sábado, setembro 05, 2020

Sábado (e chove no Sul do Mundo)

 

      

     Lembrança de um verão pré-pandemia...

     Bom sábado a todos.

     Até.


quarta-feira, setembro 02, 2020

Crônicas de uma Pandemia – Cento e Setenta e Um Dias

Uma falácia.

 

Antes, contudo, uma pergunta.

 

Fracassamos, como país, no enfrentamento da pandemia de coronavírus, como vários “pensadores”, intelectuais, jornalistas e palpiteiros não se cansam de afirmar, e a culpar o governo por isso? O Brasil está passando vergonha perante o mundo? Se formos ser honestos e tivermos um mínimo de imparcialidade em nossa análise, nossa resposta só pode ser uma.

 

Não.

 

Não é verdade que somos uma vergonha perante o mundo, que fracassamos retumbantemente no assunto. Isso é uma ideia que querem nos passar pessoas com vieses políticos, com interesses outros além de informar, outros que por ignorância ou má intenção distorcem números em prol de sua narrativa, e – claro – aqueles em que o instinto do medo é maior que a racionalidade. Para esses últimos, é importante informá-los para – na medida do possível – tranquilizá-los aos menos um pouco. Para os mal-intencionados e deturpadores dos fatos, bom, esses devemos ignorar.

 

Não estou dizendo aqui, que fique bem claro, que tudo está uma maravilha, evidentemente, nem que não existem problemas e dificuldades. Que somos perfeitos, que o governo só tem acertos. É claro que há problemas, principalmente de comunicação, mas esse não é o foco no momento.

 

Mas não estamos no fundo do poço.

 

Vamos detalhar um pouco do que quero dizer.

 

Morreram no Brasil mais de cento e vinte mil pessoas cujas mortes foram atribuídas à COVID-19. É certo que nem todas essas mortes foram devido ao coronavírus, muitas foram por outras causas em pacientes que estavam com o coronavírus. Muitas delas iriam ocorrer de qualquer maneira esse ano por outras causas. Mas isso não é importante agora. Qualquer morte evitável é sempre uma tragédia. E cento e vinte mil mortes são cento e vinte mil tragédias, nem todas evitáveis.

 

Mas usar o número total de mortes para atestar a incompetência do governo central, culpar o presidente atual por essas mortes é, além de incorreto, desonesto. Usar o número total é uma forma de aumentar o impacto que a informação causa em quem a recebe para reforçar o argumento negativo. De novo, qualquer morte é uma tragédia, mas temos que olhar a mortalidade em relação à população, para aí sim comparar com outros lugares. E a melhor (e mais correta) forma de fazer isso é comparar a mortalidade por milhão de habitantes. 

 

E aí é quando os números mudam de aspecto.

 

Quando falamos em mortalidade por milhão, outros países que já passaram pelo pior da pandemia – porque começou antes nesses locais – tiveram índices muito piores que o Brasil. Bélgica, Estados Unidos, Espanha, Itália, Reino Unido, Suécia, Chile e Peru, entre outros, apresentaram em algum momento uma taxa bem maior que o Brasil jamais teve. Mas isso ninguém fala, claro, porque contraria a narrativa. Não estou dizendo que as coisas estão muito bem no Brasil, mas temos que ter o cuidado de olhar as informações de maneira mais atenta. 

 

Não só isso, outras situações relacionadas e não relacionadas à pandemia nos são passadas com vieses (com distorções), e é nosso papel recebê-las com atenção, analisá-las com cautela, para não embarcarmos no expresso do fim do mundo.

 

Outra hora falo mais sobre isso.


Até 

segunda-feira, agosto 31, 2020

A Sopa

(Crônicas de uma Pandemia – Cento e Sessenta e Nove Dias)

 



Ontem não teve Sopa, porque hoje o dia é especial.

 

Há vinte e quatro anos era sábado. E chovia.

Horas antes, fui até o local da festa, que deveria estar pronto, só que a equipe que ia colocar o som ainda não tinha aparecido. Se eles não aparecessem, seria uma festa de casamento sem música. Depois da igreja, uma festa à capela, pensei. Azar, não havia nada que eu pudesse fazer naquele momento. Fui para a casa.

Em casa, hora de fazer a barba. Com todo o cuidado, “na ponta dos dedos”. No final, um deslize e craw! um talho no meu pescoço. Uma falta de prática ou um condicionamento cósmico, afinal o meu sogro havia tido o mesmo problema no seu casamento? Não importava muito naquele momento.

Cinco meses antes, quando fui marcar a data, o padre ficou surpreso quando eu disse que queríamos nos casar em agosto. “Ninguém casa em agosto”, ele disse, “dizem que dá azar”. Respondi para ele que dia trinta e um à noite já era praticamente setembro, e – além disso – a festa ia começar em agosto e ir até setembro, o que só podia ser um bom sinal, afinal de contas.

Quando a vi pela primeira vez, dia 02 de janeiro de 1995, pensei que ela era muita areia para o meu caminhãozinho. Que eu teria que fazer muito para merecê-la, para ser digno de estar com ela.

É o que venho tentando desde então.

E muito feliz.

Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim 
Que nada nesse mundo levará você de mim 
Eu sei e você sabe que a distância não existe 
Que todo grande amor 
Só é bem grande se for triste 
Por isso, meu amor 
Não tenha medo de sofrer 
Que todos os caminhos me encaminham pra você 
Assim como o oceano 
Só é belo com luar 
Assim como a canção 
Só tem razão se se cantar 
Assim como uma nuvem 
Só acontece se chover 
Assim como o poeta 
Só é grande se sofrer 
Assim como viver 
Sem ter amor não é viver 
Não há você sem mim 
E eu não existo sem você


Te amo, Jacque.

Até

sábado, agosto 29, 2020

quinta-feira, agosto 27, 2020

Crônicas de uma Pandemia – Cento e Sessenta e Cinco Dias

Da série “Fico feliz ou fico de cara?”.

 

Perdi peso, quem tem me visto sabe disso. E não foi pouco, com orgulho confesso. O segredo? Nenhum. Controle da alimentação – sem muito estresse – associado à atividade física. Muita.

 

Foram quase dezoito quilos perdidos em um ano, a maior parte durante a pandemia que ora vivemos. Percentual de gordura corporal caiu de 24% (acima da média para a minha idade) para 16% (entre bom e excelente).

 

Mas não é disso que quero falar.

 

Estava atendendo uma paciente em pós-operatório de cirurgia bariátrica essa semana, como já faço há mais de quinze anos. Consulta de revisão, de rotina. Nada excepcional. Em determinado momento da consulta, a paciente comenta/pergunta: “Perdeu peso, doutor?”. Entre tímido e feliz, respondo que sim.

 

Segue a consulta.

 

Mais um pouco, a paciente não se aguenta: 

 

“Fez bariátrica, doutor?”.

 

O que dizer?

 

Até.

terça-feira, agosto 25, 2020

Crônicas de uma Pandemia – Cento e Sessenta e Três Dias

Tenho estudado.

Uns dos efeitos colaterais da pandemia – que esperamos que termine logo, apesar da torcida contra dos arautos do apocalipse – é, para quem teve o privilégio de manter o seu emprego, é funcionário com estabilidade, ou de alguma forma teve como sobreviver apesar da abissal diminuição de renda  motivada pela queda de movimento do seu negócio decorrente das restrições impostas pelos governos ou pelo medo das pessoas, entre outras coisas, a possibilidade da maior convivência em casa e o maior tempo disponível para outras atividades. Frase longa essa, deixar eu tomar fôlego para continuar.

 

Sabemos que a maioria das pessoas não teve essa condição, de ficar em casa de quarentena como pregavam e ainda pregam alguns por aí. Por características da minha atividade médica, eu não pude ficar, evidentemente. Mesmo assim, os pacientes sumiram do consultório, e foram voltando aos poucos. Muito mais COVID e menos outras condições. Em breve normaliza o movimento, com certeza.


Fujo do assunto, eu sei.

 

Trabalhando menos que o normal proporcionou maior tempo disponível para outras atividades, e estudar foi uma delas. Tenho feito alguns cursos online, lido mais livros, e – principalmente - estudado bem mais medicina. Cultivado novos hábitos.

 

Disciplina, acima de tudo.

 

Tenho praticado disciplina na minha rotina, assim como planejamento para uma maior produtividade. Feito alguns planos. Me preparando para o pós-pandemia.

 

Que está logo ali, dobrando a esquina.

 

Eu acredito.

 

Até.

domingo, agosto 23, 2020

A Sopa

(Crônicas de uma Pandemia – Cento e Sessenta e Um Dias)

A hipocrisia.

Pensei nisso hoje mesmo, ao – após ir ao supermercado com a Jacque fazer as compras semanais nossas e dos meus sogros – passar de carro em frente à Praça da Encol, aqui em Porto Alegre. Essa praça, de nome Carlos Simão Arnt, no bairro Bela Vista, em tempos normais está sempre – em dias de sol, como hoje – cheia de gente praticando esportes, pegando sol, tomando chimarrão. 

Bom.

 

Hoje, centésimo sexagésimo primeiro dia de pandemia aqui no Sul do Mundo, ainda vivendo sob a bandeira vermelha do modelo de distanciamento social do governo do RS, ainda com todas as recomendações de distanciamento social e do ‘fique em casa’, mesmo com tudo isso, a praça estava lotada. Cheia mesmo. Famílias inteiras com, e desportistas com e sem máscaras. Todos desfrutando do belo domingo de sol.

 

E estão certos.

 

Não há problemas em estar ao ar livre, fazer piqueniques. É saudável, faz bem. Mesmo que pareça aglomeração (que não deve acontecer). É só manter um certo distanciamento que, aparentemente, nem sempre conseguem, e parecem não se importar. 

 

Contudo, experimente falar em volta às aulas para ver o que acontece. Esses mesmos que estão lotando as praças (que não estão fechadas como a orla do rio ou alguns parques) são os primeiros a protestar e dizer que não é seguro, são os que saem de luvas com medo de uma contaminação que não vai acontecer. Há de se ter coerência. As duas situações não podem conviver.

 

Ou se é a favor de manter tudo fechado ou não se é.

 

Eu sou a favor da reabertura gradual, com protocolos de segurança, e isso inclui as escolas. Se estou certo ou errado?

 

Não sei. Ninguém sabe, no fundo.

 

Até.