domingo, novembro 17, 2019

A Sopa


(Ano 19, Número 01)


O Ponto.


Já escrevi sobre isso, em algum momento do passado.

Da busca ancestral, milenar, heroica até, daquele momento de perfeição num dos momentos mais sublimes da experiência humana: o churrasco. Milhares de anos se passaram, vidas foram perdidas, guerra travadas, muitas fogueiras foram acesas e brasas pereceram, tudo em busca desse, podemos dizer sem medo de errar, nirvana culinário. Do ápice da evolução humana.

O Ponto.

E escrevo assim, em letras maiúsculas, por sinal de respeito e reverência. Porque devemos nos curvar e homenagear aqueles que dedicaram suas vidas em busca d’O Ponto, aquele exato estágio em que a carne se faz canção, e o churrasco vira poesia. Em que nos deparamos com a beleza da criação em seu estado mais perfeito.

O problema é que as pessoas confundem tudo.

Chegam e saem dizendo “Prefiro carne mal passada”, ou “Só como bem passada”. Uma heresia, claro, mas elas não sabem o que dizem. Elas pensam que gostam desse ou daquele jeito quando na verdade querem a carne n’O Ponto. Pecam por não saber, o que talvez pudesse atenuar a culpa, mas isso ainda é questão de debate. Alguns consideram isso como imperdoável.

O que penso, como me posiciono, perante essa questão? 

Não é importante, no momento.

Importante, de verdade, é informar, trazer conhecimento para todos.

O Ponto é definitivo, não passível de discussão.

Mas, e sempre tem um mas na vida, existem nuances, mitos e filosofia envolvidos nessa discussão. 

O Ponto muda conforme mudam as pessoas, conforme muda o mundo. O Ponto é como o rio de Heráclito, que nunca cruzamos duas vezes, pois já não é o mesmo rio e não somos os mesmos de antes.

Fazer churrasco não é um ato banal, comum. É um ritual, em que o churrasqueiro se coloca na posição de sacerdote. Enquanto faz o churrasco, ele entra em conexão, em sintonia, com o Universo. Naquele momento, ele é como um Mestre Jedi, e essa conexão é a Força. Quanto mais conectado com o Universo, com a Força, melhor é o churrasco e mais perfeito é O Ponto. O Ponto é a Força.

Chega um momento em que o Mestre pode fazer churrasco de olhos fechados, deixando apenas a energia do Universo fluir através dele. Ele como um meio de ligação com o infinito.

Churrasco é coisa séria.

Até.

sábado, novembro 16, 2019

quarta-feira, novembro 13, 2019

Uma Sopa, uma Volta



Depois de um longo inverno, cá estou eu.

Inverno, nesse caso, e de certo modo, existencial, quero dizer.

Falo de estar aqui com frequência, escrevendo, que é o estágio final de reflexões, de pensamentos que pretendem me levar a algum lugar, sabendo onde tudo começa e sem ter a menor ideia onde vai parar. Como quando reformamos a nossa casa (no sentido literal).

Quando começamos, até podemos ter um plano, uma ideia do que queremos e de como queremos, mas nunca sabemos onde (e nem por quanto) vai terminar. É dinâmico, fluido (e muitas vezes caro).

O mundo, a vida, tudo mudou muito desde quando escrevia aqui com regularidade. Até porque faz muito tempo. De quando estava no Exílio que não era exílio, de quando a Sopa ainda era anual e fazia sentido (não sei se faz hoje em dia, se não deve permanecer no passado, como uma lembrança boa de um tempo diferente). 

Eu mudei, óbvio.

Fui e voltei.

O que quero dizer é que prioridades diferentes se sobrepuseram à atividade de escrever como resultado final de reflexões à cerca da vida, do mundo em geral, e da minha em particular. O foco foi outro, o que é lícito e justo. Sem ressentimentos.

Corri atrás de objetivos, entrei numa engrenagem de trabalho que – sim – consumia, exigia parte substancial do meu tempo e energia, mas que dava satisfação pessoal e reconhecimento.

Por circunstâncias planejadas e outras alheias à minha vontade, fiz um caminho – de certa maneira – de volta a um lugar de onde nunca planejara sair. Visto de outra forma, reencontrei (estou reencontrando, na verdade) o caminho, o rumo. Para onde?

Este é outro papo, para uma outra Sopa.

Até. 

terça-feira, março 05, 2019

Carnaval


    Terça-feira de carnaval.

     Só para relaxar.

     Até.

quinta-feira, fevereiro 28, 2019

Quase Carnaval

Vivo dias sabáticos.

Após as mudanças em minha vida profissional do último ano, parte delas voluntárias e outra parte involuntária, me dei alguns dias para não pensar. Estou vivendo alguns dias sabáticos, como falei. Claro que não totalmente, afinal as atividades outras (remuneradas, como o consultório, e não, como o serviço de pneumologia da PUCRS) continuam a todo vapor, levando-se em conta que é final de fevereiro no Rio Grande do Sul, o que não é um 'a todo vapor' de abril ou de junho.

Quero dizer que ainda não pensei/planejei como será a partir de agora, em que me tornei profissional liberal, sem nenhum vínculo empregatício. O que farei, além de continuar no consultório, agora sem os muitos cancelamentos dos últimos anos decorrentes de viagens a trabalho. Como será, enfim?

Não sei. De verdade.

(Ainda) Não me preocupo.

Passando o carnaval, aí sim, o plano é avaliar/planejar/pensar/criar novos rumos e possibilidades.

Agora não, agora vou não pensar.

Alalaô.

Até.

domingo, fevereiro 24, 2019

Dormir

Sobre o dormir.

Há muitos anos (muitos, sim, na escala em que medimos a vida olhando os dias que passam em meio às atividades comezinhas - no sentido de caseiras, domésticas - que é o comum e normal, mas não muitos anos de olharmos em perspectiva, na escala de tempo do universo) acordo cedo. Desde os anos em que nos verões do litoral norte do Rio Grande do Sul eu acordava para caminhar na praia logo cedo, antes de ir jogar vôlei de praia para, só depois, encontrar os amigos no final da manhã.

Segui assim, dormindo tarde (nem sempre) e acordando cedo, independente da hora que dormisse, independente do que o dia seguinte fosse exigir de mim. Quando estava com um débito de sono muito grande, compensava com um descanso à tarde, quando possível, claro.

Ao longo do tempo descobri, ainda, que sete horas de sono era o ideal - para mim, caro - para uma ótima noite de sono. Se dormisse mais, melhor, mas esse era o alvo. Sete horas. Acordava recuperado, descansado. Como o horário de acordar era sempre o mesmo, a melhor forma de fazer isso era indo dormir para que conseguisse esse objetivo.

O que quase nunca era possível.

Principalmente nos últimos quase dois anos e meio, de viagens semanais, ou quase, a trabalho. A maioria dos eventos era à noite, aula e jantar após antes de voltar para o hotel. E o dia seguinte era de retorno para Porto Alegre, o mais cedo possível para poder trabalhar ainda. Ou acordava muito cedo par ir ao aeroporto, ou - como fiz algumas vezes - saía do evento para o aeroporto (ou rodoviária) para viajar durante a noite e estar em casa/consultório no dia seguinte logo cedo. Funcionava bem.

Mas o sono certamente ficava prejudicado.

Nem sempre, por exemplo, conseguia chegar de volta ao hotel de um evento e dormir direto. Adrenalina, pensamentos diversos, planos (e preocupações/"encucações") impediam de dormir logo. Virava uma potencial bola de neve de pouco sono e cansaço progressivo.

Claro, havia outros fatores que contribuíam para o deficit de sono (ou qualidade ruim do mesmo), como uso do celular e o tablet antes de dormir, que pioram tudo. Muitas vezes, como em viagens de avião noturnas, fiz uso de medicações indutoras do sono. Funcionava bem, confesso.

E a questão do sono não tinha necessariamente a ver com o trabalho, confesso.

Em férias, a rotina continuava igual.

E a certeza disso se dava pelo monitoramento do sono fornecido pelo relógio, que mostra as horas de sono dormidas, a qualidade do mesmo, frequências cardíaca, etc. O meu déficit de sono, se não era gigante, era maior bem que eu gostaria.

Pois isso mudou.

Desde as férias últimas, agora no início de fevereiro, e descontando a noite noite no avião na volta de Orlando, tenho dormido muito melhor, em termos de horas dormidas e qualidade do sono. Não tenho uma explicação clara e lógica para isso, mas é muito bom.

As mudanças profissionais, com toda a carga de - podemos dizer - incerteza sobre como serão as coisas ao longo desse ano, não tiveram nenhum efeito sobre a qualidade do sono. Pelo contrário, talvez. Quase posso dizer que tenho dormido ainda melhor a última semana.

Sei lá.

Até.