segunda-feira, agosto 09, 2010

O milagre do dia dos pais

Não acredito em milagres.

Dito isso, devo contar um fato ocorrido com esse que vos escreve, caro leitor, no dia de ontem, justamente o dia dos pais. Para situar todos da situação, volto no tempo algumas semanas quando - ao sair do carro ao chegar no trabalho - percebi que não estava com meus óculos escuros. Rapidamente o procurei no local onde o guardo no carro e não encontrei.

Devo dizer que não eram uns óculos quaisquer. Eram óculos Ray-Ban, referência RB3269, que eu havia comprado para repor um anterior que eu tinha ganho de presente da Jacque há um tempo atrás e que havia esquecido sobre o carro quando fui sair do hospital um dia à tarde. Tinha, esse que recém descobrira ter perdido, pouco mais de cinco meses de existência. Por isso, pelo pouco tempo de uso, e por não ser um acessório dos mais baratos,fiquei bem frustrado com a possível perda.

Procurei com calma no carro, sem sucesso.

Como não lembrava exatamente quando tinha sido a última vez que eu o usara, circunstância do inverno chuvoso no sul do Brasil, resolvi procurar em todos os locais em que trabalho: consultório, posto de saúde, universidade em Santa Cruz do Sul, Santa Casa de Porto Alegre, Associação dos Médicos do Hospital da PUCRS. Perguntei em todos.

Nada.

Procurei em casa, nos bolsos de casacos, em gavetas.

Nada, nada.

Até alarme falso houve. Na associação dos médicos, da qual sou tesoureiro, comentaram que um médico havia dito ter perdido os seus óculos e ela haviam encontrado justamente uns óculos. Ray-Ban! Paranóico, pensei em perguntar ao colega se por acaso ele havia encontrado os meus óculos.

Não fui adiante, claro.

Mandei lavar o carro e prometi um bônus se os óculos fossem encontrados.

Nada.

De raiva, até parei de usar lentes de contato e passei a usar óculos, e prometi a mim mesmo que só compraria óculos novamente no verão, quando fosse imperioso. Mas confesso que mantinha uma ponta de esperança que eu o achasse jogado em algum lugar em casa.

Evidentemente, nunca o encontrei em casa.

Ontem, domingo, dia dos pais, fomos almoçar com o meu pai e o pai da Jacque no restaurante do Veleiros do Sul que agora é no Jangadeiros (longa história), que carinhosamente chamamos de almoçar "nas gurias", devido ao ótimo relacionamento que temos com as donas/administradoras , Rose e Maristela. Ao chegar lá, estacionei o carro e, ao pegar as coisas da Marina no banco de trás, misteriosamente os óculos apareceram jogados justamente sobre o banco. Inexplicavelmente sobre o banco.

Recuperei os óculos perdidos.

E não tenho a menor idéia de como aconteceu.

Até.

domingo, agosto 08, 2010

A Sopa 10/02

Sou um cara de convicções.

Como já falei aqui em algum momento do passado, temos que ter convicções na vida, algumas posições firmes que estabeleçam, sem sombra de dúvidas, quem somos e o que as pessoas podem (ou não) esperar de nós. Como o sagu, a melhor sobremesa do mundo. Mas isso não é sobre o que quero falar. Falo sobre convicções.

Desde muito cedo, por exemplo, eu sabia que eu era ‘para casar’. Enquanto amigos, colegas de aula, previam que só casariam depois dos quarenta anos, pois tinham “muito que aproveitar”, eu pensava (não dizia, para não criar discussões) que eu casaria na hora em que tivesse que casar. Poderia ser até aos quarenta, assim como poderia ser aos trinta ou aos vinte anos. Tudo dependeria das coisas que viriam. Uma obviedade, certamente, mas que poucos colegas na minha idade na época conseguiam ainda enxergar. Acabei casando com vinte e quatro anos, e não me arrependo nem por um minuto sequer.

A mesma coisa com relação a ter filhos.

Sempre soube que queria ter filhos, ser pai. Mesmo antes de casar, já sabia disso. Demoramos, a Jacque e eu, uns bons anos até concordarmos que já era hora de tentarmos, e aproveitamos muito esse tempo antes dos filhos. Viajamos muito, conhecemos lugares, até passei um tempo no Canadá fazendo o meu pós-doutorado enquanto ela ficou aqui, tocando a vida. Até esse período nos fez bem e fez amadurecer para quando ela engravidou e veio a Marina.

Ser pai põe a vida numa perspectiva diferente. Nada é tão importante quanto a família. Nada é melhor do que o tempo que passas com tua filha. Nada emociona mais que ela dizer ‘papai’.

Nesse dia dos pais, só posso dizer que é um honra poder se pai. E uma sorte. Uma maravilha, enfim.

Até.

domingo, agosto 01, 2010

A Sopa 10/01

Nem tudo está perdido.

Você entende o que quero dizer, estimado leitor. Falo do mundo em geral. Aquele que todos os dias vemos sendo agredido pela mão do homem, que utiliza os recursos naturais indiscriminadamente e não se preocupa com a preservação desses recursos que são finitos. O efeito estufa, as alterações climáticas devido à ação do homem, o aumento da temperatura global, os terremotos, as enchentes. Parece que todas as catástrofes da natureza seriam algum tipo de reação ao que temos feito com o planeta. Isso sem falar no que o homem faz a si mesmo, diretamente.

Podemos pensar em guerras, nos crimes do dia-a-dia que ainda deveriam nos horrorizar, nos malditos pedófilos, nas injustiças sociais, na fome. Homens matando iguais pelas mais variadas razões e, muitas vezes, sem razão, sem sentido nenhum. Já declararam que somos uma espécie que não deu certo, e estamos condenados à extinção, que inevitavelmente virá, mais cedo ou mais tarde.

Tudo ruim, você pode pensar.

E pode se perguntar como alguém pode ainda pensar em ter filhos, em meio a essa selvageria, essa barbárie toda. Pois é.

Aí então você leva a sua (seu) filha (o) até um parque ou uma pracinha. E você a embala no balanço, brinca na gangorra, ela (e) desce no escorregador. Só que vocês não estão sozinhos, outros pais e mães estão com seus filhos (as) na mesma praça brincando. E ocorre o milagre.

Vocês, totais estranhos, de origem e profissões as mais diversas, mas que tem em comum filhos ou filhas pequenas que brincam ali, naquele momento, percebem que na verdade não são estranhos, e compartilham histórias e experiências, num momento de – podemos dizer – comunhão, em que o que liga vocês é isso, ser humano.

Enquanto houver crianças e parquinhos o mundo não acaba.

Até.