sábado, dezembro 07, 2024

Sábado (e um café da manhã)

Croque Madame


Do final de semana passado.

Hotel Casacurta.
Garibaldi/RS.

Bom sábado a todos.

Até. 

sexta-feira, dezembro 06, 2024

Mecânicas

 Sou guri de apartamento.

Dito de outra forma, em termos de carros, só sei andar para frente. É o que meu pai costumava resmungar quando eu – mesmo depois de médico, casado, mas ainda não pai de família – pedia algum tipo de ajuda relacionada a carros. Ele estava certo, e eu sabia disso na época.

 

Essa característica nunca mudou, a minha incapacidade em termos mecânicos, de entendimento de carros. Trocar pneus, tudo bem, mesmo que da última vez que que esse tipo de evento ocorreu, em uma volta da fazenda da querida amiga Bianca, não me deixaram trocar por causa da minha coluna, operada meses antes. Se precisar, troco, sem problemas.

 

O meu carro atual, já há alguns anos, é confiável, confortável e com ótima capacidade carga, uma VW Tiguan, de sete lugares porque transporto, além de equipamentos para shows, também pessoas. Foi com ela que viajamos em seis pessoas e bagagens durante quinze dias pelo Uruguai há quase três anos. Bom carro, já com seus setenta mil quilômetros. 

 

Depois de um tempo em que fazia as revisões na concessionária, passei a utilizar os serviços de um mecânico indicado por um ex-professor meu, que foi meu médico, foi médico do meu pai, e é meu paciente hoje em dia. Reviso o carro com ele, hoje em dia, o mecânico, não o médico.

 

Há duas semanas, fizemos a revisão.

 

Tudo certo, mas ele falou que estava com um ruído diferente e que precisaria trocar os amortecedores. Combinamos e ele fez ontem. Ao retirar o carro, enquanto conversávamos, ele disse que agora pararia aquele ruído “infernal” que estava fazendo. Concordei com ele, mas pensei que não havia reparado ruído diferente nenhum. Ao sair com o carro, “estranhei” o silêncio da condução... E me dei conta que havia me acostumado com o ruído e não percebia que havia algo diferente...

 

Pensei comigo e sorri: só sei andar para a frente...

 

Até.

quinta-feira, dezembro 05, 2024

O (meu) Tempo

Pode ser que seja pelo final de ano, pode ser que seja pela efeméride dos trinta anos de formatura em medicina, e vinte da defesa de minha tese de doutorado, ou pode não ter nada a ver com isso, mas tenho feito, nas últimas semanas, um ‘inventário’ da vida, em suas diferentes dimensões. Para entender onde me encontro, para me entender.

 

Um dos aspectos da minha vida que tenho esquadrinhado é o sobre o que faço com o meu tempo. Objetivamente, como distribuo as vinte e quatro horas diárias entre as diferentes atividades que exerço. Trabalho, deslocamentos, atividades pessoais, como o tempo que tenho para almoçar, por exemplo, ir à academia, as horas dedicadas à música, aula e ensaios, e até escrever esses textos diários e outros, além do tempo para ficar em casa, com a família e o sono. Meticulosamente, planilhei (de forma obsessiva, eu sei) como é uma semana normal, de segunda a sexta-feira. 

 

Após isso, transformei todas essas informações em gráficos e montei uma apresentação de powerpoint com isso, para caso algum dia queira apresentar isso para alguém (vai que eu vire coach, vai saber...). Achei que é uma forma interessante de eu visualizar a vida no sentido prático. Entender como uso o meu tempo me ajuda a saber se estou fazendo as coisas conforme o plano, ou como eu acho que deveria fazer.

 

Se estou priorizando o que necessita ser priorizado.

 

Se estou no caminho do tipo de vida que eu quero para mim.

 

Sim, estou sempre me questionando isso, e procurando fazer os ajustes necessários para isso, quase que diariamente. O mais importante, procurando viver no presente.

 

Até.

 

(ah, quanto a ser coach, vou começar com uma palestra sobre ‘Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica e o Sentido da Vida’, que é para médicos, mas vocês ainda não estão prontos para isso...) 

quarta-feira, dezembro 04, 2024

Narrativa

A Verdade.

 

Assunto recorrente por esse espaço, que compartilho com você, estimado leitor. Como se pode notar, revisito, reflito e repenso sobre alguns assuntos em especial, e a narrativa e a verdade estão entre eles.

 

O mundo, e a vida, todos deveríamos saber, são complexos, cheios de nuances e camadas e usualmente com graus variados de dificuldade de entendimento. Ou não, mas não vem ao caso agora. O que quero dizer que as coisas nem sempre são o que parecem na superfície, que o entendimento do todo requer trabalho, requer escutar todos os lados de uma história e qualquer possível julgamento requer uma análise sem vieses, na medida do possível.

 

O que é e onde está verdade, nisso tudo? 

 

Provavelmente em algum lugar no meio das diferentes versões, ou narrativas, de um mesmo fato. O que é certo para mim pode não ser para o meu interlocutor, mesmo que existam alguns preceitos absolutos, inquestionáveis. Ao menos é assim quem vejo. E para você, como é?

 

Fico, confesso, incomodado com julgamentos feitos a partir de conhecimentos superficiais e, por isso, incompletos de fatos ou pessoas. Feitos a partir de narrativas que sistematicamente não serão imparciais porque são criadas por pessoas com maior ou menor grau de interesse na história contada, na narrativa criada. Quem ouve e se posiciona perante uma situação a partir de informações incompletas corre o risco de ser injusto – e eu faço de tudo para não ser – ou por preguiça ou pelo viés de confirmação.

 

Sei lá.

 

Até. 

terça-feira, dezembro 03, 2024

F.O.M.O (2)

Fear of Missing Out.

 

Volto ao assunto para confessar que sigo lidando com isso. A sensação de ser deixado de fora, ser excluído, não fazer parte, é recorrente em mim, já confessei. E sei que a questão principal sou eu, e não os outros. 

 

Vivo uma fase em que busco a paz de espírito, no sentido em que sei (mas continuo descobrindo) quem sou e sei o que quero para minha vida. A partir desse conhecimento é que procuro tomar as decisões da vida de um modo geral. Por isso, devido a isso, é que caminho por entre os ambientes em que convivo de forma serena na maior parte do tempo, e já sei que devo dizer não àquilo que não condiz com quem sou e com o que quero para mim.

 

Nem sempre consigo, claro.

 

Assim como nem sempre fico totalmente tranquilo com o fato de não fazer parte de tudo, não estar presente em todas as situações em que gostaria de, ao menos, ser convidado a participar, mesmo que não pudesse ou quisesse fazer parte ou estar presente. Quando essa sensação aparece, e eu sei que não faz sentido, ainda é um esforço consciente que tenho de fazer para afastar o pensamento / sensação de estar sendo excluído.

 

Entendo que é um processo, e que – ao fazer escolhas, decidir por um caminho – estamos renunciando às possibilidades, às possíveis portas que os caminhos não escolhidos abririam. É da vida, vivemos com as consequências de nossas decisões. E está tudo certo.

 

Continuo aprendendo, diariamente.

 

Até.

segunda-feira, dezembro 02, 2024

O Décimo Segundo Mês

Dezembro é uma grande sexta-feira.

 

Li em algum lugar essa definição, e achei perfeita. O último mês do ano é um momento – na minha realidade de vida atual – de desaceleração profissional e aceleração social. Enquanto o mês de trabalho é mais curto devido ao recesso de final de ano, entre o Natal e o início do próximo, por outro lado é intenso em encontros e confraternizações e despedidas.

 

É também um momento de contabilidade emocional.

 

É quando – ao reduzir a correria dos dias – podemos refletir sobre o ciclo que se encerra, sobre o que foi feito nos últimos doze meses, o que alcançamos, aquilo que não fizemos pelas mais diversas razões, e - também - o que esperamos e planejamos para o próximo ciclo. Sei que o primeiro de dia de janeiro é igual ao trinta e um de dezembro, e que a virada do ano é apenas simbólica, uma virada de chave emocional, não importa.

 

Sempre faço isso, a retrospectiva do ano que termina.

 

Vou fazer isso, claro.

 

E tenho a impressão de que vou gostar de que vi, fiz e ouvi.


Até. 

domingo, dezembro 01, 2024

A Sopa

Amigos de trabalho.

 

Esses dias, jantando com um professor do curso de Medicina, hoje aposentado e vivendo entre os amigos, a família e, muito, com os netos, surgiu em meio à conversa esse conceito, de amigos do trabalho, que penso ser um pouco diferente de ‘colegas de trabalho’. E pensei nas relações pessoais que temos ao longo da vida, e as relacionadas ao trabalho em especial.

 

Amigos de trabalho seriam aqueles colegas com quem tens uma relação mais próxima, que vai além da rotina de trabalho, que pode resultar em encontros e eventos não necessariamente estejam ligados a ele, mas que tem a base, a ligação, no convívio no ambiente laboral. Que caso se quebre essa rotina, a relação vai esfriar. Como quando mudas de emprego, ou local de trabalho. É um fenômeno comum e absolutamente corriqueiro. E está tudo bem.

 

Amigos de trabalho podem transcender a relação baseada no local de trabalho e se tornarem amigos mesmo, independente de geografia e profissão. Tornarem-se amigos de vida, digamos assim. O quão frequente é essa “transformação”? Não tenho nem ideia. 

 

Acabei, então, por me questionar com relação a esse assunto, e mais um pouco, indo além, ao conceito de amigo. Quem são nossos amigos da vida? São poucos, todos dizem. O quão poucos, pergunto, e sei que essa é uma questão muito pessoal, e que não há regra, evidentemente.

 

Eu tenho alguns, que procuro manter, cultivar.

 

Tem algum tempo, reconheci em mim a necessidade de cultivar (as minhas) amizades. Reconhecer, valorizar, não deixar que esqueçam que foram e são importantes para que eu tenha me tornado e seja quem eu sou agora. Tenho um respeito muito grande por quem me acompanha de perto (mesmo que não geograficamente) por mais de trinta, quarenta anos. Que estiveram comigo nas boas e nas ruins, sempre próximos, como eu sempre procurei estar deles.

 

E, quando não mais esperava, confesso, surgiu (criei) uma janela para criar e estreitar novas amizades, mesmo que eu dissesse – de brincadeira, obviamente - que não havia mais lugar para novas, a não ser que fossem substituições por morte, já que minha capacidade de afeto estava esgotada. Essa janela, ou dimensão, surgida pelas novas relações, pelas novas amizades, continua a expandir o mundo em que vivo (vivemos) e trazer conforto para a alma.


Até.