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sábado, maio 23, 2026

Sábado (e eu, multimídia...)

 

Podcast da AMHSL


Está no ar o primeiro episódio do Podcast da AMHSL, Associação dos Médicos do Hospital São Lucas da PUCRS, que tenho a honra de apresentar / moderar. Vamos conversar com professores, colegas e amigos que fizeram e fazem a história da Associação, do São Lucas, da Escola de Medicina, da PUC e, também, da medicina gaúcha e brasileira.

Está bem legal.

Confere aqui.

Bom sábado a todos.



quinta-feira, julho 24, 2025

Pensamento Mágico

Perdemos.

 

E agora não tem mais volta, já há um bom tempo ultrapassamos o ponto de onde não há mais retorno. Temos, então, de viver com as consequências de nossas omissões, principalmente.

 

Os antivacinas, os pseudocientistas, os ortomoleculares, os adeptos dos tratamentos alternativos sem evidências científicas, prescritores de soroterapias, de enemas de café e de ozônio, de infusões de vitaminas que apenas colorem a urina, os que cobram caro por atendimentos cujo pagamento deve ser feito muito antes da consulta, os que pedem exames sem nenhuma indicação, os famosos de redes sociais e suas dancinhas, os que prometem milagres sem terem como entregar, não ser a mágica de tirar dinheiro fácil dos incautos. Eles venceram, e o sinal está fechado para nós, que somos sérios.

 

Parece uma queixa de alguém magoado, ressentido?

 

Não é, afirmo peremptoriamente.

 

É uma constatação de alguém que muitas vezes, quase que diariamente, passa boa parte do tempo de consulta tentando desfazer falsas crenças sobre saúde e tratamentos. Cansa fazer isso? Algumas vezes, sim. Só que não há o que fazer, a não ser seguir.

 

Sou de uma geração anterior às redes sociais, quando já lutávamos contra os mitos que eram disseminados no boca a boca, em progressão aritmética. Hoje, com os Tik Toks e Instagrams da vida, uma bobagem dita, mas editada e com uma dancinha, atinge milhares, se não milhões de pessoas. É assim, e não podemos fazer nada, paciência (percebi que peço muito, que preciso de muita paciência...).

 

As pessoas querem se iludir, querem soluções mágicas e simples. A vida não é assim, lamento. O jeito é seguir fazendo o meu trabalho diário, procurando orientar e tratar bem as pessoas.

 

Até.

sexta-feira, maio 23, 2025

Finalmente

Eu me formei há trinta anos, mas só me tornei médico de verdade há não muito tempo, devo dizer. E tenho sido cada vez mais médico, afirmo com convicção.

 

Mesmo que eu não seja “apenas” médico.

 

Ser médico não é pouca coisa, assim como não é pouca coisa ser engenheiro, dentista, advogado, músico, poeta, ou qualquer outra atividade humana que requer dedicação e empenho para se alcançar domínio e habilidade. Por isso respeito qualquer profissão e, mais, qualquer ocupação. É o lance de que todas são importantes, todas são relevantes (e todas deveriam ser remuneradas adequadamente, mas não é o foco dessa discussão). 

 

Sabendo que ser médico não é pouco, e conhecendo tudo o que é necessário para exercer esse ofício, toda a longa trajetória para tornar-me um, mesmo assim nunca me imaginei sendo somente médico, e coloca-se aspas no ‘somente’. Achava que poderia ser mais, fazer mais. 

 

Provavelmente por isso, por querer deixar possibilidades em aberto, potenciais vias alternativas à disposição para uma possível mudança radical de rota, demorei a me dedicar como deveria a ser médico, no sentido de procurar fazer mais do que o trivial, se é que me entendem. Sempre estive a um passo de mudar, de saltar fora. E por isso, à época, o meu crescimento profissional estava limitado, responsabilidade minha. Demorei a “deslanchar” na profissão.

 

Houve um momento de virada, uma mudança de foco e perspectiva e houve um crescimento exponencial, que me levou a lugares que eu não imaginava em termos profissionais. Foi muito legal. Acumulei funções e atividades diversas, ocupando meu tempo em sua quase totalidade. Deslocamentos e viagens frequentes. Roda viva. Pouco tempo para ser médico mesmo, vendo pacientes.

 

Até que ocorreu um movimento de retração, como parte do ciclo de expansão e retração que é a vida, o que coincidiu com a pandemia, e reduzi muito a diversidade de funções que exercia. Passei um tempo, então, como médico apenas, meu consultório, os pacientes e eu. E foi bom. E melhorou com o passar do tempo, mesmo que eu tenha uma vez mais assumido/acumulado novas funções. Cada dia me via mais médico. E quando eu me tornei mais médico do que jamais fora antes, surgiu o momento de expandir meu mundo para além da medicina. Assim o fiz, e ainda faço e - veja só - vou fazer mais. 

 

O medo surgiu de que eu pudesse estar me retraindo, me tornando menos médico, ou me dedicando menos, ou me interessando menos pela medicina. Confesso que houve a dúvida, em mim e imaginei que na percepção que os outros poderiam ter da minha relação com o fato de ser médico.

 

Não tenho mais.

 

Qualquer dúvida se dissipou quando me percebi em uma sexta-feira final da tarde explicando o tratamento da asma para um paciente, e escrevendo e desenhando para melhor entendimento, e saindo do consultório feliz por ter esclarecido o paciente e o ajudado, e ajudado e confortado outros.

 

Como disse, nunca fui tão médico quanto hoje, quando também sou empreendedor, escritor e músico. E mais ainda, o que um dia desses eu conto...


Até. 

terça-feira, dezembro 17, 2024

Trinta Anos

Eu nunca imaginei ser médico.

 

Não era um sonho de infância, daqueles que são motivo de redação na escola com título ‘O Vou Ser Quando Crescer’. Não, nada disso, ou pelo contrário. Queria ser jornalista. Desde que caiu em minhas mãos o ‘Manual do Peninha’, da Editora Abril, que contava a história do jornalismo, os primeiros repórteres, os paparazzi, as técnicas de reportagem, grandes jornalistas e outros, a partir dessa leitura, e junto com minha paixão pela leitura e pela escrita, era isso que eu queria fazer.

 

Jornalismo. E escrever.

 

Não tinha referências médicas no dia a dia da família. Meu avô materno, Gustavo, havia sido médico, mas morrera quando eu tinha sete anos. Lembro de seu escritório na casa de meus avós em Montenegro/RS, e o fascínio pela sua biblioteca, que eu considerava um tesouro a ser desvendado. 

 

Anos após sua morte, houve uma homenagem a ele no Hospital Montenegro, com sua foto incluída numa galeria de médicos ilustres do hospital, e estivemos lá. Chamou minha atenção, mas só. Até que fui me inscrever no curso pré-vestibular, ainda no final do segundo ano do que hoje se chama Ensino Médio e, na hora me marcar opção de curso, marquei medicina, assim, meio que do nada. 

 

Virei alguém que seria médico.

 

Ou não.

 

Pois passei todo o ano preparatório para o vestibular na dúvida entre jornalismo e medicina. Acabei “resolvendo” a questão afirmando para mim mesmo que não precisava ser jornalista para ser escritor, e fui fazer prova para medicina. Passei no primeiro vestibular, e entrei na Medicina da PUCRS. Com dezesseis anos, que completaria já cursando.

 

O “conflito” não acabou aí, claro.

 

Passei boa parte do curso com a ideia de que eu era um estranho, “um cara de humanas na medicina”, o que – olhando para trás – não é nada estranho, pois a medicina requer muito de humanidade e humanidades, então estava em casa, apesar de ter levado um bom tempo para entender completamente isso. Assim como levei um bom tempo para me entender completamente em termos profissionais, porque sempre parecia que precisava ter um plano B, ou rota de fuga, caso descobrisse tardiamente que havia feito alguma escolha errada. 

 

Vai que eu quisesse fazer cinema?

 

Até que percebi que as coisas são mais simples do que eu fazia parecer para mim. E que sou cem por cento médico, mesmo que faça outras coisas, e agora realmente faço, nada diminui minha dedicação à minha profissão, que é parte de quem sou.

 

Tudo isso para lembrar que hoje, 17 dezembro, completo 30 anos de formatura. Parabéns para mim e para os colegas e amigos da ATM94 da PUCRS.


Até. 

sexta-feira, novembro 15, 2024

Histórias de Consultório (3)

O Fantasma do Moinhos.

 

Uma paciente já de alguns anos, que havia iniciado acompanhamento comigo em uma avaliação preparatória para uma cirurgia bariátrica que nunca aconteceu, e que – por ser portadora de asma - acabou ao longo do tempo se tornando minha paciente e amiga. Como vive sozinha, acaba passando longos períodos do ano morando na França, em Paris. Por já ser bem conhecida minha, muitas vezes faço orientações por mensagens e ligações telefônicas.

 

Ao longo do tempo, desenvolveu um quadro de artrose em ombro (e escrevo isso com o fantasma da dor em meu ombro esquerdo pairando sobre mim) que foi agravando a ponto de ser indicada a colocação de uma prótese, procedimento esse realizado na metade desse ano no Hospital Moinhos de Vento. O procedimento em si ocorreu sem intercorrências, mas o pós-operatório foi complicado por uma queda na oxigenação dela e por dores, atrozes, na versão que ela contou. Por isso, foi medicada com altas doses de morfina e também do canabidiol que utiliza para o seu quadro, diz que ficou muito tempo meio ”fora do ar”. 

 

Devido às complicações clínicas que teve, um médico internista foi chamado para avaliá-la e orientar o tratamento. Em virtude dos horários complicados de quem faz internação, provavelmente por isso esse internista ia vê-la diariamente em horários alternativos, normalmente à noite, quando havia pouco movimento na UTI. 

 

Devido ao efeito das medicações, e pelo fato de estar em uma UTI, a noção de tempo havia sido perdida, e como o médico – ao vê-la – mais ouvia o que ela tinha a dizer do que falava alguma coisa, ela se convenceu que era um fantasma quem a visitava durante às noites do hospital. Criou (criamos, na consulta) uma narrativa que envolvia um antigo médico alemão que havia morrido solitário muitos anos antes e hoje circulava à noite pelos corredores do Moinhos de Vento, o hospital, conversando com os pacientes, buscando e levando conforto a quem precisasse, a quem estivesse se sentindo só, desamparado. 

 

Ficou sinceramente decepcionada quando descobriu a verdade.

 

Eu também fiquei, eu também fiquei.


Até. 

sexta-feira, novembro 08, 2024

Histórias de Consultório (2)

A verdade virá à tona.


Em breve.

 

Uma primeira consulta havia sido marcada para o ano de 2022, mas essa paciente nunca apareceu, e nem justificou a ausência. Tudo certo, paciência.


Após dois anos, marca novamente.

 

Chega no consultório, e enquanto preenche o cadastro e faz as burocracias do convênio, a Bete, secretária, comenta com ela sobre a consulta agendada dois anos antes e não comparecida. A paciente pergunta se “vai me cobrar a consulta que eu não vim?”, assim com certo grau de agressividade. Logo após, pede para usar o banheiro, e fica ofendida ao ouvir que deverá usar o do Centro Clínico, porque o do consultório está em manutenção. “Como assim, como vocês fazem?”, pergunta. Ouvindo isso, quase respondi que uso fraldas, mas achei melhor não...

 

Iniciei a consulta da forma que inicio todas as consultas, me apresentando e fazendo algumas perguntas iniciais como parte da anamnese. Quando perguntei a ela se fumava atualmente ou havia fumado alguma vez, sua resposta antecipou o que viria pela frente. Disse ela que “Não fumo, não bebo, e não faço vacinas”. 

 

Foi dizer isso justamente para mim...

 

Com toda educação e calma do mundo, tentei explicar que as vacinas eram importantes, seguras, no que ela me disse que as vacinas estavam matando pessoas, e que havia “pesquisado”, fazendo o gesto de digitar algo, indicando que havia “pesquisado” na internet. Vi que era uma causa perdida, que não a demoveria da ideia, o melhor seria prosseguir a consulta. Apenas disse a ela que eu achava um crime o que os anti-vax haviam cometido lhe passando essas falsas informações.

 

Ela me respondeu que a verdade viria à tona muito em breve, que aqueles que defendiam vacinas eram os verdadeiros criminosos e que, se eu as defendia, eu certamente era parte do esquema/sistema... Foi esse o momento em que a fronteira foi transposta, o limite foi ultrapassado. Não havia mais o que fazer.

 

Com toda a educação do mundo disse a ela que – infelizmente – naquelas condições eu não tinha mais condições de atendê-la, pois estávamos em um impasse, e ela acabara de me acusar de algo muito grave. A relação médico-paciente havia sido quebrada. Ela disse que tudo bem, iria na médica que havia solicitado os exames que trazia consigo, que tinha marcado comigo apenas para “adiantar” as consultas. Além disso, disse que muito em breve “a verdade será revelada”, e que “o mundo não perde por esperar...”.

 

Respirei aliviado quando ela foi embora.

 

Foi a segunda vez, em 30 anos de medicina, que disse que não tinha condições de atender um paciente eletivamente. A outra havia sido quando – em situação parecida, atendendo um professor de jiu-jitso – perguntei a ele se fumava, cigarros ou outros dispositivos, ou outras substâncias, e ele me respondeu:

 

“Não vou te dizer, não te conheço...”.

 

O que dizer depois disso?


Até. 

segunda-feira, outubro 07, 2024

A Semana

Semana de trabalho bem curta. 

Atendo hoje no consultório e amanhã viajo para um congresso médico, onde estarei até o final de semana. Em virtude das (ainda) dificuldades com o aeroporto de Porto Alegre, e por ser em Florianópolis o congresso, vou com o meu carro ao invés de pegar um voo até São Paulo para uma conexão antes de rumar ao sul até a capital de Santa Catarina. Levo menos tempo de carro, a ainda curto a road trip

 

Volto a um congresso médico depois de um ano em que estive aparentemente dividindo a minha atenção entre a medicina (minha ocupação principal) e a música, como (acho que posso dizer) músico e empreendedor. Nunca fui tão médico quanto sou agora, já disse aqui mais de uma vez, mas sei que muitos não me veem assim.

 

Ou, talvez, esse questionamento, essa impressão, diga mais de mim do que dos outros, que provavelmente não estão nem aí para o quê eu sou ou faço.

 

Sei lá.

 

Até.

quinta-feira, abril 04, 2024

Estou abandonando a Medicina?

Não. 

Mais, posso dizer – peremptoriamente - que as atividades “paralelas” nas quais estou envolvido, sendo a música – como um dos sócios da School of Rock Benjamin POA – a que mais tem tido destaque em minhas redes sociais, que é a principal forma com a qual boa parte das pessoas que não convive conosco no dia a dia acaba acompanhando o que acontece em nossas (minha) vidas, essas atividades ditas paralelas à medicina acabam por me tornar um médico melhor. Uma atividade alimenta a outra. Ou as outras, mas isso é outra conversa.

 

Nunca fui tão médico como sou agora (e tenho sido nos últimos anos), e vou continuar sendo. Trabalho, estudo, me atualizo na medicina com ainda mais entusiasmo que antes.

 

O contato com a arte nos torna pessoas melhores.

 

É isso.

 

Até.

 

segunda-feira, julho 12, 2021

A Sopa

 Parei de contar os dias de pandemia.

 

Estamos no segundo ano, e aqui no Sul do Mundo, após o inferno que foi o mês de março de 2021, com o grande pico de infecções e internações, com o quase colapso do sistema de saúde, vivemos agora um momento mais tranquilo. À medida que a vacinação avança, a situação melhora, mesmo que lentamente.

 

Não podemos baixar a guarda, contudo.

 

Todos os cuidados que tínhamos, devem ser mantidos, para que tudo possa terminar o quanto antes. Máscaras, distanciamento, evitar aglomerações, tudo faz parte do que temos que seguir fazendo para que possamos avançar. E seguir as recomendações que são baseadas em evidências científicas, que são embasadas em estudos realizados, e bem realizados.

 

Temos visto, neste cerca de um ano e meio de pandemia, que muitos, por mais preparados que sejam, por mais estudados que sejam, no momento em que estamos frente a um desafio gigante (o que tem sido esse tempo) portam-se como o marinheiro que – ao ver um problema na embarcação -  sai correndo de um lado a outro gritando “vamos morrer, vamos morrer”, quando o que ele deveria fazer era se utilizar de seu conhecimento e de seu treinamento para propor soluções, para ajudar. Já falei disso: entendo a angústia, mas, antes de mais nada, não podemos prejudicar aqueles que buscam nossa ajuda prescrevendo tratamentos sem comprovação, ou – pior – que podem causar mais mal que bem.

 

E tem se visto coisa, posso dizer.

 

De qualquer forma, devemos tentar manter o juízo crítico e o bom senso em meio a dias confusos.

 

De novo, vai passar

 

#

 

Não só isso: parece, em determinados casos, que voltamos no tempo, quando tínhamos pouco conhecimento sobre o mundo. A ciência avançou muito nos últimos anos, e a descoberto/criação de vacinas em tão pouco tempo é uma prova disso. Nunca estivemos tão preparados – por paradoxal que possa parecer – para lidar com uma situação dessas como agora. Por isso a minha convicção de que vamos superar isso em breve. E vem desse fato também a minha surpresa com ter ouvido colegas comentarem – há quase um ano, ao saber que eu havia sido voluntário para o estudo de uma das vacinas – que esperariam “porque a vacina foi criada em muito pouco tempo...”, como se estivéssemos em 1950!

 

Fingi que não ouvi, não valia a pena discutir.

 

Quem sabe procurassem um pajé naquele momento.

 

Vai saber.

 

Até.

segunda-feira, março 16, 2020

Crônicas de uma Pandemia - Primeiro Dia

O primeiro dia.

Não é o primeiro dia de verdade, porque o que era epidemia lá no oriente distante há pouco tempo, agora é pandemia e está aí, quase batendo em nossas portas. Mas é, por outro lado, sim, o primeiro dia em que estamos, todos, aqui no Sul do Mundo, preocupados e adaptando ou, melhor, tentando adaptar nossas vidas ao cenário que se avizinha.

Sou médico. Pneumologista.

Em outras palavras, estou na linha de frente do que vem por aí, ou do que parece que vem por aí. E esse é um problema: ninguém sabe como será quando começarem os casos de disseminação local do coronavírus. E nesse momento, a imagem é que seríamos os bombeiros à espera do grande incêndio, que certamente virá.

E, como um colega disse, bombeiro não tem medo de incêndio.

Mas eu falava que – aqui no Sul do Mundo – hoje foi o primeiro dia em que realmente iniciaram as medidas para tentar conter a disseminação do vírus. Escolas e Universidades anunciaram cancelamento de aulas e atividades acadêmicas por iniciais quinze dias, hospitais começam a restringir cirurgias não urgentes, atendimentos ambulatoriais e circulação de visitantes. As recomendações de distanciamento social tornaram-se mais incisivas.

Antecipando-nos a isso, e por saber que serei um risco para outros por estar exposto (mesmo que não atenda emergências) a pacientes com sintomas respiratórios (minha especialidade, afinal de contas), tiramos o final de semana para encontrar meus sogros e visitar meus pais, e orientar que fiquem em casa o máximo possível, e – sim – nos despedir dos encontros presenciais por um certo período.

O vírus é extremamente transmissível e, se num caso individual, de um jovem saudável, as chances de complicações são mínimas, em idosos e com doenças associadas, esse risco é bem significativo. Devemos reduzir o máximo possível esse risco, e a distância (o não contato pessoal) é a melhor forma de fazer isso. Proteção acima de tudo.

Apesar da tensão que vivemos, não devemos entrar em pânico.

A histeria não ajuda em nada e só piora as coisas.

É o que tenho tentado (sem muito sucesso, confesso) evitar conversando e tentando orientar alguns colegas que estão mais apavorados. Entendemos as preocupações a angústias, mas devemos ser racionais. As medidas de proteção são claras, e exageros nesse momento passam a ideia de desespero. E não há razão para isso, e espero que não venha a acontecer.

Distanciamento social, a expressão do momento.

Não para mim, contudo. Preciso sair porque o fogo está chegando nos portões da cidade.

E bombeiro não tem medo de incêndio.

Até.

Sobre o Coronavirus

domingo, agosto 25, 2013

A Sopa 13/05

Final de semana de frio, chuva e muita umidade no sul do mundo.

Mais ou menos como me sinto nesse final de domingo. Desanimado não com a perspectiva da segunda-feira e da semana de trabalho, mas devido àquela sensação de frustração de olhar em volta, a cidade, o país, e começar a achar que as coisas, no final, não vão dar certo, por mais força que se faça. Que aquilo que no início eu falava olhando sério para o interlocutor, mas que sabia-se brincadeira pelo absurdo do que era dito, "há uma revolução em curso, estou estocando comida e comprei uma arma", começa a parecer nem tão absurdo assim.

Pode ser que esse olhar amargo sobre a vida seja só em virtude da chuva que cai incessantemente desde sexta à noite, mas que não impediu que fôssemos ao aniversário dos queridos amigos e parceiros de sempre Pedro e Maria José. Festa, aliás, que estava ótima. O repertório musical foi perfeito, e dançamos até quase o final da festa (mas só porque eu queria testar o meu joelho, só por isso...). O sábado foi de cansaço extremo e de receber a minha mãe no aeroporto, voltando de viagem, chegando do verão americano para o inverno nos pampas, cansada mas feliz ao ver a neta a esperando.

Foi um final de semana de ler posts no Facebook, compartilhar, responder, "curtir".

O assunto?

O mesmo dos últimos meses, claro, a sensação que estou chegando ao meu limite de tolerância. As pessoas tentando justificar o injustificável, e sendo desonestas - para dizer o mínimo - em seus argumentos. Utilizando-se de falsas informações para argumentar e defender o seu ponto de vista, desviando o assunto para não encarar os fatos.

Cansa.

Até a imprensa, que dizem ser contra o governo, fazendo-se ingênua, a última a saber: "O que?! O governo de Cuba fica com a maior parte do salário dos médicos que virão? Como é que ninguém disse nada antes?! Oh, meus deus!". Engraçado, não? Desde que começou a se falar em trazer médicos de lá, o que mais temos dito é exatamente isso, e vocês não ouviram? Em que mundo vocês vivem.

A última?

Virei xenófobo.

Por achar que todos os médicos formados no exterior, brasileiros ou estrangeiros, que venham trabalhar no Brasil deve ter o seu diploma revalidado no Brasil, como manda a lei, eu sou xenófobo. Por achar estranho que - de um dia para outro - o governo brasileiro consiga "importar", assim como quem importa sapatos ou computadores, 4.000 médicos de Cuba, que vão receber menos que os estrangeiros que vão vir para esse mesmo programa Mais Médicos do Ministro Diploma-Falso-de-Especialista Padilha, tornando esses médicos importados (que entram no cálculo a balança comercial de Cuba, assim como a exportação de charutos e o turismo) cidadãos de segunda-classe, mercadorias (já que chamar de trabalho escravo - que é o que ocorre - ofende alguns inocentes úteis do sistema), por tudo isso, virei xenófobo. Essa tentativa de lavagem cerebral, essa irracionalidade, não é falta de inteligência desses senhores, por mais incrível que pareça. É a cegueira ideológica, a velha ideia de que "nós somos os bons, e eles tem que pagar por isso". É parte de um plano, podem apostar.

Não podemos deixar isso prosseguir.

Mesmo cansado, mesmo sem paciência, não vou desistir.

Até.


quarta-feira, agosto 21, 2013

Médicas

A primeira coisa que li, logo cedo, ao acordar, foi com relação aos vetos da presidente à Lei do Ato Médico: haviam sido mantidos pelo congresso. No fundo, não surpreendeu. O que esperar de um legislativo corrupto, incompetente e manipulável? De onde menos se espera, daí é que não sai nada...

A vitória da ignorância sobre o bom senso. Da estupidez sobre a lucidez. Vitória do analfabetismo funcional.

O dia, dessa forma, começou cinza - independentemente da meteorologia. Seguiu assim por questões comezinhas relacionadas ao trabalho que também me tiraram o humor, num crescendo de indignação que me fez querer lutar boxe, ou outro esporte violento, para descarregar meu desconforto com as coisas, o mundo em geral. O almoço com uma querida amiga - encontro ao acaso - foi uma pausa agradável e a possibilidade de outros pontos de vista.

E sobre o SAMU?

O fato que é um senhor de 70 anos, com câncer, teve um mal súbito no meio da rua, no centro de Porto Alegre, ontem pela manhã. Acionado, o SAMU disse - através do médico regulador - que não havia ambulâncias disponíveis. Acontece que havia uma equipe de reportagem no local e acompanhou o caso por mais de vinte minutos e inclusive acionou, por telefone e sob a câmera, o polícia e o próprio SAMU. Quando o médico regulador foi chamado ao telefone, disse, em tom agressivo algo como "Já disse que não tem ambulância! Não tem. Ponto final!" e desligou. Tudo filmado e posteriormente mostrado e rede nacional.

O paciente? Depois desse tempo todo, levado ao hospital, infelizmente faleceu.

O médico foi afastado como culpado.

Todos só falam nisso, só apontam dedos para ele, o Judas. O secretário da saúde (de quem já ouvi dizerem que "não gosta de gente"), o Ministério Público e até o Conselho Regional de Medicina se manifestaram. 

Eu?

Sei que não é bem assim.

Primeiro, uma certeza: aquela ligação não foi a primeira para lá sobe o caso. Imagino que tenham ligado várias vezes e a falta de ambulâncias havia sido explicada em todas elas, orientações dadas. Naquela última vez, a filmada, o médico "estourou". Tenho certeza que foi assim. Nenhum médico regulador falaria daquele jeito na primeira vez que alguém liga, não é o padrão (sei porque já trabalhei lá, mesmo que por pouco tempo).

Nada justifica o modo com ele reagiu (apesar do parágrafo acima explicar).

E a falta de mais equipes e ambulâncias? É culpa de quem?

Como não era um acidente, o paciente poderia - na situação de não haver disponibilidade de ambulâncias - ser transportado para o hospital mais próximo em carro comum. Por que a equipe de reportagem, sabendo que o SAMU dizia não ter ambulâncias para enviar, estando com carro disponível, não se dispôs a transportá-lo a um hospital, ao invés de ficar filmando. Não tinha obrigação, claro, mas seria humano. Difícil se colocar nessa situação, não?

De novo, não se justifica a reação do médico, mas estou certo de que crucificar o médico não é o mais certo. É a corda estourando no lado mais fraco.

Até.




domingo, julho 28, 2013

Rescaldos do final de semana

A formatura da Medicina da UNISC, no sábado à noite, foi emocionante.

Tive a honra - sinceramente não esperada - de ser homenageado como professor. Minha vontade, ao ouvir o nome de cada formando ser chamado para receber o diploma, era de estar entre eles para pular e vibrar com todos. Como parte da mesa, queria abraçar e dar um beijo em cada um.

Claro que não consegui, e nem seria apropriado.

Também não pude dizer a cada um o enorme orgulho de ter feito parte da formação deles, por menor que tenha sido minha participação. Que podem contar comigo sempre que precisarem, como um amigo um pouco mais velho.

A noite de sábado, depois de não conseguir ir a todas as festas que gostaria de ter ido, foi de frio e tremores, antecipando o provável vírus que está chegando, e que - espero - que não me derrube.

Valeu, valeu.

Até.

sábado, julho 27, 2013

Sábado (e eles se formam...)

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Como não tenho foto com todos, minha pequena homenagem aos formandos...

Felicidades a todos!

Até.

sexta-feira, julho 26, 2013

Amanhã não vou ser eu

A sexta-feira começou atrasada por causa de um despertador não programado somado ao hábito de dormir tarde mesmo quando o trabalho requer despertar cedo do dia seguinte. Tudo bem, a rotina foi abreviada para dar tempo de fazer a rota da manhã. Tudo isso, toda a correria e pacientes acabam faltando e aparecer tempo para café, assinar documentos e chegar mais cedo no outro hospital, onde à tarde atenderia. Ambulatório de convênios pela manhã, consultório à tarde - hoje não foi dia de churrasco - e vendo paciente do SUS após, como sempre, DE GRAÇA, no amor à camiseta, feliz em ajudar.

Eu definitivamente gosto da sexta-feira.

Porque antecede o sábado de manhã, o melhor momento da semana.

E porque amanhã vamos - a Jacque e eu - para Santa Cruz do Sul no começo da tarde para a formatura da Medicina da UNISC. Além da alegria de ver tornarem-se médicos outra leva de alunos meus, de cuja formação tive ao menos um pequena parcela de responsabilidade, a felicidade de ser Professor Homenageado (pela primeira vez, justamente agora em que sou professor efetivo, concursado). Uma felicidade que não imaginei ter na vida, e que me dá a sensação de dever cumprido.

Não importa como me sinto. Amanhã é tudo deles e para eles, os formandos.

Em tempos em que o governo tenta desmerecer o trabalho médico, uma pausa para celebrar com eles a felicidade de terminarem essa etapa.

Até.

terça-feira, julho 23, 2013

Não Sou Profissional de Saúde.

Nunca fui.

Sou médico.

Peço licença para ficar em pé, olhar para frente e, com orgulho, reafirmar: sou médico!

Vamos parar com essa palhaçada de "profissionais da saúde". Não!

Somos médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos, assistentes sociais, técnicos de enfermagem, etc. Todos profissionais igualmente importantes em seus papéis, todos parte de uma equipe de saúde, todos com suas atribuições específicas. E ponto. Não fazemos parte de um saco de gatos, todos juntos e misturados, onde ninguém mais sabe o que realmente é. Isso é a ideia que estão tentando vender para a população.

Não somos iguais, só isso.

Diferentes. Não melhores ou piores do que ninguém.

O problema dessa ideia de que todos somos trabalhadores profissionais da saúde, sem nos (entre todos nós que trabalhamos com saúde) diferenciar, é que dá margem a todos se julguem no "direito" de encampar atividades que são peculiares, privativas, se quiserem, das outras especialidades. É o que está acontecendo com a discussão da Lei do Ato Médico.

Quem se manifesta contra - como já falei aqui outras vezes - é porque não leu ou não entendeu (e não sei o que é pior) o que diz o texto da lei. Ela só regulamenta o que já acontece há dezenas, centenas de anos. Mas na crença que "todos os profissionais da saúde são iguais" é que alguns idiotas se arvoram o direito de se meter onde não deveriam. Se cada um fizesse a sua parte, aquela para qual foi preparado e está habilitado, não haveria problema. Ou, melhor, seria um problema a menos no sistema de saúde.

Até.

sexta-feira, julho 05, 2013

O dia em que desisti

Hoje, sexta-feira.

Como normalmente acontece, atendo ambulatório em um dos hospitais universitários de Porto Alegre no período da manhã. A tarde é dedicada ao meu consultório, que fica em outro dos hospitais universitários de Porto Alegre. Muitas vezes, contudo, a tarde de atendimento é desmarcada para reuniões ou mesmo para ajudar no ambulatório do SUS do Centro de Obesidade onde também trabalho, atividade - no caso - não remunerada.

Atendi meus pacientes no consultório e, na metade da tarde, depois do prejuízo de uma paciente que marcou consulta, confirmou presença e não apareceu, deixei o consultório para ir ao Centro de Obesidade porque havia um paciente do SUS para eu atender. De novo, para não deixar dúvidas, de graça, sem ser remunerado por isso. Paciente grave, que lembrou Dickens (e meus alunos sabem por que), pude ajudá-lo. Orientei, fizemos um plano de tratamento, programamos uma nova consulta em cerca de um mês. Me contou que levou três anos preso na burocracia para chegar a começar a avaliação, mas que agora faltava pouco - nossa esperança, afinal é um caso grave - para que pudesse fazer a cirurgia, que melhorará em muito sua vida. Saí duplamente feliz, por ele e por mim, que pude ajudá-lo dentro das limitações impostas (vários dos exames que ele precisava e até já tinha feito não são cobertos pelo SUS).

Mas aí  - infelizmente - voltei a ler o que andam escrevendo sobre a questão e a postura dos médicos no Brasil. Como médico e brasileiro, quando falam, falam também de mim.

E desanimei.

Aquele momento em que realizas que a revolta é sem sentido por inútil, que não há nada que eu possa dizer, por mais que eu tente mostrar como são as coisas, nada vai mudar a ideia estabelecida de que, por ser médico, eu faço parte de uma elite que só quer dinheiro e não está nem aí para a população. Que não quero trabalhar num Posto de Saúde ganhando treze mil reais por que acho pouco. Que não vou para o interior ganhando trinta mil (!) porque acho pouco. Eu não tenho solução, talvez a solução seja mesmo a execução em praça pública.

Não adianta explicar que boa parte dos médicos que estavam nas passeatas estavam lá não por salários, afinal nem trabalham no SUS, mas sim por melhores condições, mais investimentos no sistema de saúde, por uma carreira de estado para médicos, com possibilidade de ascensão, que começariam - assim como juízes - em cidades menores e que teriam a possibilidade de - depois de um tempo migrarem para outras regiões de sua escolha, mas que aí seriam substituídos por outros em mesma situação. Não adianta GRITAR que não é a questão de serem cubanos ou portugueses, espanhóis ou canadenses, é o princípio da necessidade de validação de seus diplomas, como acontece em qualquer lugar do mundo. Se mostrarem competência, TODOS serão bem recebidos.

Tudo em vão.

Pessoas inteligentes sendo iludidas e manipuladas por uma cortina de fumaça lançada por um governo que está perdido, e seguindo pesquisas de opinião esquizofrênicas ("Você acha que a saúde melhoraria com mais médicos? Sim? Viu só, faltam médicos no Brasil!). Aliás, eu espero que estejam sendo iludidas, não seja cegueira ideológica ("esses médicos, todos de direita, só querem o lucro, eles deveriam trabalhar de graça, afinal saúde é um direito de todos").

Final de tarde de sexta-feira, desanimado, decidi largar de mão.

Chega. Acabou. Não aguento mais.

Mas aí olho meu e-mail e recebo o convite oficial para compor a mesa - como Professor Homenageado - da formatura da ATM 2013/1 do Curso de Medicina da UNISC. Ainda tenho por que lutar.

Sorrio.

De volta à luta.

Até.

quarta-feira, junho 26, 2013

Ainda não vi tudo (é ou não é admirável?)

Como escreveu o Barão de Itararé, 

"Os que se julgam espertos acham que a admiração é um alarmante sintoma de ignorância e, por isso, afirmam que só os tolos se admiram. Os que se maravilham de qualquer coisa, por sua vez, se surpreendem também da impassibilidade dos sabidos, aos quais consideram lamentáveis cegos e inconscientes.

O ladino se admira do tolo e não pode compreender como este se possa admirar de uma bobagem. O tolo, por seu turno, se admira de que o ladino não se admire de coisa alguma, quando ele acha tudo admirável.

O tolo se admira de tudo, porque vê em tudo uma verdade para admirar. O tolo, então, raciocina e tira uma conclusão. E, portanto, não é tolo.

O inteligente vê o fenômeno e não se admira, porque não vê nada de admirável no que vê. Mas o homem que não chega a ver o que até os tolos veem não pode ser um homem inteligente.

De tudo isto só se pode concluir que o tolo, afinal, é um inteligente e que o inteligente é um tolo.

É ou não é admirável?"

Eu continuo me admirando diuturnamente com o mundo e com as pessoas, para o bem e para o mal, lamentavelmente. E, por mais que eu tente, algumas coisas não consigo entender.

A Lei do Ato médico, por exemplo.

Tenho convicção de que a quase totalidade dos que criticam a lei é porque não leram ou, não sei o que é mais triste, não entenderam.

Quando à vinda de médicos estrangeiros trabalhar no Brasil, parece que a ideologia cega e embota o pensamento. A questão não é se são de Cuba, Espanha, Canadá ou mesmo de Marte. E não é medo de perder pacientes (tem argumento mais ridículo que esse? medo de perder pacientes? sério?). Primeiro que a tese que faltam médicos no Brasil é uma falácia. Segundo, o problema está na falta de condições de trabalho para o médico nessas regiões em que os "médicos não querem trabalhar". 

Existem poucos médicos estrangeiros trabalhando no Brasil, enquanto na Inglaterra, no Canadá tem bem mais? Pergunta para os médicos estrangeiros tiveram que fazer para poder trabalhar no exterior. O que queremos é que se cumpra a lei, que os médicos de Cuba, e mesmo os de Marte, façam a prova que vai revalidar seus diplomas, como em qualquer outra profissão em qualquer outro país. O resto que dizem é bobagem, quando não estupidez.

Até.

terça-feira, janeiro 29, 2013






A Sociedade de Pneumologia e Tisiologia do Rio Grande do Sul, ainda profundamente consternada com a tragédia ocorrida no último domingo em Santa Maria, vem manifestar seu pesar com o ocorrido e prestar solidariedade às famílias das vítimas. Entre os incontáveis voluntários envolvidos no atendimento aos sobreviventes e familiares, diversos colegas pneumologistas em Santa Maria, Porto Alegre e outras cidades para onde foram transferidos sobreviventes tem trabalhado incansavelmente para que esta tragédia não tome proporções ainda maiores e cause mais dor que já causou.

Aos familiares, nossa solidariedade.

A todos os voluntários, nosso apoio e admiração.

Aos colegas e amigos pneumologistas que ainda lutam para salvar as vidas dos que sobreviveram até aqui, saibam que podem contar com todos os pneumologistas do RS e do Brasil.

A Diretoria