domingo, junho 25, 2006

A Sopa 05/49

A última Sopa preparada no Canadá.

A Sopa, assim com esse nome, que está a poucas semanas de completar cinco anos, e que é servida uma vez por semana, originalmente às segundas-feiras e depois aos domingos, está sendo editada e publicada hoje em sua última edição no exílio. A próxima, domingo que vem, já será publicada de Porto Alegre. Claro que na próxima semana, de segunda à sexta-feira, publicarei no blog diariamente, na medida do possível, como de hábito.

Hoje, contudo, é a Sopa de encerramento desse “exílio” canadense, dos quase dois anos em que morei nessa cidade maravilhosa que é Toronto, e da qual eu vou sentir falta, sinceramente.

Hora de fazer um balanço, portanto.

Para quem não sabe, tudo começou em março de 2003, quando surgiu a oportunidade de vir para cá. Ao receber o convite, pedi quarenta e oito horas para pensar, mas ao sair da sala da minha orientadora – ainda atordoado pela idéia – eu já sabia que não poderia dizer não. Era uma daquelas situações na vida em que não se pode dizer não. A porta estava aberta, e certamente me arrependeria profundamente se não entrasse. Não era só eu quem sabia disso: a Jacque, na hora que contei a ela, também sabia que não havia como abrir mão da oportunidade, mesmo que ela soubesse que muito provavelmente não poderia vir para cá comigo, o que acabou se confirmando.

Logo após decidirmos que eu viria (foi uma decisão conjunta, minha e da Jacque, evidentemente) e fazer os primeiros contatos com o pessoal aqui em Toronto, “estorou” a SARS, epidemia que fez os hospitais aqui em Toronto ficarem fechados, de quarentena, por semanas, sem falar no enorme impacto na economia da cidade, e do laboratório para onde eu viria em especial. Com isso, a minha vinda, inicialmente planejada para setembro de 2003, foi adiada e acabou ocorrendo em agosto de 2004, com efetivo começo em setembro do mesmo ano. Enquanto esperava a situação se normalizar para vir para cá, acabei mudando minha tese de doutorado e, ao vir para cá, estava terminando de escrevê-la, o que fiz nos dois primeiros meses de Canadá, e que serviu – a defesa da tese – para a minha primeira volta para casa.

Já falei muito sobre como foi chegar aqui, conhecer a cidade, estabalecer conexões, fazer novos amigos. Falei quase à exaustão (ou náusea, como o leitor preferir) de como foi morar longe de casa, a saudade. Falei tanto que agora me sinto constrangido em voltar ao assunto, como se já tivesse esgotado a paciência dos leitores… É o mesmo com relação às despedidas e minhas impressões sobre mais esse partir: acho que já falei demais. A pergunta que fica, então, é uma, já feita por várias pessoas: valeu à pena?

Valeu, e muito.

Foi fácil?

Sim, e não. Foi tranqüilo porque acho que sou alguém que se adapta fácil às situações e às pessoas. Além disso, se adaptar ao Canadá não é nem um pouco complicado. Por outro lado, foi muito difícil porque ficar longe da Jacque – mesmo que tenhamos nos falado diariamente, via webcam – é uma coisa que não tenho intenção de repetir. Nunca mais.

E tenho certeza que ainda não tenho noção completa de tudo o que esse período morando aqui vai representar para o meu futuro, tanto em termos pessoais como profissionais. O que sei, contudo, é que tenho muitas histórias para contar.

Até.

3 comentários:

Jacque Rizzolli disse...

AHHHHHHHHHH.......QUE LIIIIIINDO!!!!
Beijos meu amor...falta muuuuuito pouco, Jacque

Monique disse...

Eu tenho certeza que muitas portas vão abrir para vc e te desejo muito sucesso na sua carreira. bjs,

Anônimo disse...

Marcelo:

Quanto tempo, hein?
Com certeza valeu a pena este tempo. A saudade é grande. Te esperamos naquele velho local da "turminha da Jussara".
Beijos Cláudia