domingo, abril 09, 2006

A Sopa 05/38

Culinárias.

Não estou ansioso nem estressado.

Mas quero deixar bem claro a todos os que por ventura venham a ler essa missiva que, apesar de não andar armado, existe uma chance razoável de eu cometer um ato violento de proporções gigantescas. Algo como invadir um restaurante com uma metralhadora e atirar em todos os garçons, maitres e chefs.

Sim, eu sei, eu não vou fazer nada disso, mas preciso registrar minha revolta contra mais uma daquelas “verdades” absurdas que todos aceitam e nunca questionam. Até que um dia uma voz se levanta e começa uma revolução.

Como o arroz de leite.

Vocês sabem, aquilo de chamam de arroz doce, ou arroz de leite, que é simplesmente essa aberração, colocar leite no arroz. E canela, acho que é isso. Não me interessa saber a receita dessa coisa abominável, a minha missão é fazer com que todos acordem desse pesadelo que vivem sem ao menos se dar conta. Se antes eu estava sendo pouco incisivo a esse respeito, declaro que acabou minha trégua com relação a esse assunto. Vou retomar minha guerra contra o arroz de leite. Morte ao arroz de leite! Morte aos vegetarianos! Ops, essa foi sem querer… foi mal…

Mas não era disso que eu queria falar.

A bandeira que preciso (não é que eu queira, eu devo fazer) levantar é com relação a restaurantes e a forma de cozimento de carnes em geral. É chegada a hora de acabar com essa palhaçada de ficar perguntando como as pessoas querem a carne, se no ponto, mal ou bem passada. Essa é uma pergunta que jamais – jamais! – deveria ser feita a qualquer pessoa, em qualquer situação. Primeiro, porque só existem duas formas de apresentação de uma carne: bem feita ou mal feita. O resto é perfumaria.

O ponto – engraçado, acabei de ficar com a impressão que já escrevi sobre esse assunto, mas, se fiz, azar – essa entidade abstrata que indica a medida exata do cozimento, como o nome já diz, o ponto de perfeição possível. Anos de evolução culinária, até chegar-se aqui. Muitas queimaduras, muitas doenças pegas comendo-se carne crua demais, muita carne com aparência de carvão e consistência de borracha até alcançarem a carne cozida à perfeição, nem pouco e nem demais. Quantos padeceram nessa busca pela carne perfeita, e para quê? Para um bundinha chegar num restaurante e pedir o seu filé mal passado?

Nessa caso, a violência justifica-se.

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Restautante brasileiro em Toronto. Sábado, duas da tarde.

Casal acompanhado de filha pré-adolescente entra, encontra uma mesa e é atendido pela garçonete (que em determinado momento diz que não tem mais idade para ser garçonete), que indica os pratos do dia, entre eles a feijoada, por sinal o motivo de eu estar lá naquele mesmo momento. O idioma é o português, claro, nesse restaurante que fica no subsolo, ou basement.

O marido pergunta sobre o acompanhamento, e fica sabendo que, além da feijoada, vêm junto o arroz, a couve, laranja, vinagrete, farofa e torresmo frito. Para maior esclarecimento, pergunta:

- Vem carne?

- Sim, junto do feijão,

- Mas não vem assim, separado, tipo uma costelinha de porco?

- O senhor sabe o que é feijoada?


- …

Mais tarde, enquanto me preparava para sair, acompanho outro diálogo, em outra mesa:

- Vem cá, como é essa carne? Ela é mole?


Tive que sair para não ouvir mais…

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Já que estou falando de comida, uma receita.

Feijoada do Marcelo

Ingredientes:

- feijão
- água
- um porco
- sal, pimenta
- couve
- farofa
- laranja
- arroz

Modo de preparo: bom, com reklação à couve, o arroz, a farofa e a laranja, não há dúvidas de preparação, afinal são todos acessórios ao prato principal, o feijão. Logo, o grande lance está na sua preparação. Vai aqui, então a forma de prepará-lo. Pegue o feijão e coloque na água. Com relação ao porco, é simples.

Esquarteje-o. E coloque as partes com o feijão e a água.

Tempero a gosto.

Até.

UPDATE - Hoje é a final do Campeonato Gaúcho de Futebol. Depois de sete anos, tem GRENAL na final. O Inter tenta o seu quinto título consecutivo enquanto o Grêmio, em processo de reconstrução depois da segunda divisão, tenta acabar com a hegemonia colorada.

O primeiro jogo, sábado passado, terminou 0x0. Quem ganhar hoje é campeão. Empate sem gols leva à prorrogação e pênaltis. Empate com gols dá Grêmio. Vamos ver.

O Inter tem mais time, mas GRENAL é sempre imprevisível.

O problema é que sonhei que o jogo tinha terminado 0x0 e o Grêmio tinha sido campeão. E, não sei se já falei pra vocês, tenho poderes mediúnicos. É, da última vez que sonhei com um resultado de GRENAL, acertei.

Tomara, mesmo, que dessa vez eu esteja errado.

Dá-lhe colorado!

UPDATE 2- A possível chateação por ver o Grêmio campeão gaúcho só não é maior porque posso ganhar um grana a partir de hoje com meus poderes de prever o futuro.

Parabéns, aos azuizinhos...
Até.

4 comentários:

Allan Robert P. J. disse...

Ei! Você esqueceu de matar e limpar o porco antes.
A moda aqui entre os vegetarianos é dizer que decidiu deixar de comer animais mortos. Eu respondo que a salada ainda está viva quando eles a comem.
Da minha parte, nenhuma restrição. Não sendo mineral, como de tudo. Até vegetariano, se vacilar.

Monique disse...

Nem me fale, esse povo faz cada pergunta imbecil. Mas gostei mesmo da pergunta da garçonete. bom domingo de sol (mas com frio)

Aline Ranzolin disse...

Companheiro, tens meu apoio na luta em favor à extinção do arroz de leite. Arroz deve ser salgado e ponto. É uma aberração realmente.

Espero que teus poderes mediúnicos estejam com mau contato com a torre....

Ana disse...

Jesus, que texto grande, HAHA!

Eu gosto de carne mal passada, VIU! Sangrando bastante, nem que eu tenha que pegar verme, HAHA!

Aqui, quando voce voltar pro Brasil vai manter o blog aqui ou vai mudar de endereco/nome? Nao vai ser mais a sopa no exilio, o que vai fazer quanto a isso?!

Que dia a Jacque chega?