terça-feira, julho 09, 2024

Egoista, eu

Quando, em plena pandemia, lá por 2020 ou 21, idealizei um projeto de podcast, o meu objetivo inicial era o de conhecer pessoas, ouvir suas histórias e encontrar os pontos que nos conectavam. Talvez fosse pelo distanciamento social, mas sentia uma “urgência” de ouvi-las, de conhecer as histórias de cada um. O conceito inicial era o de que todo mundo tem uma história de vida que merece ser contada, merece ser ouvida.

 

Ao longo do tempo, desde daquilo que foi o embrião do programa que fazemos agora, o ‘Qual é o Tom’, a ideia ganhou contornos e proporções que eu sinceramente não esperava. Mas digo que – no fundo – é um projeto egoísta meu: eu quero e gosto e me divirto conhecendo pessoas, criando e cultivando relações e conexões, novas histórias.

 

O que é MUITO legal.

 

E você, já conhece o Qual é o Tom?.

 

Até.

 

segunda-feira, julho 08, 2024

Mais Uma

Segunda-feira.

 

Enquanto faço o trajeto de cerca de vinte e poucos minutos entre minha casa e o consultório, ouço música. Por um longo período, utilizava esse tempo para me atualizar das notícias e ouvir comentários no rádio, mas de um tempo para cá voltei ocupar o silêncio de dentro do carro, em meio ao trânsito barulhento, com música. Muitas vezes como estudo, ouvindo aquelas que farão parte da próxima temporada da School of Rock, mas em outras apenas ouvindo músicas que me agradam, ou que tem história comigo. Podem ser as mesmas, estudo e memória, mas nem sempre o são.

 

Vinha eu hoje cedo ouvindo outra vez músicas transportadoras (das quais falei semana passada) de uma playlist de nome sugestivo ‘Memória’, e que criei há alguns anos, quando comecei a utilizar o Spotify, e que foi um resgate praticamente em ordem cronológica das músicas que tinham (tem) significado para mim, por serem depositárias da memória de quem fui, do que vivi. 

 

Algumas delas, juntas, inclusive contam uma história completa, com início, meio e fim, nesse caso de 1988, como uma sequência de músicas do Cazuza que termina com ‘O Nosso Amor a Gente Inventa’, cuja mensagem ou, melhor, história – para mim, para mim – fala de um erro ao tentar retomar uma relação que não era para ser.

 

O teu amor é uma mentira
Que a minha vaidade quer
E o meu, poesia de cego
Você não pode ver

 

Não pode ver que no meu mundo
Um troço qualquer morreu
Num corte lento e profundo
Entre você e eu

 

O nosso amor a gente inventa

Pra se distrair

E quando acaba a gente pensa

Que ele nunca existiu

 

Acho essa uma das mais lindas músicas do Cazuza, que compôs muitas das músicas que fizeram / fazem parte da trilha sonora da minha vida.

 

Até.

domingo, julho 07, 2024

A Sopa

Penso na semana de quatro dias úteis.

 

Sou, por conceito, favorável a trabalho de segunda à quinta-feira e um final de semana composto por três dias. Ia ser legal. Como profissional liberal, poderia estabelecer que a minha semana de trabalho encerrasse na quinta-feira no final da tarde, mas ainda não é o momento, se é que um dia vai acontecer. Como empreendedor, que agora sou também, certamente não seria o mais prudente também. E então penso em como a (minha) semana de trabalho mudou ao longo do tempo, desde que me formei e depois terminei a residência médica.

 

O começo da carreira médica de fato, após completar minha formação como pneumologista, foi com plantões, aos finais de semana e noites. Sofria internamente por estar de plantão num sábado de sol (o melhor momento da semana) enquanto amigos e familiares estavam de folga. Não gostava de dormir fora de casa, apesar de – quando no plantão – gostar e me divertir no trabalho. Durante um tempo, a rotina de plantão à noite e trabalho na manhã seguinte foi frequente. E ou estava de plantão ou viajava para trabalhar, isso quando não viajava para fazer plantões.

 

Quando morei no Canadá, a vida e a rotina de trabalho eram bem diferentes. Eu chegava no hospital por volta de 8h30 e era o primeiro a chegar. À tarde, por volta das 17h encerrava o dia, e não havia plantões e nem finais de semana de trabalho. Era bom.

 

Quando voltei a morar no Brasil, o recomeço foi com a decisão de não mais fazer plantões, mesmo que isso implicasse em rendimentos menores no início. Mas não significou menos deslocamentos a trabalho, além do trabalho em múltiplos locais e até cidades.  Por quase dez anos viajei semanalmente para dar aulas em uma Universidade a 150km de casa. Ia e voltava no mesmo dia, em tempo ainda de buscar a Marina na escolinha. Eram muitas horas semanais em trânsito, em Porto Alegre e fora da cidade. 

 

Houve um momento em que minha semana era – de certa forma – escalar uma montanha entre segunda-feira e quarta. Intensa e cansativa até a quarta-feira à noite, quando começava e reduzir a intensidade lentamente até chegar no final de semana. Quando trabalhei numa multinacional da indústria farmacêutica, o sábado de manhã (o melhor momento da semana) iniciava bem cedo mesmo, porque era um período que utilizava para estudar e preparar materiais. 

 

Esse período, aliás, foi agitado porque havia as viagens semanais para dar aulas, normalmente às quintas-feiras voltando no primeiro horário da sexta-feira para ainda trabalhar. Eu gostava muito, mas, olhando em retrospectiva, era meio insano. Tanto é que nos meus últimos dias como funcionário eu estava estressado, sedentário e obeso. Como eu disse, foi bom, mas estava cobrando um preço alta em minha saúde.

 

Quando encerrou (meses antes do que eu havia planejado) meu vínculo com a indústria, e entrei em um período de quarentena informal na minha relação com ela, que emendou com a pandemia e que – de certa forma - dura até hoje, decidi fazer um “ano sabático”, dedicando apenas ao meu consultório. Como já contei aqui antes, esse período encerrou alguns poucos dias antes de estourar a pandemia, o que “prolongou” esse período...

 

Durante a pandemia, acabei sendo contratado como professor em um Universidade na região metropolitana de Porto Alegre, onde eu ia às segundas e sextas-feiras à tarde, sem flexibilidade nenhuma de troca de horário, o que engessava minha semana. Permaneci dois anos, até que decidi que era hora de voltar a ser unicamente profissional liberal, que é o que sou hoje, com os bônus e ônus que isso me traz.

 

Desde o ano passado, também sou empreendedor, o que “exige” de mim mais tempo e dedicação e horários alternativos. Mas aí é bem diferente.

 

Sou eu, agora, quem define o que faço do meu tempo.


Até. 

sábado, julho 06, 2024

Sábado (e eu, escritor)

Autografando...
 

Mais uma sessão de lançamento do meu primeiro livro, 'A Sopa no Exílio'.
Está à venda também na AMHSL, além de no site da Editora Bestiário.
Já comprou o teu exemplar?

Bom sábado a todos.

Até.

sexta-feira, julho 05, 2024

Uma Amostra do Todo

Somos – já escrevi – a soma dos papeis que representamos nos diferentes ambientes em que convivemos. E, na maioria das vezes, as pessoas que não são as mais próximas de nós conhecem apenas uma pequena parte do todo, um instantâneo de quem somos. E nada mais natural do que isso. 

O interessante é quando, por qualquer razão, ocorre uma ruptura nesse quadro, um rompimento desta separação, ou compartimentalização da vida, e pessoas de um ecossistema em que convives acabam conhecendo uma outra parte de ti, que está em “outra caixa”, acabam se surpreendendo. Não por menosprezo, mas porque nunca imaginaram que poderias ser mais do que aquele papel que representas naquele ambiente.

 

Por mais que não seja de nenhuma forma inédito, as pessoas têm se surpreendido ao saber que – além de médico – sou também escritor, agora finalmente publicado. É surpresa – como eu disse - porque nunca haviam pensado nisso, no que eu (ou outros) faço ou sou, além daquele papel que estão acostumados a me ver desempenhar, e é assim mesmo. E tem sido bem legal, confesso.

 

Sem falar que a Sopa de Ervilhas do Marcelo, o evento, agora tem um alcance bem maior. Vai que saia uma maior ainda que outros anos.

 

Sei lá.

 

Até.

quinta-feira, julho 04, 2024

O Fim?

 Eu penso no fim.

 

Sim, a morte, o perecimento, o óbito, a matungona, inevitável destino de todos nós. Com o passar do tempo, e a constatação de que já vivi mais do que ainda tenho a viver, volta e meia o assunto surge em meus pensamentos.

 

Não que eu seja alguém fixado no assunto, mas não vou negar que – de uns tempos para cá – ele se tornou mais frequente em minhas reflexões. Posso de dizer que a contagem regressiva está mais clara, mais presente. Me pergunto, então, se todas os planos e projetos e objetivos que estão na mesa atualmente (a literatura e a música, entre eles) não seriam fruto de alguma urgência de alguém pensando que um dia – bem distante ainda, espero – vai morrer. 

 

Não é, não são.

 

A urgência é de viver, sempre.

 

Até.

quarta-feira, julho 03, 2024

As Coisas como São

Serenidade.


Um dos ensinamentos que a experiência (a idade, ou o tempo, se quiserem) nos traz, ou ao menos deveria trazer, é a capacidade de aceitarmos os fatos da vida, os acontecimentos, como eles são, e não como gostaríamos que fossem. Não “brigar” com a realidade, saber que nem tudo é sobre nós.

 

Quando das enchentes e inundações de maio no Rio Grande do Sul, com toda a tragédia das perdas humanas e materiais que direta ou indiretamente afetaram a todos nós gaúchos, e que começamos o lento processo de reconstrução, a grande parte dos eventos planejados para aqueles dias e por um período a seguir foram suspensos, quando não cancelados, com toda a razão. O foco era (é) sobreviver ao caos para poder seguir em frente. Tristes, consternados, mas já planejando a próxima etapa.

 

Entre os eventos daquele período que foram adiados estava o lançamento do meu livro, ‘A Sopa no Exílio’, que adiamos em quase um mês por óbvias razões. Mas não pude deixar de brincar que justamente no ano que lanço o meu livro e pretendo assiná-lo na Feira do Livro, ocorre uma catástrofe climática no estado e a Praça da Alfândega, onde ocorre a Feira do Livro, fica embaixo d’água... no que fui retrucado “nem tudo é sobre ti, Marcelo...”.  Justíssimo.

 

Mas não era disso que queria falar.

 

Falava de aceitar as coisas como elas são. 

 

É parte do aprender a viver. Temos que saber lidar (ou ao menos tentar) com os acontecimentos, independente se são consequências de atos prévios nossos ou frutos do acaso. O primeiro passo é aceitar que há coisas que não controlamos e não dependem de nós. Para essas, serenidade. Para as que dependem de nosso esforço, cada um sabe o que é melhor para si.

Até.