quinta-feira, março 09, 2023

Perdidos Mães e Filhos (6)

 A Ideia, O Plano (5).

 

Gosto de dirigir, confesso.

 

Desde que começamos a viajar (e a minha vida de viagens ao exterior iniciou praticamente junto com minha relação com a Jacque, no longínquo ano de mil novecentos e noventa e cinco, no milênio passado, quando essa coisa de internet era tudo meio mato) o uso do carro para deslocamentos em nossos destinos é uma constante.

 

Começou em 1995, nos Estados Unidos, de Miami para Orlando e volta, depois saindo de NY e indo para a Filadelfia, Atlantic City e Washington, e de volta à NY. Alguns anos depois, quando viramos Perdidos a Espace, justamente pela Renault Espace, van que alugamos saindo de Bruxelas e devolvendo em Paris, rodando cerca de cinco mil quilômetros entre Bélgica, Holanda, Alemanha, Suiça e França em vinte e poucos dias, no nosso grupo de seis adultos e mais a Roberta, que tinha dois ano e meio. Nessa vez, dividimos a direção entre três, Paulo, Petterson e eu.

 

A primeira experiência em que apenas eu dirigi durante uma viagem foi, vejam só, na Itália. Um Renault Laguna saindo do Aeroporto de Fiumuccino, em Roma, inicialmente indo para o sul, até a Costa Amafi e depois rumando ao norte para passar o Natal na Neve de 2000 e daí para a Alemanha e França, onde passamos a virada do século e do milênio aos pés da Torre Eiffel, no frio e na chuva, no ano 2000, pré-GPS e pré-Waze, obviamente.

 

O Renault Laguna e um picnic na região do Chianti


A experiência de ser motorista único começou tensa, logo em Sorrento, onde entrei para uma visita. Fui circulando e circulando, e as ruas foram ficando progressivamente mais estreitas até chegar em uma esquina em que parecia – aos meus olhos de motorista – impossível de fazer a conversão. Parei, embretado, com carro chegando atrás do nosso, num dilema aparentemente insolúvel. Buzina atrás de mim, e eu achando que não teria como seguir em frente. 

 

Foi quando um cidadão que passava pela rua me olhou e disse que era possível passar. Eu disse que não. Ele me disse, em italiano, que eu saísse do carro. Saí, ele entrou, e manobrou o carro de modo que fizesse a conversão e liberasse o trânsito. Agradeci e segui adiante. Foi quando eu aprendi que – se há rua – o carro vai passar, por mais estreita que pareça. Claro que falo com tranquilidade nos casos em que se usa um carro normal, não uma van, que aí a coisa é diferente. Não que não vá passar, mas certamente será com emoção.

 

Como foi em 2014, em volta do Lago de Garda, numa van maior ainda que outras vezes, com família dentro do carro, sogros, esposa e filha, cunhada e sobrinhos, e uma passagem bem estreita em Limone Sul Garda, quando recolhemos os retrovisores e seguramos a respiração ao passar por um pórtico. Deu certo, como sempre (ou quase sempre, digo...).

 

Foi desse tipo de experiência que surgiu aprendizado que – quando de carro – preferir ficar em locais fora do centro e até da cidade, de preferência, para não precisar circular por ruas estreitas com carros grandes. Esse foi um dos critérios que usei (usamos) na hora de escolher nossas estadias durante a viagem: hotéis/apartamentos com estacionamento e fora da cidade murada.

 

Funcionou bem, exceto por uma cidade, em que me passei na hora de escolher o hotel: Assis.

 

Conto esta estória depois. 

  

Até.

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