, atividades que exerceu ao longo da vida. E, aos finais de semana, era o trabalho em casa, o cuidado com o jardim e outras atividades. Eu temia que quando parasse de trabalhar ou fisicamente não conseguisse mais, ele começaria a morrer.

 

O que – de certa forma – se confirmou. 

 

Quando não pôde mais trabalhar, passou a se sentir sem utilidade, e claramente se deprimiu. Já não tinha mais outros interesses, e foi se afastando das relações sociais (também pelas limitações físicas). A meu ver, como filho, o trabalho não o definia, mas fiquei com a sensação de que acabou se tornando o principal em sua vida, o sentido. E, quando perdeu a condição física de executá-lo, ficou sem chão. Então, essa sempre foi uma das minhas preocupações, um dos meus grandes questionamentos existenciais. 

 

Até que ponto somos definidos pelo que fazemos?

 

Acho que, sim, muito do que somos tem relação com o que fazemos, mas não pode ser o que unicamente nos define. É inevitável que algo que fazemos todos os dias por muitos anos não molde nossa personalidade, nosso modo de ver o mundo. Insisto, contudo, que não deveria ser apenas nossa atividade profissional aquilo que nos define. 

 

Pergunto, então, a você, caro leitor: se você parasse de trabalhar hoje, abstraindo as óbvias questões financeiras, quais dos relacionamentos, quais amizades se manteriam, quais os interesses, o que você faria com sua vida?

 

Sua vida gira em torno do seu trabalho? 

 

É isso o que dá sentido à sua vida? É o que te define?


Até.