terça-feira, março 08, 2022

Perdiditos en Uruguay (20)

A Viagem, quinto dia (2).

 

Depois da experiência senegalesca rumo aos ‘Dedos’, havíamos ido ao supermercado e comprado tudo o que era necessário para nosso piquenique, que transportamos em nossa bolsa térmica com gelo, e fomos para a Praia Mansa.

 

Essa é a região próxima ao Conrad, hotel-cassino, de frente para a Ilha Gorriti, na baía, onde é como se estivéssemos em uma lagoa, de tão calma que são as águas. Alguns paradouros de prédios que ficam na avenida em frente praia. Ali, alugamos guarda-sol, cadeiras de praia, e fizemos nosso piquenique. Muito bom, nem conseguimos comer tudo o que havíamos levado, as meninas tomaram espumante, eu (o motorista) tomei coca-cola. Houve banho de mar, muito tempo embaixo do guarda-sol, e até a Roberta, a Marina e o Gabriel interagindo com uns meninos que deveriam ter no máximo 8 anos de idade e estavam recolhendo águas-viva da areia (e até da água!) e as colocando em um grande buraco que haviam cavado. As pegavam com a mão, sem se queimar, e saiam correndo e as largavam neste buraco. Foi uma tarde divertida.

 


Embaixo do guarda-sol


Voltamos para o hotel (metade foi andando, porque não era muito longe) e demos uma boa descansada antes da noite. Seria nossa última noite em Punta del Este. Queríamos ir a um lugar divertido para fazer nossa despedida de Punta, um lugar que fosse mais legal que o La Passiva, onde jantáramos na noite anterior. Acabamos saindo a pé e fomos a um lugar que havíamos visto na noite anterior e que parecia legal.

 

Fomos, então, ao Bigote Bar, que é um lugar tipo food park, com diferentes opções de comidas e bebidas. Escolhe-se o que se vai comer e se vai até o local, compra e leva para a mesa. Assim cada um poderia comer e beber o que quisesse. Marina e eu comemos hambúrguer. Como não estava dirigindo, pude tomar uns chopes, como sempre sem exagerar. 


                              

Bigote Bar

 

Chegamos no local pouco depois das 19h30, hora em que o Bigote abre. Escolhemos a mesa, nos sentamos, e eu fiz o ritual de encontrar posição para que minha cervical não doesse tanto. Comemos, bebemos, conversamos, rimos e jogamos Jenga, aquele jogo em que – a partir de uma torre de peças – vamos tirando um da parte de baixo e colocando na parte de cima da torre. À medida que o jogo avança e a base vai ficando menor, perde que tira a peça que faz a torre cair. Jogamos três vezes, a Jacque perdeu uma e a Roberta perdeu duas.

 

                                  

Jenga


Quando saímos, começava uma chuva bem fina. Andamos até o hotel, mas – ao chegar – percebi que não havia completado minhas metas de exercício e calorias de movimento do dia, como indicado pelo meu relógio. Deixei-os no hotel e dei uma caminhada de uns dez minutos até atingi-la. 

 

Isso reforçou a lenda de que “sou escravo” do meu relógio, que ele manda em mim. Nada mais longe da verdade. O que acontece é que o relógio apenas “me lembra” das metas de exercício que EU determinei. No máximo, ele pode ser considerado um fiscal do que me proponho fazer. Claro que o meu lado TOC fica incomodado quando não consigo atingi-las, quando há “falhas” no registro e tal, mas estou sempre competindo comigo mesmo.

 

Após a caminhada para completar minhas metas diárias, voltei ao hotel.

 

No dia seguinte seguiríamos para Montevideo, a capital.

 

Até.  

segunda-feira, março 07, 2022

Perdiditos en Uruguay (19)

 A Viagem, quinto dia.

 

Punta del Este. A noite hava sido boa, depois que consegui uma posição para dormir e os medicamentos fizeram efeitos em aliviar a dor excruciante que, de tempos em tempos, eu sentia, como se uma faca estivesse cravada em minha cervical e alguém fosse ali e a torcesse. Paciência. Nem isso tirava o meu (crescente) bom humor...

 

O café da manhã do hotel era bem bom, com as já tradicionais medias lunas e dulce de leche, entre outras atrações. Ao voltar para o quarto, dei um bom dia mais simpático que o normal ao funcionário da recepção talvez ainda me sentindo culpado pelo que acontecera na noite anterior.

 

Explico.

 

Naquele esquema de hotéis mais antigos, ao sair sempre deixamos a chave do quarto na recepção e a retiramos ao voltar. Acontece que a porta (a fechadura, especificamente) era antigo, daquele tipo em que para trancar temos que acionar a tranca por dentro, ainda com a porta aberta e, ao fechá-la, fica trancada. Eu sabia disso e lembrava de trancá-la todas as vezes que saíramos.

 

Só que quando chegamos, no final do dia, após jantar, eu fui primeiro para o quarto e a porta estava aberta! A primeira coisa que fiz foi entrar no quarto e verificar se não havíamos sido roubados (minha mochila com o notebook!). Aparentemente, não. Ato contínuo, fui à recepção conversar com o funcionário. Perguntei se alguém havia pegado a chave por engano, ou que ele me desse alguma explicação para o que tinha acontecido. Garantiu-me que nada acontecera, que não tinha como alguém ter pegado a chave, e o que podia ter acontecido é que alguém não tivesse trancado a porta. Eu disse que era impossível, já que era eu quem a trancava. A não ser que...

 

Olhei para a Jacque e perguntei se ela tinha ido no quarto (e saído) sem mim. Ela respondeu que sim, que havia, antes de sairmos para jantar, ido até o quarto buscar algo (que não lembro agora) e fechara o quarto. Perguntei como ela trancara, e ela disse que ‘com a chave’ (que, por óbvio, não trancava) ... 

 

Me desculpei com o funcionário e fomos dormir.  



                    

O Grupo 


Retomando nossa história, após o café da manhã, fomos caminhar em direção à região do porto. Seguimos caminhando e fotografando pela Rambla Gral Artigas, até chegarmos ao porto. O Puerto de Nuestra Señora de la Candelaria, mais conhecido como Porto de Punta del Este, está localizado no centro da cidade, na Península, e conta com bons restaurantes e bares, além de outros tipos de comércio. Oferece uma belíssima vista, em especial o pôr-do-sol no que já é o Rio da Prata.

 


O Porto

Ali, outra atração são os leões marinhos, que ficam à volta dos pescadores que ficam ali limpando peixes e jogando os restos para os leões comerem. Ficamos um tempinho ali observando-os, com a Roberta fazendo sua típica fala com animais diversos (até galinhas, veremos bem mais adiante) e chamando-os de “vida”, ou “filhos”. Nesse momento, a temperatura ambiente já estava alta e o sol brilhava inclemente no céu.

 

Decidimos, ao sair do porto, ir até o monumento Los Dedos, clássico ponto turístico de Punta del Este, na Praia Brava. Como estávamos na “ponta”de Punta, resolvemos que iríamos caminhando até lá. Não era longe, sabíamos, afinal a distância entre o porto e Los Dedos é de 2 (dois!) quilômetros, um trajeto – em condições normais – de cerca de 25 minutos. 

 

Porém havia o sol e estava MUITO quente. Devia ser próximo ao meio-dia, além de tudo. Forma, então, os mais longos dois quilômetros da história do mundo. Não tínhamos água conosco naquele momento (para desepero do Gabriel, que ainda não sabíamos naquela hora, é um dementador de água), não havia sombra, estávamos de chinelo. Foi uma experiência tipo no deserto, quase de ver miragens mesmo estando ao lado do mar. O único momento de alívio quando a Roberto e eu paramos na sombra de uma parada de ônibus para esperar os outros.


                  

Los Dedos e nós


Quando finalmente chegamos na Praia de Los Ingleses, na escultura Los Dedos, tudo o quisemos fazer foi tirar fotos rapidamente e sair dali, para a praia. Decidimos retornar ao hotel, beber água (antes que o Gabriel virasse uma passa) e ir ao supermercado comprar ingredientes para um piquenique. A volta foi rápida. Pegamos o carro, fomos ao supermercado, compramos o que precisávamos, e fomos em direção à praia Mansa, nosso destino.

 

Era hora do piquenique. 

 

Até. 

domingo, março 06, 2022

A Sopa (Los Perdiditos 18)

A Viagem, quarto dia (2).

 

Chegáramos, após passar por La Paloma e José Ignácio, a Punta del Este. Esta é o balneário mais ‘badalado’ do Uruguai, mesmo claramente não sendo o mais bonito, na minha opinião. Lojas de grife, restaurantes caros, e outras atrações mais ou menos acessíveis, Punta del Este é tanto para turistas de altíssimo poder aquisitivo quanto para outros de “menos posses”. É mais cara que outras cidades, e provavelmente até que Montevideo, a capital do país. 

 

Como o nome diz, é a ponta oriental (do leste) do Uruguai, a divisão Oceano Atlântico e o Rio da Prata. Tão ponta que as suas duas praias principais, a Brava e a Mansa, são respectivamente o mar e a baía, digamos assim. Nosso hotel ficava no início da península, próximo ao Muelle de Mailhos, a uma quadra da Rambla Gral. Artigas, uma ótima localização. Já havia estado duas vezes anteriormente em Punta, em 2012 e 2015, em feriados, e nas duas vezes havíamos ficado - como já referido - no Hotel Bonne Etoile, de tão boa localização quanto o San Diego.

 

Logo após o checkin, e de fazer a transferência do valor da primeira diária para o hotel em que ficaríamos em Villa Serrana, quando estivéssemos retornando de Colônia del Sacramento para o Brasil, voltamos para pegar o carro para nosso próximo “compromisso”: assistir ao pôr-do-sol na Casapueblo, em Punta Ballena.


                             

 


A Casapueblo - casa, museu, hotel, restaurante e café – foi idealizada e construída pelo artista Carlos Vilaró em Punta Ballena, a cerca de 13km de Punta del Este. Sua arquitetura e estilo podem ser equiparadas às casas da costa mediterrânea de Santorini, na Grécia. A construção demorou trinta e seis anos para ser terminada, e tem terraços que permitem uma vista perfeita do pôr-do-sol no Atlântico, na sua transição para o Rio da Prata.


                       

Casapueblo, Punta Ballena 


Sob a orientação do Waze, facilmente chegamos lá, que fica no alto de um promontório. Deixamos o carro estacionado e seguimos até Casapueblo. Tivemos tempo de visitar o Museu (belíssimo), repetir com a Marina a mesma foto que tiráramos em 2012 e chegar e conseguir lugar no café a tempo de assistir ao sol se pôr.


                                         

2012 x 2022

 

A Karina e a Jacque pediram um clericot, enquanto eu tomei refrigerante porque – obviamente – era o motorista, e as leis uruguais são bem rígidas quanto a isso. A hora em que o sol se põe encontra o café e todos os espaços disponíveis lotados, e nos minutos finais, quando o sol está sumindo nas águas, toca nos alto falantes um poema do Vilaró, na Cerimônia del Sol, que termina com:


                         

Esperando o pôr-do-sol


                            

Admirando o pôr-do-sol



                          


“Adiós Sol...! Mañana te espero otra vez.

Casapueblo es tu casa, 

por eso todos la llaman la casa del sol.

El sol de mi vida de artista.

El sol de mi soledad.

Es que me siento millonario en soles,

que guardo en la alcancía del horizonte. 

 


Um belo espetáculo, esse final de tarde, mas incrivelmente não seria o mais bonito da viagem, mas isso é história para mais adiante. Após o pôr-do-sol, voltamos para Punta del Este, para dar uma passeada. Acabamos jantando no La Pasiva na Gorleros, um lanche OK, nada mais.

 

Mais uma caminhada, olhando algumas vitrines, até a feira de artesanato. A noite estava agradável, exceto pela minha cervical, que incomodava progressivamente a medida que o dia avançava, chegando ao seu auge à noite, quando a sensação de que havia uma faca sendo enterrada na minha cervical e a dor irradiava para o ombro direito, então eu caminhava boa parte do caminho “segurando” ombro direito, em manobra para tentar diminuir a dor. A Karina já tinha me “doado” todos os relaxantes musculares que havia trazido, e que eu alternava com antiinflamatórios. Estranhamente, quando mais a dor piorava, dia após dia, eu ficava mais relaxado, mais de férias (e não era efeito das medicações...)

 

Voltamos ao hotel, porque o dia seguinte seria de caminhada e – se tudo corresse bem – praia.

Até.  

sábado, março 05, 2022

Sábado (e as sombras)

 Los Perdiditos, inscrição rupestre, Punta Del Diablo

            Bom sábado a todos.

           Até.

            

sexta-feira, março 04, 2022

Perdiditos en Uruguay (17)

A Viagem, quarto dia.

 

Dia dois de fevereiro de 2022.

 

Dia de deixar Punta del Diablo rumo à Punta del Este.

 

O dia começou com (já) tradicional ida até o Mercado Sandra, para comprar ingredientes para o café da manhã, em especial as maravilhosas medias lunas, comidas com abundante dulce de leche. Gosto de rotinas e tradição. Sou um conservador, podemos dizer.


                             

                                         Despedida de Punta Del Diablo


Após o café, arrumamos nossas coisas, carregamos o carro, nos despedimos da simpática e atenciosa responsável pelo lugar e deixamos Punta del Diablo, um lugar para certamente voltar. O plano de viagem do dia previa paradas em La Paloma e José Ignácio, antes de terminarmos o dia em Punta del Este. Passaríamos próximo a Cabo Polônio, mas acabamos não visitando por alguma razão que não saberia explicar, confesso.

 

A distância do total do dia, com as paradas, seria de cerca de 227km, em estradas planas e em boas condições, mesmo com a Ruta 9 com vários pontos de obras de manutenção. A saída foi comigo (tomando energético Monster Mango Loko) dirigindo, como sempre, o Gabriel (que não havia sido preso) de copiloto, Roberta atrás de mim, Jacque no meio, Karina atrás do Gabriel e Marina lá no final. 



As meninas no banco de trás

 


São 108km de Punta del Diabo até La Paloma, aproximadamente 1h25 de viagem. Chegamos lá com mais um dia de sol, céu sem nuvens e calor, e fomos pegar praia. Achamos um acesso ao mar, estacionamos e, por um curto trajeto de areia que estava já àquela hora MUITO quente, fomos aproveitar a praia. Ali, ficamos junto a um quiosque que fornecia cadeiras de praia (e até uma rede!). 

 

                      

La Paloma


 

O mar de um azul profundo em constrate com o sol e o céu compunha um espetáculo digno muitas fotos, como fizemos. Aproveitamos o quiosque para pedir as tradicionais bebidas, incluindo o licuado da Marina e coca-cola zero para mim, que estava dirigindo, e ficamos um bom tempo na praia. Até a Jacque, que não costuma fazer, entrou no mar e aproveitou. Eu, quando decidi entrar, talvez por estar muito quente de ficar no sol e por entrar rápido na água, senti a água MUITO fria, do tipo que dá um mal estar, um arrepio forte que quase paralisa. Saí rápido da água antes que morresse (não ia, mas é a sensação que dá) e voltei para me secar e esquentar no sol. Após curtirmos a praia, eu recuperado do choque térmico, decidimos ir para a próxima parada, José Ignacio.

 

                                            

Marina, na sombra, La Paloma


Mais uma hora de viagem, cerca de 108km, José Ignacio é uma praia conhecida pelo seu Farol e por ser uma vila de pescadores transformada em um resort de luxo, com ótimos (e caros) restaurantes. Visitamos a área do Farol (estava fechado pelo horário) e decidimos almoçar. O guardador de carros que estava ali nos deu a “dica”de um restaurante ali perto, onde acabamos indo.

 

                      

José Ignacio, onde "o golpe está aí, cai quem quer"...


Nesse momento, o dito ‘o golpe está aí, cai quem quer’ parece ser bem apropriado. Ele nos deu um cartão de desconto de 5%. Almoçamos um belo almoço, devo dizer (eu troquei de prato com o Gabriel porque o que ele pediu não agradou, o que me deixou com um crédito de poder trocar de prato com ele a qualquer momento que eu quiser, que AINDA não foi utilizado, e pode acontecer a qualquer momento...). O problema foi na hora da conta, que confesso que não conferi. Por nossas divisões, quem pagaria seria a Karina, que o fez em espécie. No final de contas, o valor foi maior do que a quase todas as refeições que fizemos na viagem, e claramente não era para tanto. Como eu digo, paciência.

 

Foi nesse momento que nos lembramos de que no Uruguai, para estimular o turismo, em hotéis e restaurantes pagos com cartão de crédito internacional, há o desconto referente ao IVA (de 22%), o que torna muito vantajoso pagar com o cartão, mesmo com o pagamento do IOF (que é de 6,38%). Mudamos nossa forma de pagar após isso, mas ficamos com a certea que havíamos visitado Vigário José Ignácio (piada fraca...).

 

De José Ignácio, seguimos para Punta del Este, uma viagem de quarenta minutos, e para o hotel San Diego, que havíamos reservado. Chegando lá, percebi que havia cometido um erro ao reservar: não conferi se teria estacionamento. Não tinha, mas poderia estacionar em frente ao hotel, rua tranquila e tal coisa. E foi assim, funcionou bem.

 

O Hotel San Diego é um bem localizado, perto da praia mansa e não muito longe do porto, com possibilidade de fazer quase todos os passeios caminhando. É um hotel antigo, cujas instalações são simples, mas com um bom café da manhã. O banheiro, como o hotel, é antigo, banheira e chuveirinho. Não íamos passar o dia no hotel, então o custo-benefício foi, afinal de contas, bom.

 

Fizemos o checkin e fomos até a Gorlero, avenida de comércio mais popular, para irmos até um agente bancário para a Roberta fazer a transferência do sinal para nossa última hospedagem no Uruguai, em Vila Serrana (lugar do qual eu nunca ouvira falar, confesso). Feito isso, voltamos ao hotel para ir ver o por-do-sol na Casapueblo, em Punta Ballena.

 

Conto isso adiante.

 

Até.

quinta-feira, março 03, 2022

Perdiditos en Uruguay (16)

A Viagem, terceiro dia.

 

Dia primeiro de fevereiro, Punta del Diablo, Uruguay.

 

Como de costume, acordei cedo, não tão cedo quanto em dia de trabalho, mas ainda pouco antes das 8h. Enquanto os outros acordavam ou dormiam mais um pouco, fui caminhando até o Sandra, o mercado próximo de onde estávamos para comprar ingredientes para o café da manhã. Café solúvel, adoçante, leite, pão, medias lunasdulce de leche, pelo menos.

 

Lidando efetivamente com o câmbio, finalmente, concluí ser inviável a máxima do ‘quem converte, não se diverte’. O câmbio de real para peso estava em cerca de R$ 1,00 valendo UYU 7,50. Então tudo, para saber o real valor das coisas, uma calculadora mostrou-se fundamental. A longo do tempo fomos nos acostumando com os valores em pesos de tudo.



O dia havia amanhecido com sol e absolutamente nenhuma nuvem no céu. Após o café da manhã, nos organizamos e fomos, finalmente, para a praia. O local escolhido foi a Praia dos Pescadores. Antes de sair, contudo, houve um momento ritual: a Jacque furou a orelha e colocou um brinco no Gabriel.

 

Não era a primeira vez dela: além de já ter furado a sua própria orelha muitos anos atrás, na sexta-feira em que entramos de férias e fechamos o consultório, ela havia feito o mesmo, a pedido, em nossa secretária. Sem falar que foi ela quem refez o furo na minha orelha há mais de vinte anos, quando iámos viajar para passar o Natal na Neve. Acabou inflamando minha orelha à época e tivemos que procurar uma farmácia em Roma para comprar ‘germo zero’, um produto para limpar e tratar... Correu tudo bem, não perdi a orelha, e com o Gabriel foi tranquilo também.

 

Voltando ao Uruguai.


Sol forte, areia quente, mar azul e, diferente do esperado, a água não estava gelada como esperado. Foi possível ficar um bom tempo dentro da água.

 

Por ser uma praia, digamos, mais “raiz”, com muitas ruas sem calçamento, um certo clima “bicho-grilo”, ou por não termos encontrado, não havia cadeiras de praia e/ou guarda-sóis para alugar. Levamos toalhas (ou algo do gênero, para sentar) e depois procuramos a sombra de um barco que estava na areia para nos proteger. Por termos ido relativamente cedo, na hora que quisemos comprar algo para beber, a maioria dos bares e quiosques ainda estava fechado. 

 



Pergunta aqui, pergunta ali, descobri um que estava QUASE abrindo, e fiquei esperando uns minutos para poder comprar caipirinha, mojito e licuado (um smoothie de frutas, para a Marina). Compradas as ‘encomendas’, ficamos ainda um tempo curtindo a praia. 

 

A seguir, saímos da praia e fomos direto ao Mercado El Vasco, onde minha missão era comprar carne para fazer em nossa parrilla. Era um desejo meu desde a primeira vez que eu estivera lá e é um desejo recorrente, sempre que vamos a um lugar eu pergunto se tem churrasqueira disponível. Enquanto eu escolhia as carnes, o grupo comprava o resto para o nosso almoço, com escolha de opções para a Roberta, vegetariana. Compraram pimentões vermelhos para fazer com queijo.

 

Voltamos para nossa casa e fui preparar o fogo.

 

Lembrando que, apesar de entusiasta, e por não ter churrasqueira em casa, eu me considero um amador em matéria de churrasco. Parrillas são um território ainda mais desafiador. Havia, disponível para uso, lenha para fazer o fogo e assar, mas – descobri logo – não o suficiente. Em meio à preparação, com o fogo já alto, decidimos que iriam buscar mais lenha (ou carvão) para podermos ir até o final. A Jacque, a Marina e o Gabriel buscaram, e então saiu a tão esperada parrilla. Seja pela carne uruguaia, pela lenha, pelo astral de férias, pela boa vontade de todos ou um misto de tudo isso, até agora consideraram a melhor parrilla da viagem. Eu gostei, admito meio constrangido...


 

             


Música, sol, um dia tranquilo, a parrilla, e a Karina sentada com um saquinho de chá de camomila no olho, para aliviar e poder enxergar, após cair protetor solar... O único porém da situação, mas que no final não atrapalhou de verdade, foram as moscas. Assim que começamos a assar a carne, surgiram milhares de moscas, vindas não sabemos de onde, mas que deram trabalho para nos livrarmos dela.

 

À tarde, após um tempo de descanso, saímos novamente para passear e tomar sorvete numa sorveteria que ficava em uma elevação e proporcionava uma linda visão da praia. Ótimos sorvetes e agradável passeio.

 




Fizemos nossa janta de despedida comendo uma pizza no que considerei o “centrinho nervoso”, perto da Praia dos Pescadores. Um lugar agradável, um jantar divertido, antes de voltarmos andando com “passinho shopping center”, como eu chamo, e que ao longo da viagem acabou contribuindo para a minha dor cervical e ao consumo de todos os antiinflamatórios do grupo... Antes de chegar em casa, ainda ligamos da rua, meio no escuro, para o Tio Vicente, de aniversário. Cantamos parabéns e gritamos uhuu...

 



No dia seguinte, seguiríamos para Punta del Este.


Até.  

quarta-feira, março 02, 2022

Perdiditos en Uruguay (15)

A Viagem, segundo dia (2).

 

Quase dezoito horas, o momento derradeiro para termos o resultado do PCR da Marina feito pela manhã em Pelotas. Se não saísse, teríamos que refazer os planos, provavelmente dormir por lá (eu já procurava opções de hospedagem) ou o Gabriel ser preso.

 

Terminávamos de comer, e olhávamos no celular se sairia o resultado do exame. A Roberta fazia “mandingas” para dar certo, do tipo “se sair um palito de dentro desse saleiro em que colocaram palitos, vai dar certo”, ou algo assim, quando eu vi no site do Laboratório Antonello que o resultado estava disponível. Cliquei para saber o resultado. Ao mesmo tempo, o Gabriel avisou a todos que o resultado sairia e, da mesma forma que eu, clicou para descobrir...

 

Positivo, para nós. Ou seja, negativo!

 

 

 

Fizemos uma festa, como se fosse um gol do Brasil em Copa do Mundo. Ninguém entendeu nada, óbvio, mas não importava, finalmente tínhamos a certeza de que entraríamos no Uruguai conforme o planejado, e não mudaríamos nada. 

 

Estávamos livres, e o Gabriel não seria preso, ao menos não agora...

 

Ainda no restaurante abri meu notebook, preenchi a declaração juramentada (que já sabia de cabeça), submeti-a, e recebi o e-mail confirmando. Pagamos a conta, voltamos ao carro, e seguimos direto para o posto da imigração, onde passamos – após mostrar nossos documentos de identidade – com tranquilidade.  Nem chegar a inspecionar o nosso carro por dentro, o que nos levou a penar que – se tivéssemos passado com a Marina escondida entre as bagagens, não daria nada. Por outro lado, havia – sim – o risco de decidirem nos inspecionar, descobrirem a Marina, e o Gabriel acabar preso. Foi melhor assim...


Após entrar no Uruguai, seguimos por mais cerca de 40 minutos pela Ruta 9 até Punta del Diablo, aonde chegamos por volta das 19h, para surpresa da responsável pelo Les Diabletes, porque eu a havia alertado por mensagem, ainda quando estávamos em Pelotas, que talvez chegássemos depois das 22h.

 



Ainda era dia claro, e pudemos caminhar pela praia ao pôr-do-sol fazendo reconhecimento da área. Compramos uns pães, queijos e vinho no Autoservice Sandra, o mercadinho perto de casa, e terminamos o dia em volta da mesa lembrando os momentos de tensão do dia, falando dos múltiplos sacos de supermercado que o Gabriel levava em sua bagagem para transportar seus itens de higiene pessoal, e da revolta da Roberta com o fato de eu ter encontrado um sabonete na pia do banheiro e o utilizado para tomar banho: usado o mesmo sabonete que ela limpara o rosto e as mãos para lavar “minhas partes”... Rimos muito, e fomos dormir descansados, pela primeira vez desde a noite anterior à viagem.

 


Final do dia, Punta Del Diablo

Uruguai, finalmente.

 

E o Gabriel não havia sido preso.

 

Começavam, de fato, nossas férias uruguaias. 

 

Até.