quarta-feira, dezembro 31, 2025

O Último

O último dia do ano. O final de dois mil e vinte e cinco. Vamos para a segunde metade dessa década, tão longe de dois mil e cinquenta quanto do ano dois mil. Estou mais perto dos sessenta anos do que dos quarenta.

 

Por aqui, no Sul do Mundo, seguimos de recesso de final de ano. Ontem à noite, assistimos – a Marina, a Jacque e eu – ‘50 First Dates’, de 2004, com a Drew Barrymore e o Adam Sandler, filme de terror fantasiado de comédia romântica. 

 

Sim, filme de terror.

 

Ao menos para mim, é uma possibilidade assustadora. O centro da história (um filme de mais de vinte anos não tem spoiler) envolve a personagem da Drew que, após um acidente automobilístico, perdeu a capacidade de memória recente. No filme, ele lembra de tudo até momentos antes do acidente, mas, depois, nada. Vive em um ciclo de repetir o dia do acidente todos os dias.

 

Lembro, então, de um dos livros que li esse ano, ‘Alucinações Musicais’, do Oliver Sacks, em que ele conta diversos casos clínicos, a maior parte deles após traumas físicos ou  AVCs,  em que as pessoas, perdiam a memória prévia, ou a retenção de memórias, ou – pior – as duas. Se perdemos a memória do que vivemos, se não reconhecemos as pessoas, se não criamos memórias, não temos passado, referências, afetos, e nem futuro. É aterrorizante.

 

E lembro (que sorte essa, de lembrar) que há trinta e cinco anos estive envolvido em acidente de trânsito sério, com traumatismo craniano, treze dias em coma em uma UTI, e não fiquei com sequelas permanentes, além de manter minha a memória intacta. Lembro disso sempre que as coisas parecem complicadas. 

 

Sobrevivi, sobrevivemos.

 

Um Feliz Ano Novo a todos.


Até. 

terça-feira, dezembro 30, 2025

Simples, Humilde

Eu sou um cara simples, no sentido de gostos simples. Não preciso de muito para me sentir satisfeito com a vida, mesmo que tenha – sim – alguns desejos de opulência (quem nunca?).

 

Sei o que quero e o que preciso para ter uma vida boa, que é a grande questão filosófica para a qual busco resposta ao longo dos anos, e tenho “trabalhado” para chegar nesse ideal, que – óbvio – vale para mim. Todos os movimentos que tenho feito em termos de trabalho e pessoais são com esse objetivo, de levar uma vida boa e significativa (conforme meus critérios próprios, que valem para mim e não necessariamente para outrem).

 

Renunciei a algumas situações, dediquei meu tempo a outras, fui moldando os meus dias à forma que acho que devo viver, me associando a pessoas com mesma visão das coisas. Ainda há um caminho a ser percorrido, claro, mas já é mais claro, já vejo um horizonte. Pedras no caminho existem e continuarão existindo, e sei que seguirei independente delas.

 

Penso, também e eventualmente, que gostaria de morar no interior, mas em um interior do passado, um interior idílico, onde haveria cadeiras na calçada no final de tarde onde tomaríamos chimarrão e veríamos as pessoas passarem e todos nos saudaríamos porque nos conheceríamos porque seríamos parte da mesma comunidade, parte do todo. E lembro de Gente Humilde, do Chico Buarque...


São casas simplesCom cadeiras na calçadaE na fachadaEscrito em cima que é um larPela varandaFlores tristes e baldiasComo a alegriaQue não tem onde encostarE aí me dá uma tristezaNo meu peitoFeito um despeitoDe eu não ter como lutarE eu que não creioPeço a Deus por minha genteÉ gente humilde

Que vontade de chorar...

  

E ano quase terminou.


Até. 

segunda-feira, dezembro 29, 2025

A Verdade da Galáxia

(Se algum dia o sol um dia vai derreter...*)


O que espero de dois mil e vinte e seis?

 

Estamos cercados por exemplos de pensamento mágico. Melhor dito, a vida – em grande parcela – é feita da criação de lendas, mitos (aqui sem nenhuma conotação política), superstições, crenças e fantasias. Talvez seja uma forma de tornar a aleatoriedade das coisas mais palatável. E o pensamento mágico não é exclusividade de nenhum grupo social, deixemos isso bem claro.

 

Não tem relação com classe social, nível educacional, status financeiro. Vemos crenças arraigadas em todos. Os esportes, futebol em especial, são um campo fértil para crendices, folclores, rezas, simpatias e promessas feitas. Entre médicos isso também é muito comum, como quando dizem que ‘ser médico ou familiar de médico é fator de risco para casos mais complexos ou maiores complicações de casos simples’.

 

Não é. Mesmo.

 

Apenas nos chama mais à atenção quando envolve alguém conhecido ou familiar de conhecido, não que seja mais frequente, porque não é mesmo. É um viés cognitivo, simplesmente. E mesmo professores ilustres, mestres do que fazem, eventualmente caem nessa armadilha mental. E está tudo bem, tudo certo. Eu não compactuo, sou muito racional para acreditar nisso.

 

Poderia citar diversos exemplos, mas fica para outra hora.

 

O que eu espero de 2026, você quer saber?

 

É um ano par, e anos pares são muito bons...

 

Até.

* Nei Lisboa, Pra Viajar no Cosmos não Precisa Gasolina

domingo, dezembro 28, 2025

A Sopa

Último domingo do ano, última Sopa no ano.

 

O que dizer de dois mil e vinte e cinco?

 

Aliás, volto à recorrente questão de como devemos avaliar a vida. A partir de quais critérios vamos julgar se estamos onde deveríamos estar ou – ao menos – no caminho daquilo que julgamos o nosso lugar? E mais, como encaixar o que queremos, ou planejamos, com o que o mundo espera de nós?

 

Como eu disse, volto a questões que - imaginava – não existiriam quando eu tivesse mais de cinquenta anos de idade, casado há quase trinta e com uma filha prestes a fazer dezoito anos. Deveria ter tudo resolvido, e apenas trilhando o caminho traçado a partir de minhas escolhas. Aquelas que comecei a fazer há mais de quarenta anos.

 

Bobagem.

 

O caminho é feito enquanto percorrido, e tudo aquilo que poderia ser visto como desvio são, em verdade, ajustes na rota que é construída. Assim vejo nossas trajetórias, como mapas que vamos desenhando.

 

Tento ser mais leve, e sei que nem sempre consigo. Sofro (sofrer é um termo exagerado, mas não achei outro no momento) eventualmente por consequências de decisões tomadas conscientemente, por situações das quais abri mão e, ao olhar de fora, por breve instantes penso ‘e se eu tivesse seguido, se eu tivesse feito...’, mas logo recobro a lucidez de saber que estou (cada vez mais) onde deveria e onde gostaria de estar.

 

Continuo tentando (e vez que outra falhando) não me comparar com os outros, porque trajetórias diferentes não são comparáveis. No geral, contudo, as coisas vão bem. Tive momentos em que me senti uma ilha, só em meio à multidão, outros em que quis estar sozinho. Nada diferente do usual.

 

Eu julgo meu ano pelos amigos que fiz e os que encontrei, os shows que fui, os churrascos que fizemos, os livros que li, as pessoas que pude ajudar, as conversas, os momentos em família, o trabalho. Os relacionamentos que se fortaleceram.

 

É a receita de uma boa vida.

 

Até.

sábado, dezembro 27, 2025

Sábado (e Boas Festas!)

 

School of Rock Benjamin


Bom final de ano para nós, e um fantástico 2026! 

Beijo.

Até.


sexta-feira, dezembro 26, 2025

Desapego

Sexta-feira em meio ao (meu) recesso de final de ano.

 

Diferente do habitual, acordei por volta das nove horas, com a sensação de que a manhã estava perdida, não haveria muito mais a fazer. Sou estranho, eu sei. E sei que por esses dias não há a necessidade de ser “produtivo”, entendam esse termo como quiserem.

 

Saí da cama, tomei café da manhã lendo o jornal impresso do dia (sim, sou eu quem ainda assina) e me pus em movimento: organizar a casa, colocar roupa para lavar, levar o lixo seco para o local adequado na garagem do subsolo. Molhar as plantas que ficam no corredor do andar, que antes eram cuidadas pela vizinha de porta há quase trinta anos, recém falecida.

 

Esses dias são propícios para reorganizar a vida, e falo pensando em arrumar armários, organizar papeis, descartar o que se tornou irrelevante.  Nem sempre (quase nunca) consigo completar essas limpezas antes de o ano começar com tudo, mas sigo tentando. Acumula-se mais do que se elimina. O descarte serve para tentar reduzir ao que é realmente importante, e necessário. 

 

É um processo, um método.

 

Sigo tentando, e aprendendo.


Até. 

quinta-feira, dezembro 25, 2025

Guri de Apartamento

Uma confissão e uma (nova) obsessão.

 

Apesar de ter morado em uma casa dos sete aos vinte e quatro anos de idade, posso dizer que – sim – sempre fui um guri de apartamento. E estou tranquilo com isso, apesar de que seria legal ser um pouco, ao menos, diferente.

 

Digo isso no sentido de pouca habilidade e conhecimento para consertos e reformas em casa. Pequenos reparos elétricos ou hidráulicos, pintura e outros desse tipo. Principalmente porque nunca precisei fazer e, comodamente, deixei que quem conhecesse o fizesse. Minha culpa, minha máxima culpa. Quando morava com meus pais, há trinta anos, era meu pai quem fazia – em sua maior parte – esses serviços, pequenos ou não, em casa. Eu ficava de auxiliar, quando muito.

 

Após casado, morando efetivamente em apartamento, sempre houve alguém a quem recorrer em caso de pequenas urgências e reparos domésticos. Então, nunca houve realmente a necessidade que eu fizesse. 

 

Não me orgulho disso.

 

Também não é o fim do mundo, eu sei. Não sou o primeiro e nem o último a passar por isso. Confesso, contudo, que percebi há um bom tempo uma vontade, ou uma necessidade de me envolver com isso, de ao menos participar de atividade envolvendo essas habilidades, mas em um cenário bem específico.

 

Estou obcecado por reforma de casas antigas, e abandonadas. E, como bom guri de apartamento, tenho acompanhado no You Tube alguns canais que mostram casas antigas, em más condições, que estavam abandonadas ou foram compradas com tudo dentro depois de anos sem moradores. Gosto de ver todo o processo, desde a limpeza da casa, retirada do lixo, até a reforma em si, em seus detalhes. Principalmente aquelas feitas por uma ou duas pessoas ao longo do tempo.

 

Gostaria muito de estar envolvido em algo assim.

 

O mais provável é que nunca aconteça.

 

Mas que seria legal (e trabalhoso e cheio de incomodações e caro), certamente seria.

 

Feliz Natal a todos.


Até. 

quarta-feira, dezembro 24, 2025

Aposentado

Quem eu serei na aposentadoria?

 

Não, não estou em vias (e nem próximo) de me aposentar, e nem tenho planos no momento de fazê-lo, para ser sincero.  Minha profissão, que (ainda) é minha atividade principal, permite que eu tenha a possibilidade de muitos anos de trabalho pela frente, mas, também, a possiblidade de reduzir a carga de trabalho caso seja desejo ou necessidade, sem parar totalmente.

 

Por outro lado, se fosse o caso, digo com tranquilidade que poderia para de trabalhar totalmente, e realmente me aposentar. A vida não acabaria se parasse de trabalhar, diferente da geração anterior, dos nossos pais, que – com exceções, evidentemente, e mais intensamente com os homens, viveu para trabalhar e, perder ou parar com o trabalho significava perda da identidade e da senso de utilidade. Vi meu pai se sentir perdido no mundo quando fisicamente não mais conseguia trabalhar.

 

Também por isso sempre soube que a (minha) vida deveria ser mais do que o trabalho, que não é ele que nos define. É parte, sim, e importante, mas não o que a define. Sou (somos) muito mais que nossa função social. 

 

Somos nossos relacionamentos, e as pessoas cujas vidas tocamos, somos os livros que lemos, os filmes que vemos, as músicas que ouvimos (e tocamos). Somos os encontros, as turmas, as conversas amenas e as difíceis, os bares e as festas. Por isso a importância de reconhecer e saudar aqueles que nos são importantes. 


Até.

 

terça-feira, dezembro 23, 2025

Recesso (mais ou menos)

Começa hoje o (meu) recesso de final de ano.

 

É o período entre o Natal e Ano Novo, justamente quando o movimento de pacientes no consultório é virtualmente zero, quando aproveitamos para alguns dias de descanso entre as festas de final de ano. Aproveitamos para dar esses dias para que a Bete, nossa secretária, descanse também, afinal o trabalho dela não é muito fácil, ali na linha de frente, sendo muitas vezes alvo de grosserias de paciente e familiares de pacientes ansiosos e que descontam nela suas frustrações.

 

Vale, então, para que todos nós façamos esses poucos dias de descompressão. Para que comecemos o ano mais tranquilos, basicamente, além do mais importante: ficarmos com nossos famílias, aproveitar para ficar em casa e alguns passeios.

 

Como sempre, foi um ano desafiador, em muitos aspectos, mas não é hora de falar disso. Quero fazer uma retrospectiva pessoal do (meu) ano, mas ainda não é hora disso. Quase, mas ainda não é. 

 

Agora, e nos próximos dias, pretendo desacelerar e descansar.

 

Continuarei por aqui, claro.


Até. 

segunda-feira, dezembro 22, 2025

Leves e Tranquilas

Vale também para as amizades.

 

A letra de ‘Todo Amor que Houver Nessa Vida’, música composta pelo Cazuza e pelo Frejat e lançada em 1982 no primeiro disco do Barão Vermelho, começa dizendo que ‘Eu quero a sorte de um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida”, com o sentido de um amor doce (e leve, gosto de pensar) e marcado pela experiência. Acho uma ótima figura de linguagem, e que vale para outras dimensões da vida.

 

É o caso das amizades, como falei acima, e isso fica ainda mais evidente (para mim, para mim) nesses dias de final de ano em que as confraternizações, os encontros, ocorrem quase que diariamente, em que existe uma urgência em estar presente, em estar junto daqueles que nos são queridos, com quem temos alguma história e algum grau de afeição.

 

Nem sempre conseguimos nos reunir com todos aqueles que gostaríamos ou deveríamos, infelizmente. É da vida, paciência, e está tudo bem. As relações de afeto verdadeiras permanecem mesmo sem a presença física frequente, já aprendi. 

 

As relações de afeto – independente do tempo de existência – devem ser leves, tranquilas (com sabor de fruta mordida). O estar junto deve ser um momento de paz, de conexão. Estar junto porque é bom para a alma estar junto. Se não foi possível por esses dias corridos, será em breve e será legal.

 

Em um momento de balanço, de encerramento de ciclo, como é esse final de dois mil e vinte cinco, justamente agora é a hora de estarmos em paz com o mundo, como se deitados em uma rede em uma tarde de verão.


Até. 

domingo, dezembro 21, 2025

A Sopa

Uma consequência séria, mas negligenciada, das comemorações de final de ano e que pode vitimar qualquer pessoa, principalmente aqueles chamados de 50+, é o burnout.

 

Sim, burnout. Esgotamento, se quiserem.

 

É um potencial efeito colateral dos encontros, churrascos e confraternizações que ocorrem por esses dias. Família, colegas de trabalho, amigos de diferentes círculos de convívio, todos queremos nos encontrar e celebrar a passagem do tempo juntos, celebrar nossas conexões, antecipar coisas boas. 

 

É uma fase para ser leve, divertida. Quanto mais conexões, maior é o número de eventos, às vezes simultâneos, e isso em meio à rotina de trabalho, que até o recesso (que me permito entre o Natal e o Ano Novo) continua com suas demandas habituais.

 

Essa semana que recém termina foi bem assim.

 

A partir de terça-feira à noite, foram churrascos com diferente grupos até quinta. Na sexta, após estar acordado desde antes das cinco horas da manhã, ainda foi noite de encontro com xis-bacon, no meu caso. Sábado de manhã, bicicleta. Saí de casa com o plano de pedalar 30km, ideia abortada logo depois de sair. Foram 20km, em pouco mais de uma hora.

 

Voltei para casa e após o banho, me deitei na cama e dormi. Acordei para almoçar, mas passei o resto do dia com sensação de a gravidade estar maior, como se tentando me esmagar. Passeio o resto do dia assim, MUITO cansado.

 

Hoje acordei mais disposto, mas não fui pedalar.

 

Preciso de um pouco mais de descanso da maratona de encontros.

 

Até.

sábado, dezembro 20, 2025

Sábado (e una tarde na praia)

Imbé / RS

Sábado passado.
Caminhando de pés descalços na areia.

Bom sábado a todos.

Até.


 

sexta-feira, dezembro 19, 2025

(Nem tão) Poucos

Três noites, quatro churrascos (em um não pude ir).

 

Diferentes turmas, diferentes e queridos amigos, algumas de nossas trajetórias voltam no tempo mais de trinta anos, enquanto outras são mais recentes, mas não menos intensas. E ainda não foram todos os churrascos que deveriam ocorrer, nem todos os encontros que gostaria que acontecessem.

 

Fisicamente, muito cansativo.

 

Para a alma, o ânimo, o astral, é como um banho frio em um dia quente, ou um banho quente em um dia frio: reconfortante. Recarregando energias, reforçando conexões, celebrando a vida.

 

É parte do (meu) ritual de final de ano.

 

Mesmo que nem sempre presencialmente, revisito lugares e pessoas que estiveram presentes e tiveram importância em minha vida. A hora do balanço do final de ano se aproxima, e esses encontros são também uma forma de centralizar a vida, entender onde estou e porque estou onde estou.

 

Ao contrário do Roberto Carlos, eu não queria ter um milhão de amigos. Eu quero manter os meus (nem tão poucos) próximos, e que eles saibam que podem contar comigo para tudo, da mesma forma que sei que posso contar com eles quando for preciso.

 

Hoje continua, porque é sexta-feira.


Até. 

quinta-feira, dezembro 18, 2025

Maratona

O final do ano se aproxima a passos largos.

 

O recesso (que fazemos, normalmente entre o Natal e o início do próximo ano) está aí, prestes a começar, e estamos naquele momento de celebrações e confraternizações. Encerramento de ano, despedidas.

 

Essa semana, em especial, pois na próxima já é Natal, está sendo intensa. Churrasco na terça-feira, churrasco na quarta-feira (eram, dois, faltei a um deles), churrascaria hoje, outro encontro amanhã e, sábado, um encontro de família. Parece que passei o ano inteiro fazendo atividade física regular para aguentar essa semana intensa. E confesso estar remando após os dois primeiros churrascos da semana...

 

E é assim com todos nós, lá em casa.  

 

Muitas pessoas a encontrar, o que significa um amplo espectro de amizades, de relações.

 

Acho bem bom isso. Mesmo.


Até. 

quarta-feira, dezembro 17, 2025

Trinta e Um

Foi em um 17 de dezembro, no ano de 1994, em que me formei em medicina. Há exatos trinta e um anos. Dez anos depois, só que em um dia dezesseis, defendi minha tese de doutorado em uma vinda ao Brasil enquanto estava morando no Canadá para um pós-doutorado. Mais dez anos, agora em 2014, era Presidente da Sociedade de Pneumologia do Rio Grande do Sul durante o Congresso Brasileiro de Pneumologia em Gramado. Passados outros dez anos, 2024, publiquei o meu primeiro livro de crônicas e tive uma sessão de autógrafos na Feira do Livro de Porto Alegre.

 

Escrito assim, parece uma trajetória linear, um caminho pavimentado que percorri sem intercorrências ou dificuldades, sem angústias, aflições ou incertezas. Nada mais distante da verdade.

 

Poderia contar essa mesma história de outra forma, e os mesmo fatos, a mesma trajetória, não pareceriam os mesmos, ou – ao menos – da mesma forma. A narrativa muda tudo. Como vemos o que nos acontece, como reagimos ao que acontece, nosso jeito de encarar a vida, ou mundo, que é fruto das circunstâncias, mas também decisões que tomamos.

 

Tem sido uma caminhada boa até aqui, com altos e baixos, como acontece com todo mundo, e tenho tido o privilégio (competência, também?) de poder conviver com pessoas muito legais. Como costumo dizer, tenho expandido minha zona de conforto, ampliado minha bolha.

 

O que é (para mim, para mim) muito legal.


Até. 

terça-feira, dezembro 16, 2025

Hiperfoco

Pode ser que seja apenas a minha bolha.

 

Provavelmente seja isso mesmo, um fenômeno definido e restrito pelo algoritmo, mas tenho reparado, à medida que se aproxima o final do ano, uma tendência maior das pessoas refletirem sobre suas vidas como forma de preparação para o ano que se avizinha. Como eu disse, pode ser impressão ou hiperfoco meu.

 

Porque é o que sempre fiz, isso de refletir sobre quem tenho sido e sobre quem quero ou deveria ser. E os finais de ano são propícios a esse tido de pensamento, de análise. A sensação de fechamento de ciclo facilita esse tipo de ação. Mesmo que seja simbólico, a virada do ano tenho o poder de zerar o cronômetro das expectativas e planos, e encerrar a conta do que passo, sempre com a esperança de que o saldo tenha sido positivo.

 

De agora até o início de janeiro os dias são mais leves, recheados de encontros, reencontros, celebrações, churrascos. Haverá um recesso profissional a partir do Natal que quero aproveitar para abandonar alguns pesos que carrego ao longo do tempo e que não deveria mais estar carregando.

 

Objetos, pessoas e relações que não fazem mais sentido.

 

Falo mais sobre isso na sequência.


Até. 

segunda-feira, dezembro 15, 2025

Rotina

Há vinte e um anos, tive uma epifania.

 

Não foi a única, talvez não tenha sido nem a primeira, e muito menos foi a última, pois - de tempos em tempos – sou ‘assaltado’ por uma revelação, percebo algo que talvez estivesse o tempo todo em minha frente, óbvio, e eu não percebera até aquele momento. Um detalhe do mundo, a verdade por trás das aparências, como quando revelo ao paciente que vacinamos para influenza anualmente não para evitar a infecção, mas para que não morramos da pneumonia que vem depois.

 

Há vinte e um anos, dias após chegar sozinho em Toronto e começar a organizar minha vida por lá, percebi, ou reforcei o conhecimento, da importância da rotina (e das gavetas) em nossas vidas. O quão importante é termos um procedimento padrão para as atividades de vida, uma previsibilidade. Fornece segurança, fornece paz.

 

As espontaneidades, o improviso, o nadar contra a corrente, tudo ótimo, tudo maravilha, mas – com o tempo – consome uma energia grande. Nada contra, aliás, ao contrário, mas – convenhamos – cansa. A rotina entra aí como um cobertor quentinho em uma noite fria: nos dá conforto.

 

Por isso que sair dela, algumas vezes atrapalha a vida, por melhor que sejam as suas intenções e objetivos. Não tem problema, de verdade, mas – sim – deixo tudo meio confuso.

 

Como quando ocorre um evento cedo da manhã e não consigo escrever minha crônica diária no horário habitual.


Até. 

domingo, dezembro 14, 2025

A Sopa

Ontem, mais uma vez, levei a Jacque e outras bailarinas até a cidade de Osório, litoral norte do RS, onde se apresentariam à noite. Saímos de Porto Alegre por volta das três da tarde, e uma hora depois as larguei no local da apresentação, que começaria às 18h. Assim que as deixei no local, segui em direção ao mar.

 

Cerca de trinta minutos separam Osório de Tramandaí e, cruzando a ponte, Imbé, praia de minha infância e adolescência. Desde que meus pais venderam a casa, há mais de dez anos, de tempos em tempos, ao passar por lá, me sentia compelido a passar lentamente por aquele trecho da Av. Rio Grande onde nós – a Turma do Muro – vivemos grande parte de nossas histórias, como se estivesse visitando um templo à memória do (meu, nosso) passado.

 

Isso até há dois anos.

 

Da mesmo forma que ontem, havia levado as bailarinas até Osório e seguido para Imbé, para o ritual da passagem por lá. Estacionei o carro, andei um pouco observando as casas, ou o que havia restado delas comparando com minha memória. O que não estava abandonado ou malcuidado, estava diferente do que era. Senti, naquele momento, que algo terminara, algo morrera em mim. Aquele lugar não era mais o Imbé de minhas memórias.

 

Porque as pessoas não estavam lá.

 

Meus pais, o Neni, o Titico, o Vitor, a Stefania, o Adriano, o Beto, o Fernando, o Julinho. O Rafa, a Tati, a Carla, a Milene, a Florence. Ninguém mais estava lá. Eu não estava lá. A vida seguira seu fluxo habitual, e o que era o nosso país, a nossa Terra do Nunca, agora era um cemitério de minhas memórias.

 

Percebi que havia acabado, e não fazia mais sentido voltar.

 

Ontem, então, voltei ao litoral, até passei em frente à nossa antiga casa, mas não mais me diz nada. Fui até a praia, estacionei o carro e, pés descalços, fui caminhar com o pés na água. Sol, céu azul. 

 

Pensei em 1985, quando terminei o ensino fundamental (primeiro grau), em 1995 quando já era médico residente, em 2005 quando morava em Toronto, em 2015 quando estava terminando meu segundo mandato como Presidente da Sociedade de Pneumologia do RS e em 2025, quando estou onde deveria estar e sou quem eu sempre achei que deveria ser.


Até.   

sábado, dezembro 13, 2025

Sábado (e um material de estudo)

No quadro

Tônica, terça menor, quinta justa.
Tônica, terça maior, quinta justa.
Tônica, terça menor, quinta justa, sétima menor.
Duas vezes.

E assim vai.

Bom sábado a todos.

Até.


 

sexta-feira, dezembro 12, 2025

Sentido

Sobre o que nos acontece.

 

Diz-se que aquilo que nos acontece na vida não é exatamente aquilo que nos acontece na vida. É, em verdade vos digo, ou nos dizem, a forma como reagimos àquilo que (nos) acontece. É como reagimos aos fatos, é como os entendemos.

 

Da mesma forma, quase nada, nunca, é pessoal. Ou sobre nós. Não existe uma grande conspiração mundial maquinando dificuldades e obstáculos a nenhum de nós. Não ficam o tempo todo (nos) observando em busca de falhas ou deslizes para apontarem, julgadoras.

 

As pessoas estão preocupadas com suas próprias vidas, seus problemas, suas angústias e aflições. Não somos o alvo de constante escrutínio e avaliação. As pessoas estão apenas olhando para si, absortas em suas vidas.

 

Por essa razão, não há necessidade de esperar aceitação e entendimento, ou mesmo ter de explicar as decisões que tomamos sobre nossas próprias vidas. Em sua maior parte, as pessoas não querem, e não precisam, compreendê-las. E está tudo bem, é assim mesmo.

 

A receita é sermos coerentes com nossos princípios e seguirmos da forma que faça mais sentido a nós mesmos. 

 

Até. 

quinta-feira, dezembro 11, 2025

A Ilha, de novo

Deixa de ser besta e para com essa bobagem’.

 

Essa é uma frase que digo a mim mesmo de tempos em tempos. É uma espécie de chamado de volta à realidade, uma lembrança para colocar novamente os pés no chão e parar com sentimentos de inadequação, ou quando a sensação de ilha bate mais forte. Você sabe, quando nos sentimos sós em meio a uma multidão.

 

São cada vez mais raros, mas ainda acontecem vez que outra. O que fazer nesses momentos? Se não é possível evitar, ao menos tenho tentado (e, sim, conseguido) torná-los cada vez mais breves.

 

Essa eventual, possível, sensação de não fazer parte, ou – extremo – de ser excluído, é o fantasma rondou (ronda?) em minha volta ao longo da vida e, mesmo velha conhecida, ainda algumas vezes consegue me incomodar. Reconheço imediatamente sua ocorrência e prontamente começo o trabalho de neutralizar seus efeitos. Quase como uma nuvem escura que baixa sobre a vida. E não consigo não lembrar...

 

Hello darkness, my old friend
I've come to talk with you again
Because a vision softly creeping
Left its seeds while I was sleeping
And the vision that was planted in my brain
Still remains
Within the sound of silence

 

In restless dreams I walked alone
Narrow streets of cobblestone
'Neath the halo of a street lamp
I turned my collar to the cold and damp
When my eyes were stabbed by the flash of a neon light
That split the night
And touched the sound of silence

 

And in the naked light I saw
Ten thousand people, maybe more
People talking without speaking
People hearing without listening
People writing songs that voices never share
No one dared
Disturb the sound of silence

 

"Fools" said I, "You do not know
Silence like a cancer grows
Hear my words that I might teach you
Take my arms that I might reach you"
But my words like silent raindrops fell
And echoed in the wells of silence

 

And the people bowed and prayed
To the neon god they made
And the sign flashed out its warning
In the words that it was forming

And the sign said, "The words of the prophets
Are written on the subway walls
And tenement halls
And whispered in the sounds of silence" * 

 

Mas, como eu disse, dura pouco essa sensação.

 

Tudo o que preciso, nesses momentos, é olhar para o todo, ter uma visão de perspectiva, para saber que, sim, as coisas estão como deveriam ser, e que não estou só.

 

Até.


Simon and Garfunkel, 1964.

 

quarta-feira, dezembro 10, 2025

Nem Sempre É Assim

Hoje foi difícil.

 

Acordar, quero dizer.

 

Não é o habitual, pois o que é comum é eu me vangloriar pela minha característica, ou habilidade, ou hábito, que seja, de acordar cedo. Independente da hora que vou dormir, o despertar – pronto para começar o dia, bem-humorado – é mais ou menos na mesma hora. E isso há anos.

 

A rotina das quartas pela manhã é de atividade física ainda antes das oito horas, seguida de atividades administrativas e reuniões como empreendedor na School of Rock Benjamin. O dia segue com reunião clínica na Santa Casa e depois de volta à escola. O estar logo cedo já com a atividade física realizada, aumenta a animação e produtividade. A satisfação do dever (pessoal, autoimposto) cumprido e da meta alcançada é uma ótima sensação.

 

Houve um tempo em que era ainda mais cedo. Quatro vezes por semana, de segunda a quinta-feira, eu saia de casa ainda antes das sete horas da manhã para caminhar até a academia e fazer o treino. E aos finais de semana, também cedo, ia pedalar. Depois, por diversas razões, tive que reduzir e rearranjar meus horários de atividade física, mas ainda acordando cedo, sem despertador.

 

Em resumo, acordar cedo é parte de quem sou, do que me define. E gosto disso.

 

Hoje, contudo, não.  É dezembro, ontem teve churrasco (o primeiro de uma sequência até o final do ano) e acordei sentindo o peso do mundo, a gravidade em maior intensidade, sono. Chovia forte. Não fui para a academia. Ao invés de acordar às seis e quinze, saí da cama às sete e meia. Café e banho rápidos, começou o dia.

 

Quem sabe amanhã, quem sabe amanhã.

 

Até.

terça-feira, dezembro 09, 2025

Abstraindo o Mundo

Um pensamento rápido.


A tentação de passar o mês de dezembro absorto em retrospectivas, balanços, revisões e reflexões é grande.  Tenho a impressão de que avançamos pelo mês apenas no embalo, após pedalar (remar, se quiserem) durante os meses anteriores. Depois de muito fazer força, mentalmente já estou descomprimindo. Mesmo que o mundo ainda corra, ansioso, já não estou nessa mesma sintonia.

 

Da mesma forma, as expectativas para o ano seguinte surgem, planos começam a ser delineados, objetivos traçados. 

 

É o momento em que abstraio o mundo lá fora, com suas tensões, ansiedades, guerras e loucuras, e foco no que realmente interessa, em como reajo ao que me acontece, em como vou contar a história do meu ano, o que termina e o que vai começar.

 

Foco na narrativa, na minha narrativa. 

 

Em quem sou, em quem devo ser.


Até. 

segunda-feira, dezembro 08, 2025

Não É Segunda

Esse não é um espaço em que falo de futebol.

 

Aliás, não falo de futebol. Não brinco, não faço piadas, não toco flauta em ninguém. Tento mudar de assunto quando ele surge. Não compactuo com “disputas” entre torcedores de um e outro time. Não incomodo ninguém, porque não quero ser incomodado.

 

Já afirmei mais de uma vez: sou O Pior Torcedor.

 

Nem gosto de futebol, para ser sincero. Torço para o meu time. Quieto, só, em silêncio, se possível em um quarto escuro em uma noite chuvosa longe da humanidade. Eu e meus botões. Eu e minhas convicções e idiossincrasias. Eu, eu, eu. Não me interessa compartilhar isso com ninguém.

 

Como a vida, na maior parte das vezes o que realmente importa é a jornada, não necessariamente o destino, o final da jornada. Um ano é um longo período, apesar de não ser um século (referência musical para poucos), e tudo o que passamos durante a caminhada importa, tanto quanto o resultado último, mesmo que o que vai na estatística seja a última impressão, seja o destino. 

 

Dito isso, posso dizer que começo a semana aliviado. Agora é – literalmente – bola ao centro e ano que vem tem mais.

 

Para o bem e para o mal.


Até. 

domingo, dezembro 07, 2025

A Sopa

Não tenho escrito ficção nos últimos tempos. Ou quase não tenho. Aqui e ali, pode ser que aconteça, mas não é o usual por esses dias. O plano de escrever um (longo) livro de ficção, por exemplo, está, a meu ver, distante, ou à distância de uma preparação, um estudo, um pouco maiores. Vou chegar lá.

 

Tenho escrito sobre o mundo, mas – acima de tudo – sobre mim. E isso não é uma volta a textos egocêntricos e megalomaníacos meus, como em um passado já distante, mesmo que fossem em grande parte ficcionais. Atualmente, tem sido diferente.

 

Acho que escrevo para preservar a (minha) memória.

 

Tive, algumas vezes, a sensação, ou impressão, de que havia fatos, ou memórias, de outros tempos que começavam a se perder, a desaparecer para sempre, que estavam lentamente se dissipando e que nunca mais teria acesso a elas, as perderia permanentemente. Isso me assustou, porque somos nossas memórias, somos o resultado do que vivemos.

 

Então, escrever sobre mim, sobre essas memórias que ainda resistem, seria uma forma de preservá-las, mantê-las. Me preservar, continuar me entendendo. Deixar um registro (para mim, que seja) do que vivi, do que senti, e com quem vivi as histórias. Tudo isso enquanto crio (vivo) histórias que serão contadas e escritas, para não serem esquecidas.

 

Serve também para fotografias. 

 

Fotografias contam histórias, mesmo que desfocadas, mesmo que estejamos ‘esquisitos’. Mesmo, e ainda mais, se foram tiradas sem preparo, ‘de susto’.

 

Histórias e estórias.


Até. 

sábado, dezembro 06, 2025

Sábado (e é dia de...)

Komka
 

Churrasco, polenta frita e salada de rúcula com cebola e bacon.

Bom final de semana a todos.


Até.

sexta-feira, dezembro 05, 2025

Respeito (Quase) Todo Mundo

Julgamos os outros o tempo todo.

 

Por mais que digamos o contrário, estamos constantemente julgando as pessoas com as quais interagimos em todas as situações. Não há como evitar. 

 

A impressão que nos causam, o tipo do relação ou interação que temos, nossas ações e reações perante elas, tudo isso é dependente, ou está relacionado ao julgamento que fazemos em tempo real, antes, durante e depois dessas potenciais interações. Para o bem e para o mal, eu digo.

 

O que devemos fazer é saber como lidar, como proceder a partir desse julgamento que fazemos, assim como o que é relevante ou não para nós. Quais os parâmetros que usamos nas diferentes situações e que peso damos a esses parâmetros. Quais são os mais importantes, os que podem mudar tudo? Que podem mudar a forma como a pessoa em questão é vista, e que podem fazer com que queiramos estar mais próximos ou não daquela pessoa.

 

Julgamos, então, para saber quem deve estar em nossa bolha? Mais ou menos. Em alguns casos, sim. 

 

Mas existem outros casos, entretanto, em que mesmo com diferenças grandes, mantemos a proximidade apesar de determinadas características, gostos ou posições políticas, que podemos achar – vamos dizer – estranhas, ou equivocadas. Relevamos em prol de um bem maior.

 

Respeitamos (quase) todos, desde que nos respeitem em nossos gostos e opções.

 

Ia falar dos veganos, e todos aqueles contra os churrascos.

 

Não vou.

 

É sexta-feira e é dezembro.


Até. 

quinta-feira, dezembro 04, 2025

Quatro de Dezembro

 A proximidade do final do ano, aquele simbólico momento de zerar o cronômetro e começar tudo de novo, se aproxima a passos largos entre promessas de encontros, confraternizações e outros eventos sociais. Agenda cheia, pouco tempo.

 

Inevitavelmente, chegamos à fase de avaliações, rescaldo, balanço de quem fomos e daquilo que fizemos no ano que se aproxima do fim. Se os planos – alguns deles, ao menos – forma executados como pensados.

 

O que realizamos, o que mudou.

 

O tempo passa rápido quando olhado em retrospectiva. Ontem era Páscoa e amanhã tenho cinquenta e muitos anos. A passagem do tempo deve (ou deveria) nos fazer aceitar mais serenamente o resultado de nossas escolhas e ações. Aceitar a colheita, por resultado do que plantamos. Algumas vezes, contudo, entender que a colheita pode demorar mais do que gostaríamos, que precisamos de maior cuidado e maior dedicação até o resultado vir.

 

E mesmo sem o final do ciclo, preparar o próximo, aquele que virá a seguir. Preparar o terreno, arar a terra.

 

Até.

quarta-feira, dezembro 03, 2025

Não É Inteligente

Eu comecei a escrever, como forma de pensar a vida, há muitos anos, inicialmente escrevendo à mão em cadernos que – alguns deles – ainda guardo como recordação. A fase seguinte foi registrar meus pensamentos datilografando em uma máquina de escrever, que era onde alguns trabalhos de escola de depois faculdade eram feitos, ainda antes dos computadores com editores de texto.

 

Sou, dessa forma, de uma geração que nasceu analógica e evoluiu para o digital. Das apresentações em Powerpoint das quais saíam slides que eram projetados por projetores que tinham carrosséis em que inseríamos os slides físicos, e cuja lâmpada queimava com certa frequência, até as atuais que deixamos na nuvem, ou nos enviamos por e-mail. Passei (passamos) por tudo isso.

 

O mesmo com as fotografias, antes reveladas a partir de filmes de 24 ou 36 poses, que carregávamos em viagem e revelá-las depois era como viajar de novo, até os celulares cujas fotos são tiradas ad nauseum, de comidas até infinitas selfies em frente ao espelho. Tudo bem, tudo certo. Redes sociais, desde o finado Orkut até o Instagram, passei por todas.

 

O meu limite, estabeleci há algum tempo, foi o Tik Tok.

 

Foi quando vi que envelheci. Não é para mim.

 

Agora, as IAs, os chatbots.

 

São potencialmente fantásticos, se usados adequadamente, como tudo na vida. Funções de auxílio em projetos, coisa e tal. Muito legal. Nunca, contudo, como conselheiro sentimental, ou outro tipo de utilidade que não prática, que exima o usuário do contato e das relações humanas.

 

Esse limite é bem mais simples de estabelecer.

 

Para mim, para mim.


Até.