Bom sábado a todos!
Até.
Crônicas e depoimentos sobre a vida em geral. Antes o exílio; depois, a espera. Agora, o encantamento. A vida, afinal de contas, não é muito mais do que estórias para contar.
Chega, não?
De tudo. Da pandemia, das discussões sobre a segunda onda, sobre a contagem do número de casos, sobre a “estratégia” sueca, sobre lockdowns, sobre volta às aulas presenciais. Chega de discutir quem está certo e quem está errado na condução dos diferentes estados e países durante a pandemia, de discussões em redes sociais. Chega de ser tratado como massa de manobra.
Chega, acima de tudo, de misturar política partidária em tudo.
Chega da narrativa que diz que tudo o que o governo faz está errado, chega de quem chama o governo de fascista e genocida, mas diz que o governo deve obrigar todo mundo a se vacinar. Chega de quem quer manter tudo fechado, de quem previu um milhão de mortes no Brasil em agosto e continua por aí sendo considerado um cientista sério. Chega de youtubers alçados a intelectuais. Chega de comunista candidata a prefeita escondendo a foice e o martelo de sua publicidade. Chega de ex-prefeito dizendo que vai fazer o que não fez quando teve a chance.
Que saco.
Eu, ao menos, estou cansado.
Pode ser que seja apenas uma semana mais corrida. Pode ser que não.
Até.
(Crônicas de uma Pandemia – Duzentos e Dezoito Dias)
Perspectiva.
Um novo assunto velho.
Não consigo olhar o mar, independente de onde eu esteja, sem observar as ondas e pensar que a praia, seja Cidreira/RS ou Waikiki/Hawaii, é apenas uma ínfima porção do todo. Imagino o oceano como um todo, e não tem como não perceber que no fundo, bem no fundo, as praias todas são iguais. São apenas uma pequena borda de algo muito maior. Olhar o mar nos dá a dimensão da nossa insignificância diante do universo. É um chamado para a humildade.
Estivemos na praia esse final de semana que ora termina.
Lembrei disso ao caminhar na areia, vento soprando forte, sol sem nuvens, temperatura amena. Máscaras. Distanciamento. Fiz churrasco no sábado à noite. Conversas sobre a vida.
Descanso.
A semana que começa será mais corrida.
Seguimos.
Até.
O que reproduzo abaixo não diminui em nada a importância da pandemia, mas demonstra que a doença deve estar mais disseminada do que os números oficiais mostram. Mantemos os cuidados, mas – de novo afirmo – sem pânico.
Até.
Bulletin of the World Health Organization
Infection fatality rate of COVID-19 inferred from seroprevalence data
John P A Ioannidisa
a Meta-Research Innovation Center at Stanford (METRICS), Stanford University, 1265 Welch Road,
Stanford, California 94305, United States of America.
(Published online: 14 October 2020)
Objective: To estimate the infection fatality rate of coronavirus disease 2019 (COVID-19) from seroprevalence data.
Methods: I searched PubMed and preprint servers for COVID-19 seroprevalence
studies with a sample size 500 as of 9 September, 2020. I also retrieved additional results of national studies from preliminary press releases and reports. I assessed the studies for design features and seroprevalence estimates. I estimated the infection fatality rate for each study by dividing the number of COVID-19 deaths by the number of people estimated to be infected in each region. I corrected for the number of antibody types tested (immunoglobin, IgG, IgM, IgA).
Results: I included 61 studies (74 estimates) and eight preliminary national estimates. Seroprevalence estimates ranged from 0.02% to 53.40%. Infection fatality rates ranged from 0.00% to 1.63%, corrected values from 0.00% to 1.54%. Across 51 locations, the median COVID-19 infection fatality rate was 0.27% (corrected 0.23%): the rate was 0.09% in locations with COVID-19 population mortality rates less than the global average (< 118 deaths/million), 0.20% in locations with 118–500 COVID-19 deaths/million people and 0.57% in locations with > 500 COVID-19 deaths/million people. In people < 70 years, infection fatality rates ranged from 0.00% to 0.31% with crude and corrected medians of 0.05%.
Conclusion: The infection fatality rate of COVID-19 can vary substantially across
different locations and this may reflect differences in population age structure and case mix of infected and deceased patients and other factors. The inferred infection fatality rates tended to be much lower than estimates made earlier in the pandemic.
(Crônicas de uma Pandemia – Duzentos e Doze Dias)
Donald Trump tem razão.
E não falo aqui das eleições americanas, do desempenho dele como presidente, nem de muro, China, México, muro, ou fazer a “América Great Again”. Não. Nada disso.
Recentemente, não sei se antes, durante ou depois de o mesmo ter tido COVID-19, ele afirmou para os americanos não temerem o coronavírus, e seguirem com suas vidas. E ele está certo neste ponto.
Não devemos temer o Sars-CoV-2, o popular coronavírus.
Por que não devemos temê-lo?
Porque o medo não é – apesar de tudo – sempre um bom conselheiro. É evidente que muitas vezes a sensação de medo nos livra de potenciais situações de risco. É ele, sob certo prisma, quem nos dá moderação, evita arroubos perigosos. Mas pode ser perigoso se sucumbimos a ele em outras situações. Principalmente quando nos paralisa, quando paralisa nossas vidas.
E é o que tem acontecido com algumas pessoas por aí, certamente motivado pela forma que se tem tratado o assunto como um todo. É super comum – ao atender pacientes – saber que eles estão há mais de seis meses dentro de casa, quase sem sair, sem pegar sol, sem se movimentar, sem praticar algum tipo de atividade física, por medo de adoecerem, muitos deles mesmo sem fazer parte de algum gruo de risco. Como se – caso saiam de casa – serão abatidos como gado por um vírus mortal ao colocarem o pé para fora de suas casas.
Não é, não vão.
São absolutamente corretas as medidas de distanciamento, evitar aglomerações, usar máscaras em locais fechados, isolar dos doentes, proteger os de grupos de risco. Lavagem de mãos, álcool gel, etc. É o que devemos fazer. Isso não se discute desde muito tempo.
Já cansamos de falar disso, não?
Já está em modo automático, é um hábito.
Agora vamos em frente, próximo passo, move on.
A vida tem que continuar. Sem vacilar nos cuidados. Sem contar o número de infectados (não é importante, temos que controlar os casos graves, as internações em UTI). Protegendo os vulneráveis.
As escolas têm de voltar de forma presencial.
O lockdown, já escrevi isso há mais de três meses e a OMS disse o mesmo semana passada, serve apenas para que o sistema de saúde se prepare, ou seja, serve para achatar a curva, o que fizemos por aqui. Mas jamais deve ser a medida primária para lidar como a pandemia, como infelizmente foi feito por aqui num determinado momento.
Sempre disse que ia passar. E vai. Já está passando.
Agora é como uma luta de boxe: não baixar a guarda que chegamos ao fim.
Até.