Quem eu serei na aposentadoria?
Não, não estou em vias (e nem próximo) de me aposentar, e nem tenho planos no momento de fazê-lo, para ser sincero. Minha profissão, que (ainda) é minha atividade principal, permite que eu tenha a possibilidade de muitos anos de trabalho pela frente, mas, também, a possiblidade de reduzir a carga de trabalho caso seja desejo ou necessidade, sem parar totalmente.
Por outro lado, se fosse o caso, digo com tranquilidade que poderia para de trabalhar totalmente, e realmente me aposentar. A vida não acabaria se parasse de trabalhar, diferente da geração anterior, dos nossos pais, que – com exceções, evidentemente, e mais intensamente com os homens, viveu para trabalhar e, perder ou parar com o trabalho significava perda da identidade e da senso de utilidade. Vi meu pai se sentir perdido no mundo quando fisicamente não mais conseguia trabalhar.
Também por isso sempre soube que a (minha) vida deveria ser mais do que o trabalho, que não é ele que nos define. É parte, sim, e importante, mas não o que a define. Sou (somos) muito mais que nossa função social.
Somos nossos relacionamentos, e as pessoas cujas vidas tocamos, somos os livros que lemos, os filmes que vemos, as músicas que ouvimos (e tocamos). Somos os encontros, as turmas, as conversas amenas e as difíceis, os bares e as festas. Por isso a importância de reconhecer e saudar aqueles que nos são importantes.
Até.