terça-feira, março 21, 2006

Cartas na Mesa

O PMDB, com sua celeuma envolvendo as prévias dos últimos dias, a saber, a ala do ex-presidente José Sarney fazendo de tudo para não lançar candidato próprio e desta forma, tal qual sanguessugas, ficarem aptos a apoiar a reeleição do Presidente Lula (e, se esse perder, apoiar o adversário, tudo para continuar contando com as benesses do governo, versus a ala oposicionista lutando para realizar as prévias para definir seu candidato entre o ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho e o governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto. Mesmo perdendo a guerra de liminares, foi feita uma consulta informal e o vencedor foi o Garotinho.

Como o PSDB já havia anunciado o seu candidato na semana passado, Geraldo Alckmin, e o candidato da situação será o Presidente Lula que, apesar de ainda não ter admitido já faz campanha pela sua reeleição, estão postas as cartas da sucessão presidencial na mesa. Assim ficou fácil escolher em quem votar.

A única opção – digam o que disserem – é reeleger o Lula.

Fugindo disso, estaremos colocando no poder alguém que facilmente tornará menos clara a separação entre o estado e a igreja. O que é muito perigoso.

Anthony Garotinho é um candidato que não se pode levar a sério. Ninguém, em sã consciência, pode votar nele. E já digo isso desde que ele pretendia ser candidato nas eleições de 2002. Nem vale comentar sobre ele. Ele representa bem o que o PMDB se tornou: uma caricatura. O perigo real mora no candidato do PSDB.

Ele tem ligações estreitas com a Opus Dei, ordem ultraconservadora da Igreja Católica. Fundada na Espanha em 1928 por José María Escrivá, (acusado de ter ligações com a ditadura franquista), a Opus Dei é criticada pelos católicos progressistas em função de suas ligações políticas e seu caráter reservado - às vezes quase secreto - e elitista. Com seu jeito insosso, Alckmin quer passar a idéia de que pode ser uma alternativa ao status quo. No fundo, contudo, e em termos de política econômica, seria tudo um continuum FHC, Lula, Alckmin, com a diferença que o último seria uma lance mais TFP.

Que fique claro: não importa qual o credo do Presidente da República, nem se ele acredita em um deus ou em elefantes voadores. Desde, é claro, que não misture as coisas e queira transformar o país numa extensão de sua igreja. E isso, óbvio, é um claro e perigoso retrocesso histórico.

O meu voto deverá ser – nessas circunstâncias – para o Lula.

Mesmo que não mereça, o que é papo para outro dia.

Até.

2 comentários:

Ana disse...

Eu concordo com voce. Eu AINDA nao formei uma opiniao na minha cabeca quanto ao involvimento do Lula na CPI dos correios. Eu ainda nao decidi se ele e apenas lerdo ou se e corrupto.

O PSDB sempre foi, e e sera elitista, por isso nunca fui com os corneos do FHC. Sao ricos, gostam de ricos, vao cuidar de ricos. E o Brasil nao precisa disso, como todos sabem.

O Garotinho e bizarro. Se ele ganhar uma eleicao no Brasil eu juro que cato meus pais e viro sponsor deles no Canada, porque vai ser um absurdo.

E que venham as eleicoes. Eu vou justificar, mas sou a favor do Lula, considerando todas as opcoes.

PS: E eu acho que o PSDB leva.

Edgard disse...

Cara, não faz isso, vc. não sabe a robalheira que tá aqui!!!