Crônicas e depoimentos sobre a vida em geral. Antes o exílio; depois, a espera. Agora, o encantamento. A vida, afinal de contas, não é muito mais do que estórias para contar.
sexta-feira, outubro 09, 2020
quinta-feira, outubro 08, 2020
terça-feira, outubro 06, 2020
segunda-feira, outubro 05, 2020
Nova Scotia
Viagens
Ao longo do tempo, criamos uma certa tradição aqui em casa, relacionada ao aniversário da Jacque: comemorá-lo com uma viagem. Nem sempre foi possível, evidentemente, mas conseguimos algumas vezes. A época, outubro, é ótima para viajar, em termos de clima e custos de viagem, por não ser alta estação.
A primeira vez foi lá em 2003, quando fomos para a França – primeiros dias em Paris, depois seguindo a região da Alsácia –, Alemanha (Baden-Baden, Heidelberg, Nuremberg, Munique) e terminando no norte da Itália. Depois, em 2005, nos encontramos, eu vindo de Toronto e ela do Brasil, na Itália, e fomos de Milão até a Sicília de carro, junto com os pais dela.
Mais adiante, em 2007, sul da França, Provence e Côte D’Azur, com os ainda casados Paulo e Karina e o Pedro e a Zeca. Já em 2009, a primeira viagem da Marina, com um ano de idade recém completado, a Karina, a Jacque e eu, para a França mais uma vez, Normandia, Mont Saint-Michel e encerrando na Disneyland Paris.
A viagem seguinte no aniversário da Jacque foi no ano de 2012.
E foi meio por acaso.
Cerca de seis meses antes, estávamos – a Jacque e eu – em casa em um sábado à noite em que a Marina fora dormir na casa de uma das avós. Olhávamos e-mails lado a lado, quando vi um e-mail da TAM com promoção de passagens aéreas. Para voos nacionais. Nacionais. Navegando pelo site, acabamos comprando por impulso as passagens para essa viagem que seria em outubro.
Para a Inglaterra.
Cerca de quarenta e cinco dias antes da viagem é que acabamos definindo o roteiro com base no tempo que teríamos de viagem. Fomos à Inglaterra (Londres, Oxford, Stratford-Upon-Avon, Liverpool no dia do aniversário, e Windsor, no final) e País de Gales (Conwy, Betws-y-Coed, Llandridod Wells, Swansea e Cardiff). Grande viagem, e a experiência maluca de sair de Londres dirigindo com mão inglesa e chovendo.
A última das viagens de aniversário até aqui foi no ano passado, e esse texto (e os próximos) é sobre ela. Fomos para a Costa Leste do Canadá, Nova Scotia e Prince Edward Island.
Espetacular.
Foi, contudo, a primeira viagem longa nossa desde o nascimento da Marina. Ela sempre fora conosco em nossas viagens, porque nunca nos importamos e ela é grande parceira de viagem. Tem o privilégio de, aos dozes anos, já ter viajado muito. Ficamos, evidentemente, felizes por proporcionar essas experiências a ela. É o tipo de herança que sempre pretendi deixar...
Havíamos decidido que iríamos viajar no aniversário da Jacque e a Marina, por estar aulas, não iria dessa vez. Pesquisamos muito para escolher o destino, afinal opções não faltavam. Alasca? Muito longe... A ideia da retornar à Alsácia, na França, nos agradava muito. Contra a Costa Leste do Canadá havia a questão da logística dos voos. Sem voos diretos, e relativamente caros.
Até que encontrei um voo que saía de Porto Alegre, fazia conexões em Guarulhos e em Nova York (quatro horas de intervalo entre os voos, com troca de aeroporto, do JFK para o La Guardia) e chegada em Halifax. A volta, Halifax para Nova York, dormindo uma noite na casa do meu irmão e voltando no outro dia para casa. Perfeito. Fechamos a passagem. Estava definido o destino.
Foi sensacional.
Uma viagem para repetir. Com mais tempo.
Até.
domingo, outubro 04, 2020
A Sopa
(Crônicas de uma Pandemia – Duzentos e Quatro Dias)
A vida segue seu curso.
Apesar de estar de certa forma em suspenso, a vida segue quase que normalmente, o que é bom. Por outro lado, é bem ruim, e eu explico para você, leitor dessa Sopa semanal e com quem eu certamente não encontro pessoalmente há meses, em meio a essa pandemia que vivemos há mais de meio ano.
Digo que a vida segue quase normal porque continuo trabalhando tanto presencialmente como remotamente. O consultório, a Universidade (desde o final de agosto quando retornei formalmente ao mundo acadêmico), e o hospital requerem minha presença, para orientar os alunos nos atendimentos e para eu mesmo atender pacientes. Além disso, as reuniões rotineiras de discussão de publicações científicas e de casos clínicos estão sendo realizadas de forma remota, sempre no final do dia. De certa forma, os dias também foram alongados.
É claro que o ritmo de trabalho não está igual a antes, porque os horários de consultório foram reduzidos para não causar aglomerações lá, e por não estarmos atendendo em dois colegas nos mesmos turnos. O que – se financeiramente não é nada bom, aliás, é quase uma tragédia – em termos de qualidade de vida é ótimo. Esse tempo a menos de disponibilidade de atender consultório tem servido para estudar bem mais que o usual, e de forma natural, tranquila. E seguir com a atividade física de maneira regular, o que só a chuva dos finais de semana tem atrapalhado.
Poderia seguir nesse ritmo por muito mais tempo, devo confessar, mas sei que em breve o volume de trabalho deve aumentar novamente, e muito. O que vai ser muito bom.
O que – admito – já cansou nessa pandemia é a questão do distanciamento.
E não falo aqui dos cuidados que temos que ter em nosso dia-a-dia, como usar máscaras (não me importo) ou lavagem dedicada de mãos (já fazia). Falo da impossibilidade da convivência social, com família e amigos. Falo da impossibilidade teórica atual (não definitiva) dos encontros, dos churrascos, dos momentos de descontração leves, despreocupados. Dos planos, muito mais que das viagens (que, sim, fazem falta).
Essa limitação me incomoda, desde o início da pandemia, e a intensidade desse sentimento não mudou, e sei que já escrevi sobre isso.
Ou seja, a intensidade não aumentou, mas também não aliviou.
O que tem aumentado mesmo é a insatisfação com as redes sociais, que – mesmo eu sabendo que não são um retrato da vida real, que são apenas a manifestação da bolha em que vivemos – estão cada dia mais chatas. Continuo as utilizando para o que me propus desde o início: encontrar pessoas, relembrar histórias, compartilhar fotos que me agradam.
De resto, tento desconsiderar.
Até.
sábado, outubro 03, 2020
sexta-feira, outubro 02, 2020
Crônicas de uma Pandemia – Duzentos e Dois Dias
Yo sé quién soy.
Importante conquista da vida: saber quem somos. A partir daí, todo o resto de desenrolará. O que queremos, para onde desejamos ir, com quem caminhamos. E o processo de autoconhecimento não é fácil, quase sempre doloroso.
Um longo caminho, tortuoso, cheio de obstáculos.
Necessário trilhá-lo, contudo, para termos uma vida plena. Nem todos querem, nem todos conseguem. Alguns nem sabem que precisam fazer esse caminho.
Eu tenho tentado, desde há muito tempo.
Sigo caminhando.
Até.












