domingo, março 05, 2023

A Sopa (Perdidos Mães e Filhos 4)

 A Ideia, O Plano (3). 

Como já disse, o ponto central da viagem era, desde o início, apresentar a Itália para minha mãe.

 

Após o longo período que havia ficado dedicada a cuidar do meu pai, principalmente durante a pandemia, eu tinha convicção de que era hora de ela sair, viajar, passear. E eu queria apresentá-la à Itália, lugar que ela havia algumas vezes manifestado vontade de conhecer.

 

Seria durante nossas férias de verão, em fevereiro.

 

Quando começamos a planejar, a primeira coisa que fizemos obviamente foi convidá-la para viajar conosco, o que prontamente aceitou. Quem diria não a uma viagem para a Itália, pergunto a você, estimado leitor? 

 

Mais ou menos ao mesmo tempo, a Karina havia sugerido que fôssemos novamente ao Uruguai, à Punta del Diablo, mais especificamente, para descansar e fazer algumas parrillas. Convite tentador, evidentemente, mas eu tinha decidido onde seriam as nossas férias. Ficaria para outra, e ela estava pensando em ir com o Gabriel e sua namorada, a Júlia.

 

Com isso em mente, sabendo que a Karina iria para o Uruguai, mesmo assim a Jacque e eu decidimos convidá-la para ir com a gente. Fizemos o convite em uma chamada de vídeo, e ela prontamente disse que sim, muito feliz, e que na verdade estava louca para que a convidássemos. A mesma reação teve a minha mãe quando dissemos que a Karina iria, porque as duas sempre se deram muito bem.

 

Grupo completo, certo?

 

Mais ou menos. 

 

A ida à Europa viria a calhar, principalmente para a Karina, afinal desde agosto do ano passado ela tinha uma forte conexão com a Europa, a Espanha, a Catalunha e Barcelona, mais especificamente. Foi em agosto, mais ou menos na época do aniversário da Marina, que a Roberta, sua filha e nossa afilhada, havia ido para lá para inicialmente estudar espanhol por oito meses.

 

Só que – em apenas cerca de dois meses – havia conseguido entrar em um mestrado, continuava trabalhando freelance para sua empresa do Brasil e havia iniciado um estágio em uma empresa de Barcelona na sua área. Um indicativo de que esses oito meses não serão exatamente oito meses, mais provavelmente será uma estada definitiva por lá. Fazer o quê? Torcer por ela, claro.

 

Há seis meses sem se encontrar pessoalmente, a viagem seria perfeita também para isso, e inicialmente ela estabeleceu como objetivo passarmos um final de semana juntos durante esses dias. Definiríamos a data e o lugar quando soubéssemos as datas de viagem e por onde chegaríamos e por onde sairíamos da Itália. Durante um final de semana, no mínimo, seríamos seis viajantes, o suficiente para podermos nos denominar ‘Perdidos’. 

 


O Grupo (na Piazza di San Pietro, Vaticano)


A viagem começava a tomar corpo.

 

Até.

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