sábado, abril 30, 2005

Sábado, primavera

E eu dentro de casa porque lá fora chove na maior parte do tempo, ou alternam momentos de chuva com períodos nublados. Baita porcaria. Mas como não sou de ficar me queixando do tempo, vamos em frente.

Venho há dias querendo me irritar com algo. Ou alguém.

Você sabe como é, tem dias que a gente precisa descontar em alguém, mandar alguém à merda, gastar energia dizendo impropérios a alguém ou uma situação. Na maior parte das vezes, são situações que nos irritam e acabamos descontando em alguém. Não acho isso saudável,que fique bem claro, mas acontece.

No Brasil, o trânsito é a maior fonte de estresse do dia-a-dia. Ao menos para mim. Pessoas que não respeitam o sinal de vermelho, estacionam em fila dupla, fazem conversões proibidas, tudo isso me irrita. O que tenho a ver com a situação? Na esmagadora maioria das vezes, nada. Mas fico extrememente irritado quando vejo acontecer, e não me furto de fazer comentários, um sinal de luz aqui, uma buzinada ali. Sou irritantemente chato no trânsito, admito. Ou o trânsito é a válvula de escape para outras ansiedades com que convivo, e apenas libero a energia presa sendo quando vejo os outros sendo imprudentes.

Minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa.

Exorcizo meus fantasmas e me sinto mais leve.

Mas mesmo assim ainda quero me irritar com algo. Alguém. Sei lá, só para poder chamar de fiadaputa, ou fiadasputa, se forem mais de um. Aquilo de ontem não valeu, porque era uma raiva dirigida não a alguém específico, mas a uma situação genérica. A mesma coisa do que ficar irritado com as guerras do mundo. Sabe como é, genérico, sem efeito.

Mas não estou conseguindo me irritar.

Comecei a pensar seriamente no assunto, e voltando no tempo atrás de algo ou alguém que me irritasse aqui no Canadá, fui encontrar um episódio logo que me mudei aqui para casa, com a Bell Canada. Isso em agosto do ano passado. Quando aluguei o apartamento, dia 24 de agosto, para me mudar três dias depois, liguei na na mesma hora e fiz assinatura do telefone. A informação que me foi dada é que no dia que no dia seguinte à mudança, sábado dia 28, o telefone estaria funcionando.

Claro que, no dia marcado, nem sinal de telefone funcionando. Liguei para a central de atendimento ao cliente e marcaram de um técnico ir ao apartamento para corrigir o problema no domingo de manhã. Não gostei, mas tudo bem. No sábado à tarde, assim, de repente, o telefone passou a funcionar. Fiquei super-feliz, e até liguei para desmarcar a vinda do técnico.

Domingo de manhã, acordo com o telefone tocando. Atendo, e a pessoa que ligou pergunta se é da redação de um determinado jornal de bairro. Digo que não, deve ter ligado o número errado. Ele me pede desculpas, e desliga. Passa um minuto e toca o telefone de novo. A mesma pessoa, que me diz que está discando para para um número diferente e está caindo na minha casa.

Faço um teste: ligo para um conhecido que tem telefone com identificador de chamadas, que me confirma: tem outro número no meu telefone! E eu desmarquei a visita do técnico! Ligou novamente para a central de atendimento e explico a situação. Ela me diz que um técnico só poderá vir ver o problema na terça-feira (estamos no domingo de manhã). E após o telefonema, o telefone com o número errado pára de funcionar.

Aí fiquei realmente brabo. Desci até um telefone público, liguei e xinguei desde a Bell Company até provavelmente a Rainha da Inglaterra, de tão brabo que fiquei. O técnico acabou vindo na segunda-feira e, em dois minutos, no máximos, consertou e tudo ficou bem. Depois disso, eu ia dizer, nunca mais perdi o bom humor, que me é característitco.

Ia encerrar aqui, mas enquanto escrevi lembrei da outra vez em que perdi o humor aqui em Toronto: foi quando reservei um carro para alugar para o final de semana que eu e a Jacque íamos passar em Niagara Falls e, sábado de manhã, chegando na agência, nos informaram que não havia reserva. Fiquei bem brabo mesmo, tanto que demorei a entender que o funcionário estava sugerindo nos levar até a outra filial da agência para pegarmos outro carro…

Em resumo, o que queria dizer é que não tenho perdido o humor por aqui quase nunca. Isso pode ser devido a alguns fatores, por exemplo: aqui no Canadá as coisas funcionam mesmo, então n˜åo há motivo para tal; ou não tenho carro; ou, como quando em viagens de férias, acho que tudo são histórias para contar, e nada tira meu humor; talvez eu esteja ficando mais tolerante, mais flexível.

Acho que de tudo um pouco.

Um comentário:

Aninha disse...

A Bell e absurda, so te falo isso :)

Quanto ao meu post, eu concordo que o medico brasileiro, com todas as condicoes impostas a ele, se vira muito bem pra tentar ajudar o pessoal. Mas o que eu quis dizer foi que, se a saude publica esta ridicula no pais(e esta mesmo), eh culpa do governo, e nao dos medicos. Bom domingo :)