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segunda-feira, agosto 18, 2025

'Princípio de'

Notícia.

 

Vocês viram o caso daquela menina da tevê, aquela influencer, aquela famosa, que está mais ou menos grávida? 

 

Não?

 

Obviamente que não, porque isso não existe. Gestação, como todos sabemos é uma condição que só apresenta duas possibilidades: sim ou não. Não existe meio termo. Simples assim. Assim como eu nunca vou comentar sobre a possível gestação de alguém que não conheço, porque não me interessa.

 

Por outro lado, me interessam outras situações na vida em que, sim, as coisas são dicotômicas, um ou outro, sim ou não. Poderia utilizar mil exemplos, mas o que está ‘martelando’ desde ontem à noite é a situação do Luís Fernando Veríssimo, grande escritor e cronista, que está internado em um hospital de Porto Alegre por um ‘princípio de pneumonia’, inclusive agora em estado grave, em uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).

 

Não existe princípio de pneumonia, escrevi em e-mail (não resisti) para a jornalista (que admiro) que escreveu a notícia sobre o assunto. Ou é pneumonia, ou não é. Assim, como escrevi acima, não existe uma mulher meio grávida. 

 

Mais, poderia se usar o termo, em uma liberalidade quase excessiva, para designar um quadro leve, em que o paciente estivesse em bom estado geral, e fosse possível ser tratado de forma ambulatorial, em casa. Um paciente de mais de oitenta anos, com doenças associadas, dificilmente terá uma pneumonia que não preocupe e que não motive – ao menos – considerar internação hospitalar. Não existe princípio de pneumonia grave, porque não existe princípio de pneumonia. 

 

Não acho que seja apenas implicância semântica minha, apesar de eu ser, sim, implicante. Vejo como um serviço de esclarecimento ao público em geral...


Até. 

terça-feira, novembro 12, 2024

Sobre o trabalho

A jornada de trabalho.

 

Está em discussão, em redes sociais e no Congresso Nacional, e espero que não tenha sido nessa ordem que tenha acontecido, a redução da jornada de trabalho semanal, de quarenta e quatro para trinta e seis horas de trabalho semanais. Que fique claro, seria a redução da jornada máxima de trabalho, atualmente de quarenta e quatro horas semanais em até oito hora diárias.

 

Não sei o que pensar, ainda.

 

Porque é fora da minha realidade, como médico e como agora também empreendedor. Trabalho (trabalhamos) muito mais. Aliás, durante anos pensei em como seria legal ter uma atividade em que trabalhasse de segunda a sexta-feira em horário comercial e, ao terminar meu expediente, fosse embora e não precisasse me preocupar com o trabalho. Que pudesse desligar 100% da minha atividade profissional. Não consegui, de novo, até por características específicas da atividade médica.

 

E, no último ano, também como empreendedor, sócio de uma escola de música, mais ainda, porque os finais de semana (que durante muitos anos foram de plantões e pacientes) são momentos de atividades relacionadas. Então, existem semanas em que trabalho de segunda a sexta-feira no horário comercial, e que se estende às vezes até bem mais tarde, e que os finais de semana são de atividades, como o último sábado, em que passamos mais de doze horas envolvidos com o evento de Halloween da School of Rock Benjamin POA, entre montar, o evento em si e desmontar tudo.

 

Independente disso, sempre fui partidário de que naquelas atividades em que tarefas específicas são executadas, como por exemplo atendimentos de pacientes eletivos, e que não dependem de tempo, a jornada de trabalho deve ser a execução dessas tarefas. Diferente de plantões médicos, ou atendimento de clientes, em que alguém deva estar sempre disponível, situação em que deve existir um horário a ser cumprido.

 

Cada atividade tem suas características específicas, e o trabalho – jornada, remuneração, as condições em geral, tem de ocorrer de uma forma que seja bom, adequado e produtivo para todos, empresário, trabalhador e cliente.

 

A discussão deveria partir dessa premissa.

  

Até.

domingo, junho 09, 2024

A Sopa

Tudo isso (3). 


Chegamos em Miami terça-feira à tarde, cerca de 16 horas antes do voo que nos levaria até Guarulhos e depois Florianópolis, de onde sairíamos na quinta-feira de manhã em um carro alugado rumo ao sul, rumo à Porto Alegre, que vivia situação de calamidade pública devido às inundações decorrentes de uma série de circunstâncias que – como em um acidente aéreo – ocorreram simultaneamente ou em sequência para que o desastre ocorresse. Chuvas MUITO acima da média, elevações dos rios que desaguam no Guaíba, falta de manutenção dos sistemas de prevenção às enchentes ao longo de muitos anos, falhas nas bombas de drenagem pelas cidades, entre outros.

 

Nós, a salvo disso, em outro hemisfério, acompanhávamos angustiados os acontecimentos, com a sensação de impotência de quem está longe dos familiares, das pessoas e dos lugares que nos são caros e que estariam sendo afetados. Uma irracional, mas inevitável, culpa.

 

Retornamos o carro na locadora e voltamos caminhando para o hotel, que ficava realmente ao lado do aeroporto, em Miami. A viagem havia acabado, agora só esperávamos a hora de iniciar a volta. Pedimos uma pizza no quarto mesmo, que comemos com um vinho enquanto arrumávamos nossas coisas e acompanhávamos as notícias pela televisão.

 

O voo Miami – São Paulo, que saiu às 11h da quarta-feira, estava com muitos lugares vagos, e conseguimos ficar em assentos de saída de emergência. Vou diurno tranquilo. Pousamos em GRU com pouco mais de duas horas de tempo de conexão, que deveria ser tempo suficiente, mas não seria tão simples como esperado.

 

Primeiro, o desembarque - remoto, maldição! – demorou bem mais tempo do que o previsto. Segundo, as malas nos atrasaram um pouco mais, aumentando a angústia. Antes, ainda, enquanto estávamos embarcados no ônibus que nos levaria até o desembarque, uma senhora de idade indefinida (para mim, para mim), puxou assunto e, quando soube que iríamos para Florianópolis, pediu para ficar junto conosco para “não se perder”. Tudo certo.

 

Seguimos juntos no desembarque, a esperamos retirar sua bagagem e fomos passar pela alfândega. Nesses trajetos, conversando com a Jacque, ele havia contado que era “terapeuta”, mas não diplomada, que era “sensitiva” e que viajava o mundo para atender pacientes. Eu apenas ouvia a conversa, sem participar. Já com nossas malas, ao passar pelo funcionário da alfândega, fez algum comentário que não ouvi, mas ele na hora pediu para ela passar para a revista de malas e perguntou se estávamos juntos. Ela disse que sim, no que eu disse que NÃO, o que não adiantou, fomos, a Jacque e eu, encaminhados para uma nova fila, para a revista, junto a ela.

 

A minha preocupação não era a revista, era o tempo, que passava rápido e se aproximava a hora do embarque para Florianópolis. Pior foi que, esperado que nossas malas passassem pelo raio-x, a “terapeuta” comentou que estava trazendo de volta ao Brasil vinte e dois mil dólares (!) e chegou a sugerir que a Jacque carregasse parte desse dinheiro (!!). Claro que não aceitamos...

 

Foi corrido, mas conseguimos chegar em tempo e embarcar para Florianópolis. Voo tranquilo, chegamos perto da meia-noite em nosso destino. Ainda tentei retirar o carro reservado naquela hora mesmo, mas não foi possível: teria que voltar de manhã ao aeroporto para buscá-lo. De Uber, fomos até o hotel no centro, onde dormimos.

 

Na manhã seguinte, após o café da manhã, voltei para o aeroporto onde retirei o carro. De volta até o hotel, por volta das 9h30 saímos de Florianópolis rumo ao Rio Grande do Sul. A primeira parada foi em um supermercado para comprar água para levar para casa e para quem precisasse.

 

Ainda pararíamos, no trajeto de volta, para comprar cobertores, travesseiros e outros itens para doar aos abrigos montados pelo RS. Com a sensação de atraso, começávamos na prática a ajudar pelo menos um pouco quem estava em necessidade. Entramos no RS com o carro carregado de donativos.

 

Conseguimos chegar em casa no final da quinta-feira, 09/05, dia que era aniversário do meu pai, que nasceu justamente durante a famosa enchente de 1941, e que não viveu – para o bem e para o mal – para ver Porto Alegre novamente embaixo d’água...

Tudo terminado?

 

Ainda não. Teria que devolver o carro alugado em Gravataí, pois as agências da locadora em Porto Alegre estavam sem funcionar, na manhã seguinte.

 

Começava outra epopeia.

 

Até.


terça-feira, janeiro 28, 2020

Sobre armas e homens

Polêmica.

Defendo a liberdade individual.

Cada um de nós tem o direito de viver conforme suas próprias escolhas, conforme suas convicções, e ninguém tem nada a ver com isso. Crenças religiosas, opção sexual, estilo de vida, estado civil, entre outras, devem ser determinações pessoais, e livres. E ninguém tem o direito de interferir nisso. Dói falar, mas até os vegetarianos tem direito a viver sua opção, sem interferências externas. Estão errados, mas temos que respeitar...

Enquanto são opções individuais, nem a Igreja, nem o estado (e ninguém mais) tem direito de se meter. Se minha escolha não interfere objetivamente com a vida de ninguém, não estimula o crime (como no caso das drogas), deixem-me em paz. Simples assim. Quando é algo que diz respeito à vida em comunidade, aí temos que nos enquadrar. Em outras palavras, respeitar a lei, ou arcar com as consequências.

Como no caso das armas de fogo.

Digo, para deixar clara minha posição, que provavelmente eu não teria/terei uma arma de fogo. O que não está em contradição com o que vou dizer agora.

Se, eventualmente, eu quiser ter uma arma de fogo em casa, para a minha defesa e da minha família, o estado não tem o direito de opinar sobre isso. Em minha casa, enquanto eu não causar mal a ninguém, mando eu, e o estado fica de fora. Se um criminoso entrar em minha casa, ameaçar a minha família, eu tenho o direito de me defender, pois o estado não é capaz disso. Agora, se eu tiver uma arma, legalizada ou não, sair de casa, brigar no trânsito e matar alguém por isso, eu tenho que ser punido exemplarmente pelo crime cometido. 

Pois aconteceu em Porto Alegre exatamente isso.

Numa briga de trânsito besta, um homem de 24 anos pegou uma arma e matou três pessoas de uma mesma família. Uma tragédia. Gigante. Inominável.

Mas que não ocorreu porque ele tinha porte de arma, o que ele não tinha. Nem porque o governo do Brasil quer liberar a posse de armas. Não podemos ser desonestos e assumir que – caso a posse de armas seja facilitada – as pessoas vão sair por aí se matando por bobagem (mesmo que seja o que tenha ocorrido nesse caso). Temos, isso sim, que punir exemplarmente que comete esse tipo de crime. 

Não somos crianças que precisamos de um estado tutor. Somos (temos que ser, ao menos) adultos que arcam com as consequências de seus atos.

Até.

quarta-feira, agosto 25, 2010

A Baleia

Louvável, e até comovente, o esforço para devolver a baleia jubarte ao mar depois de ela ter encalhado no praia de Capão Novo/RS. Horas depois, novo encalhe.

A pergunta que fica: ela está morrendo porque encalhou ou encalhou para morrer?

Será que os esforços para devolvê-la a mar estão indo contra o desfecho inevitável da natureza? Ouvi um biólogo falando que - ao se encontrar uma baleia encalhada na areia e sem saber se ela tem algum problema - o que se faz é para que retorne ao mar.

Se volta, é porque não está bem.

MAis sobre o caso aqui.

segunda-feira, março 15, 2010

Para Lula, greve de fome sempre foi teatro*

Nosso Guia, ou Grande Mestre, como diz a comissária Rousseff, comparou as razões dos dissidentes cubanos que fazem greve de fome às dos delinquentes das prisões nacionais. O aspecto autoritário, intolerante e até mesmo servil da fala de Lula já foi universalmente exposto, mas resta um detalhe: a natureza farsesca de seu próprio recurso à greve de fome. Em 1980, quando penou 31 dias de cadeia que ajudaram-no a embolsar pelo Bolsa-Ditadura um capital capaz de gerar mais de R$ 1 milhão, Lula fez quatro dias de greve de fome. Apanhado escondendo guloseimas, reclamou: "Como esse cara é xiita! O que é que tem guardarmos duas balinhas, companheiro?".

Em 1998, quando os sequestradores do empresário Abilio Diniz fizeram greve de fome na cadeia, Lula ligou para o presidente Fernando Henrique Cardoso e intercedeu por eles: "Olha, Fernando, você vai levar para a tua biografia a morte desses caras".

(Dar o mesmo telefonema para Raúl Castro, nem pensar.)

Nesse mesmo ano, quando Lula sentiu-se massacrado pelas denúncias de intimidades imobiliárias com o empresário Roberto Teixeira, saiu em busca de apoios e disse que cogitava fazer uma greve de fome. Não fez, e tanto ele como Teixeira alimentam-se bem até hoje.

Recordar é viver. Em plena ditadura, o presidente Ernesto Geisel foi confrontado por uma greve de fome de 33 presos políticos da Ilha Grande que reivindicavam transferência para o continente. Quando o jejum estava no 14 dia, Geisel capitulou: "Ceder a uma greve de fome é duro, mas eu prefiro ceder."

* Por Elio Gaspari
Correio do Povo
14/03/2010

(Os grifos são de responsabilidade do autor desse blog)

sábado, março 13, 2010

A Cuba que o PT não quer ver

Why have they brought us to this point? How can they close all the paths of dialog, debate, healthy dissent and necessary criticism? When this kind of protest, a protest of empty stomachs, happens in a country we have to question whether they have left citizens any other way to show their lack of consent. Fariñas knows they will never give him one minute on the radio, that his voice cannot rise up, without penalty, in a public place. Refusing to eat was the way he found to show the desperation and despair of living under a system that gags and masks his most important “conquests.”

Para ler mais, aqui.

Até.

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Caros generais, almirantes e brigadeiros

Por MARCELO RUBENS PAIVA

Eu ia dizer "caros milicos". Não sei se é um termo ofensivo. Estigmatizado é. Preciso enumerar as razões?

Parte da sociedade civil quer rever a Lei da Anistia. Sugeriram a Comissão da Verdade, no desastroso Programa Nacional de Direitos Humanos, que Lula assinou sem ler. Vocês ameaçaram abandonar o governo, caso fosse aprovado.

Na Argentina, Espanha, Portugal, Chile, a anistia a militares envolvidos em crimes contra a humanidade foi revista. Há interesse para uma democracia em purificar o passado.

Aqui, teimam em não abrir mão do perdão. E têm aliados fortes, como o presidente do Supremo, Gilmar Mendes, e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, que apesar de civil apareceu num patético uniforme de combate na volta do Haiti. Parecia um clown.

Vocês pertencem a uma nova geração de generais, almirantes, tenentes-brigadeiros. Eram jovens durante a ditadura. Devem ter navegado na contracultura, dançado Raul Seixas, tropicalistas. Usaram cabelos compridos, jeans desbotados? Namoraram ouvindo bossa nova? Assistiram aos filmes do Cinema Novo?

Sabemos que quem mais sofreu repressão depois do Golpe de 64 foram justamente os militares. Muitos foram presos e cassados. Havia até uma organização guerrilheira, a VPR, composta só por militares contra o regime.

Por que abrigar torturadores? Por que não colocá-los num banco de réus, um Tribunal de Nuremberg? Por que não limpar a fama da corporação?

Não se comparem a eles. Não devem nada a eles, que sujaram o nome das Forças Armadas. Vocês devem seguir uma tradição que nos honra, garantiu a República, o fim da ditadura de Getúlio, depois de combater os nazistas, e que hoje lidera a campanha no Haiti.

Sei que nossa relação, que começou quando eu tinha 5 anos, foi contaminada por abusos e absurdos. Culpa da polarização ideológica da época.

Seus antecessores cassaram o meu pai, deputado federal de 34 anos, no Golpe de 64, logo no primeiro Ato Institucional. Pois ele era relator de uma CPI que investigava o dinheiro da CIA para a preparação do golpe, interrogou militares, mostrou cheques depositados em contas para financiar a campanha anticomunista. Sabiam que meu pai nem era comunista?

Ele tentou fugir de Brasília, quando cercaram a cidade. Entrou num teco-teco, decolou, mas ameaçaram derrubar o avião. Ele pousou, saltou do avião ainda em movimento e correu pelo cerrado, sob balas.

Pulou o muro da embaixada da Iugoslávia e lá ficou, meses, até receber o salvo-conduto e se exilar. Passei meu aniversário de 5 anos nessa embaixada. Festão. Achávamos que a ditadura não ia durar. Que ironia...

Da Europa, meu pai enviou uma emocionante carta aos filhos, explicando o que tinha acontecido. Chamava alguns de vocês de "gorilas". Ri muito quando a recebi.

Ainda era 1964, a família imaginava que fosse preciso partir para o exílio e se juntar na França, quando ele entrou clandestinamente no Brasil.

Num voo para o Uruguai, que fazia escala no Rio, pediu para comprar cigarros e cruzou portas, até cair na rua, pegar um táxi e aparecer de surpresa em casa. Naquela época, o controle de passageiros era amador.

Mas veio a luta armada, os primeiros sequestros, e atuavam justamente os filhos dos amigos e seus eleitores - ele foi eleito deputado em 1962 pelos estudantes.

A barra pesou com o AI-5, a repressão caiu matando, e muitos vinham pedir abrigo, grana para fugir. Ele conhecia rotas de fuga. Tinha um aviãozinho. Fernando Gasparian, o melhor amigo dele, sabia que ambos estavam sendo seguidos e fugiu para a Inglaterra. Alertou o meu pai, que continuou no País.

Em 20 de janeiro de 1971, feriado, deu praia. Alguns de vocês invadiram a nossa casa de manhã, apontaram metralhadoras. Depois, se acalmaram. Ficamos com eles 24 horas. Até jogamos baralho. Não pareciam assustadores. Não tive medo. Eram tensos, mas brasileiros normais.

Levaram o meu pai, minha mãe e minha irmã Eliana, de 14 anos. Ele foi torturado e morto na dependência de vocês. A minha mãe ficou presa por 13 dias, e minha irmã, um dia.

Sumiram com o corpo dele, inventaram uma farsa (a de que ele tinha fugido) e não se falou mais no assunto.

Quando, aos 17 anos, fui me alistar na sede do 2º Exército, vivi a humilhação de todos os moleques: nos obrigaram a ficar nus e a correr pelo campo. Era inverno.

Na ficha, eu deveria preencher se o pai era vivo ou morto. Na época, varão de família era dispensado. Não havia espaço para "desaparecido". Deixei em branco.

Levei uma dura do oficial. Não resisti: "Vocês devem saber melhor do que eu se está vivo." Silêncio na sala. Foram consultar um superior. Voltaram sem graça, carimbaram a minha ficha, "dispensado", e saí de lá com a alma lavada.

Então, só em 1996, depois de um decreto-lei do Fernando Henrique, amigo de pôquer do meu pai, o Governo Brasileiro assumiu a responsabilidade sobre os desaparecidos e nos entregou um atestado de óbito.

Até hoje não sabemos o que aconteceu, onde o enterraram e por quê? Meu pai era contra a luta armada. Sabemos que antes de começarem a sessão de tortura, o brigadeiro Burnier lhe disse: "Enfim, deputadozinho, vamos tirar nossas diferenças."

Isso tudo já faz quase 40 anos. A Lei da Anistia, aprovada ainda durante a ditadura, com um Congresso engessado pelo Pacote de Abril, senadores biônicos, não eleitos pelo povo, garante o perdão aos colegas de vocês que participaram da tortura.

Qual o sentido de ter torturadores entre seus pares? Livrem-se deles. Coragem.

*Publicado em "O Estado de S.Paulo" de 30 de janeiro de 2010.

terça-feira, janeiro 26, 2010

Ruínas que Falam

Esse é o vídeo final sobre a experiência no Haiti pós-terromoto, produzido pelo meu irmão e fotógrafo Glberto Tadday e o repórter Diego Escosteguy para a revista Veja, direto de Porto Príncipe. Eles retornaram no final de semana para suas casas, mas o drama do povo haitiano vai continuar por um longo tempo.



Até.

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Ainda no Haiti (2)

Mais um vídeo produzido pelo repórter Diego Escosteguy e pelo meu irmão, Gilberto Tadday, diretamente de Porto Príncipe.




Até.

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Ainda no Haiti

Vídeo produzido pelo repórter Diego Escosteguy e pelo Gilberto Tadday (meu irmão) direto de Porto Príncipe.

terça-feira, janeiro 19, 2010

No Haiti

gilberto_tadday
O meu irmão e fotógrafo Gilberto Tadday (E) e o repórter Diego Escosteguy estão
enviando notícias desde a semana passada de Porto Príncipe, onde fazem a
cobertura do pós-terremoto no Haiti.


Esse blog acompanha atento os acontecimentos.

Até.

terça-feira, outubro 20, 2009

Na sala de aula

Longo dia de viagem, trabalho, aula e aula.

Sábado tem mais.

Vida de professor não é fácil...

Até.

terça-feira, outubro 13, 2009

Notícias

Envergonhado, digo que volto a esse espaço em breve, o mais breve possível, inclusive voltando a cozinhar uma Sopa no próximo final de semana, quando vou contar como foiminha primeira vez, se tudo correr bem.

Ainda me readaptando ao fuso e à nova rotina.

Sono, muito sono.

Até.

terça-feira, junho 16, 2009

Rapidinha

Vou até ali, São Paulo, e já volto.

E não é por causa de futebol, não.

Até.

terça-feira, junho 02, 2009

O Avião

Sentimentos contraditórios com relação ao acidente com o avião da Air France.

O primeiro, claro, de consternação e sentimento por aqueles que perderam familiares, colegas e amigos, por famílias que choram seus entes queridos. Imagino o quão traumático e sofrido é perder alguém próximo dessa forma, subitamente. Além desse sentimento, sinto uma certa proximidade com a situação.

Por ter saído do Brasil, ter pessoas conhecidas a bordo (cirurgião famoso em Porto Alegre, professor de uma das faculdades de medicina, assisti aulas suas há muitos anos), por ser uma rota, Brasil-França, que já fiz algumas vezes e devo fazer em breve, por ser de uma companhia aérea acima de qualquer suspeita, todos ese fatores aproximam o ocorrido do meu universo particular. Tragédias desse sempre nos tocam, de alguma maneira.

Mas confesso que nutro outros tipo sensações com relação ao corrido, e a todos os acidentes aéreos: não me conformo com toda a mídia e a comoção que os cercam, enquanto os mortos no trânsito - número infinitamente maior - já nem são mais notícia. Os mortos no trânsito no Brasil anualmente encheriam muitos e muitos aviões. Sem falar na cobertura da imprensa, que em geral me parece mórbida e exagerada.

Sem falar nas típicas reportagens do tipo "perdeu o avião e se salvou".

Essas são as piores. Sempre vai ter alguém que não embarcou por uma ou outra razão. Todos nós poderíamos ter embarcado e não o fizemos, pelas mais diferentes razões. Como dizia um grande amigo, "nesse caso, quase é nada".

De qualquer forma, foi uma tragédia e todos sentimos.

Outra hora, de forma menos séria, falo sobre minhas teorias sobre aviação.

Até.

terça-feira, maio 05, 2009

H1N1 Flu (Swine Flu) and You

What is H1N1 (swine flu)?

H1N1 (referred to as “swine flu” early on) is a new influenza virus causing illness in people. This new virus was first detected in people in the United States in April 2009. Other countries, including Mexico and Canada, have reported people sick with this new virus. This virus is spreading from person-to-person, probably in much the same way that regular seasonal influenza viruses spread.

Why is this new H1N1 virus sometimes called “swine flu”?

This virus was originally referred to as “swine flu” because laboratory testing showed that many of the genes in this new virus were very similar to influenza viruses that normally occur in pigs in North America. But further study has shown that this new virus is very different from what normally circulates in North American pigs. It has two genes from flu viruses that normally circulate in pigs in Europe and Asia and avian genes and human genes. Scientists call this a “quadruple reassortant” virus.

Is this new H1N1 virus contagious?

CDC has determined that this new H1N1 virus is contagious and is spreading from human to human. However, at this time, it is not known how easily the virus spreads between people.

How severe is illness associated with this new H1N1 virus?

It’s not known at this time how severe this virus will be in the general population. CDC is studying the medical histories of people who have been infected with this virus to determine whether some people may be at greater risk from infection, serious illness or hospitalization from the virus. In seasonal flu, there are certain people that are at higher risk of serious flu-related complications. This includes people 65 years and older, children younger than five years old, pregnant women, and people of any age with chronic medical conditions. It’s unknown at this time whether certain groups of people are at greater risk of serious flu-related complications from infection with this new virus. CDC also is conducting laboratory studies to see if certain people might have natural immunity to this virus, depending on their age.

What can I do to protect myself from getting sick?

There is no vaccine available right now to protect against this new H1N1 virus. There are everyday actions that can help prevent the spread of germs that cause respiratory illnesses like influenza.

Take these everyday steps to protect your health:

* Cover your nose and mouth with a tissue when you cough or sneeze. Throw the tissue in the trash after you use it.
* Wash your hands often with soap and water, especially after you cough or sneeze. Alcohol-based hand cleaners are also effective.
* Avoid touching your eyes, nose or mouth. Germs spread this way.
* Try to avoid close contact with sick people.
* Stay home if you are sick for 7 days after your symptoms begin or until you have been symptom-free for 24 hours, whichever is longer. This is to keep from infecting others and spreading the virus further.

In adults, emergency warning signs that need urgent medical attention include:

* Difficulty breathing or shortness of breath
* Pain or pressure in the chest or abdomen
* Sudden dizziness
* Confusion
* Severe or persistent vomiting
* Flu-like symptoms improve but then return with fever and worse cough



More information here.

sábado, maio 02, 2009

Influenza A(H1N1) - update 9

2 May 2009 -- The situation continues to evolve. As of 06:00 GMT, 2 May 2009, 15 countries have officially reported 615 cases of influenza A(H1N1) infection.

Mexico has reported 397 confirmed human cases of infection, including 16 deaths. The 241 rise in cases from Mexico compared to 23:30GMT of 1 May reflects ongoing testing of previously collected specimens. The United States Government has reported 141 laboratory confirmed human cases, including one death.

The following countries have reported laboratory confirmed cases with no deaths - Austria (1), Canada (34), China, Hong Kong Special Administrative Region (1), Denmark (1), France (1), Germany (4), Israel (2), Netherlands (1), New Zealand (4), Republic of Korea (1), Spain (13), Switzerland (1) and the United Kingdom (13).

Further information on the situation will be available on the WHO website on a regular basis.

WHO advises no restriction of regular travel or closure of borders. It is considered prudent for people who are ill to delay international travel and for people developing symptoms following international travel to seek medical attention, in line with guidance from national authorities.

There is also no risk of infection from this virus from consumption of well-cooked pork and pork products. Individuals are advised to wash hands thoroughly with soap and water on a regular basis and should seek medical attention if they develop any symptoms of influenza-like illness.

quinta-feira, abril 30, 2009

Influenza A(H1N1) - update 6

30 April 2009 -- The situation continues to evolve rapidly. As of 17:00 GMT, 30 April 2009, 11 countries have officially reported 257 cases of influenza A (H1N1) infection.

The United States Government has reported 109 laboratory confirmed human cases, including one death. Mexico has reported 97 confirmed human cases of infection, including seven deaths.

The following countries have reported laboratory confirmed cases with no deaths - Austria (1), Canada (19), Germany (3), Israel (2), Netherlands (1), New Zealand (3), Spain (13), Switzerland (1) and the United Kingdom (8).

Further information on the situation will be available on the WHO website on a regular basis.

WHO advises no restriction of regular travel or closure of borders. It is considered prudent for people who are ill to delay international travel and for people developing symptoms following international travel to seek medical attention, in line with guidance from national authorities.

There is also no risk of infection from this virus from consumption of well-cooked pork and pork products. Individuals are advised to wash hands thoroughly with soap and water on a regular basis and should seek medical attention if they develop any symptoms of influenza-like illness.


Mais informações aqui e aqui (em português).

Até.