quinta-feira, julho 22, 2021

A Sopa

 Amenidades. Ou não.

 

Esses dias, ao chegar na academia para minha atividade física diária, ao deixar o carro no estacionamento, parei rapidamente no café junto a ele para comprar uma água e comer algo rápido antes de iniciar a atividade propriamente dita, e conversei rapidamente com a dona do café e uma das professoras da academia. A Lu, uma das donas do café, comentou que admirava minha dedicação e disciplina, e perguntou quantas vezes por semana eu fazia atividade física.

 

Sete ou oito vezes por semana, comentei.

 

De segunda a sexta na academia, aos finais de semana de bicicleta (a meta – modesta – de 60km por semana) e algumas quartas-feiras também de pedal. “De novo, admiro tua disciplina”, disse ela. Falei que não era tudo isso. O pedal dos finais de semana era diversão, e que ir para a academia diariamente era questão de não pensar.

 

Isso, não pensar.

 

Uma rotina, algo automático, natural. Assim como acordo diariamente e vou trabalhar, ocorre o mesmo com a atividade física. Se tenho algum mérito (tenho, eu sei) é pelo fato ter conseguido – depois de muitos e anos tentando – encaixar a atividade física na minha rotina. Nunca anteriormente havia conseguido manter a regularidade de frequentar academia por tanto tempo consecutivo.  São dois anos, que completo agora em agosto. Durante a pandemia, mesmo com a academia fechada, segui com a rotina dos exercícios em casa. 

 

A questão da disciplina é bem importante nesse contexto. O fato de me provar mais disciplinado do que fui em qualquer momento da minha vida pregressa tem efeitos significativos em outros aspectos da vida em geral, como nos estudos, e leituras até (que ainda tento melhorar, diminuindo o tempo de telas).

 

Está sendo bem bom, em termos de saúde – o motivo principal – e de melhora da autoestima, um efeito colateral muito bem-vindo...

 

Até.

sábado, julho 17, 2021

Sábado (e a passagem do tempo)


                        2014 vs 2021

                        Bom sábado a todos.

                        Até.

                   

segunda-feira, julho 12, 2021

A Sopa

 Parei de contar os dias de pandemia.

 

Estamos no segundo ano, e aqui no Sul do Mundo, após o inferno que foi o mês de março de 2021, com o grande pico de infecções e internações, com o quase colapso do sistema de saúde, vivemos agora um momento mais tranquilo. À medida que a vacinação avança, a situação melhora, mesmo que lentamente.

 

Não podemos baixar a guarda, contudo.

 

Todos os cuidados que tínhamos, devem ser mantidos, para que tudo possa terminar o quanto antes. Máscaras, distanciamento, evitar aglomerações, tudo faz parte do que temos que seguir fazendo para que possamos avançar. E seguir as recomendações que são baseadas em evidências científicas, que são embasadas em estudos realizados, e bem realizados.

 

Temos visto, neste cerca de um ano e meio de pandemia, que muitos, por mais preparados que sejam, por mais estudados que sejam, no momento em que estamos frente a um desafio gigante (o que tem sido esse tempo) portam-se como o marinheiro que – ao ver um problema na embarcação -  sai correndo de um lado a outro gritando “vamos morrer, vamos morrer”, quando o que ele deveria fazer era se utilizar de seu conhecimento e de seu treinamento para propor soluções, para ajudar. Já falei disso: entendo a angústia, mas, antes de mais nada, não podemos prejudicar aqueles que buscam nossa ajuda prescrevendo tratamentos sem comprovação, ou – pior – que podem causar mais mal que bem.

 

E tem se visto coisa, posso dizer.

 

De qualquer forma, devemos tentar manter o juízo crítico e o bom senso em meio a dias confusos.

 

De novo, vai passar

 

#

 

Não só isso: parece, em determinados casos, que voltamos no tempo, quando tínhamos pouco conhecimento sobre o mundo. A ciência avançou muito nos últimos anos, e a descoberto/criação de vacinas em tão pouco tempo é uma prova disso. Nunca estivemos tão preparados – por paradoxal que possa parecer – para lidar com uma situação dessas como agora. Por isso a minha convicção de que vamos superar isso em breve. E vem desse fato também a minha surpresa com ter ouvido colegas comentarem – há quase um ano, ao saber que eu havia sido voluntário para o estudo de uma das vacinas – que esperariam “porque a vacina foi criada em muito pouco tempo...”, como se estivéssemos em 1950!

 

Fingi que não ouvi, não valia a pena discutir.

 

Quem sabe procurassem um pajé naquele momento.

 

Vai saber.

 

Até.

sábado, julho 10, 2021

terça-feira, julho 06, 2021

A Sopa

Final de semana.

 

Eu sei que estamos numa terça, ou quarta-feira, não importa o dia da semana em que estou publicando essa crônica, mas quero falar um pouco sobre o final de semana. Sobre como se tornaram melhores os finais de semana novamente.

 

Sim, novamente.

 

Porque uma das consequências da pandemia e do distanciamento social decorrente dela foi que, em primeiro lugar, os dias ficaram mais ou menos iguais durante grande parte do ano passado, como se vivêssemos – e sei que já falei isso – o clássico filme ‘O Feitiço do Tempo’ (Groundhog Day, 1993), condenados a reviver o mesmo dia eternamente. Não havia muita diferença entre quarta-feira e sábado, ou terça, o que era um crime, porque o melhor momento da semana, como todos sabem (ou deveriam saber) é o sábado de manhã, de sol. 

 

Tergiverso, eu sei.

 

Outra razão para que os finais de semana tivessem perdido a graça foi que as socializações foram interrompidas. Estivemos distantes (com razão) fisicamente de familiares e amigos desde o início da pandemia, com raríssimos encontros cheios de cuidados e sem aglomerações. E isso – ainda – não voltou a normal, claro.

 

Como médico, e pneumologista em especial, desde o último trimestre do ano passado, tenho trabalhado intensamente, atendendo inicial e preponderantemente pacientes com e pós-COVID-19, online e presencialmente, e depois pacientes pneumológicos em geral, que retornaram aos consultórios porque suas condições não desapareceram pelo coronavírus. O trabalho tem sido grande e gratificante. Nunca fui tão médico quanto agora, tenho a impressão.

 

Mas falava dos finais de semana.

 

Como não há possibilidade de trabalho remoto, de home office, a rotina de trabalho voltou, e acrescida de novas atribuições surgidas durante o ano passado. A semana de trabalho tem sido cheia novamente, e a chegada dos finais de semana tem representado realmente uma parada e momentos de descanso. E têm sido leves, agradáveis.  

 

Como sempre devem ser.

 

Até. 

sábado, julho 03, 2021

Sábado (and the memory of time)


         World Trade Center Memorial

          New York, NY

         Bom final de semana a todos.

          Até. 

domingo, junho 27, 2021

A Sopa

Inverno.

 

Noite, frio, amigos reunidos tomando vinho, conversando, ouvindo música e tomando uma sopa, uma sopa de ervilhas. Simples assim. Essa foi a premissa, a partir de uma conversa informal com um grande amigo, para o surgimento, há vinte e cinco anos – um quarto de século – da Sopa de Ervilhas Anual do Marcelo.

 

A partir daí, a Sopa simboliza quem sempre procurei ser: um agregador, um ‘botador de pilha’. Por mais que tenha passado o tempo, e eu tenha ficado por muitas vezes mais quieto, menos expansivo, essa é a minha essência. Mas, a Sopa...

 

O primeiro ano, 1997.

 

Fiz sopa de ervilhas – pela primeira vez – para oito pessoas, numa noite de junho. Não temos registro em foto e – honestamente – não lembro de todos os participantes. Foi o início, e já chamei de Sopa de Ervilhas Anual do Marcelo. O segundo ano, em 1998, não foi em casa (usamos o salão de festas do edifício onde morava o amigo Jean Zanardo, que hoje vive em Erechim/RS) e foram 12 participantes. Foi quando fizemos as primeiras camisetas.

 

A 3ª Sopa de Ervilhas Anual do Marcelo foi no Veleiros do Sul, do qual sou sócio, local que se tornou sede das sopas de maior público. Foi nesse ano em que alugamos um aparelho de karaokê. Foi um sucesso. Ato contínuo, para o ano seguinte, montamos a Banda da Sopa de Ervilhas do Marcelo, a Banda da Sopa, cuja formação original tinha nos vocais e baixo o amigo e colega de faculdade Alexandre Magno, no violão/guitarra solo o Márcio Neves, amigo desde o segundo grau/ensino médio nos anos 80, e eu como violão base, segunda (bem distante da primeira) voz e “dono da bola”... Ao longo dos anos seguintes tivemos participações dos amigos Sylvester, na bateria, e Dani Laks, no baixo.

 

Paralelamente aos eventos, uni a Sopa com minha vontade de escrever, e criei “A Sopa”, um semanário enviado a “assinantes” por e-mail, que durou até eu ir para o Canadá. Pouco antes de ir, criei o blog (esse blog) chamado “A Sopa no Exílio”, que serviu como forma de me manter escrevendo, me comunicando com as pessoas, e uma forma de contar como era a minha vida no Canadá.

 

O blog acabou servindo como “porta” para conhecer outros blogs de brasileiros que viviam em Toronto, e os personagens por trás desses blogs. Acabamos nos reunindo, a primeira vez em um restaurante. Daí para surgir a ideia de fazer uma Sopa em Toronto, foi um “pulinho”. Fizemos, então, A Sopa de Ervilhas do Marcelo no Canadá, em maio/2005.

 

Antes disso, nos últimos dias de dezembro de 2004, eu havia feito uma sopa no Estados Unidos, apenas para a família, na casa do meu irmão em Nova York. Essas, Toronto e Nova York, as duas “experiências” internacionais da Sopa do Marcelo.  

 

Voltando um pouco no tempo, ainda antes de ir para o Canadá, a Sopa – o evento – acabou tomando proporções maiores: chegamos a ter mais de cinquenta pessoas numa das edições. Cheguei a utilizar uma cozinha de restaurante para preparar a Sopa. Quase perdi o controle criativo da Sopa... A edição de 2003, um ano antes de ir para o Canadá, foi a chamada “Última Sopa de Ervilhas de do Marcelo”. 

 

Não seria a última, claro.

 

De volta ao Brasil, continuei fazendo a Sopa, mas agora em casa, para a família e eventualmente alguns poucos amigos, com exceção do ano de 2012, quando fizemos novamente um evento grande no Veleiros do Sul. Aí já com a presença da Marina, e outros filhos de amigos.

 

A pandemia, evidentemente, tornou temporariamente inviável a realização do evento, mas não de fazer a Sopa. Esse final de semana, quando se completam vinte e cinco anos desde que fiz a primeira vez, fiz Sopa mais uma vez. E está/estava boa. Sempre digo que a sopa, por melhor que esteja, não será melhor que a do ano que vem. 

 

Que esperamos que não seja em tempos de distanciamento social. 

 

Até.