domingo, abril 02, 2006

A Sopa 05/37

Começou abril.

O ano passa célere, e quando pararmos para pensar, será agosto, o mês mais longo do ano, e que acabará – o mês – este ano com a comemoração da minha primeira década de casamento com a Jacque. O meu plano é uma grande festa, mas ainda é meio cedo para pensar no assunto.

Pensei nisso por estar em pensando em tradições.

Não, os dois temas não estão diretamente relacionados. Ao menos não na linha de reaciocínio que estou seguindo. Explico e falo de um seriado que assisti ontem na tevê. Já falei desse seriado antes, talvez antes ainda de A Sopa ser blog e ir para o exílio. Chama-se ‘Ed’, e deixou de ser produzido há alguns anos. O que passa na televisão aos sábados à noite aqui no Canadá são, portanto, reprises. E sempre que posso, assisto, porque o ‘Ed’, personagem principal da série, é um botador de pilha, e assistir quase sempre me proporciona reflexões sobre a vida. Estranho, pensar a vida a partir de “enlatados” norte-americanos, você pode estar pensando, mas não é, pode estar certo.

Se você nunca ouviu falar neste seriado, deixe-me situá-lo.

Ed é um advogado que, por razões que não interessam ao entendimento da série, resolve se mudar de volta para a cidade onde cresceu, no interior. Chegando lá, torna-se proprietário de um boliche, e acaba tendo o seu escritório de advocacia junto com o boliche. Tudo o que acontece gira em torno desse eixo que, além da administração de um boliche e da prática de advocacia, obviamente inclui a antiga turma de colégio dele, todos na faixa dos trinta e poucos anos.

O episódio em questão começa com ele lendo no jornal a notícia de que um outro boliche, numa cidade próxima, tinha fechado e seria transformado num outro negócio qualquer. Ele comenta com o amigo que está junto que ele nunca vai vender o seu boliche porque ele deve durar para sempre.A pergunta do amigo: “E quando não estiveres mais aqui?”. Ele se perturba com a possibilidade de que – mesmo após a sua morte – o seu estabelecimento seja fechado e transformado, sei lá, numa igreja universal do reino de deus (não, ele não cita isso, é apenas licença criativa minha). Decide, então, que o seu boliche deve ser transformado em patrimônio histórico da cidade.

Tudo se desenrola a partir daí. Sempre há uma história paralela em que ele trata de um caso jurídico e também as histórias pessoais de cada um dos personagens. Os eventos seguem sua trajetória de forma que, no final do episódio, resolvam-se as duas situações, a jurídica e – nesse caso específico – a questão envolvendo o reconhecimento do Stuckey Bowl como patrimônio da cidade, Stuckeyville.

Ele vai uma primeira vez fazer a solicitação perante o conselho da cidade, que o questiona a respeito do valor arquitetônico ou histórico do prédio, mas ele não sabe responder e nem parece possível que haja. De qualquer forma, ele segue procurando uma forma de conseguir seu objetivo. E a resposta aparece quando ele é solicitado a abrir o boliche num noite específica, à meia-noite, para um grupo de senhores repetirem algo que eles vinham fazendo há praticamente cinqüenta anos: numa mesma data todos os anos, eles se reuniam para jogar boliche.

É aí que ele encontra sua resposta.

Tradição tem a ver com as pessoas, com sua memória, com a vida.

É exatamente no que acredito. Talvez seja essa a explicação por trás do meu entusiasmo por celebrações e da tentativa de criar esses eventos do tipo A Sopa de Ervilha Anual do Marcelo, as antigas Quarta-feiras Filosófica ou os Encontro dos Blogueiros de Toronto que, apesar de não serem criação minha, eu gostaria de ver transformados em tradições. Nesse caso, tradições significando histórias para lembrar e contar.

Até por quê, como sempre digo, a vida não é muito mais que isso, histórias para contar.

Até.

2 comentários:

Arnaldo Interata disse...

Blogueiro que sou, passei pelo seu e gostaria de deixar uma mensagem no seu Guestbook, mas este Blog não tem um.

Bem, parabéns pelo Blog, pelo Doutorado (conheçe a Dra. maria Fabíola Ramos Caramez, Pneumologista especialista em Asma?) e pelas viagens.

Li seu comentário no Blog do Ricardo Freire e tomei a liberdade de vir aqui lhe fazer um convite para, conhecer meu site-blog de viagens, denominado "FATOS & FOTOS de Viagens".

É um NOVO blog, com aparência e arquitetura bem bacanas, que se assemelham a um site. A centenas de fotografias e dicas. Espero que seja útil e agradável a você, que dê vontade de viajar com meus textos e fotos.

No Jornal atual estou falando sobre o Marrocos das "Mil e uma Noites" e em breve será o relato-guia de uma viagem a Roma, Veneza e Praga. Mas há outras diversas como Las Vegas, Epanha....

O conteúdo do Blog é amplo e há centenas de fotos e links:
JORNAL de Viagens
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Viajantes Extraordinários
O jornal mais recente é sobre o Marrocos
http://interata.squarespace.com/jornal-de-viagens/2006/3/23/djemaa-el-fna-marrakech-praa-dos-mortos.html

Gostaria MUITO que você visitasse o blog e deixasse uma mensagem os "posts" (Jornal de Viagem) ou no Guesbook . Já há mensagens de outros viajantes ilustres, como Margi Moss.

Apareça você também!

Abraços,

Arnaldo Affonso.

Ana disse...

Oi Marcelo,

Eu ja vi Ed, mas ha ANOS atras, quando realmente comecou a passar na TV a cabo no BRASIL!

Eu sou a favor das tradicoes tambem. Sao elas que acabam contando a historia de vida de cada um.

DEZ ANOS!? Caramba! Vou estar aqui no dia pra celebrar!