quarta-feira, abril 06, 2005

Outono

Nada como a casa da gente.

O outono no sul do Brasil, e em Porto Alegre em especial, talvez seja a estação do ano mais bonita. É quando o céu parece de azul profundo, e as cores de tudo são mais vivas, mais vibrantes. Ainda há o verde que vem do verão, mesmo que este ano tenha ocorrido uma seca sem precedentes, o que desagradou os agricultores em geral, mas tornou as uvas mais doces o que torna a safra de vinhos produzidos este ano - e que vai ao mercado em 2007, para os vinhos mais encorpados, que necessitam de tempo de maturação em barris de carvalho - a melhor de toda a história aqui no sul do América do Sul, Brasil.

Hoje fui - uma vez mais - ao hospital em que trabalhava até junho do ano passado. Para rever amigos, colocar conversas em dia. A pergunta de todos: já de volta, ou turista? Turista, respondo, pois é com esse olhar que tenho visto os dias passarem por aqui desde que cheguei. Mas, ao mesmo tempo, a estranha - e boa - sensação de que nunca saí daqui, que continuo parte do todo, parte do local onde sempre vivi e para onde volto no final desta minha jornada por terras canadenses.

O melhor é saber que já me sinto parte do todo também em Toronto. Estou lá, inteiro e vivendo a experiência com dedicação total. Faço parte de dois mundos, que - no fundo - são o mesmo.

Na fase de transição, ao sair da escola para entrar na faculdade de medicina, bem adolescente ainda, eu percebi que eu era mais de um, três até, para conviver nos diferentes mundos que me cercavam, três meios sociais, com pessoas diferentes, quase antagônicos até. Com o passar do tempo, não sem alguma perda e/ou dor, unifiquei os mundos em que vivia. Ou, melhor, me tornei único, uno. O mesmo Marcelo sempre, em todas as situações.

Coerência.

Foi quando vi que tinha crescido.

3 comentários:

Ana disse...

Voce vai ficar quanto tempo no Canada?!?!?

Muito legal voce estar ai visitando, se divertindo e aproveitando esse tempinho!

BEijo

M. Elisa Máximo disse...

Marcelo, apesar de ter ficado (ou estar ficando, ainda) somente 6 meses em Montreal, sinto como você. Não por todo o tempo, mas às vezes me senti completamente integrada a este mundo, andando pelas ruas como se tivesse nascido aqui, comportando-me e vivendo as horas como se estivesse no "meu lugar". Mas em nenhum momento deixei de pertencer ao outro mundo, aquele que é "meu" de verdade, onde tenho meus amores e minhas coisas, onde tenho minha rotina, onde estabeleci minha vida. É muito louco isso, mas é exatamente este o tom da contemporaneidade. Podemos pertencer a vários mundos ao mesmo tempo ou ir e vir de mundos diferentes como uma facilidade incrível. Não que não tenha sido dolorido estar aqui em muitos momentos. Mas nenhuma dor, saudade ou sensação de "deslocamento" esteve acima do deslumbramento e da gratidão diante desta experiência em terras quebequenses!

Um grande beijo e curta muito o sul.

e-migrante disse...

Aproveita esse tempo em terras tupiniquins.... nada como o nosso lar, não? Abraços!