Restaurant La Comedia.
107 Rue Monge, Paris.
Há mais de vinte anos fomos lá pela primeira vez, com os Perdidos na Espace.
Boa comida, boas lembranças.
Até.
Crônicas e depoimentos sobre a vida em geral. Antes o exílio; depois, a espera. Agora, o encantamento. A vida, afinal de contas, não é muito mais do que estórias para contar.
107 Rue Monge, Paris.
Há mais de vinte anos fomos lá pela primeira vez, com os Perdidos na Espace.
Boa comida, boas lembranças.
Até.
Vacina.
Hoje tive a minha quarta consulta como parte do estudo da Coronavac, a famosa “vacina chinesa” que está em estudo no Brasil numa parceria com o Instituto Butantã. Aqui no Sul do Mundo, o estudo está sendo realizado no Hospital São Lucas da PUCRS, onde trabalho.
Quando iniciou o estudo, me inscrevi para participar e fui chamado.
Fiz a primeira dose em setembro e a segunda entre duas e três semanas depois. Desde então, tenho que medir minha temperatura todos os dias e registrar em um diário, em que também respondo sobre a possível ocorrência de reações adversas, tanto nos locais de aplicação como em geral. Não tive nenhuma reação, nem tive febre. Tudo segue normal comigo.
Essa semana, contudo, saiu a notícia de que o estudo havia sido suspenso devido a ocorrência de um evento adverso grave com um dos participantes, da mesma forma que havia ocorrido com outros dois estudos com outras potenciais vacinas, e como é comum em estudos clínicos. Mas virou notícia nos principais meios de comunicação e em redes sociais, inclusive com o presidente “comemorando” essa ocorrência, em mais um capítulo da medíocre briga política dele com o governador de São Paulo.
Ambos errados, ambos oportunistas, ambos abutres em busca de carniça.
Hoje, ainda, a estudo foi novamente liberado porque o tal evento adverso grave não tinha relação com a vacina em si, e o episódio só serviu para mais uma vez vermos o quão baixo podem chegar as pessoas em busca de obter e/ou manter o poder.
Até transformar pesquisa científica em reality show.
Eu até ia fazer uma piada com relação a isso, mas não vale.
Até.
(Crônicas de uma Pandemia – Duzentos e Trinta e Nove Dias)
Sou influenciável.
A história clássica que comprova isso é da minha relação com bancos. Anos atrás, já médico, e por isso mesmo, por ser médico, talvez pelo potencial financeiro que se via nesse fato, eu era alvo de alguns bancos, que me procuravam para ser seu cliente, a despeito do fato que, objetivamente, eu não era – em termos financeiros, claro – tudo aquilo que eles imaginavam. Aconteceu mais de uma vez.
Os bancos em questão me procuravam e ofereciam a possibilidade de abertura de conta corrente, isenta de tarifas de manutenção, com cheque especial e outros benefícios. Faziam a oferta, sedutora, e – claro – eu aceitava por influenciável, como falei. Bank of Boston, Citibank foram dois bancos em que tive contas abertas nesse esquema.
Com relação ao primeiro, Bank of Boston, mantive a conta por alguns meses, com saldo zero, até perceber que não fazia sentido nenhum mantê-la (até porque trabalhava com outros bancos) e encerrá-la. Fui prejuízo para o banco, lamentavelmente. Quanto ao Citibank, foi um pouco diferente. Mantive a conta aberta por uns bons anos, com pouca movimentação. O principal uso era para renovar o visto americano, quando ainda durava cinco anos e o pagamento não era online. De qualquer forma, fui mantendo a conta até o que Itaú (de quem sou cliente há muito mais anos) incorporou-o e essa conta foi absorvida pela que já tinha. Resolvido. E faz um certo tempo que estou “imune” a isso.
Pois dizia eu que sou influenciável.
Sou mesmo.
Quero dizer que tenho poucas certezas pétreas, que nunca mudarão, e que tem a ver com quem sou, com o que podemos chamar de essência, ou princípios. Meus princípios não mudam.
O resto, contudo, pode mudar. Se apresentado a evidências que contradigam meus conhecimentos, que provem que estou errado, não tenho nenhum problema em mudar de ideia e/ou opinião. Só os idiotas não mudam de opinião quando frente a fatos/conhecimentos que invalidem ou mudem o que pensavam antes.
Por isso é bom sair da bolha vez que outra.
Nem sempre é fácil ouvir pessoas com opiniões e visões de mundo diferentes das nossas, admitir que nem sempre sabemos tudo e que sempre podemos aprender com os outros. Só que dentro da bolha, dentro do ambiente seguro onde todos pensam como nós, nem sempre (quase nunca) temos essa oportunidade.
Não que vamos necessariamente mudar de opinião sempre. Sempre é bom respirar ar puro, contudo. E sair um pouco da bolha nos deixa respirar melhor.
Até.
Estava errado.
Pensei que meu desprezo pela imprensa militante era maior que o que sinto pelo Trump. Que valeria à pena passar mais quatro anos assistindo-o como presidente dos EUA só para ver a cara de derrota e as explicações que esses jornalistas/torcedores daria após verem seu candidato, que davam certo como vencido, ganhar a eleição. Seriam mais quatro anos do mesmo, de ambos os lados.
Não vale.
Assisti agora há pouco, na televisão, parte de um pronunciamento do (ainda) presidente, dando a entender que não pretende aceitar uma possível/provável derrota eleitoral e chamando os estados de Michigan e da Pensilvânia de politicamente corruptos. Não é uma postura aceitável vinda de um presidente.
Vergonha alheia.
Até.
Maldito Bolsonaro.
Não, não é o que vocês estão pensando.
Confesso a vocês que não consigo não ficar revoltado com o governo Bolsonaro todos os dias de manhã, quando acordo me percebo o que vivemos. É insuportável uma vida assim.
Sem horário de verão.
Sempre fui fã do horário de verão, e estou entre as “viúvas”, que lamentam e não perdoam o governo por ter acabado com o mesmo. Mas isso não é o pior. O pior de tudo é muito pior que isso. Pior mesmo.
É que o meu relógio biológico está em horário de verão.
Acordo, diariamente, antes das seis da manhã, como se fossem sete horas e fosse a hora de acordar. Diariamente. Sábados, domingos e feriados. Forço o sono para ficar mais tempo na cama, mesmo que os pássaros já estejam cantando lá fora e que o sol já esteja nascendo. Não levanto de raiva.
Por quê, por quê?
Precisava fazer isso? Acabar com o horário de verão, com os finais de dia de luz mais longos? Quem se importa que a economia de luz não seja grande? Quem se importa com o que pensam os chatos anti-horário de verão?
Maldito Bolsonaro. Malditos anti-horário de verão.
Até.
Política. De novo.
Confesso que estou torcendo para o Trump ganhar as eleições americanas.
Não que eu simpatize com ele, ou ache ele um ótimo presidente. Não tenho absolutamente nada a favor dele, com exceção, talvez, do potencial bom relacionamento entre Brasil e EUA, e – admito – vários contras. Vários contras mesmo.
Por quê, afinal, estou torcendo para ele ganhar as eleições?
Por causa da narrativa.
Porque quero ver todos os ‘analistas’ que se dizem isentos, toda a imprensa militante, todos esses que se dizem especialistas, mas que, no fundo, não passam de torcedores, quebrar a cara em suas previsões. Para derrotar mais uma vez a narrativa de que só existe a esquerda boazinha e a extrema-direita. De quem pensa diferente é negacionista ou terraplanista. Para derrotar os chatos. O Trump, vejam só, é o Bolsonaro americano, aquele em que as pessoas deveriam votar para evitar que a esquerda assuma o poder. Sim, porque os Democratas são a esquerda americana, com tudo de ruim que ela representa. São o PT de lá. Não eram, mas se tornaram...
De verdade.
Para o Brasil, a derrota dos democratas será melhor, por pior que seja a figura de Donald Trump.
Até.