quinta-feira, maio 19, 2005

Impressões

Saindo de uma livraria, agora há pouco, onde havia ido fazer apenas uma visita de médico, dar uma olhada nos últimos lançamentos, por cima, namorar um guia da Itália, que sabe comprar algum livro que estivesse em promoção, percebi que a vida tem outro ritmo aqui. Aos menos para mim.

Bem antes de vir para cá, quando a viagem ainda era um possibilidade muito mais que uma certeza (de novo, para mim, porque aqui eles faziam de tudo para que a minha vinda se concretizasse), conversei com várias pessoas sobre Toronto, muito mais que sobre o Canadá. Vários deles me disseram que “Toronto é São Paulo e Vancouver é Rio de Janeiro”. Ou então, como algumas revistas de viagem: “Toronto é Nova York, Montreal é Paris”. E eu pensava: e Porto Alegre, tem Porto Alegre no Canadá?

Ao chegar aqui, decidi não morar no Downtown, e vim morar no High Park. Se São Paulo for assim como é onde moro, até moraria em São Paulo. Mas, afinal, não devo esquecer que comparar cidades é inútil. Cada uma tem sua personalidade, seu jeito de encarar o mundo. De ser vista pelos outros.

Toronto é tímida perante o mundo. Se houvesse uma reunião de todas as cidades do mundo, Miami chegaria no seu carro conversível com o som alto tocando, sei lá, Rick Martin. Nova York se imporia perante todas com vocação de capital do mundo. Paris encantaria a todos com sua beleza, e Toronto estaria olhando tudo em silêncio. Quase não se ouviria sua voz, mesmo com tudo que tem para oferecer.

Aqui onde moro, ela tem o aspecto de uma cidade do interior, com suas casas baixas, muito verde, o “centrinho nervoso” que é o Bloor West Village, e um ritmo mais devagar, menos corrido. Era o que eu dizia sobre o ritmo diferente daqui.

Ao sair da livraria em direção ao supermercado, parei e esperei o sinal abrir para os pedestres. Enquanto esperava, vi as pessoas que passavam, a mãe empurrando o carrinho com o seu nenê, o senhor de luvas andando com um andador, as amigas gordas falando alto ao mesmo tempo em que ouviam música com fones nos ouvidos. Ao abrir o sinal, atravessei lentamente a rua e vi os carros passarem no outro lado. Normalmente, não prestaria atenção nisso tudo, preocupado em não ser atropelado e chegar logo ao destino. Ou estaria de carro.

O ritmo, o meu ritmo aqui é outro. Definitivamente.

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Em estudo ainda não publicado, mas que sairá na Nature num futuro não muito distante, uma equipe de biólogos da Universidade da Califórnia chegou a algumas conclusões interessantes. Eles treinaram chimpanzés durante alguns meses e eles foram capazes de manter um blog utilizando um desses sites tipo o Blogger. Aplicaram o mesmo teste em mim, e eu não consegui…

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Da série ‘Elvis não morreu’: como contei ontem, ao entrar num banheiro e me olhar no espelho, vi o Elvis. Hoje, entrei no supermercado para algumas compras básicas e quem estava tocando no sistema de som? Quem? Isso mesmo, Elvis Presley.

Isso deve ser um sinal…

Ah, fui no espelho conferir hoje e ele não estava mais lá. Em compensação, vi o Nasi, vocalista do Ira!. Acho que vou parar de ir nesse banheiro…

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Esse blog completa um ano de vida em mais ou menos quinze dias, e só me dei conta disso agora. O meu plano inicial era fazer diversas modificações para comemorar a data, mas descobri que eu NÃO sei mexer nessas coisas.

Por isso, ‘A Sopa no Exílio’ está abrindo um licitação internacional. Aguardo propostas para alguém assumir e reformular o blog, com domínio próprio de tudo. É evidente que será um trabalho remunerado. Ajudem-me, por favor!

3 comentários:

Ana disse...

Eu me ofereceria...se soubesse que ia deixar bem bonitao pra voce. Mas nao tenho coragem, voce parece ser critico :P

Espero que arrume alguem pra te ajudar, ou pelo menos se precisar eu tento ajudar e dar dicas(mas eu nao sou tao boa assim nesse assunto).

Ah, quanto ao primeiro post. Acho que Toronto e Sao Paulo e Montreal seria o Rio. Ouvi dizer que a galera em Montreal se amarra numa noitada! Rs! Beijos

Ninne disse...

Adorei seu post, Marcelo, concordo com sua analise das grandes cidades do mundo. Miami me fez rir aqui, ahahahha.:)

A sua vizinhanca realmente parece ser tranquila, arborizada, calminha. Muito legal.

E, sei lah, nao acho que vc esteja tao "acabado" assim para lembrar o Elvis ou o Nasi. Ms, quem sou pra dizer isso, eu tbm vejo cada coisa quando em olho no espelho!

Boa sorte na licitacao! Que venca o melhor!!

Eva Jucá disse...

Olá Marcelo..
Só discordo com uma coisa... Acho que Vancouver seria a Bahia.. aliás, é como nós brasileiros que moramos aqui a chamamos!! :-)
Principalmente pelo ritmo da cidade, que como vc mesmo disse no post, é completamente diferente, muito parecido com a Bahia.."prá que pressa meu bichinho??"
Abraços
Eva Jucá