domingo, março 05, 2006

A Sopa 05/33

O tempo, mais uma vez.

Exatamente há três anos atrás, cinco de março, quarta-feira de cinzas do ano de 2003, logo após o almoço, entrei na sala da minha orientadora para combinarmos o início da inclusão de pacientes para o estudo que deveria se transformar na minha tese de doutorado. O ano começava a valer, logo depois do carnaval, fim de férias de verão.

Além disso, eu precisava avançar com o meu trabalho, afinal já iniciava o terceiro ano do doutorado, já tendo cursado todo os créditos necessários e estando treinado no procedimentos técnicos relacionados ao projeto. O plano era começar a incluir os pacientes para, até o final daquele ano, estar com tudo pronto. E começaria na quarta-feira de cinzas porque era o dia do ambulatório de asma, de onde sairiam os pacientes.

Com esse objetivo, fui falar com a minha orientadora. Mal tinha entrado na sala, e ela disse “Pensei em ti hoje de manhã, mas não sei se irias querer, afinal és casado e tem tua vida organizada…”. Perguntei o que era e ela me contou que havia um convite para um Fellowship em Toronto, Canadá, com fundos do laboratório onde trabalharia, e que a pesquisa tinha tudo a ver com a minha tese de doutorado. A única coisa é que seria por no mínimo dois, provavelmente três anos. Só teria que pagar a passagem.

Perturbado, pedi quarenta e oito horas para pensar.

Saí da sala dela já sabendo a resposta, mas precisava conversar com a Jacque, ver o que ela pensava, como ela faria para ir comigo, se conseguiríamos algo para ela também. Três anos! Muito tempo! Pensei em como reagiriam os meus pais, que iam ficar sem nenhum filho morando perto, afinal meu irmão já morava em New York. Pensei na minha afilhada, a Beta, e que eu perdeira três anos da vida dela, quando eu voltasse ela seria quase uma adolescente. Pensei muito, na família, nos amigos, antes mesmo de falar com a Jacque, o que aconteceu no final daquele mesmo dia.

Quando falei para ela que havia sido convidado para ir para Toronto, ela ficou super-feliz, falou que eu tinha mesmo era que ir. Falei que tinha um porém, seriam talvez três anos. Foi como um balde de água fria, mas ela insistiu na idéia que daríamos um jeito e que eu não tinha como perder a oportunidade.

Eu sabia disso.

Desde o momento em que fiquei sabendo da possibilidade, eu sabia que não podia dizer não. Em certos momentos da vida, não se pode dizer não. Pensando na minha teoria das pequenas coisas que mudam o mundo enquanto as grandes já estão definidas, essa era uma decisão das grandes que já estava tomada desde o início. Eu deveria vir, era inevitável.

Desde esse dia até o dia em que comecei efetivamente em Toronto, passou um ano e meio, devido a vários fatores que atrasaram minha vinda, o principal deles a SARS, que fechou hospitais e gerou um prejuízo para a cidade e – no meu caso –para o laboratório para onde eu viria.

Vou ficar dois, e não três anos, mas por decisão minha.

Só que isso é outra história, para uma outra sopa.

Até.

2 comentários:

Ana disse...

Eu nao quero a primaveraaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!

*cries out loud*

Voce vir foi legal porque aproximou mais ainda os dois! :)

Beijos

Soraia disse...

EI Marcelo, eu vou te perguntar, apesar de voce nunca dar bola aos meus comentarios. eu acho que e preconceito ja que eu sou do Rio e voce dos pampas, mas vai la. Tento outra vez. Por que a Jacque nao esta ai contigo? Voce ficou 2 anos sem ve-la?
Um beijo.