terça-feira, março 31, 2026

O Belo da Vida

A vida corriqueira, o dia a dia, continuam enquanto viajamos, evidentemente, e nossa ausência em eventos e acontecimentos muitas vezes nos deixam em ‘desvantagem’ em comparação a se estivéssemos presentes. Perdemos direito de escolha, perdemos o direito de opinar. É o (mais um) preço que pagamos pelos dias de viagem. Paciência, é da vida.

 

A volta, então, é de retomada e reconquista de espaço, do espaço perdido, de correr atrás das tarefas que ficaram para trás e estão acumuladas. Corremos agora porque paramos alguns dias, porque saímos da rotina. Como disse, tudo certo, valeu à pena.

 

E as voltas são muitas, além da física, além da nossa presença. Por mais que sejamos os mesmos, voltamos diferentes, da mesma forma que somos diferentes a cada dia que passa, após cada interação que temos com outras pessoas.

 

O mundo muda todos os dias, nós mudamos todos os dias.

 

Isso é o belo da vida.


Até. 

segunda-feira, março 30, 2026

A Sopa

Sobre voltar.

 

Como repetidas vezes dito (por mim, por mim), voltar é parte importante de uma viagem, tão importante quanto a preparação e a viagem em si. Se não voltássemos, não seria viagem: seríamos nômades. O retorno para casa, para o lar, para o mundo de todos os dias, para a rotina, é que faz tudo ter sentido.

 

Na virada do século e milênio passados, no último mês do século vinte, dezembro de dois mil, viajamos. Chamamos a viagem de ‘Natal na Neve’, pois esse era o objetivo principal da viagem, ter uma experiência de passar o Natal em um lugar frio, onde houvesse neve. O lugar escolhido foi o norte da Itália, quase fronteira com a Áustria. Ainda não havia telefones com internet, então utilizávamos mapas físicos para nos guiar pela estradas nos Alpes. Tínhamos reservado os hotéis da chegada (em Roma), do Natal (em Rasun di Sopra, uma grata surpresa, que reservamos pensando ser em Brunico) e para a última semana, em Paris. Fizemos todo esse trajeto de carro, incluindo a passagem pelos Alpes entre a Itália e a Áustria, pela passagem de Brenner.

 

Foi uma longa viagem, trinta dias, e – nos últimos dias – já sonhava com a volta para casa, por melhor que estivessem esses dias de férias. Depois, acho que nunca mais fizemos alguma viagem tão longa, por diferentes razões.

 

Chegamos de volta de viagem ontem, quinze intensos e divertidos dias (entre trabalho e férias) depois de sairmos, fisicamente cansados pelo maratona de aeroportos e noite mal dormida no avião, mas mentalmente descansados e prontos para o restante do ano. Confesso que a vontade de voltar já era grande, já sentia falta da rotina.

 

Como se estivesse há bem mais tempo longe de casa.

 

Viajar é MUITO bom, mas voltar para casa é ainda melhor.


Até. 

sábado, março 28, 2026

Sábado (e Por Aí, New York)

Central Park


Manhã, início de primavera.
Março/2026.

Bom sábado a todos.

Até.

 

quinta-feira, março 26, 2026

Do Aeroporto

Aguardo o red eye.

 

Esse é o voo que sai de Los Angeles às dez para as onze horas da noite, tem uma duração de cinco horas e meia e chega às sete horas da manhã em Nova York. O fuso horário, claro, é a razão disso. São três horas de diferença. Independente do que dormirmos no voo, o dia será longo e de caminhadas.

 

Temos pouco tempo, então vamos fazer valer.

 

Além, é claro, de ficar junto com a família, curtir minha cunhada e sobrinha (meu irmão não, infelizmente, pois está trabalhando literalmente do outro lado do mundo).

 

Quinta, sexta e parte de sábado.

 

Aí voltamos.

 

Direto para o School Day, lá na School of Rock Benjamin, domingo (29/03) das 13h às 20h.

 

Aparece por lá.


Até. 

quarta-feira, março 25, 2026

Quarta-feira (e por aí, dinossauros)

Jurassic World


Universal Studios.
Los Angeles
, Califórnia.
Março/2026.

 

Direto da Califórnia

Ouvimos Beatles, enquanto a Jacque prepara nosso jantar e escrevo essa atualização de viagem. Estamos em Garden Grove, na parte norte de Orange County, Califórnia. Chegamos aqui domingo porque ontem foi o dia de parques da Disney, uma maratona que começou antes das oito da manhã e terminou após o show de fogos das 21h30, com mais de vinte e cinco mil passos no dia. 

 

O dia começou lento, após toda intensidade de ontem.

 

Comprei pão em um supermercado próximo para o café de todos. Enquanto o pessoal que voltava hoje para o Brasil ajeitava suas coisas, fomos – Thiago e eu – na Guitar Center aqui perto. Almoçamos, então, em Newport Beach. Após o almoço, por volta das 16h, nos separamos: o grupo que volta agora à noite para o Brasil e nós – Jacque, Marina e eu – que ainda ficamos hoje e amanhã à noite vamos para o leste, para uma rápida passagem por Nova York.

 

Os dias foram intensos até aqui. 

 

Houve a convenção da School of Rock, motivo principal da viagem, a jam na House of Blues, em San Diego. Viagem em grupo. Parques.

 

Depois escrevo sobre tudo isso.

 

Hoje, enquanto ouvimos Beatles, a Jacque prepara nosso jantar e tomamos um vinho, faço um descanso de um noite em meio à viagem, que termina logo ali.


Até. 

quarta-feira, março 18, 2026

Voltei

Dois mil e vinte e seis começou confuso.

 

Começou devagar, mais devagar do seria esperado para um verão de um pneumologista no Sul do Mundo, ao menos para mim, claro. As tradicionais férias de verão do começo de fevereiro, nossa rotina de muitos anos, não aconteceu, ao mesmo tempo em que a Hermione, nossa gata, adoeceu, foi internada, foi para UTI, e – tristeza – não resistiu. Foram dias difíceis, confesso. 

 

Houve um momento em que tive crises de ansiedade, com muitos pensamentos intrusivos e a sensação de todo peso do mundo em minhas costas. Foram poucos dias assim, de sono agitado e despertares de madrugada com fantasmas me rondando. Respirava fundo para tentar voltar à superfície, sair do pântano, da areia movediça imaginária em que estava.

 

Durou uns três dias.

 

Uma noite, saímos -a Jacque e eu – para jantar e contei a ela o que estava sentindo. Que eu sabia que estava ‘preso’ em uma crise imaginária, que não estava conseguindo sair e que a forma pela qual eu usualmente lidava com isso era conversando, era falando, e ela sabia disso. Sempre fora assim comigo, desde que me conheço, ou desde que fiz terapia, no começo dos anos noventa, depois do meu acidente.

 

Foi como tirar com a mão.

 

Jantamos, conversamos, voltamos para casa caminhando. Dormi melhor, acordei tranquilo. A nuvem que pairava sobre minha cabeça se dissipou. Os fantasmas se foram.

 

Voltei.


Até. 

terça-feira, março 17, 2026

Let it Go and Let Them

Nunca fui de guardar rancores.

 

Sempre tive, contudo, uma memória muito boa, e um mantra: “Perdoar é uma coisa, esquecer é outra. Eu não esqueço nada, nunca”. E vivi muito bem (sob minha própria ótica, com toda parcialidade a meu favor) desse jeito.

 

Fui, também, ao longo do tempo, progressivamente deixando de dar importância ao quê e a quem não justificasse ou não merecesse o meu tempo e o meu afeto. Mesmo com recaídas, com energia gasta de maneira desnecessária com assuntos e pessoas que não são, ou tornaram-se não importantes, fui (venho) melhorando nesse aspecto.

 

É um longo caminho, esse, de abrir mão daquilo e de quem abriu mão de ti, de aprender a deixar para lá, a renunciar e seguir a vida, porque essa não espera por ninguém.

 

Até 

segunda-feira, março 16, 2026

Ir e Voltar

 Viajar é – para mim, para mim – sempre uma forma de me reinventar. Clichê dos clichês, nunca voltamos iguais de uma viagem. Não é exatamente isso a que me refiro, mas sim a intencionalmente ser diferente ao completar uma viagem.

 

Como se sumisse por um tempo e voltasse diferente.

 

Não como Robert Johnson, lá nos primeiros anos do século passado, que era um músico medíocre que implorava para tocar no intervalo de outros shows era vaiado e expulso dos lugares, e que sumiu por um ano e meio e, retornar ao convívio das gentes, havia se tornado um exímio músico, de técnica refinadíssima. Por isso, a lenda de que havia feito um pacto com o diabo. O que aconteceu realmente, segundo contam, é que ele passou esse tempo tendo aulas e praticando, muitas vezes em cemitérios, onde era mais calmo. Morreu envenenado por um marido ciumento aos 27 anos. Havia se tornado ele mesmo uma lenda.

 

Não é desse tipo de mudança que falo, mas até que seria bom passar uns dias fora e voltar um músico virtuoso. Quero dizer que os dias de viagem, mesmo que relativamente poucos e intensos em atividades, servem para – com o distanciamento da vida diária – repensar algumas coisas e planejar o que será colocado em prática na volta, em breve.

 

Até.

domingo, março 15, 2026

A Sopa

O caráter circular da vida.

 

Há muitos anos, nem sei precisar quantos, fato incomum para mim, em uma noite em casa, assisti a um filme na televisão, talvez na Sessão de Gala da Globo, chamado ‘O Reencontro’ (The Big Chill, de 1983). Como o nome em português diz, mostra o reencontro de colegas de faculdade após dez anos, para o funeral de um amigo em comum. Não lembro detalhes do filme, mas uma música da trilha sonora foi impactante para mim, se tornando uma das músicas da minha vida.

 

The Weight.

 

Lançada em 1968, esse clássico da The Band foi também parte da trilha sonora de Easy Rider (Sem Destino), clássico do cinema de 1969. Está em 41º lugar na lista da 500 Melhores Canções de Todos os Tempos, de 2004 da revista Rolling Stone. Está entre – para mim, para mim – as, talvez, dez melhores, mesmo sabendo que esse é um ranking impossível.

 

Desde que a ouvi pela primeira vez, no final dos anos oitenta ou meados dos noventa, em um época em que o acesso à música não era fácil como hoje, sempre que tocava no rádio era uma emoção, confesso. Anos mais tarde, comprei um CD duplo da The Band por causa dessa música.

 

Quando, então, há três anos, iniciamos uma temporada de Southern Rock na School of Rock Benjamin, fiquei muito feliz por saber que essa música estava no repertório que tocaríamos, o que se tornou frustração por descobrir que não estaria no elenco que a tocaria, e depois virou insistência para aprendê-la e tocá-la, mesmo que originalmente ela não estivesse no meu repertório.

 

Consegui, e foi um momento mágico para mim, uma volta de – sei lá – quase quarenta anos entre eu a ouvir pela primeira vez e tocá-la em show. Foi um círculo completo de vida.

 

Atualmente, ao começarmos uma nova temporada, percebi que vai acontecer de novo, outro circulo vai se completar com outra música, de outro tempo e outras histórias, outros simbolismos.

 

Outro dia conto, outro dia conto.

 

Até. 

sábado, março 14, 2026

Sábado (e sobre um show...)

Domingo, 08/03...*


Foi nosso show de temporada.
Foi bonito e estava muito legal.

Bom final de semana a todos.

Até.

* Photo by Ze Carlos de Andrade
 

sexta-feira, março 13, 2026

Uma Dúvida

Falando da vida em geral, aquela do dia a dia, em que estamos em contato com diferentes ambientes e diferentes pessoas, algumas vezes me pergunto sobre onde traçar a linha demarcatória, sobre onde colocar um limite. E falo aqui da fronteira civilizatória (exagero, eu sei).

 

Respeito.

 

Em que momento, ou situações, em que devemos – independente de potenciais consequências – dar um basta, não permitir que sejamos desrespeitados? Claro que esse é um conceito muito pessoal. Somos nós quem definimos esses limites, e cada um tem o seu.

 

Meus limites vêm se tornando cada vez menores, cada vez tolero menos aquilo que considero desrespeitoso. Melhor dizendo, a linha está cada vez mais clara.

 

É só não cruzá-la que tudo fica bem.

 

Até.


OBS – não, isso não é um recado ou indireta a ninguém... 

quinta-feira, março 12, 2026

Eu falo, e Escrevo

Se você não se importa, se está tranquilo com isso, consegue conviver sem maiores problemas, tudo bem. Eu me importo, e – mais – me irrito com o fato.

 

Comunicação.

 

Um dos pilares da vida em sociedade é a comunicação entre as pessoas, a forma com a qual interagimos. É fundamental em todos os aspectos. Dependemos da comunicação para nossa sobrevivência, em todos os níveis. E, para nos comunicarmos bem, precisamos – antes de tudo – estarmos dispostos a isso.

 

A primeira premissa é ouvir o que o teu interlocutor tem a dizer. Deixar o outro falar, e ouvir para entender, para ponderar, e não para responder, para retrucar. Isso é cada vez mais difícil e raro nesses tempos de verdades absolutas, posicionamentos políticos radicais e falsos moralismos. A opinião do outro é tomada como uma agressão a quem ouve, não se tolera o contraditório, o diferente.

 

Não se aceita o pensar, o que é triste e desanimador.

 

Mas não era nem isso o que eu queria falar.

 

O que me irrita mesmo é a escrita ruim.

 

Quem, por desconhecimento (ausência de letramento) ou desleixo, escreve mal. Pontuação, concordâncias nominal ou verbal, acentuação, abreviaturas. Não se respeita mais nada mesmo. A língua falada é diferente da escrita, devemos lembrar sempre. Podem achar que não, mas faz diferença saber escrever. Espero que faça, ou pelo menos deveria fazer.


Até. 

quarta-feira, março 11, 2026

Sobre Ser Feliz

Felicidade.

 

Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro, diz a canção, lançada em 2004 no álbum ‘Paraquedas do Coração’ do Wander Wildner. Um dos, podemos dizer, clássicos do rock gaúcho. Não consigo estar feliz o tempo todo, e talvez realmente não devesse, assim como você.

 

Aliás, ninguém quer isso, por mais que esse seja um ‘objetivo’ do mundo moderno. Assim como ninguém gostaria de viver em um local onde o tempo, no sentido meteorológico, fosse sempre o mesmo, sem variações, sem oscilações. Em um estado permanente de felicidade, a vida perderia a graça.

 

Porque estar feliz não é um condição por isso só, não existe em si mesma. Estava lendo esses dias sobre isso. É a comparação com algo, com um estado anterior próprio, ou uma situação e/ou uma sensação prévia que não era tão boa. É essa variação, de um estado de menos para mais energia, o que dá a sensação que chamamos de felicidade.

 

É a diferença entre um momento que não é como queremos, ou desejamos, com um em que nos sentimos em sintonia com o Universo, em que nos sentimos parte, pertencemos. Uma vida sem essas variações não tem graça, podemos dizer.

 

E é uma forma de também aceitarmos aquilo que acontece conosco e que não temos controle. 

 

Até.

 

terça-feira, março 10, 2026

Entre Temporadas

Domingo foi o show de temporada da School of Rock Benjamin, no Sgt. Peppers. Foi um dia longo e especial, como são todos quando temos shows. Muitas pessoas, correria, encontros, música. É também o que faz valer à pena.

 

Ontem, segunda-feira, ao menos para mim, foi o dia entre temporadas, como diz o título desse texto. Terminou a temporada de Latin Rock, hoje começa a próxima. 

 

Foi um dia, então, basicamente de silêncio. 

 

A rotina normal, mais cansado, não consegui fazer a atividade física regular das segundas-feiras. Paciência, eventualmente acontece. Hoje já me sinto mais em condições...

 

O final do dia de ontem foi – como toda segunda-feira – de dar carona de ida e volta para a Marina, Ana e Theo em seu curso de teatro musical. Ao ir buscá-los, perto das 21h, dirigi ouvindo Tom Jobim ‘Inédito’ uma coletânea de 2007, com algumas das suas principais canções. Noite, pelas ruas de Porto Alegre e, entre outras, ‘Samba do Avião’ e ‘Retrato em Petro e Branco’. 

 

Foi bom, foi bom.

 

Hoje, começa tudo de novo.

 

Até.

segunda-feira, março 09, 2026

Mais Um


 

Começo de semana lento após uma noite de pouco sono.

 

Mais um show de temporada, mais um uma vez no palco, ainda a mesma satisfação e realização. Esses momentos servem para reafirmar a permanência no caminho certo, aquele que escolhi também percorrer.

 

Já escrevi e ainda vou escrever sobre isso.

 

Agora não, porque ainda estou cansado da noite pouco dormida.

 

Até.

domingo, março 08, 2026

A Sopa

Dirijo por Porto Alegre às três horas da manhã, buscando a Marina e uma amiga em festa e – antes de voltar – deixar essa amiga em sua casa. Quase não falo, e torço para que não falem no carro pois, apesar de acordado, não quero ficar acordado a ponto de ter dificuldade de dormir quando voltar para casa.

 

Não funciona.

 

Ao me deitar novamente com a intenção de logo dormir, não consigo. Ausência de sono, apenas.  Sem pensamentos intrusivos, sem ansiedade. Talvez com fome, apesar de estar sem dor de cabeça (já falei isso, sempre que tenho dor de cabeça acho que é fome). Três e pouco da manhã e sem sono. Vou dormir em breve, sei, mas se não fizer nada naquele momento, o meu domingo estará comprometido.

 

Já está, afinal de contas.

 

Está estabelecido que não vou pedalar logo cedo para não correr o risco de estar cansado e me colocar em risco. É o momento em que decido tomar um remédio para induzir o sono. Durmo até por volta das oito horas.

 

Acordo lentamente, e começo o domingo, que será longo.

 

É dia de show. 

 

Sgt. Peppers Pub. Tudo começa às 17h. Mais um show de temporada, o meu décimo primeiro desde 2022, se não engano. É sempre uma experiência memorável, essa de estar no palco, entre amigos, em comunidade. É o espírito que me fez mergulhar de cabeça e me tornar inclusive sócio da School. É o pertencer, o fazer parte.

 

E isso não tem preço.


Até. 

sábado, março 07, 2026

Sábado (e ainda mais estudo)

 

Continua não sendo bossa nova



Amanhã, no Sgt Pepper's.

Vai ser bem legal, mais uma vez.

Bom sábado a todos.

Até.

sexta-feira, março 06, 2026

Quando Nos Tornamos Quem Somos?

Quando foi que você parou de fazer coisas para provar algo aos outros? Ou para parecer ser algo ou alguém? E para ser aceito?

 

Sempre gostei o trecho da música da Legião Urbana que diz “quantas chances desperdicei / quando o que eu mais queria / era provar para todo mundo, que eu não precisava provar nada para ninguém”. É mais ou menos isso: durante um bom tempo em nossas vidas, nosso comportamento é consciente ou inconscientemente moldado para a aceitação do grupo do qual fazemos ou queremos fazer parte. Para que possamos pertencer a algo maior que nós.

 

Até o dia em que decidimos ser ‘apenas’ o que realmente somos. É libertador assim como assustador. É um processo mais ou menos longo, é um caminho que devemos percorrer por nós mesmos, esse do autoconhecimento. 

 

Vale a caminhada.


Até. 

quinta-feira, março 05, 2026

Como dormem?

Tenho por princípio fundamental do meu modo de vida o respeito às pessoas e à lei. Se cada um vivesse dessa mesma forma, tudo seria bem mais tranquilo, mas essa não é uma discussão que eu acho que deve iniciar agora.

 

O que (não) me surpreende, na verdade, é o fato de existirem pessoas por aí que insistem em seguir suas vidas, e falo em termos pessoais e de atividades profissionais, à margem da lei, sem estarem em dia com as obrigações mínimas necessárias para isso. Grandes devedores, de impostos ou não, por exemplo, que – consciente e voluntariamente - deixam de honrar seus compromissos.

 

Pessoas que dirigem sob efeito de álcool. Ou que tratam de maneira indelicada pessoas que as servem.

 

Isso é a ausência de superego? Ou desvio de caráter? Como conseguem dormir?

 

Não sou ingênuo a ponto de ficar realmente surpreso com isso, com esse tipo de comportamento. Só acho que esses têm de ser expostos em sua hipocrisia. Todos têm de saber quem são para poder evitá-los, manter distância.

 

Até.

quarta-feira, março 04, 2026

Violência

Dizem que a masculinidade está em crise. 

Falem por vocês, eu estou bem tranquilo aqui no meu canto. 


Não incomodo ninguém, e não quero que me incomodem. Observo o que acontece pelo mundo, observo as pessoas. Confesso que algumas vezes me irrito com os exageros de uma lado e outro, quando ninguém está certo.

 

Não acredito que piadas possam ofender as pessoas. Para mim, não faz sentido isso. Se minhas convicções são fortes, não há piada que vá abalar isso. Posso não gostar, é meu direito, mas não posso me ofender e muito menos querer restringir o direito de quem quer que seja de fazê-la.

 

Sou casado há trinta anos (em agosto, em agosto) e pai de menina. Sou ‘minoria’ em casa, e está tudo bem. Aprendo todos os dias com elas. Só melhora.

 

Por isso, por essa minha experiência doméstica, que não entendo, não aceito e não tolero violência contra a mulher. Por isso que os feminicídios são (ainda mais) revoltantes. 

 

E voltamos à masculinidade em crise. A (necessária, óbvia) autonomia feminina, a perda da ‘força masculina’, o fato de o homem não ser mais necessariamente o provedor, a insegurança criada a partir disso, tudo isso leva, ou pode levar, ao que chamam de masculinidade tóxica, em que a violência é uma forma (abjeta) de autoafirmação.

 

O maior loser é o cara que – ao final de um relacionamento – parte para a violência. O ser mais desprezível é o que comete violência contra a mulher.

 

Para esse, não há perdão.


Até.

terça-feira, março 03, 2026

O Que Ouvimos

Estudos científicos evidenciam que nosso gosto musical, apesar de evoluir ao longo dos anos, basicamente é formado com o que ouvimos entre os doze e os vinte e dois anos de idade. São essas músicas que serão nossas preferidas ao longo de toda vida, por algumas interessantes razões.

 

Em primeiro lugar, é uma fase de alta plasticidade do cérebro, ainda em formação, absorve muito, e quando as emoções são intensas. Associamos, então, aquilo que ouvimos a alguns momentos marcantes de nosso desenvolvimento pessoal. Eventos que, nesse período da vida, potencialmente viram grandes histórias. O ouvir música, nessa fase da vida, está associado a uma grande liberação de dopamina, o que ajuda a fixar essas memórias permanentemente. 

 

É o que nos faz lembrar e cantar músicas muito antigas como se ainda as ouvíssemos diariamente, as “desencavamos” do fundo de nosso baú de lembranças, de memórias. Não só isso, e aí falo de mim, de algo que ocorre comigo de maneira muito intensa, que é a nítida sensação de voltar no tempo e estar vivendo o(s) momento(s) em que determinada música esteve presente de forma importante na minha vida. Uma máquina do tempo, que ainda hoje me impressiona e fascina.

 

Também a música como identidade pessoal e como forma de identificação e aceitação em grupos de convívio. Nosso gosto musical também é moldado pelos nossos grupos de convívio, grupos dos quais fazemos parte. Se, por um lado, a música serve para afirmarmos nossa individualidade, ela serve da mesma forma para (nos) reconhecermos (n)os iguais. É uma forma de agregar, aglutinar os semelhantes (em gosto musical, ao menos).

 

O gosto musical, então, desenvolvido nesses anos de formação, é de extrema importância, porque define muitas nossas relações sociais e locais de convívio. Uma música errada ouvida nessa época da vida pode determinar um futuro não promissor. Por isso que – minha opinião - temos que cuidar aquilo que apresentamos a nossos filhos, aquilo que ouvimos em casa.

 

O futuro deles também depende disso.


Até.   

segunda-feira, março 02, 2026

Excessos

Excesso de futuro.

 

Entre as definições de ansiedade, essa é mais uma, e – provavelmente como quase todas – está, de uma forma ou outra, correta. Quando passamos muito tempo preocupados com o que vai acontecer, com a incerteza dos desfechos para o que vivemos agora, deixamos de viver o agora. O sofrimento gerado por um futuro (im)provável nos priva o presente.

 

Da mesma forma, diz-se que o excesso de passado, com o foco em culpas, mágoas e arrependimentos é sinal de depressão. Seria um outra forma de ‘fugir’ ou não conseguir viver o presente. Ambos seriam, então, fugas da realidade com consequências ruins para quem vive essas condições. Penso que se é para fugir da realidade, que ao menos seja divertido...

 

Quem me conhece um pouco (não muito) mais profundamente sabe, afinal aparentemente está ‘na cara’, que em mim o pêndulo tende para o lado do excesso de futuro, ou a preocupação com o mesmo, ansiedade. De tempos em tempos, sou ‘atacado’ por pensamentos intrusivos que, se antes não acontecia, recentemente me fizeram despertar (ainda) mais cedo do que o costume algumas vezes.

 

Aprendi a identificar esses episódios, a natureza irracional deles, e o antídoto a esses momentos. Torno os pensamentos racionais, até os verbalizo para que soem o que são, irreais e sem sentido. Tem funcionado, até o próximo episódio em que tenho que fazer o mesmo trabalho mental para ‘voltar aos eixos’.

 

E assim vamos.

 

Até.

domingo, março 01, 2026

A Sopa

Daquela noite em diante.


Quando olhamos para trás, em busca de entender a forma pela qual chegamos aonde estamos e como nos tornamos quem somos, nem sempre é possível identificar um momento único que resultou em uma grande mudança na vida, uma grande mudança em nós. Principalmente porque essas mudanças que ocorrem usualmente ocorrem de forma gradual, de início pequenas e – como juros compostos ou mesmo uma avalanche – resultarão com o passar do tempo em grandes alterações.

 

Eventualmente, claro, conseguimos identificar um ponto de virada ou outro, mesmo que não tenhamos como quantificar o tamanho do impacto do que está acontecendo em tempo real, à medida vivemos esse momento. Quase sempre será em retrospectiva, e encaixaremos os eventos na narrativa que vamos contar, na estória que interessa.

 

Já falei disso, como quando ler um jornal em uma manhã do ano de 1985 me levou a ir fazer minha primeira carteira de identidade para a inscrição do teste de seleção da Escola Técnica de Comércio da UFRGS, curso Operador de Computador, ainda antes da Internet no Brasil, o que me fez conhecer pessoas e que moldou minha forma de ver o mundo. Ou quando sonhei com a Jacque justamente na noite em que havia reatado um outro relacionamento e tínhamos ido para a praia para o carnaval, e acordei no meio da noite e pensei que nunca teria uma chance com ela, a Jacque, com quem nunca tivera nada, e o relacionamento que eu havia retomado acabou no dia seguinte, não porque eu tenha feito algo, mas porque não era para ser e ela (com quem eu tinha reatado) sabia disso, e o caminho ficou livre para eu perguntar para a Jacque, há trinta e um anos, porque ela brincava comigo e ela responder que não era brincadeira, e  tudo é história desde então.

 

Como eu disse, o tempo, quando olhado em retrospectiva, passa rápido e se encaixa em nossa narrativa.

 

Em fevereiro de 2022, em meio à pandemia, já tendo passado sua pior fase, tiramos férias e fomos para o Uruguai em família. Seis em um carro, Karina, Gabriel, Roberta, Marina, Jacque e eu. Eu dirigindo e definindo a trilha sonora, afinal ‘meu carro, minhas regras’. 

 

Comecei a viagem no modo grumpy, como de costume. 

 

Pandemia, tempo sem férias, a saúde do meu pai que não era das melhores naquele momento (morreria em julho daquele ano, infelizmente) eram alguns do fatores que contribuíam para isso. Acontece que as coisas mudaram durante a viagem. Relaxei, me soltei, aproveitei a viagem como poucas vezes fizera na vida, admito. Leve, sorridente, em paz.

 

Foi assim que voltei, e foi assim que fui para ver a Marina fazer show na praia naquele sábado à noite. Litoral norte gaúcho. Chegamos na praia no meio da tarde, e estivemos acompanhando desde a montagem do equipamento até a passagem de som. Um violão passou por minhas mãos, brinquei com ele um pouco.

 

Assistimos (a Jacque e eu) ao show, que foi bem legal. Um clima familiar, de comunidade e mais importante de tudo, de pertencimento. Me senti em casa e acolhido. Em determinado momento, olhei para a Jacque e disse que aquilo era o que eu queria para mim. Era o ambiente onde eu queria estar.

 

Não tinha ideia da magnitude da mudança que viria a partir dali, do quanto eu mudaria a vida a partir daquele momento. Lugares, pessoas, relações. A música como uma constante nos meus dias.

 

Como em toda decisão que tomamos, temos de viver com suas consequências. Perdemos aqui e ali, enquanto ‘ganhamos’ em alguns aspectos. Pessoas chegam e pessoas saem, tudo normal. 

 

A conta final, a ‘fatura do cartão’, essa virá em algum momento, e sempre esperamos que seja positiva para nós. Faremos, com certeza, que ela seja, ou ao menos pareça, coerente como a narrativa que escrevemos de nossa vida. É assim, sempre foi assim.

 

Está sendo assim.

 

Mesmo que eu não soubesse o tamanho do que aconteceria, os caminhos que eu percorreria a partir dali, eu sabia que tudo seria diferente daquela noite na praia em diante, quando eu percebi que era aquilo que eu queria para mim.


Até. 

sábado, fevereiro 28, 2026

Sábado (e mais estudo)

  
E não é bossa nova...
 

Domingo, 08/03.
Espaço 373.

Bom sábado a todos.

Até.


sexta-feira, fevereiro 27, 2026

Hábitos

Lá em casa ainda recebemos o jornal físico todas as manhãs.

 

Parece um contrassenso, eu sei, em tempos de notícias atualizadas em tempo real no telefone celular, manter o custo que não é barato da assinatura de um jornal que é entregue na nossa porta dos todos dias de manhã com notícias do dia anterior. Reconhecemos isso, não sabemos quanto tempo mais ainda irá durar, mas seguimos.

 

Também porque sou (agora falo de mim, especificamente) uma pessoas de hábitos. Como ler o jornal enquanto tomo café da manhã, o que normalmente faço antes das meninas tomarem seu café. Então é um momento de silêncio, de leitura e sem tecnologia, antes de me conectar com o dia que começa.

 

Nos últimos dias, em meio à leitura, incluí fazer as palavras cruzadas que vem nele. Envelheci uns vinte anos desde então. Mas tem sido bem divertido.


Até 

quinta-feira, fevereiro 26, 2026

Escrevo, Logo Existo

Registro da memória e entendimento das coisas.

 

Depois de um ano e meio em que escrevi diariamente como método, como rotina, decidi me conceder uma folga. Em dois mil e vinte e seis escreveria menos, mais relaxado, talvez com mais tempo por não ter a ‘obrigação’ de escrever todos os dias. Poderia escrever textos mais elaborados, mais bem pensados do que o registro diário (quase) contra o relógio, no começo do dia.

 

Não deu certo.

 

Para mim, ao menos. Senti falta de fazer, do compromisso assumido comigo mesmo de manter a rotina, o hábito. Foi estranho, admito. A ideia é, não sei em qual ritmo, voltar a isso.

 

Escrever, já sabia e tive essa certeza reforçada, é uma forma de terapia para mim. Quando escrevo, verbalizo ali o que penso, o que sinto, o que espero e do que tenho medo. Registrar, colocar no papel, mesmo que virtual, as minhas ansiedades, as torna reconhecíveis, quase palpáveis e dá a devida dimensão a elas, que usualmente são menores do que parecem quando permanecem no campo do pensamento ansioso. Também para registrar o que se passa, o que acontece na (minha) vida.

 

Não só escrever tem esse feito para mim, claro. Conversar, falar sobre o que penso e sinto é – desde que consigo lembrar – uma das melhores formas de lidar com o que acontece, de reagir ao mundo e suas demandas que podem gerar angústia. Me ajudam a colocar as coisa em perspectiva, a retirar o hiperfoco em mim e olhar para o todo. 

 

Mas esse sou eu, o meu jeito. Cada um tem sua forma de lidar com as coisas, com o mundo.

 

Até. 

quarta-feira, fevereiro 25, 2026

Esse Mês

Fevereiro está longo demais.

 

Estranho isso, essa sensação de que o mais curto mês do ano está mais longo que os meses mais longos, ainda mais porque é verão e deveria tudo ser mais calmo, mais leve. Até que foi, mas não foi.

 

Não foram realmente férias aqueles dias do começo do mês em que não trabalhamos, não por ficarmos em Porto Alegre, mas por fatores já contados aqui. A Hermione – nossa gatinha – estava internada e não se recuperou, exatamente naqueles dias, que foram de visitas ao hospital veterinário, e alguma atividade física.

 

Tive momentos de pensamentos intrusivos que me acordaram de madrugada e tiraram o sono, e um trabalho mental para superá-los. Fantasmas que rondam e tentam me pegar com a guarda baixa para aterrorizar. Não têm conseguido, desde que detectei essas “tentativas”.

 

Tergiverso, contudo.

 

Só quis dizer que esse fevereiro não foi (para mim, para mim) carnaval. Março, por outro lado, será um mês meio de trabalho e meio de fora, por aí, entre reuniões e algum descanso.

 

Start spreading the news...


Até. 

terça-feira, fevereiro 24, 2026

El Inimigo

Não vou falar sobre vinhos.


Convivo com um inimigo na trincheira.

 

Alguém que está volta e meia rondando, esperando qualquer potencial vacilo, qualquer revés, para logo dizer “eu avisei...”. Como se estivesse torcendo contra mim o tempo todo. Um chato. Cansativo.

 

Até lhe dei um apelido, ‘Sabotador’.

 

Já conseguiu me tirar o sono, atrapalhar minha rotina, me irritar. Sou, contudo, obrigado a conviver com ele, não tenho como fugir, infelizmente. Por outro lado, admito que tenho partido para o conflito aberto, o tenho encarado de frente. Dizer seu nome, olhar no olho, mostrar quem está com a razão, ser racional. É um forma de lidar com essa situação.

 

É uma forma de lidar comigo mesmo.

 

Sim, eu muitas vezes sou meu próprio inimigo, aquele que tenta me botar para baixo, quem duvida do meu próprio potencial. Aquele que acha que as coisas não vão dar certo, que olha para o próprio umbigo e pode esquecer de olhar o todo, de perceber o caminho percorrido e a ser percorrido.

 

Minha sorte é que ele (o eu negativo) não está (mais) presente tão frequentemente, e – por esses dias – quando ele surge eu rapidamente reconheço e estou melhor nos meios de anular seus efeitos.

 

Seguimos.


Até. 

segunda-feira, fevereiro 23, 2026

A Sopa

 É como se voltasse no tempo. 

Depois de mais de vinte anos, como foi em seu início, quando a enviava por e-mail para uns poucos “assinantes”, publico uma Sopa em uma segunda-feira de manhã. Ainda antes de ser blog, antes de ir para o exílio e muito antes de ser livro, era nas segundas-feiras em que eu escrevia a sopa semanal, o que inicialmente chamei de ‘Sopa News’, e que – ainda antes de eu ir para o Canadá (celebro vinte anos desde que voltei no dia 30 de junho próximo) – virou o blog ‘A Sopa no Exílio’. Em 2024, em meio aos efeitos da enchente, lancei meu primeiro livro, de mesmo nome.

 

Mudou o mundo, mudei eu, desde maio de 2004, na provável última vez que enviei uma Sopa em uma segunda-feira de manhã. Pessoas entraram e outras saíram da (minha) vida nesse período, circulei por alguns ambientes tóxicos, mas – principalmente – vivi histórias com pessoas que valeram à pena conhecer.

 

Tive momentos em que me senti uma ilha, isolado em meio à multidão. Por outro lado, foram MUITOS momentos em que estive – como dizem – em sintonia com o Universo, onde tudo está bem, e sabemos que estamos no lugar certo com as pessoas certas. Parece um resumo da vida, de qualquer vida, isso, e provavelmente é mesmo.

 

Não sei se vou escrever outras Sopas em segundas-feiras, mas não importa. O que vale é estar com quem realmente importa.

 

Até.

sábado, fevereiro 21, 2026

Sábado (e uma noite de verão)

 

Ramblas, Atlântida/RS


No palco, Pai e Filha...
Que momento!

Bom sábado a todos.

Até.



quinta-feira, fevereiro 19, 2026

O Último

Nem sempre, melhor, quase nunca, sabemos quando será a última vez de algo ou alguma coisa que iremos viver. O último encontro, a última refeição, o último abraço. A última vez que brincamos de esconder ou passamos a noite conversando com amigos esperando o sol nascer.

 

Sempre será a lembrança, a constatação em retrospectiva daquilo que vivemos sem saber que seria uma despedida. Se soubéssemos, talvez não fosse natural, ou talvez tornássemos um ritual, uma cerimônia.

 

O último carnaval com os amigos da praia. O último churrasco ou xis antes de tomarem um rumo diferente na vida.

 

Por isso acho sensacional isso de – bem diferente de quando passei por essa fase da vida – celebrarem o último primeiro dia de aula da escola. Quando vai se iniciar o terceiro ano do ensino médio, as turmas do “terceirão” fazem uma festa na noite anterior, em que passam a noite juntos e, na sequência, vão para a escola para marcar o ‘Último Primeiro Dia de Aula’.

 

Fotos e vídeos. Registros desse momento.

 

Criar memórias, histórias para contar.

 

Fico feliz de acompanhar isso, assim, sem interferir, meio de longe, que a Marina está vivendo por esses dias.

 

Até.

domingo, fevereiro 15, 2026

A Sopa

Eu não gosto de café, descobri recentemente.

 

Confesso que me senti perdido, algo desorientado, meio que sem chão, até. Porque sempre achei que gostasse de café, aquela bebida que tomo várias vezes ao dia, principalmente em dias de trabalho. Isso há muitos anos, de verdade.

 

Começou quando passaram a dizer que eu não deveria adoçá-lo, que era uma heresia, praticamente um atentado violento ao pudor colocar algumas gotas de adoçante, ou um pouco de açúcar no meu cafezinho diário. Que eu deveria tomar o café sem adoçá-lo de nenhuma forma, para sentir o verdadeiro gosto do mesmo. Mais ainda, que o café que eu tomava era um café ruim, não era o “verdadeiro” café. 

 

As pessoas passaram a considerar um demonstração de virtude, isso de tomar café sem açúcar ou adoçante. Acabam por considerarem-se superiores por esse fato. Olham para os reles mortais, tomando seus cafés comuns, com desprezo. E ficam por aí, em redes sociais, clamando sua superioridade moral, quase como os veganos fazem com relação a quem – como parte de uma espécie onívora – come carne. 

 

Se faz bem para ti, por mim tudo bem.

 

Só fica na tua, por favor.

 

Se consideras que o único café que vale à pena é o Kopi Luwak, usando um exemplo extremo, feito com grãos colhidos das fezes de uma civeta, um pequeno mamífero, e que é o mais caro do mundo, ou o Café do Jacu, ave brasileira, que ingere os melhores frutos e, como o trânsito intestinal é muito rápido, o diferencial é a seleção natural da ave por frutos perfeitos, resultando em um sabor frutado, com notas de amora e morango, se achas que são esses os únicos cafés que valem, que bom para você. Gosto é algo individual. Só não fica enchendo o saco dos outros querendo impor regras quanto a isso. 

 

Se não, é você (junto com quem usa vape) que é um jacu.


Até.