sexta-feira, fevereiro 04, 2005

Cartas sem envelope

Já falei disso. Ou não.

A internet é um fantástico meio de comunicação. Aproxima as pessoas, torna a comunicação mais direta, rápida. Tem sido perfeito para eu manter “encontros” diários com a Jacque via iChat. Até de jantas virtuais já participei, ontem a última, com os amigos queridos Pedro e Maria José. Mas…

Sempre tem um “mas” na vida. Parênteses. Este deveria ser o nome de uma música que eu estava compondo, mas estava ficando muito Engenheiros do Hawaii e mudei de idéia. Fecha parênteses. Falava da comunicação fácil via internet, em especial os e-mails. Pois é, mas nem tudo é perfeito.

Os e-mails – por serem fáceis de enviar, quase instantâneos – se revestem da efemeridade que caracteriza os dias de hoje. Como é simples, simplifica-se. Superficializa-se. O que ganhamos em rapidez, fluidez, perdemos em profundidade, substância.

Quando enviávamos cartas, em virtude de todo o processo envolvido, comprar envelope, selo, o próprio ato de escrever no papel, levar ao correio, todo o ritual envolvido fazia que se valorizasse o conteúdo do que ia ser enviado. Ao contrário dos dias atuais, onde a pressa é a lei. Como podem ver, sou do tempo e um entusiasta das cartas.

Só que poucos mandam cartas hoje em dia. Nem mesmo eu, fã, envio cartas. Mas ao menos tento fazer os emails um pouco mais próximo do que eu considero a melhor forma para cartas. Portanto, tento dar valor aos e-mails que envio. Nem sempre é possível ou adequado, eu sei. Mas eu tento.

Procuro, então, valorizar o contato com as pessoas, os amigos, via e-mail. Ou mesmo os comentários aqui no blog. Fico bem feliz quando isso acontece. Tenho tentado manter uma certa regularidade de troca de e-mails com os amigos. Só que essa época, no Brasil, é complicado… Férias de verão, vai começar o carnaval… Normal, a quantidade de emails cai.

O que me deixa incomodado são aqueles que – mesmo amigos de anos – só mandam e-mails com piadas ou fotos de gosto de duvidoso. Tudo bem que enviem, mas de vez quando poderiam manter contatos mais pessoais, tipo “como vai?” ou “a vida vai bem, e a tua?”.

Sei lá.

4 comentários:

Patricia disse...

Olá Marcelo!
Também sou uma grande fã das cartas. Acredito que ao escrever com a nossa própria mão num pedacinho de papel, não apenas mandamos notícias nossas, perguntamos da vida e falamos bobagens, mas também grudamos ali no papel um bocadinho da gente, um pouco da nossa alma.

Bom fim de semana!

Patricia

Gean Oliveira disse...

Oi Marcelo, vc tem razao.

Eu nao tenho muito costume, e ainda mais passando por todo esse ritual, o que seria mais frustrante era a pessoa, ao ler, nao entender nada, devido aos meus garranchos, e falta de escrita :)

Estava vendo minha caligrafia, esta terrivel hahaha

Abracao e bom fim de semena!

Monique disse...

Oi Marcelo; É mesmo, deixamos de escrever cartas, nossa grafia fica terrível, os assuntos superficiais e todo mundo só manda piadas e fatos duvidosos. Eu até procuro mandar e-mails para meus amigos no Brasil sobre como tá tudo aqui, estudos e tal, mas são poucos os que respondem. bjs,

Laila disse...

Oi Marcelo,
Eu também sou louca por cartas. Guardava várias cartas de amigos, mas acabei jogando todas fora depois que me casei.
Agora, só e-mails. Mas, o pior disso tudo, é que a gramática fica cada vez mais renegada a segundo plano. Como tudo precisa ser feito muito rapidamente, não existe mais aquela necessidade de ler e reler o texto escrito e, com isso, o volume de erros gramaticais nos e-mails aumenta a cada dia...
Abçs, Laila.