segunda-feira, agosto 15, 2005

O churrasco

Os vegetarianos que me perdoem, mas carne é fundamental.

Para ser sincero, eu imagino que – a despeito de toda propaganda que fazem – a vida de um vegetariano deve ser em preto e branco. Eu ia dizer que ser vegetariano é coisa de… deixa pra lá, eu seria criticado pela brigada dos politicamente corretos. Azar, vou dizer mesmo assim: ser vegetariano é coisa de gente sem sal… Bah… falei, que venham as pedras…

Esses tempos, nós estávamos num pub aqui em Toronto tomando (no meu caso) uma Guiness e conversando amenidades. O nós a que me refiro somos o grupo do laboratório onde estou trabalhando como pesquisador. Pois é, entre os diferentes assuntos debatidos, falamos de dietas. Uma das técnicas mostrou-nos a dieta que havia recebido de um endocrinologista que ela havia consultado. Entre as orientações, a de não consumir carne vermelha. Olhei atentamente todas as orientações e concluí: baaiiita picareta, não sabe nada…

Aí começamos a falar sobre tipos de alimentos permitidos ou não em dietas, você sabe, aquele velho papo. O Carlos e eu, ambos latino-americanos, ele colombiano e eu brasileiro, fechamos questão que – sem carne vermelha, sem churrasco – a vida não vale à pena. Eu disse mais, se o médico viesse me preescrever uma dieta e ali constasse abstinência total de carne, eu pediria para ele me dar um tiro. Que me matasse logo, se era essa a sua intenção…

Sou gaúcho, e o churrasco não é só uma refeição, uma festa: é um imperativo moral (fazia tempo que eu não usava essa expressão, tava sentindo falta dela). E não só o churrasco, o espeto corrido (ou rodízio).

O espeto corrido é a suprema festa do glutão. É a gula sem culpas, sem pudores. É selvageria pura, é o homem frente aos seus mais primitivos instintos (nada a ver com Roberto Jefferson e José Dirceu, por favor). Num espeto corrido, não estamos ali apenas para um almoço ou janta, estamos frente a um desafio e um arquétipo: somos lembrados da nossa fome ancestral, de nossos antepassados mais remotos que saíam em busca de alimento e nunca sabiam se conseguiriam voltar para a caverna com a refeição, ou mesmo retornar inteiros, vivos.

No espeto corrido, somos trogloditas, e qualquer coisa menos que isso é, no fundo, um desrespeito a todos os que morreram lutando para tornar esse mundo melhor.

(Tudo isso para dizer que estivemos em Niagara Falls para almoçar no Copacabana, uma churrascaria brasileira em frente ao Fallsview Casino, mas ela estava fechada… nada há de ser nada, não está morto quem peleia…)

Até.

6 comentários:

Ana disse...

E ser estiver sangrando bastanteeeeeee....


...melhor ainda! :D

Marcelo disse...

engracado... quando fui a Buenos Aires descobri que eles chamavam churrascarias de espetos corridos. Parece que o pessoal do sul segue a mesma influencia. Questao de nome... tambem adoro churrascarias tipicas brasileiras. Em Chicago, Fogo de chao e' muito boa! Right on...

Luly :) disse...

Ahhh... é um adorador de carne vermelha... por isso ficou babando no churrasquinho de gato siamês... ;o)

Tb AMO carne vermelha... Nâo sei como as pessoas podem vuver sem!!!

Bjoca

Camilla disse...

Sou louca pro carne!! E tambem morreria se nao pudesse comer!! Ainda estou com desejo de churrasco!! Hahahaha!!

Deise disse...

Nao eh necessario ir tao longe por um espeto corrido Marcelo. Red Violine fica na Danforth, muiiiiiiiiiiiiiiito melhor que o Copacabana. E em breve outro vai abrir bem pertinho da gente. Bloor e Christie...

Anônimo disse...

Tudo bem gostar de carne, o que fica ridículo é fazer esa generalização sobre quem não come.

theveganpolice@hotmail.com