quinta-feira, junho 16, 2005

Autor e autor

Acho que já falei sobre isso.

Azar, falo de novo.

Assim como quando ficam doentes e preferem acreditar na simpatia que uma vizinha ensinou a ir conversar com um médico (cujo conhecimento está fundamentado em anos de estudo, pesquisas, etc), as pessoas geralmente acreditam em tudo o que lêem na internet. Um erro, claro.

Mas é involuntário, não fazem por mal. As pessoas realmente acreditam. Ou querem acreditar, aqui não faz muita diferença.

Falei, falei, e não disse nada.

Estou querendo falar sobre a autoria de textos na internet. Vocês sabem ao que estou me referindo. De tempos em tempos, inicia uma nova onda de emails com textos atribuídos, por exemplo, ao Luís Fernando Veríssimo. Ou ao Arnaldo Jabor. Até do Drummond já recebi.

Uma lida sem muita atenção nestes textos basta para sabermos que os textos não são dos autores a que estão sendo atribuídos. Não dá para acreditar que um texto que fala que não devemos nos preocupar em ser “sarados” seja do Carlos Drummond de Andrade, talvez o maior poeta brasileiro. Nem que seja do Veríssimo um texto falando de amores passados e perdidos, da borboleta que voa numa tarde de primavera, etc. Podem até ser textos bonitos, mas não são o tipo de texto nem a temática dos autores. Muitas vezes, ao ler a primeira frase já vemos que o estilo não é do autor atribuído.

Por que alguém atribui um texto (1) que não sabe de quem é ou (2) que é de um autor de “menor expressão” (no sentido de menos conhecido)? Provavelmente para dar credibilidade ao texto. Se alguém recebe por email um texto que diz ser do Luís Fernando Veríssimo, é muito mais provável que queira ler do que se receber o texto de um tal de Marcelo Tadday Rodrigues, por exemplo (levando-se em conta que a pessoa não me conhece e/ou não é leitora desse blog). Só pode ser isso.

O interessante é que já se descobriu um caso específico. Circulava pela internet um texto atribuído ao LFV que era de uma estudante de Santa Catarina – não, não é a Elisa – e ele comentou isso numa coluna dele na Zero Hora (jornal de Porto Alegre em que é colunista) e – acho – que fizeram um encontro (ao menos virtual) entre os dois. Tudo tinha ocorrido após um final de relacionamento dela. Ela escreveu um texto falando sobre a dor da separação e enviou para amigos que enviaram para amigos que enviaram para amigos e – em determinado um momento – alguém recebeu decidiu passar adiante dizendo que era do Veríssimo.

Coisa louca.

Até.

3 comentários:

Ana disse...

E verdade.
Eu nao leio esses textos! Galera tende a acreditar nessas coisas mesmo, eu ja acreditei em muitas coisas tambem, mas nao nesses textos malucos :P Beijos

Carlos disse...

Isso acontece direto. Uma vez recebi um chamado de um dia de mer@!#, que diziam ser do LFV. Com certeza absoluta não era, mas o texto era muito engraçado. Abraço.

Franci disse...

Olá Marcelo!
Acho que ainda existe muita gente inocente, ingênua por ai, que acredita em tudo que passa na Net.
Eu tenho aqui a minha peneira, nela tiro todo o lixo.
Beijos,
Franci.