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sábado, agosto 07, 2021

Sábado (e o final do isolamento)


                                 Os últimos momentos de isolamento.

                                 Segunda-feira, de volta à vida...

                                  Até.

terça-feira, agosto 03, 2021

Diário da COVID, 3º dia

 (na verdade, o 6º desde o início dos sintomas)

 

Ontem, antes de dormir, verifiquei a minha temperatura, que havia estado normal ao longo do dia. Marcava 37,5ºC. Febrícula, ainda não febre. Ou iria ficar nisso ou subir. Decidi tomar um antitérmico e ir dormir. Acordei no meio da noite com a camiseta do pijama molhada de suor. Levantei-me, troquei de roupa e voltei a dormir. Apesar do incidente, foi uma noite boa.

 

Hoje acordei melhor disposto, talvez pelo efeito de ter dormida na minha cama, afinal fazia uma semana que dormia no quarto da Marina enquanto elas estavam em isolamento. De qualquer forma, sentia-me, sem nem mesmo a dor de cabeça que vinha sentindo nos últimos dias. Tomei café, me ajeitei e fui para o hospital.

 

Sim, hospital.

 

Como voluntário do estudo de uma das vacinas aprovadas no Brasil, a Coronavac, que havia feito há cerca de onze meses e meio, o pessoal da pesquisa me chamou para uma consulta de avaliação por eu estar sintomático. Tudo tranquilo, sinais vitais dentro do normal, praticamente assintomático, mas – aos auscultar meu tórax – notaram uma alteração no meu pulmão direito. Pronto: vamos nós para a emergência COVID, de onde eu fui para a tomografia computadorizada.

 

O exame mostrou aquilo que se ouvia no meu tórax: comprometimento pelo COVID, apesar de assimétrico, principalmente em base pulmonar direita, uma extensão em torno de 10%, ou seja, leve. Por ser sexto dia de sintomas, e pelas características da imagem, iniciei com antibiótico ainda de manhã.

 

Agora à tarde, em meu isolamento em casa, de bobeira mesmo, fui verificar minha saturação de oxigênio: coloquei no dedo, ficou em 95%, normal, mas abaixo do que usualmente está. Troquei o dedo: 89%(!!). Esquentei a mão um pouco, e fui novamente: 99%.

 

Era só o que faltava...

 

Até.    

segunda-feira, agosto 02, 2021

Diário da COVID, 2º dia

Chegou em mim.

 

Demorou, concordo, mas era de se imaginar que – em algum momento – aconteceria. Sim, estou com COVID-19. Desde a semana passada eu já estava em quarentena, em casa, porque as meninas haviam tido testes positivos. Como eu não tinha nada, era apenas contato, fiquei em quarentena enquanto elas estavam isoladas.

 

Fiquei no quarto da Marina, recém reformado, com cama e colchões novos, enquanto elas ficaram no quarto da Jacque e meu. Distanciamento, isolamento. Elas com sintomas muito leves, eu assintomático. Se bem que...

 

Quarta-feira à noite da semana passada, senti mais frio que o usual, mesmo sabendo que era uma das noites mais frias do inverno, afinal de contas eu estava apenas indoor. Dormi de forma estranha, confesso, e quando acordei na quinta-feira, com o corpo meio dolorido, e mesmo que achando era de dormir em um colchão diferente, marquei a data dizendo que – se ou quando confirmasse que eu havia pego COVID – esse seria o primeiro dia de sintomas. 

 

Ao longo dos dias, desde lá, eu melhorava, e – exceto por uma dor de cabeça que surgia uma vez por dia (e que eu associava à cervical, colchão diferente, etc) e alguma tosse seca eventual, estava muito bem. O plano era aproveitar a segunda-feira de manhã para novo teste, para me liberar de volta para a rotina. Tudo tranquilo.

 

Porém...

 

Ontem, após o almoço, sentei em frente à televisão e dormi sentado, como se eu tivesse sido atingido por um caminhão, sensação essa que melhorou ao comer um doce de lanche da tarde. À noite, sensação de frio, mas sem calafrios. Antes de dormir, apenas por descargo de consciência, medi a temperatura: 38,5ºC. Aí não tinha jeito, não tinha outro diagnóstico...

 

Dormi mal, em parte por insônia, em parte por agitação. Enquanto tentava dormir, me virando de um lado para outro na cama, entra uma mensagem em meu relógio, por volta das 0h30 da noite. “Leitos em UTI por COVID tem sua menor lotação desde fevereiro”. Um alívio, aquela hora. Ou não.

 

Hoje cedo o teste positivou rapidamente.

 

De volta para casa, agora em isolamento.

 

Seguimos.

 

Até.    

sexta-feira, julho 30, 2021

A Sopa

COVID.

 

Papo chato, esse, depois de quase um ano e meio, mas ainda indispensável, assim como todas as medidas e cuidados. Mesmo com tudo, todos os cuidados e a vacina, é possível se infectar e adoecer, sabemos disso.

 

Ninguém nunca disse que a vacina vai evitar em 100% as infecções, apesar de muitos por aí, numa prova de analfabetismo imunológico, pensarem isso. A vacina reduz, sim, a chance de infecção, mas – muito mais importante – reduz a gravidade da doença caso aconteça, reduzindo internações, internações em UTI e – claro – mortalidade. E assim seguimos.

 

Estou em casa essa semana, em quarentena.

 

Isso porque as meninas, justo no dia em que iriam viajar para São Paulo para uns dias de férias, tiveram um teste positivo. A Jacque vinha há alguns dias com um quadro de IVAS, nada demais, mas quando – no dia da viagem de manhã – a Marina acordou com um pouco de dor de cabeça e febrícula, decidiram fazer o teste. Bingo: as duas estão em isolamento. Eu, por outro lado, mesmo assintomático, fiz o teste: negativo.

 

Por ser contato de casos, após conversar com o Dr. Fabiano Ramos, infectologista, investigador principal da pesquisa da Coronavac no Rio Grande do Sul, da qual fui voluntário em setembro passado, para ter certeza do que fazer, vim para casa fazer quarentena. Estamos todos em casa, dormindo em quartos separados e, quando no mesmo ambiente, distantes uns dos outros e usando máscaras. No início da semana que vem, faço novo teste.

 

Como estamos?

 

Muito bem. Elas praticamente assintomáticas e eu assintomático, apenas meio “dolorido” de ficar muito tempo sentado e/ou deitado. Ontem ainda atendi uns pacientes online, hoje participei de uma reunião virtual. Havia pensado em aproveitar para estudar mais, organizar as coisas por aqui, mas...

 

Não estou muito afim.


Mais uns dias e tudo volta ao normal.

 

Até.

  

terça-feira, agosto 25, 2020

Crônicas de uma Pandemia – Cento e Sessenta e Três Dias

Tenho estudado.

Uns dos efeitos colaterais da pandemia – que esperamos que termine logo, apesar da torcida contra dos arautos do apocalipse – é, para quem teve o privilégio de manter o seu emprego, é funcionário com estabilidade, ou de alguma forma teve como sobreviver apesar da abissal diminuição de renda  motivada pela queda de movimento do seu negócio decorrente das restrições impostas pelos governos ou pelo medo das pessoas, entre outras coisas, a possibilidade da maior convivência em casa e o maior tempo disponível para outras atividades. Frase longa essa, deixar eu tomar fôlego para continuar.

 

Sabemos que a maioria das pessoas não teve essa condição, de ficar em casa de quarentena como pregavam e ainda pregam alguns por aí. Por características da minha atividade médica, eu não pude ficar, evidentemente. Mesmo assim, os pacientes sumiram do consultório, e foram voltando aos poucos. Muito mais COVID e menos outras condições. Em breve normaliza o movimento, com certeza.


Fujo do assunto, eu sei.

 

Trabalhando menos que o normal proporcionou maior tempo disponível para outras atividades, e estudar foi uma delas. Tenho feito alguns cursos online, lido mais livros, e – principalmente - estudado bem mais medicina. Cultivado novos hábitos.

 

Disciplina, acima de tudo.

 

Tenho praticado disciplina na minha rotina, assim como planejamento para uma maior produtividade. Feito alguns planos. Me preparando para o pós-pandemia.

 

Que está logo ali, dobrando a esquina.

 

Eu acredito.

 

Até.

sábado, março 21, 2020