domingo, março 02, 2025

A Sopa

A Sopa

 

Domingo de carnaval.

 

Estamos longe de casa, mais ou menos isolados, próximos à natureza, em um lugar em que o calor não é um problema, com boa companhia, boa comida e longe de música ruim. Talvez eu fique por aqui.

 

Brincadeira, claro, assim como quando eu vou visitar alguns lugares, próximos ou distantes, e percebo que poderia viver naquele local. Existem alguns lugares, em especial, em que essa vontade é maior e muito intensa, mas isso é assunto para outro dia.

 

Aproveito, mesmo que involuntariamente, esses dias de descanso e retiro para refletir sobre a vida (ainda mais que o normal, devo dizer). Especificamente sobre as opções que fazemos e as consequências delas, lembrando que – algumas vezes – ficamos desapontados ao obter o resultado que procurávamos, aqueles pelos quais torcíamos. É um paradoxo, eu sei, mas é humano.

 

Temos que viver com as consequências de nossas escolhas, e não deveríamos delegar “a culpa” dos acontecimentos a ninguém. Somos os responsáveis pelo que nos acontece. Sei, e você sabe disso também.

 

É natural, e provavelmente comum, acontecer de nos sentirmos frustrados no momento que conseguimos o que imaginávamos querer. Porque tudo vem com um preço, tudo requer que algum tipo de sacrifício seja feito por nós. E a pergunta que nunca podemos deixar de nos fazer é: quando é que o preço a se pagar é alto demais? Onde colocamos o limite? Saber o quê queremos e do que abriremos mão para conseguir é fundamental.

 

Eu estou tranquilo com as opções que fiz e com os caminhos que tenho trilhado, mas não consigo evitar de – vez que outra – olhar para o lado, para a vida que optei por não mais viver (e que era boa também, mas não era exatamente o que eu queria) e pensar como estaria sendo. Apenas por uns momentos, contudo.

 

Porque estou onde queria estar.

 

Até.

sábado, março 01, 2025

Pense
 


Nesse carnaval, pense fora da caixa, mas não saia da casinha...

Bom sábado a todos.

Até.

sexta-feira, fevereiro 28, 2025

Laialaiá

Ninho vazio.

 

Depois de completar a leitura de ‘Cidade em Chamas’, como suas mil e quarenta páginas (sim, estou me exibindo), ontem foi um dia, como dizem, off. Não comecei nenhum livro novo, fiquei de bobeira entra uma série um pouco de rede social. Foi estranho, depois de quase quatro meses em que emendei um livro no outro. 

 

Ontem, então, tirei uma folga.

 

E confesso que me senti perdido, como se faltasse algo...

 

Mas hoje começa o carnaval, e – à tarde – farei algo que não faço há anos, que é pegar a estrada para o litoral norte em plena sexta-feira início de feriadão. Vou para a praia e volto logo depois, porque vou apenas para levar a Marina e amigas até lá. Eles ficarão, eu volto...

 

Sábado, então, pegamos a estrada, a Jacque e eu, em vamos para uma gincana: após uma hora e meia de viagem, vamos até o posto de gasolina que é o último ponto em que há sinal de Internet, avisamos que passaremos a ‘voar às cegas’. Alguns quilômetros após, entramos na estrada de chão à direita. Passamos pela aldeia dos índios, à direita novamente quando chegarmos a uma propriedade de universidade, seguimos, cruzamos a porteira de uma madeireira, passamos pelo cemitério, e – quando a estrada virar apenas uma trilha entre a mata fechada, é só seguir os postes de luz (ou as aranhas, não lembro bem...).

 

Se demorarmos muito neste trajeto, o resgate está pronto para vir em nossa direção. Vai dar certo.

 

Isolados do mundo, onde a música ruim não vai nos alcançar.

 

Até.

  

quinta-feira, fevereiro 27, 2025

Livros

Completei.

 

Quando retomei, depois de muito tempo, o hábito da leitura – literatura, e livros físicos – procurei estabelecer uma rotina de um mínimo de páginas lidas por dia. Deveria conseguir incluir ler livros entre as atividades do meu dia, aquelas úteis e as que me faziam perder tempo, como o tempo de tela, de redes sociais, minha atual preocupação. Para isso, dois pré-requisitos precisavam ser preenchidos: tinha que ser algo interessante, para me manter estimulado a continuar, e não poderia interferir com nada que fosse realmente importante.

 

O começo, como já contei aqui, foi impulsionado pelo projeto de clube de leitura que estávamos para lançar lá na School of Rock Benjamin POA, e que foi adiado por questões alheias à nossa vontade, mas não abandonado.  Os primeiros livros que li nessa retomada foram relacionados ao clube, os que seriam os primeiros livros que seriam discutidos: ‘Só Garotos’, da Patti Smith, ‘Alta Fidelidade’, do Nick Hornby, e ‘A Sonata a Kreutzer’, do Tolstói. Todos relacionados, de alguma forma, com a música. Os três entre novembro e dezembro. Li ainda, bem nos últimos momentos de 2024, ‘A Coragem de Ser Você Mesmo’, da Brené Brown.  

 

Empolgado com o ritmo de leitura que eu conseguira estabelecer, comecei o ano com ‘Nexus’, do Yuval Harari, de quem já havia lido ‘Sapiens’, ‘Homo Deus’ e ‘21 Lições para o Século 21’. Depois dele, o desafio real desse começo de ano, e que terminei ontem.

 

Cidade em Chamas, de Garth Hallberg.

 

Um livraço, em todos os sentidos. São 1040 (!!) páginas de uma história que te prende desde o início. Se passa em Nova York nos anos setenta, em uma fase complicada para a cidade e período do punk. E consegue te fazer sentir o espírito da cidade na época, a densidade ou não das relações, a falta de esperança do período pós-hippie.


Assim como quando li o ‘Só Garotos’, da Patti Smith, que se passa em parte nesse período, foi como se eu estivesse reencontrando personagens e de volta a um lugar onde estivera antes, como se tivesse vivido naquele tempo e convivido com aquelas pessoas. Uma estranha (e boa) familiaridade, como se eu tivesse voltado para casa, para um mundo em que pertenci, mesmo que uma impossibilidade temporal e geográfica.

 

Sei lá.

 

Até. 

quarta-feira, fevereiro 26, 2025

O Conforto e a Bolha

Não fico confortável quando as pessoas criticam a ‘Zona de Conforto’. Fico incomodado, aliás, com todo tipo de afirmação referente a sair da zona de conforto para podermos evoluir, que ela significaria estagnação. 

 

O que é zona de conforto, afinal?

 

Zona de conforto seria um estado psicológico em que uma pessoa se sente segura, à vontade e em controle de seu ambiente. É um lugar onde não haveria medo, ansiedade ou risco. Por isso, poderia limitar o crescimento pessoal e profissional, impedir que pessoas explorem novas habilidades e oportunidades, que alcançassem seu pleno potencial. Mais, seriam sinais de que se está na zona de conforto a pessoa ser “insegura, estagnada, ser procrastinadora, não conversar com estranhos” (?). E, a partir desses conceitos, coachs dão diferentes dicas e orientações de como sair dessa zona de conforto e progredir, evoluir.

 

Bullshit.

 

Não poderiam estar mais errados.

 

Volto a dizer, a Zona de Conforto é uma coisa boa. Como o nome diz – e sei que já falei isso – é confortável. No inverno, é quentinha e, no verão, refrescante. Somos felizes na zona de conforto. Por que, então, querer sair dela por qualquer razão? Não faz sentido para mim.

 

Entendo, contudo, o risco de estagnação que o conceito tem embutido em si. Se está bom dormir, por que sair da cama? Como, então, lidar com esses conceitos aparentemente contraditórios? Evoluir sem sair da Zona de Conforto. É possível?

 

Sim.

 

Vejo a Zona de Conforto como uma bolha em que estamos e nos sentimos bem, estamos tranquilos. Nada a ver (será?) com o conceito de viver em uma bolha em que todos concordam contigo, em que o mundo valida suas opiniões. Eu vejo como uma bolha pensando em um espaço delimitado, com limites. E evoluímos, sim, evoluímos, expandindo os limites de nossa bolha. 

 

Essa bolha (a nossa zona de conforto) deve crescer, ampliar suas dimensões. Sim, significa correr riscos e alguma ansiedade, mas estarmos preparados para isso. Não sairíamos da zona de conforto, apenas expandiríamos suas fronteiras.

 

Esse é um conceito que me agrada.


Até. 

terça-feira, fevereiro 25, 2025

Nas Ruas

Porto Alegre voltou ao normal.

 

Depois do período de férias escolares de verão, desde a semana passada, e em muito maior intensidade desde ontem, tudo voltou ao seu habitual na capital do Rio Grande do Sul. E voltamos a necessitar exercitar nossa tolerância e paciência.

 

Falo, evidentemente, do trânsito.

 

Além do expressivo aumento de carros circulando pela cidade, principalmente no início da manhã e final da tarde, parece que os imprudentes e os imperitos estão de volta às ruas da cidade. Sei que eles nunca nos abandonaram, mas - com menor circulação de carros - eles até passavam despercebidos. Não mais. 

 

Estacionamento em locais não permitidos, mudanças de faixa onde não poderiam, conversões irregulares, paradas em fila dupla, tudo voltou às ruas de maneira bem intensa. Bem em frente a nós, sem nenhum pudor. Potencial irritante máximo.

 

Uns selvagens.

 

Vivo outra fase, contudo. 

 

Há um tempo, por prudência, concluí que era melhor ficar quieto e não reclamar ostensivamente sobre essas irregularidades testemunhadas, afinal não era minha função, mesmo que atrapalhem a vida em sociedade, no caso a circulação pelas ruas. Vai que eu reclamasse de alguém armado e me desse mal? Melhor ficar quieto.

 

Avancei um pouco mais quando – mesmo tendo sempre sabido desse fato – passei a mentalizar que nada disso “era sobre mim”, ou seja, não era pessoal. Não é minha função (ia ser legal se fosse) repreender ninguém sobre seu comportamento no trânsito.

 

Não posso fazer nada, além de cuidar do meu nariz.


Até. 

segunda-feira, fevereiro 24, 2025

Memória

Como é o esquecimento?

 

O ano de dois mil e vinte e cinco representa algumas datas importantes na (minha) história. Claro que, se pensarmos um pouco, todos os anos são assim, da mesma forma que todos os anos são, de uma forma ou outra, desafiadores e difíceis, bons e ruins, dependendo de nosso olhar.

 

Algumas dessas datas marcantes desse (meu) ano marcam até quarenta e cinco anos de alguns eventos, dos quais (ainda) tenho algumas lembranças, mais ou menos nítidas. Daqueles que completam quarenta anos, lembro bem mais, e – obviamente – quanto menos tempo passou desde o acontecimento, melhor lembro.

 

Mas a pergunta que me faço nessa segunda-feira de sol e calor é: o quanto as memórias que tenho desses eventos há muito ocorridos são realmente memórias do que ocorreu e quanto são memórias criadas ao longo do tempo? O quanto já esqueci e o quanto criei (inventei?) para mim? Para me sentir melhor, por exemplo.

 

Para alguns dos fatos, como o acidente de 1990, tenho escritos meus da época, além da história que contei muitas vezes para as pessoas. Mantemos (mantenho) a lembrança viva ao contá-la, ao relembrá-la, agora como fato histórico, bem resolvido. Revivo os fatos ao lembrar, sem julgamento nenhum sobre os acontecimentos.

 

Tenho pensado em escrever novamente, sem consultar o que escrevi anteriormente, sobre alguns dos fatos do meu passado. Por curiosidade mesmo, saber como vejo hoje e, para aqueles que tenho escritos prévios, como os via na época. Para entender um pouco mais quem eu era e como me tornei quem sou.

 

Até.