terça-feira, março 10, 2026

Entre Temporadas

Domingo foi o show de temporada da School of Rock Benjamin, no Sgt. Peppers. Foi um dia longo e especial, como são todos quando temos shows. Muitas pessoas, correria, encontros, música. É também o que faz valer à pena.

 

Ontem, segunda-feira, ao menos para mim, foi o dia entre temporadas, como diz o título desse texto. Terminou a temporada de Latin Rock, hoje começa a próxima. 

 

Foi um dia, então, basicamente de silêncio. 

 

A rotina normal, mais cansado, não consegui fazer a atividade física regular das segundas-feiras. Paciência, eventualmente acontece. Hoje já me sinto mais em condições...

 

O final do dia de ontem foi – como toda segunda-feira – de dar carona de ida e volta para a Marina, Ana e Theo em seu curso de teatro musical. Ao ir buscá-los, perto das 21h, dirigi ouvindo Tom Jobim ‘Inédito’ uma coletânea de 2007, com algumas das suas principais canções. Noite, pelas ruas de Porto Alegre e, entre outras, ‘Samba do Avião’ e ‘Retrato em Petro e Branco’. 

 

Foi bom, foi bom.

 

Hoje, começa tudo de novo.

 

Até.

segunda-feira, março 09, 2026

Mais Um


 

Começo de semana lento após uma noite de pouco sono.

 

Mais um show de temporada, mais um uma vez no palco, ainda a mesma satisfação e realização. Esses momentos servem para reafirmar a permanência no caminho certo, aquele que escolhi também percorrer.

 

Já escrevi e ainda vou escrever sobre isso.

 

Agora não, porque ainda estou cansado da noite pouco dormida.

 

Até.

domingo, março 08, 2026

A Sopa

Dirijo por Porto Alegre às três horas da manhã, buscando a Marina e uma amiga em festa e – antes de voltar – deixar essa amiga em sua casa. Quase não falo, e torço para que não falem no carro pois, apesar de acordado, não quero ficar acordado a ponto de ter dificuldade de dormir quando voltar para casa.

 

Não funciona.

 

Ao me deitar novamente com a intenção de logo dormir, não consigo. Ausência de sono, apenas.  Sem pensamentos intrusivos, sem ansiedade. Talvez com fome, apesar de estar sem dor de cabeça (já falei isso, sempre que tenho dor de cabeça acho que é fome). Três e pouco da manhã e sem sono. Vou dormir em breve, sei, mas se não fizer nada naquele momento, o meu domingo estará comprometido.

 

Já está, afinal de contas.

 

Está estabelecido que não vou pedalar logo cedo para não correr o risco de estar cansado e me colocar em risco. É o momento em que decido tomar um remédio para induzir o sono. Durmo até por volta das oito horas.

 

Acordo lentamente, e começo o domingo, que será longo.

 

É dia de show. 

 

Sgt. Peppers Pub. Tudo começa às 17h. Mais um show de temporada, o meu décimo primeiro desde 2022, se não engano. É sempre uma experiência memorável, essa de estar no palco, entre amigos, em comunidade. É o espírito que me fez mergulhar de cabeça e me tornar inclusive sócio da School. É o pertencer, o fazer parte.

 

E isso não tem preço.


Até. 

sábado, março 07, 2026

Sábado (e ainda mais estudo)

 

Continua não sendo bossa nova



Amanhã, no Sgt Pepper's.

Vai ser bem legal, mais uma vez.

Bom sábado a todos.

Até.

sexta-feira, março 06, 2026

Quando Nos Tornamos Quem Somos?

Quando foi que você parou de fazer coisas para provar algo aos outros? Ou para parecer ser algo ou alguém? E para ser aceito?

 

Sempre gostei o trecho da música da Legião Urbana que diz “quantas chances desperdicei / quando o que eu mais queria / era provar para todo mundo, que eu não precisava provar nada para ninguém”. É mais ou menos isso: durante um bom tempo em nossas vidas, nosso comportamento é consciente ou inconscientemente moldado para a aceitação do grupo do qual fazemos ou queremos fazer parte. Para que possamos pertencer a algo maior que nós.

 

Até o dia em que decidimos ser ‘apenas’ o que realmente somos. É libertador assim como assustador. É um processo mais ou menos longo, é um caminho que devemos percorrer por nós mesmos, esse do autoconhecimento. 

 

Vale a caminhada.


Até. 

quinta-feira, março 05, 2026

Como dormem?

Tenho por princípio fundamental do meu modo de vida o respeito às pessoas e à lei. Se cada um vivesse dessa mesma forma, tudo seria bem mais tranquilo, mas essa não é uma discussão que eu acho que deve iniciar agora.

 

O que (não) me surpreende, na verdade, é o fato de existirem pessoas por aí que insistem em seguir suas vidas, e falo em termos pessoais e de atividades profissionais, à margem da lei, sem estarem em dia com as obrigações mínimas necessárias para isso. Grandes devedores, de impostos ou não, por exemplo, que – consciente e voluntariamente - deixam de honrar seus compromissos.

 

Pessoas que dirigem sob efeito de álcool. Ou que tratam de maneira indelicada pessoas que as servem.

 

Isso é a ausência de superego? Ou desvio de caráter? Como conseguem dormir?

 

Não sou ingênuo a ponto de ficar realmente surpreso com isso, com esse tipo de comportamento. Só acho que esses têm de ser expostos em sua hipocrisia. Todos têm de saber quem são para poder evitá-los, manter distância.

 

Até.

quarta-feira, março 04, 2026

Violência

Dizem que a masculinidade está em crise. 

Falem por vocês, eu estou bem tranquilo aqui no meu canto. 


Não incomodo ninguém, e não quero que me incomodem. Observo o que acontece pelo mundo, observo as pessoas. Confesso que algumas vezes me irrito com os exageros de uma lado e outro, quando ninguém está certo.

 

Não acredito que piadas possam ofender as pessoas. Para mim, não faz sentido isso. Se minhas convicções são fortes, não há piada que vá abalar isso. Posso não gostar, é meu direito, mas não posso me ofender e muito menos querer restringir o direito de quem quer que seja de fazê-la.

 

Sou casado há trinta anos (em agosto, em agosto) e pai de menina. Sou ‘minoria’ em casa, e está tudo bem. Aprendo todos os dias com elas. Só melhora.

 

Por isso, por essa minha experiência doméstica, que não entendo, não aceito e não tolero violência contra a mulher. Por isso que os feminicídios são (ainda mais) revoltantes. 

 

E voltamos à masculinidade em crise. A (necessária, óbvia) autonomia feminina, a perda da ‘força masculina’, o fato de o homem não ser mais necessariamente o provedor, a insegurança criada a partir disso, tudo isso leva, ou pode levar, ao que chamam de masculinidade tóxica, em que a violência é uma forma (abjeta) de autoafirmação.

 

O maior loser é o cara que – ao final de um relacionamento – parte para a violência. O ser mais desprezível é o que comete violência contra a mulher.

 

Para esse, não há perdão.


Até.

terça-feira, março 03, 2026

O Que Ouvimos

Estudos científicos evidenciam que nosso gosto musical, apesar de evoluir ao longo dos anos, basicamente é formado com o que ouvimos entre os doze e os vinte e dois anos de idade. São essas músicas que serão nossas preferidas ao longo de toda vida, por algumas interessantes razões.

 

Em primeiro lugar, é uma fase de alta plasticidade do cérebro, ainda em formação, absorve muito, e quando as emoções são intensas. Associamos, então, aquilo que ouvimos a alguns momentos marcantes de nosso desenvolvimento pessoal. Eventos que, nesse período da vida, potencialmente viram grandes histórias. O ouvir música, nessa fase da vida, está associado a uma grande liberação de dopamina, o que ajuda a fixar essas memórias permanentemente. 

 

É o que nos faz lembrar e cantar músicas muito antigas como se ainda as ouvíssemos diariamente, as “desencavamos” do fundo de nosso baú de lembranças, de memórias. Não só isso, e aí falo de mim, de algo que ocorre comigo de maneira muito intensa, que é a nítida sensação de voltar no tempo e estar vivendo o(s) momento(s) em que determinada música esteve presente de forma importante na minha vida. Uma máquina do tempo, que ainda hoje me impressiona e fascina.

 

Também a música como identidade pessoal e como forma de identificação e aceitação em grupos de convívio. Nosso gosto musical também é moldado pelos nossos grupos de convívio, grupos dos quais fazemos parte. Se, por um lado, a música serve para afirmarmos nossa individualidade, ela serve da mesma forma para (nos) reconhecermos (n)os iguais. É uma forma de agregar, aglutinar os semelhantes (em gosto musical, ao menos).

 

O gosto musical, então, desenvolvido nesses anos de formação, é de extrema importância, porque define muitas nossas relações sociais e locais de convívio. Uma música errada ouvida nessa época da vida pode determinar um futuro não promissor. Por isso que – minha opinião - temos que cuidar aquilo que apresentamos a nossos filhos, aquilo que ouvimos em casa.

 

O futuro deles também depende disso.


Até.   

segunda-feira, março 02, 2026

Excessos

Excesso de futuro.

 

Entre as definições de ansiedade, essa é mais uma, e – provavelmente como quase todas – está, de uma forma ou outra, correta. Quando passamos muito tempo preocupados com o que vai acontecer, com a incerteza dos desfechos para o que vivemos agora, deixamos de viver o agora. O sofrimento gerado por um futuro (im)provável nos priva o presente.

 

Da mesma forma, diz-se que o excesso de passado, com o foco em culpas, mágoas e arrependimentos é sinal de depressão. Seria um outra forma de ‘fugir’ ou não conseguir viver o presente. Ambos seriam, então, fugas da realidade com consequências ruins para quem vive essas condições. Penso que se é para fugir da realidade, que ao menos seja divertido...

 

Quem me conhece um pouco (não muito) mais profundamente sabe, afinal aparentemente está ‘na cara’, que em mim o pêndulo tende para o lado do excesso de futuro, ou a preocupação com o mesmo, ansiedade. De tempos em tempos, sou ‘atacado’ por pensamentos intrusivos que, se antes não acontecia, recentemente me fizeram despertar (ainda) mais cedo do que o costume algumas vezes.

 

Aprendi a identificar esses episódios, a natureza irracional deles, e o antídoto a esses momentos. Torno os pensamentos racionais, até os verbalizo para que soem o que são, irreais e sem sentido. Tem funcionado, até o próximo episódio em que tenho que fazer o mesmo trabalho mental para ‘voltar aos eixos’.

 

E assim vamos.

 

Até.

domingo, março 01, 2026

A Sopa

Daquela noite em diante.


Quando olhamos para trás, em busca de entender a forma pela qual chegamos aonde estamos e como nos tornamos quem somos, nem sempre é possível identificar um momento único que resultou em uma grande mudança na vida, uma grande mudança em nós. Principalmente porque essas mudanças que ocorrem usualmente ocorrem de forma gradual, de início pequenas e – como juros compostos ou mesmo uma avalanche – resultarão com o passar do tempo em grandes alterações.

 

Eventualmente, claro, conseguimos identificar um ponto de virada ou outro, mesmo que não tenhamos como quantificar o tamanho do impacto do que está acontecendo em tempo real, à medida vivemos esse momento. Quase sempre será em retrospectiva, e encaixaremos os eventos na narrativa que vamos contar, na estória que interessa.

 

Já falei disso, como quando ler um jornal em uma manhã do ano de 1985 me levou a ir fazer minha primeira carteira de identidade para a inscrição do teste de seleção da Escola Técnica de Comércio da UFRGS, curso Operador de Computador, ainda antes da Internet no Brasil, o que me fez conhecer pessoas e que moldou minha forma de ver o mundo. Ou quando sonhei com a Jacque justamente na noite em que havia reatado um outro relacionamento e tínhamos ido para a praia para o carnaval, e acordei no meio da noite e pensei que nunca teria uma chance com ela, a Jacque, com quem nunca tivera nada, e o relacionamento que eu havia retomado acabou no dia seguinte, não porque eu tenha feito algo, mas porque não era para ser e ela (com quem eu tinha reatado) sabia disso, e o caminho ficou livre para eu perguntar para a Jacque, há trinta e um anos, porque ela brincava comigo e ela responder que não era brincadeira, e  tudo é história desde então.

 

Como eu disse, o tempo, quando olhado em retrospectiva, passa rápido e se encaixa em nossa narrativa.

 

Em fevereiro de 2022, em meio à pandemia, já tendo passado sua pior fase, tiramos férias e fomos para o Uruguai em família. Seis em um carro, Karina, Gabriel, Roberta, Marina, Jacque e eu. Eu dirigindo e definindo a trilha sonora, afinal ‘meu carro, minhas regras’. 

 

Comecei a viagem no modo grumpy, como de costume. 

 

Pandemia, tempo sem férias, a saúde do meu pai que não era das melhores naquele momento (morreria em julho daquele ano, infelizmente) eram alguns do fatores que contribuíam para isso. Acontece que as coisas mudaram durante a viagem. Relaxei, me soltei, aproveitei a viagem como poucas vezes fizera na vida, admito. Leve, sorridente, em paz.

 

Foi assim que voltei, e foi assim que fui para ver a Marina fazer show na praia naquele sábado à noite. Litoral norte gaúcho. Chegamos na praia no meio da tarde, e estivemos acompanhando desde a montagem do equipamento até a passagem de som. Um violão passou por minhas mãos, brinquei com ele um pouco.

 

Assistimos (a Jacque e eu) ao show, que foi bem legal. Um clima familiar, de comunidade e mais importante de tudo, de pertencimento. Me senti em casa e acolhido. Em determinado momento, olhei para a Jacque e disse que aquilo era o que eu queria para mim. Era o ambiente onde eu queria estar.

 

Não tinha ideia da magnitude da mudança que viria a partir dali, do quanto eu mudaria a vida a partir daquele momento. Lugares, pessoas, relações. A música como uma constante nos meus dias.

 

Como em toda decisão que tomamos, temos de viver com suas consequências. Perdemos aqui e ali, enquanto ‘ganhamos’ em alguns aspectos. Pessoas chegam e pessoas saem, tudo normal. 

 

A conta final, a ‘fatura do cartão’, essa virá em algum momento, e sempre esperamos que seja positiva para nós. Faremos, com certeza, que ela seja, ou ao menos pareça, coerente como a narrativa que escrevemos de nossa vida. É assim, sempre foi assim.

 

Está sendo assim.

 

Mesmo que eu não soubesse o tamanho do que aconteceria, os caminhos que eu percorreria a partir dali, eu sabia que tudo seria diferente daquela noite na praia em diante, quando eu percebi que era aquilo que eu queria para mim.


Até. 

sábado, fevereiro 28, 2026

Sábado (e mais estudo)

  
E não é bossa nova...
 

Domingo, 08/03.
Espaço 373.

Bom sábado a todos.

Até.


sexta-feira, fevereiro 27, 2026

Hábitos

Lá em casa ainda recebemos o jornal físico todas as manhãs.

 

Parece um contrassenso, eu sei, em tempos de notícias atualizadas em tempo real no telefone celular, manter o custo que não é barato da assinatura de um jornal que é entregue na nossa porta dos todos dias de manhã com notícias do dia anterior. Reconhecemos isso, não sabemos quanto tempo mais ainda irá durar, mas seguimos.

 

Também porque sou (agora falo de mim, especificamente) uma pessoas de hábitos. Como ler o jornal enquanto tomo café da manhã, o que normalmente faço antes das meninas tomarem seu café. Então é um momento de silêncio, de leitura e sem tecnologia, antes de me conectar com o dia que começa.

 

Nos últimos dias, em meio à leitura, incluí fazer as palavras cruzadas que vem nele. Envelheci uns vinte anos desde então. Mas tem sido bem divertido.


Até 

quinta-feira, fevereiro 26, 2026

Escrevo, Logo Existo

Registro da memória e entendimento das coisas.

 

Depois de um ano e meio em que escrevi diariamente como método, como rotina, decidi me conceder uma folga. Em dois mil e vinte e seis escreveria menos, mais relaxado, talvez com mais tempo por não ter a ‘obrigação’ de escrever todos os dias. Poderia escrever textos mais elaborados, mais bem pensados do que o registro diário (quase) contra o relógio, no começo do dia.

 

Não deu certo.

 

Para mim, ao menos. Senti falta de fazer, do compromisso assumido comigo mesmo de manter a rotina, o hábito. Foi estranho, admito. A ideia é, não sei em qual ritmo, voltar a isso.

 

Escrever, já sabia e tive essa certeza reforçada, é uma forma de terapia para mim. Quando escrevo, verbalizo ali o que penso, o que sinto, o que espero e do que tenho medo. Registrar, colocar no papel, mesmo que virtual, as minhas ansiedades, as torna reconhecíveis, quase palpáveis e dá a devida dimensão a elas, que usualmente são menores do que parecem quando permanecem no campo do pensamento ansioso. Também para registrar o que se passa, o que acontece na (minha) vida.

 

Não só escrever tem esse feito para mim, claro. Conversar, falar sobre o que penso e sinto é – desde que consigo lembrar – uma das melhores formas de lidar com o que acontece, de reagir ao mundo e suas demandas que podem gerar angústia. Me ajudam a colocar as coisa em perspectiva, a retirar o hiperfoco em mim e olhar para o todo. 

 

Mas esse sou eu, o meu jeito. Cada um tem sua forma de lidar com as coisas, com o mundo.

 

Até. 

quarta-feira, fevereiro 25, 2026

Esse Mês

Fevereiro está longo demais.

 

Estranho isso, essa sensação de que o mais curto mês do ano está mais longo que os meses mais longos, ainda mais porque é verão e deveria tudo ser mais calmo, mais leve. Até que foi, mas não foi.

 

Não foram realmente férias aqueles dias do começo do mês em que não trabalhamos, não por ficarmos em Porto Alegre, mas por fatores já contados aqui. A Hermione – nossa gatinha – estava internada e não se recuperou, exatamente naqueles dias, que foram de visitas ao hospital veterinário, e alguma atividade física.

 

Tive momentos de pensamentos intrusivos que me acordaram de madrugada e tiraram o sono, e um trabalho mental para superá-los. Fantasmas que rondam e tentam me pegar com a guarda baixa para aterrorizar. Não têm conseguido, desde que detectei essas “tentativas”.

 

Tergiverso, contudo.

 

Só quis dizer que esse fevereiro não foi (para mim, para mim) carnaval. Março, por outro lado, será um mês meio de trabalho e meio de fora, por aí, entre reuniões e algum descanso.

 

Start spreading the news...


Até. 

terça-feira, fevereiro 24, 2026

El Inimigo

Não vou falar sobre vinhos.


Convivo com um inimigo na trincheira.

 

Alguém que está volta e meia rondando, esperando qualquer potencial vacilo, qualquer revés, para logo dizer “eu avisei...”. Como se estivesse torcendo contra mim o tempo todo. Um chato. Cansativo.

 

Até lhe dei um apelido, ‘Sabotador’.

 

Já conseguiu me tirar o sono, atrapalhar minha rotina, me irritar. Sou, contudo, obrigado a conviver com ele, não tenho como fugir, infelizmente. Por outro lado, admito que tenho partido para o conflito aberto, o tenho encarado de frente. Dizer seu nome, olhar no olho, mostrar quem está com a razão, ser racional. É um forma de lidar com essa situação.

 

É uma forma de lidar comigo mesmo.

 

Sim, eu muitas vezes sou meu próprio inimigo, aquele que tenta me botar para baixo, quem duvida do meu próprio potencial. Aquele que acha que as coisas não vão dar certo, que olha para o próprio umbigo e pode esquecer de olhar o todo, de perceber o caminho percorrido e a ser percorrido.

 

Minha sorte é que ele (o eu negativo) não está (mais) presente tão frequentemente, e – por esses dias – quando ele surge eu rapidamente reconheço e estou melhor nos meios de anular seus efeitos.

 

Seguimos.


Até. 

segunda-feira, fevereiro 23, 2026

A Sopa

 É como se voltasse no tempo. 

Depois de mais de vinte anos, como foi em seu início, quando a enviava por e-mail para uns poucos “assinantes”, publico uma Sopa em uma segunda-feira de manhã. Ainda antes de ser blog, antes de ir para o exílio e muito antes de ser livro, era nas segundas-feiras em que eu escrevia a sopa semanal, o que inicialmente chamei de ‘Sopa News’, e que – ainda antes de eu ir para o Canadá (celebro vinte anos desde que voltei no dia 30 de junho próximo) – virou o blog ‘A Sopa no Exílio’. Em 2024, em meio aos efeitos da enchente, lancei meu primeiro livro, de mesmo nome.

 

Mudou o mundo, mudei eu, desde maio de 2004, na provável última vez que enviei uma Sopa em uma segunda-feira de manhã. Pessoas entraram e outras saíram da (minha) vida nesse período, circulei por alguns ambientes tóxicos, mas – principalmente – vivi histórias com pessoas que valeram à pena conhecer.

 

Tive momentos em que me senti uma ilha, isolado em meio à multidão. Por outro lado, foram MUITOS momentos em que estive – como dizem – em sintonia com o Universo, onde tudo está bem, e sabemos que estamos no lugar certo com as pessoas certas. Parece um resumo da vida, de qualquer vida, isso, e provavelmente é mesmo.

 

Não sei se vou escrever outras Sopas em segundas-feiras, mas não importa. O que vale é estar com quem realmente importa.

 

Até.

sábado, fevereiro 21, 2026

Sábado (e uma noite de verão)

 

Ramblas, Atlântida/RS


No palco, Pai e Filha...
Que momento!

Bom sábado a todos.

Até.



quinta-feira, fevereiro 19, 2026

O Último

Nem sempre, melhor, quase nunca, sabemos quando será a última vez de algo ou alguma coisa que iremos viver. O último encontro, a última refeição, o último abraço. A última vez que brincamos de esconder ou passamos a noite conversando com amigos esperando o sol nascer.

 

Sempre será a lembrança, a constatação em retrospectiva daquilo que vivemos sem saber que seria uma despedida. Se soubéssemos, talvez não fosse natural, ou talvez tornássemos um ritual, uma cerimônia.

 

O último carnaval com os amigos da praia. O último churrasco ou xis antes de tomarem um rumo diferente na vida.

 

Por isso acho sensacional isso de – bem diferente de quando passei por essa fase da vida – celebrarem o último primeiro dia de aula da escola. Quando vai se iniciar o terceiro ano do ensino médio, as turmas do “terceirão” fazem uma festa na noite anterior, em que passam a noite juntos e, na sequência, vão para a escola para marcar o ‘Último Primeiro Dia de Aula’.

 

Fotos e vídeos. Registros desse momento.

 

Criar memórias, histórias para contar.

 

Fico feliz de acompanhar isso, assim, sem interferir, meio de longe, que a Marina está vivendo por esses dias.

 

Até.

domingo, fevereiro 15, 2026

A Sopa

Eu não gosto de café, descobri recentemente.

 

Confesso que me senti perdido, algo desorientado, meio que sem chão, até. Porque sempre achei que gostasse de café, aquela bebida que tomo várias vezes ao dia, principalmente em dias de trabalho. Isso há muitos anos, de verdade.

 

Começou quando passaram a dizer que eu não deveria adoçá-lo, que era uma heresia, praticamente um atentado violento ao pudor colocar algumas gotas de adoçante, ou um pouco de açúcar no meu cafezinho diário. Que eu deveria tomar o café sem adoçá-lo de nenhuma forma, para sentir o verdadeiro gosto do mesmo. Mais ainda, que o café que eu tomava era um café ruim, não era o “verdadeiro” café. 

 

As pessoas passaram a considerar um demonstração de virtude, isso de tomar café sem açúcar ou adoçante. Acabam por considerarem-se superiores por esse fato. Olham para os reles mortais, tomando seus cafés comuns, com desprezo. E ficam por aí, em redes sociais, clamando sua superioridade moral, quase como os veganos fazem com relação a quem – como parte de uma espécie onívora – come carne. 

 

Se faz bem para ti, por mim tudo bem.

 

Só fica na tua, por favor.

 

Se consideras que o único café que vale à pena é o Kopi Luwak, usando um exemplo extremo, feito com grãos colhidos das fezes de uma civeta, um pequeno mamífero, e que é o mais caro do mundo, ou o Café do Jacu, ave brasileira, que ingere os melhores frutos e, como o trânsito intestinal é muito rápido, o diferencial é a seleção natural da ave por frutos perfeitos, resultando em um sabor frutado, com notas de amora e morango, se achas que são esses os únicos cafés que valem, que bom para você. Gosto é algo individual. Só não fica enchendo o saco dos outros querendo impor regras quanto a isso. 

 

Se não, é você (junto com quem usa vape) que é um jacu.


Até. 

sábado, fevereiro 14, 2026

Sábado (e um rolê aleatório)

(lanche)


Comendo um xis à meia-noite em uma praça em Osório/RS.
Antes de voltar para casa.

Bom carnaval a todos.

Até.

 

quarta-feira, fevereiro 11, 2026

Ainda Sobre Perdas

Ao longo da vida, inevitavelmente nos deparamos com diferentes perdas, que – independente da causa, ou do que perdemos – são dolorosas. E é parte da existência conviver e, na medida do possível, superar. A vida segue seu curso, apesar de tudo.

 

As perdas por morte daqueles que nos são queridos, por mais dolorosas que sejam, e são, entendemos como parte do jogo, sabemos que vai doer e que em algum momento vamos aprender a conviver com ela, que é e sempre foi assim. Nos recolhemos por um tempo, vivemos nosso luto (que é pessoal, em intensidade e tempo) e – não é cruel dizer – bola para frente. A memória, a lembrança, persistem, dos bons momentos. Não sei se comparável, admito, provavelmente sim, mas existe outro tipo de perda que pode ser tão intensa e dolorida quanto às que já falei. 

 

São as pessoas que saem de nossas vidas ainda em vida, as que nos, por assim dizer, abandonam.

 

Pessoas que eram próximas e que por qualquer razão deixam de ser, se afastam, a conexão acaba se perdendo, a sintonia acaba. Relacionamentos amorosos, amizades que eram fundamentais e deixam de ser. Parcerias que morrem. 

 

Triste, mas parte da vida. Fazemos luto, sofremos, e – como é de ser – em algum momento seguimos em frente, ‘tocamos o barco’. 

 

Fica a lembrança, ficam os aprendizados.


Até. 

terça-feira, fevereiro 10, 2026

Nunca Gostei, Depois me Apaixonei

Gatos.

 

Eu nunca gostei e muito menos quis gatos em casa, confesso. Sempre fui, como chamam por aí, ‘cachorreiro’. Minha convivência com animais de estimação (‘pets’) era restrita aos cães, em casa e na casa de meus avós.

 

Bambi, era o nome do cachorro da minha avó materna, em Montenegro, e foi o primeiro cachorro com quem convivi. Depois, quando ganhamos – meu irmão e eu – uma cachorrinha, uma fox paulistinha, a batizamos de Bambina, em homenagem ao cachorro da minha avó. Mais adiante, uma namorada que eu tinha me presenteou com um cocker spaniel dourado, o Calvin, que fugiu de nossa casa na praia e nunca mais o encontramos (sempre imagino que foi adotado por outra família). Por um tempo, fomos tutores do Luke, quando os meus tios Giba e Cíntia se mudaram de Montenegro para São Paulo.

 

Desde que nos casamos, a Jacque sempre insistiu em que adotássemos um gato, mas eu dizia que não queria, pois não gostava. Tinha até nome, Dartagnan. Eu não abria a porta a essa possibilidade. Até que a Marina nasceu, e à medida que foi crescendo, tinha um enorme e infundado medo de animais.

 

Em um primeiro de maio, em 2018, o Gabriel, nosso sobrinho e afilhado honorário, e a Júlia encontraram abandonada na praia uma gatinha com cerca de dois meses de vida. Nos ligaram perguntando se não queríamos adotá-la. Pensando na Marina, em ajudá-la a superar o medo, decidimos que, sim, iríamos adotá-la. 

 

Foi quando a Hermione passou a fazer parte da família.


Mudamos.

 

A Marina deixou de ter medo de animais. Eu descobri que minha oposição a gatos era por não conhecer, por não conviver. Nos encantamos, nos apaixonamos por ela. A vida era muito boa com ela. Dois anos depois, adotamos o segundo, o Bigodinho. Viraram irmãos. Nos tornamos uma grande família. No Natal, cada um de nós tem uma meia com nossas iniciais que fica pendurada à espera do Papai Noel.

 

Ontem, a Hermi nos deixou.

 

Ficou doente, foi internada, a visitávamos todos os dias. Uma semana no hospital. O fígado entrou em insuficiência. Não resistiu. Nos despedimos dela ontem no final do dia. 

 

Foi muito amada.

 

Segue a vida, com ela em nossos corações.


Até. 

segunda-feira, fevereiro 09, 2026

Pensamentos Intrusivos

Ideias, imagens ou impulsos involuntários, indesejados e recorrentes que invadem a mente, e podem provocar (provocam) angústia, ansiedade. Todos já passamos por isso, em maior ou menor intensidade. É um saco, de verdade. Porque, na maior parte das situações, eles não refletem uma situação real, um perigo verdadeiro.

 

Mas incomodam, e a sensação de que há um peso sobre o peito, esmagando o tórax, tornando a respiração difícil, pode ser (é) bem desagradável. Mesmo que racionalmente saibamos que a motivação não está fundada na realidade, ou em fatos concretos, torna-se difícil evitá-los quando ocorrem.

 

Existem estratégias para lidar com os pensamentos intrusivos quando esses ocorrem, desde técnicas chamadas de “aterramento”, que envolvem respiração diafragmática e atenção plena (mindfulness), terapia, até – sim – tratamentos medicamentosos. Se preciso, procure ajuda médica, evidentemente. Conversar, falar sobre, em muitos casos é um ótimo começo.

 

Para mim, ao menos, é.


Até. 

domingo, fevereiro 08, 2026

A Sopa

As piores férias de verão de todas.

 

Tradição nossa aqui em casa, sempre reservamos as duas primeiras semanas de fevereiro para fazer nosso período de férias para viajar, algumas vezes para o inverno, e nos últimos anos para o litoral norte do RS. Aproveitamos para fechar o consultório e darmos férias para nossa secretária.

 

Esse ano, contudo, por variadas razões, reservamos apenas a primeira semana, que seguiria ao feriado de Navegantes, segunda-feira, dia 02/02. O plano era irmos no meio da semana para o litoral e retornar no domingo dia 08. Fomos nos enrolando, surgiu um workshop de teatro musical que a Marina decidiu fazer justamente nessa semana, então abortamos qualquer ideia de viagem.

 

Foi, por assim dizer, sorte.

 

Sexta-feira, meu último dia de trabalho antes das curtas férias. Estou sozinho em Porto Alegre. A Marina foi passar a semana com as amigas na praia, e a Jacque está em São Paulo a trabalho. Desde o dia anterior, notamos que a Hermione, nossa gatinha de sete, quase oito anos, está mais quieta, mais parada, comendo menos e com a urina de cor bem amarelada. Na sexta de manhã mesmo, do trabalho, marco uma consulta na clínica veterinária para o sábado de manhã. Vou levar a gata para uma consulta ainda antes da Jacque voltar de viagem.

 

À medida que o dia passa, no começo da tarde, decido tentar antecipar a consulta. Reagendo para o final da tarde. Saio do consultório, vou em casa e daí à consulta: está desidratada, coleta exames, recebe soro e um estimulante do apetite. Volto para casa com ela aparentemente mais disposta, reclamando de estar na caixa de transporte. Ainda em casa, toma água e come um pouco. Fico mais tranquilo em esperar pela terça-feira quando deverá fazer mais exames. Sábado pela manhã, ainda come alguns petiscos que dou para ela. 

 

A Jacque retorna de viagem. Em casa, olhamos os exames e está com a provas de função hepática alteradas. Conversamos por mensagem com o veterinário. Nos orienta que, caso ela piore, devemos levá-la para atendimento, mas na clínica eles não tem plantão e nem internação. Ficamos em um dilema sobre levá-la naquele momento ou não.

 

Contudo, nossa atenção muda totalmente de foco porque a mãe da Jacque liga por não estar sentindo-se bem. A Jacque vai até a casa dela para vê-la, fica um tempo com ela, que se sente melhor e retorna para casa. Já tarde, levaremos a Hermione no hospital no dia seguinte, pois ela continua no mesmo estado, prostrada.

 

Quando estamos nos preparando para dormir, o telefone toca. A mãe da Jacque está se sentindo pior. Chamamos o atendimento de urgência e vamos para a casa dela. Lá, em uma primeira avaliação, tudo está bem, mas o mais prudente e adequado é fazer alguns exames no hospital. É transportada para o Hospital da PUC (vou de carro atrás). E é lá que ela e a Jacque passam a noite acordadas entre esperar, fazer e aguardar os resultados dos exames e serem liberadas.

 

Vou buscá-las antes da seis horas da manhã e retornamos – a Jacque e eu – para casa às 6h30. Remédio para dormir, e durmo até as 10h30. De resto tudo igual com a Hermione.

 

Vou almoçar com minha mãe e, na volta, início da tarde, decidimos levar a Hermi para consultar em uma emergência. Lá, é avaliada, e com o diagnóstico inicial de Tríade Felina, é solicitada uma ecografia abdominal que, justamente naquele dia, ele não tem à disposição. Indicam outra clínica, para onde vamos e – após aguardar mais de hora pelo exame – o diagnóstico é confirmado e ela interna, onde está desde domingo. A semana de férias, então, está sendo de visitas diárias a ela, com pioras e melhoras, estada em UTI e tal. 

 

Antes de adotarmos a Hermi, eu sempre dissera que não gostava e não queria que tivéssemos gatos. Adotamos a Hermione quando ela tinha uns dois meses no máximo porque queríamos que a Marina, que tinha muito medo de animais, superasse o medo. Deu certo. Logo depois, adotamos o Bigodinho. 

 

São parte da família desde então e sei que todos que passaram por isso entendem a angústia de ter um familiar (felino, canino, ou não) no hospital, sem ter certeza do prognóstico, de como as coisas vão se desenrolar. De ver o pobre bichinho recebendo soro EV e alimentação por sonda, a sensação de impotência em não poder fazer nada.

 

Como eu disse, as piores férias de verão da história.

 

Até.

 

sábado, fevereiro 07, 2026

Sábado (e férias)

 

Leitura de férias


Uns dias de férias por aqui, que - involuntariamente - têm sido uma montanha-russa de sentimentos (angústia, apreensão, esperança). Em meio a uma emoção e outra, tento arranjar tempo para ler (estudar nesse caso) um pouco.

Bom sábado a todos.

Até.

quarta-feira, janeiro 28, 2026

Tava com um Cara que Carimba Postais*

Abri a caixa de correspondência e fiquei melancólico hoje mais cedo. E não foi um sentimento inédito. Não pela ausência de uma carta qualquer, mesmo que uma conta ou um boleto a pagar, porque a isso já nos acostumamos há tempos, mas pela constatação de que estava frente a algo obsoleto, que perdeu seu sentido de ser. Quase como alguém que se definia pela sua função e – ao ficar sem emprego, ou se aposentar – perdeu sua razão de ser.

 

Como moro em apartamento, há no térreo um grande móvel (certamente não se chama assim) onde estão os nichos, fechados por uma portinhola com chave, individualizados por unidade residencial, para depósito das correspondências recebidas. Antigamente, diariamente eu passava para conferir se havia recebido algo. Da mesma forma, quando morava em casa, ia até o portão em frente à casa, para verificar na caixa o recebimento ou não.

 

Não acontece mais, porque não as pessoas não se enviam cartas. Nem as contas a pagar vem pelo correio. Compras online, por outro lado, normalmente são entregues por serviços próprios da empresas, como Amazon ou Mercado Livre. A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, além de e talvez por ser ineficiente, é fonte de prejuízos gigantes.

 

Confesso que era legal receber cartas. Eu as recebia eventualmente de amigos que – lá nos anos 80 – não tinham telefone em casa, e morávamos longe, e passávamos algum tempo sem nos encontrar, como nas férias de verão, por exemplo. Era sempre uma surpresa. Escrever crônicas e publicá-las é mais ou menos isso, cartas que escrevo e as deixo no ar, na rede, etéreas, para quem quer que seja o destinatário.

 

Elas lembram de um tempo passado em que a vida não era melhor do que hoje, que fique claro. Era diferente. Se tenho saudades? Lembro bem, tenho respeito pelo que vivi e por quem viveu essas histórias comigo. Mas a vida é muito melhor agora.


Até. 



* E.C.T., Nando Reis

terça-feira, janeiro 27, 2026

Versões

Tenho estudado um determinado assunto não relacionado à medicina como parte de um projeto paralelo, como falei por aqui. Nesse processo, o plano é retroceder até as origens desse assunto para entender o processo como um todo e em todas suas nuances. E isso requer pesquisa de diversas fontes.

 

Inevitavelmente, acabo caindo no tema das diferentes versões da realidade e das respectivas narrativas. De como um história é contada dependendo de que a conta. Das diferentes versões da realidade a partir do observador, que tem sua própria história que vai influenciar a forma de ver e de contar o que acontece.

 

Não posso e não devo esquecer nunca que toda história tem mais de uma versão dependendo do ponto de vista do narrador, e quem escuta apenas uma parte da história evidentemente não tem como ter uma ideia do todo, o que leva a conclusões precipitadas e enviesadas.

 

Sempre é bom ter cuidado ao julgar os outros.

 

Até.

domingo, janeiro 25, 2026

A Sopa

 ‘Quanto mais sei, mais sei que nada sei’.

 

Atribuída ao filósofo grego Sócrates, mesmo não formulada por ele, essa máxima ressalta a humildade intelectual, e sugere que, ao aprender mais, percebemos a vastidão do que ainda há por aprender, o tamanho do que nos é desconhecido. Na mesma linha disso, é aquela que diz que só os idiotas têm certeza de tudo.

 

Vemos isso todos os dias em diferentes aspectos da vida. E mais, quem não tem razão, quem prefere o caminho fácil do não procurar saber e não pensar, é quem grita mais alto. É quem não te deixa falar e quem não quer ouvir. Têm certeza de que sabem tudo e que não existem outros lados em cada questão, em cada tema a ser debatido.  

 

Estou cansado de pessoas assim.

 

Não era disso o que queria falar, para ser sincero.

 

Comecei a estudar um determinado assunto para um projeto paralelo que tenho, e me deparei com o fato de que – à medida que ia aprofundando o assunto – para entendê-lo melhor, ia “abrindo outras abas” de conhecimento que levavam a outras e que ia retrocedendo no tempo ao mesmo tempo em que ampliavam o assunto. Como um fio que ia puxando e revelando outras partes.

 

Passei pela Guerra Civil Americana, que eu nunca tinha estudado a fundo, e praticamente voltei às navegações e ao Descobrimento da América. 

 

Daqui a pouco eu volto.

 

Até.

sexta-feira, janeiro 23, 2026

Sábado (e é dia de Camp)

School of Rock Benjamin


Final de semana de Camp de gravação musical com Alexandre Birck.

Bom final de semana a todos.

Até.



 

quinta-feira, janeiro 22, 2026

Obsolescência

Existe, sabemos, o que se chama de obsolescência programada, relacionada a produtos que seria uma estratégia de fabricantes para limitar a vida útil de produtos para estimular/forçar a troca dos mesmos e, consequentemente, o consumo e o lucro. Eletrodomésticos, computadores, telefones celulares.

 

Vinha eu pensando por esses dias naquilo que se torna obsoleto em nossas vidas, aquilo que uma vez nos foi habitual, corriqueiro, cotidiano, e que ao longo do tempo, mesmo que não de forma consciente, deixamos de – digamos assim – viver. Utensílios domésticos, hábitos, e até pessoas.

 

Como assistir novelas, ou ter interesse pelos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, por exemplo. Houve um tempo em que era hábito assistir novelas na televisão em família, e lá se vão trinta, quarenta anos. Da mesma forma, havia interesse, curiosidade e até curiosidade pelo carnaval do Rio de Janeiro. De assistir até de madrugada alguns desfiles. Por influência da minha admiração pela música do Cartola, torcia pela Estação Primeira de Mangueira. Era legal assistir, depois, à apuração das notas do desfile.

 

Em algum momento, isso se perdeu.

 

O mesmo acontece, ou pode acontecer, com pessoas, devo dizer. A vida vai acontecendo para todos, vamos mudando conforme andamos, e, em algum momento, a sintonia, a conexão, se perdem. Tornamo-nos estranhos. E isso não é bom nem ruim, e não é ‘culpa’ de ninguém. Apenas é. Ponto.

 

Seguimos em frente, ou – melhor – devemos seguir, e sinto que devemos guardar, e honrar, a memória de bons tempos vividos. 


Até.