terça-feira, outubro 06, 2020

Halifax

O dia 06 de outubro de 2019 foi um domingo de sol em Halifax...






segunda-feira, outubro 05, 2020

Nova Scotia


Viagens

 

Ao longo do tempo, criamos uma certa tradição aqui em casa, relacionada ao aniversário da Jacque: comemorá-lo com uma viagem. Nem sempre foi possível, evidentemente, mas conseguimos algumas vezes. A época, outubro, é ótima para viajar, em termos de clima e custos de viagem, por não ser alta estação.

 

A primeira vez foi lá em 2003, quando fomos para a França – primeiros dias em Paris, depois seguindo a região da Alsácia –, Alemanha (Baden-Baden, Heidelberg, Nuremberg, Munique) e terminando no norte da Itália. Depois, em 2005, nos encontramos, eu vindo de Toronto e ela do Brasil, na Itália, e fomos de Milão até a Sicília de carro, junto com os pais dela.

 

Mais adiante, em 2007, sul da França, Provence e Côte D’Azur, com os ainda casados Paulo e Karina e o Pedro e a Zeca. Já em 2009, a primeira viagem da Marina, com um ano de idade recém completado, a Karina, a Jacque e eu, para a França mais uma vez, Normandia, Mont Saint-Michel e encerrando na Disneyland Paris. 

 

A viagem seguinte no aniversário da Jacque foi no ano de 2012.

 

E foi meio por acaso. 

 

Cerca de seis meses antes, estávamos – a Jacque e eu – em casa em um sábado à noite em que a Marina fora dormir na casa de uma das avós. Olhávamos e-mails lado a lado, quando vi um e-mail da TAM com promoção de passagens aéreas. Para voos nacionais. Nacionais. Navegando pelo site, acabamos comprando por impulso as passagens para essa viagem que seria em outubro.

 

Para a Inglaterra.

 

Cerca de quarenta e cinco dias antes da viagem é que acabamos definindo o roteiro com base no tempo que teríamos de viagem. Fomos à Inglaterra (Londres, Oxford, Stratford-Upon-Avon, Liverpool no dia do aniversário, e  Windsor, no final) e País de Gales (Conwy, Betws-y-Coed, Llandridod Wells, Swansea e Cardiff). Grande viagem, e a experiência maluca de sair de Londres dirigindo com mão inglesa e chovendo.

 

A última das viagens de aniversário até aqui foi no ano passado, e esse texto (e os próximos) é sobre ela. Fomos para a Costa Leste do Canadá, Nova Scotia e Prince Edward Island.

 

Espetacular.

 

Foi, contudo, a primeira viagem longa nossa desde o nascimento da Marina. Ela sempre fora conosco em nossas viagens, porque nunca nos importamos e ela é grande parceira de viagem. Tem o privilégio de, aos dozes anos, já ter viajado muito. Ficamos, evidentemente, felizes por proporcionar essas experiências a ela. É o tipo de herança que sempre pretendi deixar...

 

Havíamos decidido que iríamos viajar no aniversário da Jacque e a Marina, por estar aulas, não iria dessa vez. Pesquisamos muito para escolher o destino, afinal opções não faltavam. Alasca? Muito longe... A ideia da retornar à Alsácia, na França, nos agradava muito. Contra a Costa Leste do Canadá havia a questão da logística dos voos. Sem voos diretos, e relativamente caros.

 

Até que encontrei um voo que saía de Porto Alegre, fazia conexões em Guarulhos e em Nova York (quatro horas de intervalo entre os voos, com troca de aeroporto, do JFK para o La Guardia) e chegada em Halifax. A volta, Halifax para Nova York, dormindo uma noite na casa do meu irmão e voltando no outro dia para casa. Perfeito. Fechamos a passagem. Estava definido o destino.

 

Foi sensacional.

 

Uma viagem para repetir. Com mais tempo.

 

Até.

domingo, outubro 04, 2020

A Sopa

 (Crônicas de uma Pandemia – Duzentos e Quatro Dias)

A vida segue seu curso.

 

Apesar de estar de certa forma em suspenso, a vida segue quase que normalmente, o que é bom. Por outro lado, é bem ruim, e eu explico para você, leitor dessa Sopa semanal e com quem eu certamente não encontro pessoalmente há meses, em meio a essa pandemia que vivemos há mais de meio ano.

 

Digo que a vida segue quase normal porque continuo trabalhando tanto presencialmente como remotamente. O consultório, a Universidade (desde o final de agosto quando retornei formalmente ao mundo acadêmico), e o hospital requerem minha presença, para orientar os alunos nos atendimentos e para eu mesmo atender pacientes. Além disso, as reuniões rotineiras de discussão de publicações científicas e de casos clínicos estão sendo realizadas de forma remota, sempre no final do dia. De certa forma, os dias também foram alongados.

 

É claro que o ritmo de trabalho não está igual a antes, porque os horários de consultório foram reduzidos para não causar aglomerações lá, e por não estarmos atendendo em dois colegas nos mesmos turnos. O que – se financeiramente não é nada bom, aliás, é quase uma tragédia – em termos de qualidade de vida é ótimo. Esse tempo a menos de disponibilidade de atender consultório tem servido para estudar bem mais que o usual, e de forma natural, tranquila. E seguir com a atividade física de maneira regular, o que só a chuva dos finais de semana tem atrapalhado.

 

Poderia seguir nesse ritmo por muito mais tempo, devo confessar, mas sei que em breve o volume de trabalho deve aumentar novamente, e muito. O que vai ser muito bom.

 

O que – admito – já cansou nessa pandemia é a questão do distanciamento.

 

E não falo aqui dos cuidados que temos que ter em nosso dia-a-dia, como usar máscaras (não me importo) ou lavagem dedicada de mãos (já fazia). Falo da impossibilidade da convivência social, com família e amigos. Falo da impossibilidade teórica atual (não definitiva) dos encontros, dos churrascos, dos momentos de descontração leves, despreocupados. Dos planos, muito mais que das viagens (que, sim, fazem falta).

 

Essa limitação me incomoda, desde o início da pandemia, e a intensidade desse sentimento não mudou, e sei que já escrevi sobre isso.

 

Ou seja, a intensidade não aumentou, mas também não aliviou.

 

O que tem aumentado mesmo é a insatisfação com as redes sociais, que – mesmo eu sabendo que não são um retrato da vida real, que são apenas a manifestação da bolha em que vivemos – estão cada dia mais chatas. Continuo as utilizando para o que me propus desde o início: encontrar pessoas, relembrar histórias, compartilhar fotos que me agradam.

 

De resto, tento desconsiderar. 

 

Até.

sábado, outubro 03, 2020

Sábado (e chove...)

                           Chove...

                           Até.

sexta-feira, outubro 02, 2020

Crônicas de uma Pandemia – Duzentos e Dois Dias

 Yo sé quién soy.

 

Importante conquista da vida: saber quem somos. A partir daí, todo o resto de desenrolará. O que queremos, para onde desejamos ir, com quem caminhamos. E o processo de autoconhecimento não é fácil, quase sempre doloroso.

 

Um longo caminho, tortuoso, cheio de obstáculos.

 

Necessário trilhá-lo, contudo, para termos uma vida plena. Nem todos querem, nem todos conseguem. Alguns nem sabem que precisam fazer esse caminho.

 

Eu tenho tentado, desde há muito tempo.

 

Sigo caminhando.

 

Até.

quarta-feira, setembro 30, 2020

Crônicas de uma Pandemia – Duzentos Dias

 Duzentos dias.

 

Inacreditáveis duzentos dias de pandemia aqui no Sul do Mundo. Erros (muitos) e acertos (alguns) ocorreram desde então, na forma com que se lidou com a situação. Ainda tenho a ideia de que nos comportamos, como um todo, população e governantes, como se ainda estivéssemos em 1918 e fosse a gripe espanhola nos aterrorizando. Falando em aterrorizar, já está descrita a mais nova fobia, a coronafobia. 

 

Sério.

 

Sabemos que, durante pandemias, o medo, a ansiedade e as preocupações são consequências psicológicas importantes. Não seria diferente agora, e já temos estudos descrevendo a coronafobia, o medo de ter COVID-19. A definição de coronafobia é “an excessive triggered response of fear of contracting the virus causing COVID-19, leading to accompanied excessive concern over physiological symptoms, significant stress about personal and occupational loss, increased reassurance and safety seeking behaviors, and avoidance of public places and situations, causing marked impairment in daily life functioning. The triggers involve situations or people involving probability of virus contraction, such as, meeting people, leaving house, travelling, reading the updates or news, falling ill or going for work outside”. 

 

Temos visto por aí, em maior ou menor gravidade, muitos casos de coronafobia. Informação séria, sem vieses ideológicos, pode ser parte do tratamento. Para alguns, é tudo o que é necessário.

 

E mesmo que tenhamos receios reais (e mesmo diversos imaginários) temos que seguir a vida, com as precauções de sempre. Lembrar sempre, também, que o vírus não é o único risco a que estamos potencialmente expostos.

 

Hoje de manhã, fui cortar o cabelo e aparar a barba. Numa barbearia, como faço desde que passei a cultivar a barba. Pequena distância de casa, vou andando. Chove na manhã quente de Porto Alegre. Chego no horário marcado, sou o primeiro cliente da manhã.

 

Cabelo cortado, passamos à barba.

 

Decido baixá-la bem, máquina um, porque facilita com relação à máscara que uso para trabalhar. Além disso, a ideia é deixá-la maior no inverno. Começa com a máquina (rasuradora em espanhol, informação irrelevante no momento) e, para os “ajustes precisos”, a navalha. É colocada uma toalha quente no rosto para amaciar a pele e, a seguir, com os olhos cobertos também por uma toalha (não quente dessa vez) é o momento de terminar o serviço em detalhes. 

 

É nesse momento que penso, de olhos fechados, uma toalha sobre meus olhos, que esse é o melhor momento para quem quisesse me assassinar. Uma navalha, meu pescoço ali, exposto, disponível. Seria muito simples. Uma simples passada da navalha com uma pressão maior, sobre a minha carótida, eu sentiria a dor aguda do corte, um líquido quente e viscoso escorrendo pelo meu pescoço por poucos segundos antes de perder a consciência, e minha cabeça pender para o lado, já sem vida.

 

Seria rápido, quase indolor.

 

Baixariam as cortinas do local para retirar o meu corpo da cadeira e limpar o sangue que estaria espalhado pelo local, aquele odor ocre de sangue coagulado. Numa sala no fundo do local (administrado pela máfia, numa liberdade criativa minha) meu corpo seria esquartejado e meu restos levados embora, apagando qualquer vestígio de que eu estivera algum dia.

 

Eu simplesmente desapareceria do mundo.

 

Seria procurado. Família e amigos fariam vigílias, correntes em redes sociais e colariam cartazes em postes. Tudo em vão. Com o tempo, eu seria a história do cara que saiu de casa para cortar o cabelo e nunca mais voltou.

 

Duzentos dias de pandemia.

 

Está na hora de acabar...

 

Até.

segunda-feira, setembro 28, 2020

Crônicas de uma Pandemia – Cento e Noventa e Oito Dias

 Política.

 

Começou ontem, no Brasil, a campanha para as eleições desse ano, para Prefeitos e vereadores. Normalmente, o primeiro turno ocorreria no próximo final de semana, mas – devido ao ano atípico – será dia quinze de novembro. Portanto, nos próximos quarenta e poucos dias podem surgir por aqui, em meio aos meus escritos sobre a pandemia, um que outro texto sobre o assunto.

 

Vou falar do local, mas tentando ser mais amplo em minhas reflexões.

 

Hoje de manhã ocorreu o primeiro debate com os candidatos à Prefeitura de Porto Alegre. Treze ao todo. Foi transmitido pelo rádio e mostrado em redes sociais. De maneira inédita e não convencional (o coronavírus tem sido responsável por vários eventos não convencionais) o debate foi no formato drive-in.

 

Os candidatos estavam em seus carros estacionados no estacionamento da Rádio Gaúcha (ou da RBS, não tenho certeza), em Porto Alegre, com o mediador circulando por entre os carros, e dali puderam debater. Sem aglomerações e com distanciamento. Quando começou o debate, eu estava praticando atividade física (segundas e sextas-feiras faço logo de manhã) e ouvindo pelo celular.

 

Primeira pergunta, para uma candidata de esquerda, é sobre as melhorias a serem feitas em determinado bairro de Porto Alegre. A resposta, que começa chamando o Presidente da República de bandido e o atual Prefeito (ali presente, candidato à reeleição) de “proto-fascista”, não responde o que foi perguntado, apenas ataca pessoas. A segunda, para um candidato de extrema esquerda, é sobre o projeto para a cidade. A resposta, começa com um “não temos um plano para a cidade, mas sim para o país e o mundo, que é a revolução socialista e a implantação do comunismo”. 

 

Foi quando eu larguei de mão. Não preciso ouvir bobagens nesse nível.

 

É um grande teatro, todos sabemos. Esse primeiro debate serve – dizem – não para definirmos em quem votar, mas sim em quem não votar. Pode ser mesmo.


Mas eu sei em que eu não vou votar.

 

Qualquer candidato por partido que tenha comunismo no nome. Quem defende comunismo defende um fracasso completo e a morte de milhares de pessoas, assassinadas ou de fome. Partidos que sejam – desde o seu nome – uma falácia, com socialismo e liberdade, que nunca estão juntas. Quem defende regimes criminosos, como da Venezuela ou Cuba. Quem defende criminosos condenados, quem defende corruptos. Qualquer partido vinculado ao Foro de São Paulo.

 

Quem se diz a favor da tolerância, se investe de moralmente superior, mas chama qualquer um que pense diferente de “gado” e o agride, às vezes fisicamente. Quem escreve ‘amigxs’, ou amig@s” ao invés de amigos. 

 

Muitos em quem não votar.

 

Em quem votar?

 

Não sei, e nem é minha ideia ou intenção abrir o voto, ao menos por enquanto (se é que vai acontecer). Tem tempo para estudar, me informar melhor.

 

Mas saber o que não queremos para nossa cidade, estudo e país já é um bom começo.

 

Até.