domingo, outubro 29, 2006

A Sopa 06/15

Domingo de eleições no Brasil.

Como todos sabem, não sou aquele tipo de pessoa que fica se auto-elogiando, narrando seus feitos e tornando-os epopéias quando na verdade não o são (como estão fazendo com o episódio da volta do Grêmio à primeira divisão, mas isso é assunto para outra sopa, num outro dia). Prefiro não falar e apenas deixar que os fatos falem por si. Por ser dia de eleição, e por esta envolver a tentativa de reeleição do atual e polêmico governo do partido dos trabalhadores, vou lembrar uma história de junho de 2004, quando ainda nem se falava em mensalão e muito menos em dossiês.

Denúncia.

Vou parar de falar mal do governo do PT. Não que eu ache que tenha melhorado, ou que ele não tenha graves problemas como tiveram também os do FHC. Vou parar de falar mal – criticar, mesmo que construtivamente, ao contrário da maioria das pessoas com quem converso, que critica apenas por ser do PT – porque recebi um aviso de que eu deveria parar de falar sobre o assunto. É a lei da mordaça agindo sobre mim.

Obviamente se vocês forem perguntar para o governo se eles fizeram isso mesmo – bem claro, me censurar – eles vão negar. Assim como vão negar que têm agentes infiltrados controlando todos os nossos passos, mas que têm, isso tem. E vou contar para vocês o que aconteceu, para todos saberem. Não ficarei calado!

Estávamos, Jacque, eu, e os seus pais (meus sogros, óbvio) jantando despreocupadamente no Restaurante Copacabana, sexta à noite, quando aconteceu: discutíamos outro assunto qualquer quando, do nada, surgiram agentes da Polícia Federal por todos os lados do restaurante, fechando todas as saídas. Estávamos cercados, sem possibilidade de fuga. Aí, então, entrou o primeiro, o José Dirceu, cercado de colaboradores, sorrindo. Cumprimentou um e outro e, de relance, deu uma olhadinha para mim, como quem diz “Eu sei quem você é e estou de olho, fique atento”. Nem me perturbei.

Foi quando entrou – também cercado de seguranças – o José Genoíno. Sorridente e simpático como sempre, cumprimentava a todos e, ao olhar para mim e abanou, como quem diz “É melhor levar a sério o aviso, estamos te cuidando”. Foi o suficiente para eu saber que com esse pessoal não se brinca...


Mas também não se brinca comigo. Pergunta: o que aconteceu com os dois personagens do PT que participaram dessa história? Preciso dizer mais alguma coisa?

:-)

Até.

Um comentário:

Sandra disse...

Olá, Marcelo, adorei a idéia da Sopa comunitária confraternizadora. Acho que vou aplicá-la aqui no meu "exílio" em Portugal. Já vim para cá estudar, passei um ano com bolsa PDEE. Agora, estou aqui, acho que permanentemente, pois casei com um portuga. Agora vou fazer os portugas engolirem o sabor brasileiro, para eles verem o que é realmente bom. Quanto as eleições, nem tenho o que dizer, apenas o que lamentar e chorar. Até mais.