Crônicas e depoimentos sobre a vida em geral. Antes o exílio; depois, a espera. Agora, o encantamento. A vida, afinal de contas, não é muito mais do que estórias para contar.
terça-feira, julho 17, 2007
O Frio
A grande diferença entre o inverno sul do mundo e o de Toronto é que ele é onipresente, te segue onde quer que vás, dentro de casa, onde se encosta na parede e se torna líquido e penetra e o percebes resfriando até o osso, e parece que nada vai esquentar de novo, nunca irás te aquecer. Não importa a temperatura nominal, aqui o frio pega mais, e não existe o olhar o frio lá fora: ele entra em casa contigo, sem cerimônia.
Toronto, inverno, temperatura de quatorze graus negativos: de calção e camiseta, olhava para a rua e via a neve. Aqui, temperatura positiva, chove uma chuva final e tomo o chimarrão para esquentar, não como ritual ou lembrança de casa. Sinto falta do fogão à lenha que tinha na casa da minha avó, no interior do estado.
Entendo - porque vivo isso - definitivamente a milonga, os sons do pampa, as minhas origens (por mais diversas e obscuras que possam ser), assim como entendi um dia o que significava a expectativa e a felicidade da chegada do sol depois de um long, cold and lonely winter...
Até.
segunda-feira, julho 16, 2007
domingo, julho 15, 2007
A Sopa 06/52
Não sei se já falei para vocês, mas volta e meia lembro do Renê.
Vocês sabem, o Renê. Claro que sabem, todo mundo tem um René na vida. Com assim?
Eu explico.
Há muitos anos, quase dez, estávamos num grupo aguardando na fila para entrar no cinema quando uma pessoa, um cara, melhor dizendo, chegou para esse integrante do grupo (não importa quais eram os componentes do grupo, basta saber que eu estava e que a história NÃO se passou comigo) e disse:
- Lembra de mim? Sou o Renê, do colégio Inácio Montanha.
- Ah... sim...
- Continua jogando bem futebol como naquele tempo?
- Vamos tentando...
Dito isso, voltou a seu lugar na fila e nós ficamos conversando e brincando com o fato ocorrido. Entramos no cinema e sentamos ainda comentando o fato até que o envolvido disse “Olha na hora fiquei sem jeito porque não tinha a menor idéia de quem se tratava...”. Nisso, enquanto ríamos, o Renê se virou para trás (estava sentado bem na nossa frente) e perguntou, de novo:
- Agora, tá lembrado?
E o nosso amigo fez que sim com a cabeça e um grande sorriso amarelo. Pronto. Ficamos semanas brincando com o fato e – mesmo hoje – ainda de vez quando alguém lembra do episódio e rimos.
E isso acontece com todo mundo, isso de encontrar alguém que a gente sabe que conhece ou, ao menos, viu antes, mas não tem a menor idéia de onde nem do nome. Super constrangedor e uma situação que é uma grande armadilha.
Aconteceu recentemente com uma pessoa muito próxima a mim, num congresso. Estávamos conversando e, de repente, chegou uma terceira pessoa (que eu nunca tinha visto antes) e cumprimentou a pessoa com quem eu conversava. Perguntou se “o pessoal ainda continuava lá”, disse que estava com saudades e saiu, prometendo voltar para uma conversa mais detalhada. Foi só se afastar e a pessoa com quem eu conversava disse que não tinha a menor idéia com quem falara e ainda falaria detalhadamente. Perguntou o que deveria fazer.
Dei duas opções: fugir, para não ter que passar pelo vexame de dizer que não lembrava dela ou, pior, que não a conhecia, ou se enterrar mais ainda na mentira. Até imaginei um possível diálogo. Ela deveria estar na ofensiva, sempre.
- Então, como vai? Puxa vida, desapareceste, hein?
- Eu? Como assim?
- O pessoal lá tem comentado?
- Que pessoal estás falando?
- Aquele, o pessoal de lá, que comentaste antes... Porque se existem duas verdades, são essas: o pessoal continua lá sempre, e que comentam que nunca mais estiveste lá nem ligaste. Estão tristes...
- Mas...
- E me solidarizo com eles. Se não falas com eles, não falo contigo até que nos faça uma visita. Fui.
- ...
sábado, julho 14, 2007
quinta-feira, julho 12, 2007
Inverno
Juro que se eu testemunhar alguém dizer isso, "me boto" no indivíduo, bato de laço, dou uma sova. Só para aprender a não ser palhaço...
Frio...
Estou passando MUITO mais frio aqui que passei nos invernos canadenses.
Até.
quarta-feira, julho 11, 2007
Em Toronto
Na esquina da Bloor St com a Bathurst, a poucas quadras norte do Toronto
Western Hospital, ficava o Honest Ed's, um grande bazar onde se encontra
de tudo, por preços bem abaixo do normal. Um lance totalmente kitsch,
como as fotos mostram, cujo dono, Edwin "Honest Ed" Mirvish, 92 anos,
pode ser considerado uma figura lendária de Toronto. Além de
comerciante, Ed é parte responsável por Toronto tornar-se um dos centros
teatrais da América.
Pois bem, o "Honest Ed" faleceu hoje, aos 92 anos.
Mais sobre ele, aqui.
"New York has Macy's, London has Harrods, Chicago has Marshall Fields,
and Toronto has Honest Ed's. It is quite an attraction - honest,"
Fonte: Torontoist
Fotos: Marcelo Tadday Rodrigues