terça-feira, março 22, 2005

Drops de Pensamento

Algumas impressões que devo desenvolver com calma. Ou não.

1. O verdadeiro sentido da história só vai se revelar quando esta for analisada com a visão da perspectiva. Ao analisar o todo, poderemos entender o significado e conseqüências dos fatos do agora.

Lembrei disso ao me dar conta que só daqui a alguns anos vou ter a noção exata do significa estar passando esse tempo aqui em Toronto. Em termos profissionais, já tive algumas amostras, pequenas eu sei, mas significativas no seu simbolismo. Quanto às relações pessoais, as que ficaram e as que estão se construindo, o tempo vai mostrar a minha capacidade de criá-las e sedimentá-las a longo prazo, o que nada mais é que um reflexo de quem tenho sido e sou como pessoa.

2. Admiro sinceramente quem decide emigrar de seu país e começar uma vida nova. Tenho conhecido vários por aqui nesta condição: racionalmente, após pesarem prós e contras, optaram por viver em outro país, tornarem-se cidadãos, adotarem uma nova pátria.

Não deve ser fácil tomar essa decisão, mas fatores como violência urbana, qualidade de vida em geral, os faz deixarem o lugar que nasceram para viverem em uma nova cultura. É não terem o destino determinado por uma questão geográfica, de se sentirem obrigados a viver num local só porque nasceram lá. Muitos vão em busca da felicidade que talvez não encontrassem vivendo no Brasil.

3. Há alguns meses, recebi um e-mail que propunha um debate:

“Sei que estamos nos preparando para termos estabilidade financeira na vida, poder ter uma casa legal, conforto para a familia, viajar, se dar alguns luxos. Mas o que pergunto é o que faremos depois disso. O que faremos de especial para nossa comunidade, nossa cidade, nosso estado, nosso país (…) temos uma responsabilidade social, coletiva (…) Ficaremos em casa, fazendo discursos para 2 pessoas, após 3 garrafas de vinho?. (…) Pensemos em nosso papel”.

Tenho pensado nisso. Qual o nosso papel no mundo?

Tenho muito o que pensar, aliás.

4. Falando em pensar e em questões filosóficas, está confirmada para a primeira quinzena de abril, em Porto Alegre, uma edição especial das Quartas-feiras Filosóficas. Será apenas essa edição, mas elas devem retornar regularmente em 2007.

5. Sobre A Sopa de Ervilhas Anual do Marcelo: a sua primeira versão canadense está marcada para 30/04/2005. Todos convidados. Inscrições abertas, é só deixar um recado aqui. Organização: Ana Célia e eu.


E você, já pensou no seu papel no mundo?

9 comentários:

Luly :) disse...

Oi, Marcelo!

Aproveitando que vc falou sobre emigrar... será que vc conseguiria fazer uma análise sobre a vida aí no Canada, já que vc não tem "obrigação" de se adaptar? Acredito que sua análise seria muito válida e mais 'isenta' do que a dos imigrantes... Vc acha que realmente é um país em que vale a pena viver?
Eu, como futura imigrante, gostaria muito de saber sua opinião...;o)

Bjo

Luly :)

marcelo disse...

Luly,

Vou fazer, sim, boa idéia, um texto sobre o que um não-imigrante que está morando aqui acha do Canadá.

Vai ser mais uma opinião sobre o assunto, não sei se mais "isenta", afinal essa é uma questão bem pessoal, depende muito de cada um. Mas gostei da idéia e vou escrever. Valeu pelo comentário.

M. Elisa Máximo disse...

Marcelo, você tem razão. É difícil ter a dimensão exata do quão significativa é uma experiência a no exterior. Eu já tenho uma idéia do quanto estes seis meses estão sendo especiais, mas acho que só terei uma noção mais completa quando voltar pro Brasil. Como você, admiro a coragem daqueles que imigram. Confesso que não teria esta disposição, não agora. Não porque me sinto obrigada a morar onde nasci (até porque já adotei outra cidade como "lar"), mas principalmente pelas concessões que precisam ser feitas: deixar família e uma situação muitas vezes "confortável", em busca de um sonho que muitas vezes nem tem um desenho muito definido e só é pautado pelas grandes possibilidades que "teoricamente" oferecem uma país de primeiro mundo. A imigração coloca a maioria dos imigrantes numa difícil situação (falta de grana, necessidade de adaptação, falta da família, etc) e eles estão sempre dispostos a superar. Enfim, realmente admirável.

Um abração!

Monique disse...

Oi Marcelo; Ainda não tiha olhado por esse lado, que vc está aqui temporariamente e com isso pode ter uma visão diferente ou não da nossa. Estou interessanda nesse seu próximo post. Oba a Sopa foi marcada ..... bjs,

Ninne disse...

Tambem concordo com vc. Eu estava ateh falando sobre isso com a Ana e o Alessandro. Admiro ainda mais quem veio sem nenhuma rede de suporte, como familia aqui, por exemplo. Eu vim, mas sempre tive o Darryle a familia dele, nao tive a urngencia de arranjar emprego imediatamente, essas coisas. Me dei ao luxo de soh me dedicar aos estudos por 2 anos, antes de procurar emprego. Mas muita gente nao teve assim tao facil. Admiro demais!

Quanto ao meu papel no mundo, bom, eu faco o que posso. Sou voluntaria da Humane Society de Windsor, que cuida de animais abandonados e os encaminha para adocao. Tento educar as pessoas sobre o respeito que os animais merecem. Soh adoto, nunca compro nenhum bicho em loja. E tbm planejamos adotar uma crianca brasileira (ou africana ou haitiana)um dia, em vez de ter 2 filhos.

Eh pouco, mas eh algo.
Beijo!

Ana Celia disse...

Oi Marcelo,
Eu so vou te dar uma maozinha... o evento e' seu!!!! :)

Bjs,
Ana

Tbem quero ver esse seu post sobre imigrantes, gosto qdo vc escreve sobre esse tipo de tema.

Mel disse...

Oi Marcelo,

Tentei comentar ontem, mas pensei que só quem tivesse blog poderia deixar comentário. Resolvi tentar hoje e vi que clicando em "other" eu poderia deixar o meu comentário.

Então, foi ótimo ter participado do encontro. Pena não ter podido conversar com você e outras pessoas que estavam mais distantes...
Eu só conhecia a Ana Célia e o Gean pessoalmente e, como eu não tenho blog, fiquei com vergonha de me apresentar aos outros.

Quanto ao nosso papel no mundo...é uma pergunta muito complexa.
Quando penso na sua pergunta logo me vem a cabeça outras perguntas: "Quem sou eu?" ; "Como me expresso no mundo?" ; "O que esperam de mim? ". Acredito que à medida que nos auto-conhecemos poderemos participar mais ativamente na sociedade e sermos melhores cidadãos. Cada um é responsável por suas próprias ações já que sua existência afeta a dos outros.
Não precisam ser grandes ações, um simples gesto de gratidão quando alguém lhes presta algum favor pode ser suficiente.
Já estou escrevendo demais e soando um pouco existencialista.

Até a próxima,

Mel

Ana disse...

No meu caso eu imigrei porque me casei com um canadense. E foi uma decisao muito dificil, viu. E complicado voce largar faculdade, familia, amigos, cultura, e se mudar pra um lugar completamente diferente. Mas acho que, overall, estou feliz por aqui.

Pena nao poder ir a sua sopa, ja temos compromisso pro dia 29-30-31.

PS: Foi mal por meter uma palavra em ingles no meio da frase em portugues mas ultimamente tenho que fazer isso, ja que estou esquecendo muitas coisas em portugues :(

Jacque Rizzolli disse...

Hei meu amor,
Pensei muito sobre esses pensamentos, muito daquilo que eu penso, eu sei que tu já sabes, mas não custa dizer...Eu também admiro quem tem coragem de largar tudo e começar do zero (ou quase do zero) em um outro país, outra cultura, outro ambiente. Se eu faria isso? Penso quase todos os dias a esse respeito, desde que tu te mudaste prá Toronto, já teve períodos que eu era radicalmente contra, agora já não tenho certeza, mas confesso que largar meus pais, minha irmã, meus sobrinhos e meu trabalho que eu Amo tanto sería muito difícil e doloroso. Acho bárbaro saber da infra-estrutura e do horário super-folgado de trabalho que tu tens aí, enquanto eu passo 10 horas do dia trabalhando no Hospital da PUC, fora todas as tarefas que eu trago prá casa...eu adoro o que eu faço, mas queria ser melhor remunerada por isso...Portanto, na minha cabeça, é muito difícil ter esse desprendimento que o pessoal que imigra tem, talvez por que aqui eles tivessem frustrados com suas ocupações ou coisa assim, mas oque realmente me choca é quando descrubo que um dentista, ou um advogado, ou um engenheiro, sei lá, larga tudo e vai para os USA para trabalhar em subemprego, só porque recebe em dólar...daí eu não consigo aceitar... beijos e saudades Jacque (do Brasil)